Capítulo 6: Na Carruagem a Caminho do Funeral (Parte 4)
Lizbeth detestava ser usada, tratando sua boca como uma vagina. Ficou claro agora que a investida de Bieren não fora um ato de amante, mas meramente a luxúria de um patrão que queria ejacular em sua bela criada. Enquanto lutava para respirar, ela envolveu a língua em torno do membro dele e olhou para cima, para ele.
“Você tem um rosto que poderia fazer até um pau mole ficar duro num instante.”
Bieren murmurou, pressionando o pênis contra a parte interna da bochecha de Lizbeth, observando-a corar, antes de retirá-lo. O líquido branco escorreu pelos cantos da boca dela, semelhante ao que acontecia depois de engolir sêmen. Ele lambeu os lábios ao ver o sêmen escorrendo entre as pernas de Lizbeth e caindo no assento da carruagem.
“Acabei de limpar meu pau na sua boca, e você está com o que eu te dei escorrendo esse tempo todo.”
Lizbeth foi tomada por uma onda de constrangimento enquanto lutava para se recompor, com o baixo ventre tenso. Rapidamente, endireitou as pernas abertas, tentando esconder o desarrumado que deixava seu peito à mostra. Bieren olhou para a criada enquanto ela juntava as roupas e sentiu um desejo incontrolável de arrancá-las novamente. Só de vê-la, já sentia vontade de abrir suas pernas mais uma vez; ele não podia levá-la para fora daquele jeito.
“Puxe a saia para baixo corretamente.”
Ele a advertiu ao ver o líquido viscoso e esbranquiçado escorrendo pelos tornozelos dela. Se algum homem visse o sêmen escorrendo pelos tornozelos de sua empregada, arrancaria os próprios olhos. Qualquer um que visse aquilo certamente desejaria abrir as pernas dela. Ele enfiou a mão por baixo do vestido dela e pressionou firmemente sua vagina entre as pernas, advertindo-a.
“Se algum homem descobrir o que está debaixo da sua saia, ele não sobreviverá.”
“Humph…”
“Mexer num buraco que outra pessoa usou já é bastante constrangedor, mas deixar um estranho entrar no seu buraco…”
Um buraco que outra pessoa usou. Lizbeth não conseguia tirar a palavra “buraco” da cabeça, e a ideia de que era assim que ele a tratava a deixava enjoada. Ela se sentia mais mal ao ouvir as palavras grosseiras de Bieren do que ao sentir o olhar temível do homem sobre ela.
“Aquele homem vai morrer, e não pense que você vai se safar me humilhando ainda mais.”
“…Sim.”
Lizbeth balançou a cabeça enquanto olhava para Bieren, que revelava seu desejo por um homem imaginário. Ela sabia que até mesmo inventar desculpas, dizendo que tudo com ele era sua primeira vez, seria inútil. De qualquer forma, seu patrão apenas entenderia errado e ficaria ressentido por não ter sido o primeiro a conquistá-la, pois Lizbeth não passava de sua propriedade. Só de pensar nisso, ela se sentia ainda mais devastada e lágrimas brotaram em seus olhos.
“Agora você nem sequer nega que tem um homem.”
Bieren balançou a cabeça e saiu da carruagem furioso. A visão de Lizbeth balançando a cabeça sem nenhuma intenção de se desculpar foi ainda mais irritante, principalmente depois de ela ter chorado e dito que, no início, só havia ele. Ele saiu da carruagem e se virou para Lizbeth, que permaneceu imóvel.
“O que você está fazendo aí dentro?”
Só então Lizbeth se aproximou da entrada da carruagem. Seu patrão insensível, mesmo em sua fúria, estendia a mão pedindo uma escolta. Ele não a havia abandonado; estendia a mão para garantir que ela saísse da carruagem em segurança, embora ela não fosse nada mais do que uma criada que o satisfaria quando ele quisesse. Sua bondade desmedida parecia cruel e impiedosa. Lizbeth finalmente estendeu a mão, com lágrimas escorrendo pelo rosto, e a apertou.
“Enxugue suas lágrimas. Eu já não lhe disse como seu rosto chorando desperta o desejo de um homem?”
Ele sussurrou em tom de aviso enquanto puxava a criada que descia segurando sua mão. Mesmo que o peito da criada se apertasse em vez do baixo ventre enquanto ela ouvia suas palavras e chorava, ele escolheu palavras duras de propósito. Mesmo sentindo uma pontada de pena ao vê-la enxugar silenciosamente as lágrimas do rosto com o dorso da mão, ele não tinha interesse em ouvir suas desculpas.
“Almas pobres estão a caminho de vocês, por favor, protejam a jornada delas.”
Lizbeth não conseguiu ouvir direito o elogio fúnebre do padre. Ela não conseguia entender a situação em que os nomes do Duque e da Duquesa estavam escritos lado a lado na lápide.
“Revela o caminho para que as duas almas cheguem ao teu lado, ó Senhor.”
Lizbeth se preocupava com o quão profundamente perturbada a bondosa Duquesa devia estar. Ela pensou que, apesar de ter tido um caso terrível com o tratador de cavalos, a Duquesa poderia estar sofrendo com a morte do marido, condenando seus pecados. A Duquesa, que não foi encontrada em lugar nenhum, estava enterrada sob a terra fria. Lizbeth se virou para Bieren incrédula.
“Duquesa, como assim…?”
A boca de Bieren se abriu ligeiramente em descrença ao ouvir o nome de sua mãe. Como ela era uma criada trazida por sua mãe, Lizbeth perguntou sobre o paradeiro dela. Naquele momento, ele não sabia por que aquilo lhe parecia tão doloroso. Quando ouviu que sua mãe havia fugido, pareceu-lhe que a criada também poderia fugir. Em vez de mentir descaradamente, dizendo que sua mãe havia seguido o mesmo destino de seu pai, Bieren contou-lhe a verdade.
“Minha mãe fugiu com o tratador de cavalos. O que jaz abaixo é um dos cadáveres que morreram no asilo.”
Ela não conseguia acreditar nas palavras sussurradas por Bieren em seu ouvido. Estavam realizando um funeral para a Duquesa, que não havia morrido em nome da dignidade da nobre família. Ela o encarou incrédula, seus lábios tremendo enquanto se via incapaz de falar diante da situação.
“Isso… isso…”
“Seria uma grande honra ser enterrada no cemitério de uma família nobre, como um cadáver que poderia ser sepultado em qualquer lugar da montanha. Supondo que ela estivesse morta, ninguém procuraria por minha mãe, que fugiu. Ela jamais maculará a honra da família.”
Bieren falava com uma frieza que Lizbeth mal conseguia acreditar. Ela não conseguia acreditar que o homem à sua frente enterraria outra pessoa sob o pretexto de ser sua mãe, quando ela nem sequer estava morta. Era algo incompreensível para ela, por maior que fosse a dor dele, mas Bieren parecia tão indiferente. A morte do pai, a partida da mãe – ele parecia preocupado apenas em preservar a honra da família.
“Eu não sou como meu pai, deitado indefeso em um leito de doente, incapaz de proteger qualquer coisa. Não vou abrir mão do que é meu.”
Ele encarou o olhar chocado de Lizbeth e disse: Se essa pobre criada ousasse expressar o desejo de deixá-lo, ele a intimidaria até que se submetesse. Levá-la ao funeral era para deixar isso claro, para garantir que ela soubesse. Se o coração dela se deixasse influenciar, não importava. O que importava era mantê-la ao seu lado.
“Quaisquer que sejam os afetos que você nutra, seus sentimentos são insignificantes.”
Lizbeth mordeu o lábio, olhando para Bieren, o homem insensível que falava como se os sentimentos dela não significassem nada. Ela nunca usara o sabonete que ele lhe dera de presente. Muitas vezes o cheirara, querendo preservar o momento, mas nunca ousara usá-lo. Com o passar do tempo, porém, o sabonete perdeu o aroma. Ela se lembrava do perfume das rosas mesmo quando já não as sentia mais. Lizbeth o guardou até que desaparecesse por completo. Considerava-o a fragrância de seu afeto acumulado.
“Você não será libertado de mim até que tenha cumprido seu propósito.”
Bieren falou, contemplando o pôr do sol, certo de que Lizbeth jamais seria libertada da servidão. Lizbeth nunca o deixaria, nem mesmo em seus últimos momentos. Não existe sinceridade imutável na vida, então a única coisa que importa para ele é a escravidão e o confinamento.
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