Embora tenha chegado ao castelo com mais facilidade do que o esperado, o trabalho de criada a aguardava imediatamente. Sob as breves instruções do mordomo Robert, Roxana foi designada para um quarto. Era um aposento duplo, apertado e malcuidado.
Embora a escala fosse completamente diferente, o trabalho de criada era algo que ela já vinha fazendo na maior parte do tempo no convento. Limpar meticulosamente e preparar os ingredientes para as refeições. Ela estava preparada para que Curtis a submetesse a trabalhos árduos e a tratasse com severidade, mas, na verdade, ele, que a colocara ali, parecia ter se esquecido completamente de sua existência, não dando as caras nem por um segundo.
Como ninguém, exceto Robert e algumas poucas pessoas, conhecia a verdadeira identidade de Roxana, ela viveu dias mais tranquilos do que imaginava.
Cerca de quinze dias depois, uma carta chegou do convento. Roxana, mantendo a carta carinhosamente junto ao peito, pegou a esponja de limpeza. Ela estava limpando os degraus da escada enquanto carregava um pesado balde de água.
Quase terminando, alguém se aproximou e chutou o balde.
Roxana soltou um grito agudo e levantou-se de um salto. Suas mãos calejadas e a bainha de seu vestido ficaram encharcadas com a água fria. A pessoa que chutara o balde exibia uma expressão de total arrogância.
“Por que você está aqui? Já terminou de limpar a escada da ala oeste?”
“Sim. Acabei de terminar e estava limpando a escada do saguão de entrada.”
Era Lizzie, sua colega de quarto e criada sênior, cinco anos mais velha. Desde o início, ela não gostou de ter que dividir o quarto de criada, que antes era individual, com Roxana, e passou a destilar todo tipo de maldade, chegando a jogar fora a porção de comida de Roxana sempre que o mordomo não estava por perto.
“Hah, já? Você não deve ter apenas passado um pano superficialmente para tirar a poeira, deve?”
“Se não acredita, vá lá conferir você mesma.”
Roxana esperava esse tipo de hostilidade. Ela respondeu sem mudar uma única expressão. Lizzie, parecendo ainda mais irritada com aquela atitude, começou a provocá-la abertamente.
“Diga a verdade. Por indicação de quem você entrou aqui?”
“Indicação?”
“Não pense em mentir. Você não tem carta de recomendação e nem é deste território, então como conseguiu entrar aqui?”
Se o dono deste castelo contasse como indicação, talvez fosse isso. Roxana afastou o rosto que lhe veio à mente de repente e balançou a cabeça.
“Não existe nada disso. É a verdade.”
“Não me faça rir. Você acha que eu acredito nisso? E tem mais!”
Lizzie, que não sabia dos detalhes, arregalou os olhos. Ela havia se esforçado tanto para conseguir trabalhar neste castelo. Não bastava a mulher à sua frente ter entrado de repente, ela ainda ocupava um lugar próximo à preciosa senhorita com aquela cara bonita. Lizzie pensou que ela sairia se fosse atormentada, mas a mulher tinha uma persistência inesperada.
O que mais a enfurecia era algo que ouvira por acaso ao passar pela sala do mordomo. O mordomo estava dando uma ordem inacreditável a um servo.
“Ocupar o quarto ao lado da senhorita Frey sendo uma forasteira! Tem algo muito estranho nisso. Você acha que sou idiota?”
“O quarto ao lado da senhorita Frey?”
Era a primeira vez que ouvia aquilo. Roxana, que perguntou de volta, ficou boquiaberta. Lizzie, olhando-a com desprezo como se ela fosse hipócrita, chutou o balde escada abaixo desta vez.
“Ah, então você vai fingir que não sabe disso também? Não existe raposa mais ardilosa. O que você sussurrou para o mordomo? Por que não para com essa falsa modéstia?”
Foi o limite. Roxana respirou fundo e apontou calmamente para o balde.
“Vá buscá-lo.”
“O-o quê?”
“Eu disse para ir buscar.”
Lizzie arregalou os olhos. Aquela era uma mulher que aceitava tudo com docilidade, não importava o que fizessem com ela. Atordoada pela ordem firme que via pela primeira vez, Lizzie gaguejou.
“V-você, o que disse agora? Como ousa?”
“Quem cometeu o erro deve consertá-lo. Se continuar agindo com tanta maldade, acabará chamando a atenção de todos.”
“Está me ameaçando?”
Como Roxana falava como se estivesse repreendendo uma criança, o choque de Lizzie transformou-se em fúria. Lizzie levantou a mão.
“Você! Aah!”
Ela tentou desferir um golpe, mas seu pulso foi capturado. Sentindo uma força de preensão mais forte do que esperava, Lizzie franziu a testa.
“Dói, solte-me!”
“Eu a soltarei se prometer buscar o balde e limpar a água.”
“Você acha que conseguirá viver aqui em paz depois disso?”
Ofegante, Lizzie tentou desesperadamente soltar a mão presa. No entanto, ela não era páreo para a força de Roxana, que havia até cortado lenha durante os dois anos em que viveu no convento. Por fim, após um longo impasse, a oponente levantou a bandeira branca.
“Está bem, eu entendi! Já que entendeu, solte-me!”
Assim que Lizzie, quase chorando, gritou, a firme restrição foi liberada. Com os olhos cheios de choque, medo e raiva, Lizzie pegou o balde que havia rolado escada abaixo como se estivesse fugindo.
“Traga um pano e limpe a água. E ajude se estiver difícil.”
“N-não preciso.”
Com o espírito muito mais abatido do que momentos antes, Lizzie desviou o olhar bruscamente. Roxana deu de ombros e saiu para trocar de roupa. Logo, o olhar que a observava de longe também desapareceu.
* * *
“O trabalho correu bem?”
À pergunta de Robert, Curtis, que havia tirado o grosso manto, assentiu.
“Mais ou menos. Amanhã pretendo inspecionar as muralhas externas com Greg e verificar a segurança.”
“Seria por causa do Visconde Otis?”
“Como os territórios são adjacentes, dizem que ele vive rondando a fronteira.”
Era uma época agitada. Com o dia de pagar o imposto de defesa ao rei se aproximando, Curtis passava dias exaustivos como senhor feudal.
Ontem, ele lutou o dia todo com o conselho formado por agricultores livres sobre questões de direito consuetudinário e impostos, e hoje, desde o amanhecer, inspecionou as terras de cultivo e calculou a colheita deste ano. Depois, encontrou o responsável pela vinícola para ouvir suas dificuldades e retornou após verificar as florestas a serem desmatadas e a siderúrgica. Originalmente, ele delegava metade dessas tarefas a Robert, mas, desde o ano passado, devido ao declínio da energia pela idade, passou a fazer tudo pessoalmente.
“Algum relatório?”
“Não há, mas houve um desentendimento entre Roxana e outra criada.”
“Roxana?”
Ela era uma mulher que não seria capaz de matar nem uma formiga, muito menos brigar com alguém. Mas ter brigado com outra criada? Seus ouvidos se aguçaram com a história inesperada. Robert sorriu vitoriosamente por dentro ao notar a mudança sutil no rosto de Curtis.
Ele estava observando Roxana. Tudo por causa dos sentimentos confusos de Curtis em relação a ela. Depois de poupar a vida de sua inimiga mortal, ele a trancou em um convento árido. Quando pensou que ele a tinha esquecido completamente, ele a trouxe como criada.
“Use-a como criada de serviços gerais. Não importa quão árduo seja o trabalho.”
Desde o primeiro encontro, Robert sentiu uma estranha compaixão e afeição pela jovem Roxana. Após investigar discretamente, descobriu que, embora ela fosse a única filha do infame Marquês Dalton, a maioria dos habitantes do território de Pewi era favorável a ela.
“A senhorita Roxana? Ela é uma pessoa piedosa e bondosa. Tentei odiá-la uma vez, mas no fim, não consegui.”
“Ela preparou comida durante todo o inverno, evitando os olhos do Marquês. Como herdou o conhecimento da mãe, ela também era versada em farmácia e nos ajudou de várias maneiras.”
“O destino é algo estranho. Como um anjo desses pôde nascer de um demônio como aquele? Quando soubemos que ela havia falecido, não consegui trabalhar por um bom tempo.”
Ela viveu sem problemas no convento, e sua determinação e coragem ao arriscar a vida para vir até aqui pelas crianças doentes eram admiráveis. Além disso, mesmo como criada, ela cumpria seu papel silenciosamente.
Robert achava que, se fosse para servir a uma senhora, seria bom que fosse uma moça como ela.
Se ao menos ela não fosse a filha do Marquês Dalton.
Ao chegar a esse pensamento, Robert balançou a cabeça em silêncio. O importante era o fato de que ela era a única mulher que causava agitação em Curtis, que recebia críticas por não ter interesse algum pelo sexo oposto.
Como se provasse o pensamento de Robert, embora Curtis bebesse silenciosamente fingindo não ouvir, toda a sua atenção estava voltada para a história.
“A outra criada levantou a mão, então fiquei surpreso e ia intervir.”
Ao ouvir que ela levantou a mão, Curtis olhou para Robert sem perceber. Robert, fazendo uma pausa proposital, continuou com um sorriso.
“Mas Roxana segurou o pulso da outra criada. Não sei de onde veio tanta força naquele corpo tão frágil, mas a criada acabou se rendendo.”
“Então ela não perdeu o temperamento.”
Ao ouvir o murmúrio, Robert sorriu levemente.
“A outra criada disse que ela costumava atormentar Roxana.”
A história terminou. Como se não tivesse mais interesse, Curtis endireitou a cabeça, secou o cabelo molhado com uma toalha e trocou de roupa por uma trazida pela criada.
Sob os ombros largos, os músculos das costas se destacavam, revelando e ocultando cicatrizes antigas. Curtis sentou-se pesadamente no sofá em frente à lareira e abriu a rolha da garrafa de bebida. Robert, observando-o com olhos preocupados, o impediu.
“Contenha-se por hoje.”
“Isso não é o suficiente para me embriagar.”
“Não faz bem à saúde.”
Diante da insistência, Curtis acabou baixando a garrafa. Robert, que ordenou que a criada retirasse a garrafa, sentou-se cautelosamente no sofá oposto a Curtis.
Ele olhava para a pilha de lenha queimando na lareira. A luz, que ondulava como ondas, iluminava em tons avermelhados os traços de seu rosto de expressão afiada.
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