Capítulo 9: Quando você aprende a amar a coisa frágil que tem em seus braços (Parte 2)
“Ha….”
Ao entrar na cabana onde Lizbeth supostamente estava hospedada, Bieren soltou um suspiro. Ele não conseguia acreditar que ela estivesse deitada em um lugar tão dilapidado e deteriorado, ainda mais do que nos aposentos da criada, com seu corpo grávido. Apesar de todas aquelas condições desfavoráveis, ela parecia mais feliz em qualquer lugar, menos ao lado de Bieren. Ele ouviu passos firmes se aproximando da cabana. Era Lizbeth chegando, e todo o seu ressentimento e saudade dela, tudo, estava vindo à tona.
Baque-
Assim que a tranca enferrujada foi puxada e a porta se abriu, Bieren sentou-se na cadeira de Lizbeth, rangendo os dentes. O rosto familiar de que tanto sentira falta estava diante dele. Naquele instante, foi inundado por uma avalanche de emoções. Apesar de Lizbeth parecer assustada, como se estivesse horrorizada ao vê-lo, seu rosto ainda era belo. Mas quando viu sua barriga inchada, sentiu como se sua razão estivesse sendo dilacerada. Certamente, não parecia ser seu filho. Se fosse, ela não teria se enrijecido daquela forma assim que entrou em sua cabana. Bieren sentiu como se estivesse sendo atirado em um abismo infernal sem fim.
“M-meu senhor…”
Quando Bieren, que costumava repreendê-la duramente em seus sonhos, estava diante dela, Lizbeth se surpreendeu ao vê-lo, mesmo em seus sonhos. Mas vê-lo sentado arrogantemente na cadeira surrada da cabana do asilo a fez duvidar da realidade. Ela não pôde deixar de se espantar com o rosto abatido do homem que, de alguma forma, havia chegado ali. Os olhos dele estavam cansados, como se não tivesse dormido muito.
“Você tem estado escondido neste buraco de rato sem sol.”
Bieren lançou um olhar furioso para Lizbeth quando ela abriu a porta. Rangendo os dentes ao ver a criada, ela se enrijeceu como se estivesse presenciando algo terrível. Embora aliviado por ela estar a salvo, sentiu uma pontada de arrependimento. Lizbeth, que definhará como um cadáver presa no quarto de Bieren, agora estava de volta à sua vivacidade habitual, perambulando pelo quarto. Aquilo o encheu de desespero. Era como se ela só pudesse viver se o deixasse. Ele pensava ser ele quem Lizbeth precisava para sobreviver, mas seu rosto jovem agora parecia lhe dizer que ela estava morrendo ao seu lado.
“Mantive distância e deixei o cavalo bem longe quando cheguei, porque sabia que se a notícia da minha chegada chegasse aos seus ouvidos, você fugiria de novo.”
Bieren se virou para Lizbeth e falou. Em vez de amarrar o cavalo perto do asilo, ele o deixou na trilha da floresta. Nem sequer pensou em pegar uma carruagem, o que teria levado mais tempo do que a cavalo, e não se lembrava da distância que havia percorrido desde que desmontara; sua única preocupação era garantir que Lizbeth não fugisse. Chegou a jogar fora suas vestes nobres. Vestia uma camisa surrada de poeta para despistar os asilos, mas o nobre não conseguiu disfarçar seu comportamento e revelou sua humildade a Lizbeth.
“Você pode me desejar morto, mas enquanto eu respirar, continuarei correndo atrás de você.”
“Como eu poderia desejar a sua morte?”
Lizbeth balançou a cabeça, com os olhos marejados. Mesmo quando ele a mantinha presa e subjugada, ela não queria machucá-lo nem um pouco. Porque o amava. Por mais que o amasse, queria suportar tudo o que ele lhe impusesse. Queria se entregar completamente, como se pudesse ser maltratada. Mas não queria sobrecarregar a mulher que poderia se tornar esposa de Bieren com ela, sua criada, trancada em seu quarto. Se permanecesse ao seu lado, a criança em seu ventre se tornaria filha ilegítima do duque, destinada a ser separada dela para sempre. Era algo que ela não podia fazer com a criança.
“Por que seu rosto está tão machucado?”
Lizbeth se preocupou ao olhar para o rosto exausto de Bieren. Apesar de saber que deveria abandonar aquele homem e fugir imediatamente, sentiu-se impelida a tocá-lo. Seu rosto estava enegrecido pela privação de sono. Quando a criada deu um passo em sua direção, o peito de Bieren apertou, e a pergunta veio com um tom amargo.
“Você está preocupado comigo, mas planeja fugir?”
Para Bieren, o olhar terno da criada parecia uma mentira. Se ela realmente o amasse tanto, não teria fugido enquanto ele estava fora. Não o teria deixado sofrer sozinho durante aqueles dias infernais. Ele sentiu mais desespero do que quando Lizbeth estava acorrentada em seu quarto, olhando para ele com seus olhos moribundos. Quando viu a criada, a única coisa que ele não poderia ter mesmo se a trancasse, olhando para ele com pena, ele falou como um homem que havia recobrado o juízo.
“Como você pôde ser tão imprudente a ponto de pensar em fugir com uma criança?”
A preocupação reprimida o invadiu. Bieren queria se perguntar como ela conseguira vir de tão longe e ainda trabalhar com uma gravidez a termo. Ele não conseguia entender por que ela se daria a tanto trabalho. Não sabia por que ela odiava tanto aquilo, por que fugira de seus aposentos luxuosos, por que se desfizeram de todas as suas roupas caras, porque se vestirá de trapos e parecera tão feliz em se misturar com os mais humildes, mas lá estava ela novamente, vibrante como uma flor que encontrará seu lugar no campo. Ele, que um dia pensara em quebrá-la e colocá-la num vaso, agora se sentia apenas um ser humano tolo e mesquinho. A vida dela e a dele eram tão diferentes.
“Se você está fugindo com uma criança, isso significa que a criança é de outra pessoa?”
Enquanto cavalgava por aqui, Bieren pintou inúmeras conjecturas terríveis. Ele imaginou cenas em que Lizbeth estava em momentos íntimos com outro homem ou amamentando um recém-nascido que não se parecia em nada com ele. Esperava que nenhuma delas fosse verdade. Esperava que Lizbeth lhe dissesse que a criança em seu ventre era dele e, mesmo que ela mentisse, ele poderia viver com essa mentira como se fosse verdade pelo resto da vida.
“…Não é seu filho, Duque.”
Lizbeth falou, engolindo o medo diante do interrogatório de Bieren. Ela havia previsto que um momento tão terrível chegaria. Tinha a sensação de que ele exigiria que ela lhe apresentasse a criança. Bieren, diante da audaciosa criada que finalmente admitiu que a criança não era sua, rangeu os dentes com tanta força que parecia que sua mandíbula poderia se deslocar.
“Você deve ter gostado muito, aceitando meu pau com avidez dia e noite, mas ainda assim insatisfeita a ponto de trazer outro homem para fazer o mesmo.”
A empregada, a quem Bieren ensinará carinhosamente a lamber e chupar seu pênis, havia tomado o pênis de outro homem e gerado um filho enquanto ele oscilava entre a vida e a morte. O homem sem rosto havia se entregado descaradamente ao corpo tenro que deveria ser de Bieren, engravidando-a e fugindo covardemente. Era preciso tomar uma atitude decisiva. Bieren jurou encontrar aquele homem e arrancar-lhe a pele.
“…Então, por favor, deixe-me ir com a criança.”
Lizbeth, tremendo como uma folha diante do olhar frio do homem, conseguiu terminar seu apelo. Ela não queria ser arrastada de volta para a propriedade ducal, presa no quarto sem sequer ver seu filho. O coração de Bieren se despedaçou ao ver a criada trêmula implorando por liberdade, mas ele ignorou a dor e falou.
“Não importa.”
Bieren não se importava com quem era o pai da criança. Na ausência de Lizbeth, ele já havia há muito tempo deixado de fantasiar sobre ela com um novo homem e uma família harmoniosa, e as palavras dela eram apenas uma das piores entre uma miríade de fantasias horríveis. Bieren ainda a aceitaria, mesmo que ela carregasse o sêmen de outro homem.
“Não me importa se você está grávida do filho de outro homem. Você é minha e a criança também é minha.”
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