Capítulo 9: Quando você aprende a amar a coisa frágil que está em seus braços (Parte 4)
Ao ouvir o suspiro repentino de Lizbeth, o homem do outro lado da porta bateu, preocupado. Lizbeth não lhe contou que Bieren tinha vindo visitá-la e estava examinando as pernas de uma mulher grávida. Mesmo que o homem do outro lado da porta não pudesse vê-la, Lizbeth balançou a cabeça freneticamente e falou.
“Não, humph, não, não…”
“Eve, por favor, abra a porta. Eu te ajudo.”
Isaac disse, preocupado com Lizbeth, como se fosse arrombar a porta a qualquer momento. Mas o nervosismo de Lizbeth a fez pensar em todas as vezes que Bieren a tocou no corredor. Ela se lembrou de seus sentimentos na época, tristeza e excitação ao mesmo tempo, questionando como um relacionamento que envolvia apenas atos lascivos poderia ser chamado de caso de amor. Ela se lembrou dos dias em que seu coração batia tão forte que era difícil se mover, seu baixo ventre se contraía e sua vagina ficava encharcada.
“Você fica excitada só de ouvir a voz de um homem, aposto que vai se mijar se eu te foder na frente dele.”
Bieren ficou louco com a contração de Lizbeth dentro dele ao ouvir a voz de Isaac. Enquanto ele a penetrava e estimulava seu clitóris, ela apertava seu pênis com força, mordendo-o e arqueando os quadris. Seus olhos se encheram de lágrimas de prazer, a ponto de ser impossível conter seus gemidos, como se ela quisesse engolir seu pênis com ainda mais avidez, impulsionando os quadris descontroladamente e implorando.
“Não, ah, não, mestre, por favor, goze, rápido, ah, não!”
“Você está me implorando para terminar antes que seu amante descubra, é?”
Sempre que Lizbeth procurava um amante que não fosse Bieren, ele tinha vontade de perguntar se poderia ser o amante dela. Mas não ousava. Bieren não queria ser amante; queria ser mestre. Incapaz de suportar a posse de uma amante, ele a penetrava com mais força, levando-a ao ápice do prazer. Quando a mente de Lizbeth se encheu de prazer e ela não aguentou mais, soltou gemidos lascivos.
“Mestre, por favor, goze dentro. Goze dentro de mim, mestre, ah, huh, sim!”
A criada, com a barriga inchada pelo sêmen de outro homem, espremeu o esperma dele para fora, como havia aprendido, e a visão dela pareceu gelar o sangue dele, ao contrário de antes, quando fora puxado com força por baixo. Bieren estava confiante de que havia domado a criada a seu gosto. Mas, mesmo com esse sentimento miserável, o desejo de ejacular dentro dela cresceu, mostrando que Lizbeth, sem dúvida, o havia domado.
“Porra….”
Bieren ejaculou dentro de Lizbeth, seu pênis, que não era masturbado há tanto tempo, jorrando um fluxo interminável de sêmen. Lizbeth, tremendo violentamente, pressionou a parte inferior da barriga contra o jato de sêmen semelhante a urina.
“Humph…”
Bieren olhou para Lizbeth, que se contraiu como se quisesse engolir o sêmen que seu pênis continuava a ejacular. Era isso que ele a havia ensinado. Alegria, tristeza, ressentimento — tudo isso ele a deixara experimentar, mas não o amor. As emoções eram coisas tão imperfeitas e variáveis. Ele a ensinara a se abrir para ele por hábito, mas não conseguiria doutriná-la para um amor eterno. Pensava que de alguma forma poderia mantê-la presa a ele. Ele confrontou sua arrogância. Bieren retirou o pênis e ejaculou o restante do sêmen na barriga inchada de Lizbeth. Envolveu-a em seu roupão e a pegou no colo.
“Chega, chega… tem gente lá fora.”
Lizbeth disse ao ver Bieren se aproximando da cama. Ela temia que ele pudesse retomar o caso enquanto Isaac ainda estivesse lá fora. Isaac gostava de Lizbeth. Lizbeth não queria ser cruel com o homem que havia lhe declarado seu amor, mostrando-lhe uma cena dela fazendo amor com outro. A visão daquilo fez os lábios de Bieren se contraírem de tristeza.
“Você ainda não entende que eu quero destruir tudo que demonstra bondade para com você.”
Apesar disso, Bieren deixou o jardineiro ir embora ileso. Ele queria cortar qualquer pênis que ousasse vagar entre as pernas de Lizbeth, arrancar os lábios que porventura a beijassem e cortar as línguas que a atormentassem. Mas, assim como aqueles que nem sequer deram um esfregão a Lizbeth em sua juventude, ele lhes entregou um mero pedaço de pano para limpar toda a mansão e os mandou embora. O jardineiro também recebeu a árdua tarefa de arrancar todas as roseiras do jardim e replantá-las, sendo então expulso. Havia um motivo pelo qual ele não podia impor-lhes uma punição mais severa.
“No entanto, não os machuquei, pois temia que, se fossem destruídos, despertassem sua piedade. E eu não queria que você me odiasse.”
Era evidente que Lizbeth não gostaria daquilo, caso chegasse aos seus ouvidos. Mesmo no funeral do duque e da duquesa, ela ficou horrorizada ao saber que haviam escolhido um cadáver qualquer do asilo e o enterrado como se fosse o da duquesa. Bieren detestava tudo o que importava para Lizbeth. Detestava até mesmo a menor demonstração de atenção e o menor olhar de compaixão que ela recebia. Bieren desabafou toda a sua tristeza enquanto olhava para Lizbeth.
“E você acha que eu sou uma piada? Como se sente por ter feito seu mestre se ajoelhar?”
“…Por favor, me deixe ir.”
Lizbeth implorou; sua voz rouca de tanto gemer. Como se não pudesse ouvir as palavras desesperadas de Bieren, ela só temia ser arrastada de volta para a mansão ducal com a criança em seu ventre. Ela temia a perspectiva de ser trancada em seu quarto novamente, sem nunca mais ver o rosto da criança que carregava por nove meses. Lizbeth pensava que agora se tornara inútil para ele com a criança. Ele era um homem que não tinha escrúpulos em estar em um relacionamento para ter um filho, então Lizbeth sentia que já havia cumprido seu propósito. Se ele podia tratá-la como uma mera camareira, poderia fazer o mesmo com qualquer outra criada da casa do duque.
“Certamente você pode encontrar outra empregada doméstica útil para me substituir.”
“Você se apropria do meu título de ‘mestre’, mas não está agindo como tal? Como ousa descartar isso com tanta leviandade?”
Bieren cuspiu as palavras, a voz embargada pela raiva. Parecia-lhe que Lizbeth era dona do seu coração. Caso contrário, ela não o teria descartado como se não fosse nada. Lizbeth estava dizendo ao homem que viera ao asilo procurá-la que encontrasse outra criada em seu lugar, mesmo que isso significasse permanecer no asilo em desgraça. Ela discutia com Bieren, que dizia não se importar que ela estivesse grávida de outro homem.
“Como você ousa falar de utilidade dessa maneira…?”
Utilidade. Bieren estava prestes a falar com raiva, mas se conteve. Foi o próprio Bieren quem proferiu aquelas palavras. Ele foi quem deturpou o valor de Lizbeth e falou com tanta aspereza. Lizbeth, que ouvira e aprendera com as palavras duras de Bieren, as aceitará e agora as repetia em sua própria boca. Todo o processo fora horrível. Bieren enfrentava uma condenação que ele mesmo atraira. Lágrimas, provocadas pela angústia, ainda escorriam pelas bochechas de Lizbeth. Vendo-a em tamanha tristeza, ele não conseguiu elevar mais a voz. Finalmente, falou, consumido pelo desespero.
“Vou mandar buscar uma carruagem e terminaremos esta conversa quando voltarmos à residência ducal.”
Bieren aproximou-se da porta apressadamente. Do outro lado estava um jovem cavaleiro bastante bonito, com os olhos cheios de um desejo ardente pela dama. Mas, assim que Bieren saiu da cabana de Lizbeth, esse desejo transformou-se em desespero e desapareceu.
“Parece que você não soube que ela tem marido.”
“…Todos disseram que o marido de Eva morreu.”
“Eles estavam apenas fofocando.”
Bieren, franzindo a testa para Isaac, que hesitava em ceder, insistiu que o marido de Lizbeth não estava morto. Bieren era um homem grande, maior que a porta da cabana. Sua estrutura musculosa era tão imponente que a figura de Lizbeth desaparecia atrás dele. Ele baixou a cabeça, saiu pela porta e olhou para o jovem cavaleiro de forma intimidadora.
“Ela é minha esposa, e o filho em seu ventre é meu.”
Lizbeth sentiu como se a voz de Bieren do outro lado da porta fosse uma alucinação auditiva. Embora aliviada por ele não a ter apresentado como uma criada lasciva na frente de todos, ela começou a desejar que ele realmente a visse dessa forma. Ou talvez, com a convicção com que falava, Bieren tivesse percebido que o filho que Lizbeth carregava era dele.
Ela havia fugido para esta aldeia rural, na esperança de purificar sua alma corrompida por meio de atos diários de serviço. Mas, seja por sua inadequação ou não, no instante em que Bieren apareceu, seu coração começou a vacilar. Sentia como se seu coração estivesse sendo arrastado para um abismo. Lizbeth fechou os olhos enquanto a fadiga a dominava. Se ouvisse mais alguma palavra dele para afastar o jovem cavaleiro, poderia realmente confundi-la com sinceridade.
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