Capítulo 9: Quando você aprende a amar a coisa frágil que tem em seus braços (Parte 8)
O joalheiro chamado à mansão do Duque mediu os dedos da mulher que jazia como um cadáver e foi embora. Bieren esperava que Lizbeth acordasse enquanto o anel estava sendo feito. No entanto, ela só acordou depois que o anel de diamantes, feito arbitrariamente por Bieren, estava pronto. Bieren, que havia prometido pedi-la em casamento se ela acordasse, começou a perceber seu erro. O anel era apenas mais um produto de sua obsessão.
Lizbeth realmente me aceitou naquele dia em campo?
Não. Então, se ela acordasse, certamente o deixaria. Mesmo assim, ele ainda desejava que ela acordasse. Mesmo que tivesse que deixá-la ir, contanto que ela acordasse, não havia mais nada a esperar.
“Como está a criança?”
O mordomo ficou surpreso com a pergunta de Bieren sobre a criança, algo que ele nunca tinha ouvido antes. Imediatamente, ordenou que alguém a trouxesse. Bieren havia se esquecido da criança, absorto na possibilidade da morte de Lizbeth. Não, ele temia encarar o fato de que fora ele quem a levara à morte. Não queria cumprir seu último desejo de criar a criança. Não queria admitir que aquelas poderiam ter sido suas últimas palavras. Mas, ao segurar a criança nos braços, foi cativado pelo calor indescritível daquele pequeno ser.
“Ele tem cabelos pretos como a senhora, Vossa Graça.”
O mordomo disse isso enquanto entregava o filho de Lizbeth a Bieren. Foi então que Bieren percebeu que o cabelo da criança havia crescido. A criança, que ele não via desde que Lizbeth desmaiara, agora tinha cabelo e seus olhos estavam um pouco mais claros. Piscando os olhos como a mãe, a criança tinha uma semelhança impressionante com Lizbeth.
“Olhos tão esmeralda quanto os seus.”
Bieren ficou cativado pelos olhos da criança, que brilhavam como pequenas joias, e murmurou algo para Lizbeth. Ele tinha a forte impressão de que, se visse aquela criança ao menos uma vez, não teria outra escolha senão amá-la. Era impossível não amar o filho de Lizbeth, que se parecia com ela. Parecia uma força inevitável. Era impossível odiar uma criança assim. Mesmo que a criança fosse de outra pessoa, Bieren teria aprendido a amá-la. Porque era o filho de Lizbeth.
“Veja isto. Esta criança preciosa que você me confiou mesmo à beira da morte.”
Bieren aproximou-se de Lizbeth, que ainda não havia despertado. Ele sabia que Lizbeth abriria os olhos para ver aquela linda criança, mesmo que não quisesse vê-lo. Ele queria trazê-la de volta das profundezas do coma, vê-la piscar seus olhos esmeralda, olhando para ele.
“Você precisa acordar agora. Você não pode simplesmente deixar seu filho comigo. Você não pode me deixar com seu filho.”
Bieren se lembrou do carinho que Lizbeth lhe dedicara quando ela era apenas uma simples criada. Ele encontrou nela um oásis de afeto em meio à sua vida desértica. Ele a havia duvidado, testado e tratado de forma imprudente, questionando se o afeto dela era uma ilusão. Ele havia represado a fonte de seu afeto transbordante. Bieren só percebeu seus erros depois que tudo se transformou em um deserto árido.
“Não te dei nada.”
Bieren sentiu vergonha de si mesmo por tentar conquistar o afeto dela com vestidos e joias. Enquanto o filho de Lizbeth o enchia de tanto carinho, ele não lhe ofereceu nada além da chance de uma vida de extravagância, fingindo que isso bastava para possuí-la. Mas essas trivialidades não eram suficientes para medir o valor de Lizbeth.
“Deixe-me dar algo a você também.”
Bieren murmurou enquanto embalava o filho de Lizbeth nos braços. No abraço onde Lizbeth, que só dera amor por toda a vida, um dia estivera, restava apenas o calor frágil. O homem que não derramara uma lágrima sequer quando seu pai morreu, agora sentia o peso da morte dia após dia. O medo da morte vinha da constatação de que nada podia ser feito pelo falecido. Nem perdão, nem súplicas por afeto. Nada podia ser feito. Mesmo assim, Bieren não chorou. Chorar seria reconhecer a morte de Lizbeth, e, em negação de tudo, ele conteve até às lágrimas.
* * *
Quando Lizbeth abriu os olhos, foi como se tivesse despertado de um longo sonho. Nesse sonho, ela amara e tivera um filho com seu amado. Os momentos em que o amara, por vezes, lhe traziam dor. Contudo, no fim, ela fechou os olhos no abraço arrogante dele, que confessava seu amor. À medida que as pálpebras pesadas de Lizbeth se abriam, sua visão turva gradualmente se aguçou até capturar completamente o homem à sua frente. Bieren tinha a expressão de um homem que acabara de se separar da esposa. A arrogância em seus olhos dourados havia desaparecido, substituída apenas pela perda.
“Agora parece que estou tendo alucinações novamente.”
Ao ver Lizbeth acordada, Bieren murmurou algo monótono. Ela não conseguia entender por que ele a tratava como uma alucinação. Tentou falar, mas seu corpo, ainda imerso em um sono profundo, não respondia adequadamente. Enquanto ela lutava com os lábios, Bieren continuou a falar sem ânimo.
“Sou grato por poder te ver, mesmo que seja em alucinações.”
Bieren finalmente aceitará que as alucinações de Lizbeth eram reais. Falava com elas inúmeras vezes ao dia, sem obter resposta, mas sentia-se grato por ter a sensação de estar conversando com ela. Colocou o anel de noivado que havia feito em sua mão esquerda no dedo anelar. Cada vez que percebia o quão emaciados estavam seus dedos, a ponto de não conseguirem sequer segurar os pertences de um homem, sentia uma pontada de culpa por tratar uma mulher tão frágil e delicada com tanta frieza.
“Este é o anel de noivado que fiz para você. Se você não o aceitar, usarei para sempre.”
Bieren murmurou, acariciando o anel no dedo dela por hábito. Lizbeth não conseguia imaginar que a perda o levará a se apegar a um objeto enquanto ela estava inconsciente. Bieren continuou a acariciar a mão de Lizbeth e sussurrou, seus lábios roçando os dela.
“Tenho certeza de que você não quer mais me ouvir dizer que te amo.”
Lizbeth nunca o ouvira dizer que a amava o suficiente para se cansar disso enquanto ela estivesse acordada, e seu coração doía ao imaginar quantas confissões ele devia ter proferido em sua angústia por perdê-la. Doía-lhe o coração ao imaginar o quão desesperado aquele homem arrogante devia estar para confessar seus sentimentos.
“Não me atrevo agora a pedir-te que me permitas estar ao teu lado, nem te pedirei que me conserte se não quiseres consertá-lo.”
Bieren sussurrou, pressionando a bochecha contra a palma da mão de Lizbeth. Repetiu seu pedido para que ela o deixasse ficar ao seu lado. Mas agora sabia que todos os seus apelos eram inúteis, pois estava apenas alucinando. Se realmente a amasse, não deveria exigir o que queria, mas sim dar-lhe o que ela desejava. Em sua inadequação, finalmente compreendeu e aceitou essa verdade. Bieren acrescentou com voz resignada:
“Agora, se você voltasse à vida, eu poderia te mandar para qualquer lugar.”
Bieren agora conseguia entender o pai. Parecia-lhe que o pai, em seu leito de morte, devia saber do caso da mãe. Não havia como ele não ter percebido a mudança em seu rosto, a cor dos olhos, o jeito de se vestir, parecendo uma mulher renascida do leito de morte. Mesmo assim, o pai a deixava fazer o que quisesse porque a amava. Ele esperava que ela vivesse livremente, em vez de ser abandonada após sua morte.
Bieren considerava tolo e patético trilhar o mesmo caminho do pai. Mas agora finalmente aceitará que se tornará alguém como ele. Talvez conseguisse se libertar por amor. Mesmo que definhasse sem Lizbeth, precisava enviá-la para viver feliz.
“É assim que eu te amo.”
Bieren repetiu a declaração de amor que ela provavelmente já estava farta de ouvir. Era um amor que ele só sabia confinar e controlar, um amor que ele só sabia manter sob controle pelo resto da vida dela, mas agora ele sabia como deixá-la ir. Lizbeth, mal conseguindo abrir a boca para o homem que confessava seu amor com o rosto enterrado na palma da mão, conseguiu falar.
“Senhor, meu senhor…”
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