Embora Greg não tivesse dito uma única palavra durante todo o caminho, mantendo seu olhar vigilante, ao chegarem ao convento, ele não demonstrou o menor interesse por Roxana. Era como se estivesse aguardando algo mais importante. Antes que ela pudesse notar qualquer estranheza, as freiras a apressaram para que contasse as novidades dos últimos tempos.
Após uma refeição simples preparada pelas freiras, Roxana contou a elas uma versão adaptada de sua história em seu quarto.
“Meu Deus, deve ter sido tão assustador!”
A Irmã Anna, horrorizada com os acontecimentos recentes, abraçou Roxana com força novamente. Roxana retribuiu o abraço em silêncio. O calor que emanava do contato parecia permear até o seu coração. A Irmã Elin, observando as duas com ternura, deu tapinhas no ombro de Roxana.
“Enquanto estiver aqui, tente descansar o coração e ficar em paz.”
“Obrigada, Irmã Elin.”
Roxana sorriu levemente e olhou ao redor. O convento continuava sendo um lar, exatamente como nos últimos dois anos. Era um espaço muito mais simples e modesto do que o castelo da família Russell, mas, justamente por isso, sentia-se mais acolhida e em paz.
“A propósito, quando a Madre Superiora retorna?”
“Já está quase na hora de ela voltar. Quer mais chá?”
Disseram que ela voltaria logo, mas já haviam se passado duas horas. Roxana balançou a cabeça e levantou-se.
“Vou buscá-la. Onde ela está? Desceu para a vila?”
“Bem…”
A Irmã Anna hesitou com uma expressão de desconforto. A Irmã Elin também evitou o olhar de Roxana. Sentindo algo incomum, Roxana ficou paralisada. Nesse momento, alguém bateu à porta.
“Roxana.”
Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome. Embora tivessem se cruzado no castelo, nunca haviam conversado ou trocado cumprimentos. Roxana ficou atordoada por um momento antes de recuperar o juízo e abrir a porta. Greg, com seu rosto inexpressivo, estava parado ali.
“Você gostaria de ir buscar a Madre Superiora?”
“O quê?”
Foi uma pergunta inesperada. Em vez de responder, Roxana virou-se lentamente. As Irmãs Anna e Elin permaneciam congeladas.
“Eu irei.”
“Não!”
As duas freiras, pálidas como papel, bloquearam o caminho de Roxana. A estranha sensação de desconforto que ela sentira ao chegar ao convento começou a subir por seus pés. Era como se estivesse afundando, pouco a pouco, em um pântano sem fim. Sentiu o sangue em seu corpo congelar.
“…Irmã Elin, Irmã Anna.”
Sentindo um calafrio percorrer todo o seu corpo, Roxana olhou de uma para a outra. A Irmã Anna, ao encontrar seu olhar, esfregou os pulsos e mordeu os lábios. A Irmã Elin também parecia rígida e pálida, como se estivesse usando uma máscara.
Só então Roxana percebeu a estranheza. Embora estivessem escondendo com sorrisos brilhantes, ambas estavam mais magras do que na última vez que as vira, e seus olhos estavam sombrios.
A ansiedade inexplicável tornou-se uma certeza. Roxana balançou a cabeça.
“Não.”
“Roxana…”
“Não. Não.”
Murmurando como alguém que perdeu a alma, Roxana empurrou os ombros das duas e passou por Greg. Ela caminhou cambaleante em direção ao cemitério nos fundos do convento. Embora fosse uma distância curta, parecia interminável. Suas mãos tremiam e ela suava frio. Seu coração latejava e um calafrio insuportável a envolvia.
Ao chegar, quase caindo, viu uma lápide que não estava lá antes.
[Maria Astran.
Fiel serva de Deus.
Ao lado de Deus,
descansa em paz.]
“Ha… haa… ha…”
Seus joelhos tocaram o chão primeiro. Suas mãos sustentaram seu corpo que desabava. Sua respiração ficou curta. Seus membros formigavam e perdiam a sensibilidade.
“Roxana!”
Roxana perdeu a consciência ao ouvir as duas freiras correndo em sua direção com rostos desesperados.
* * *
Roxana abriu os olhos novamente na madrugada do dia seguinte. A Irmã Anna, que a vigiava durante a noite, foi a primeira a notar.
“Você acordou! Não está com sede? Quer um pouco de água…”
“Quando foi?”
A pergunta vazia veio antes mesmo que a Irmã Anna pudesse terminar de falar. Sem forças nem para se levantar, Roxana apenas moveu os olhos para observar a freira.
“Quando e como ela faleceu? Por que não me avisaram?”
“…Há dez dias.”
A Irmã Anna baixou a cabeça e cobriu o rosto com as mãos.
“No dia seguinte a uma forte chuva, ela escorregou enquanto subia a montanha para colher ervas medicinais.”
“…”
“Ela adoeceu por três dias e faleceu. Não houve tempo para fazer nada. Seguindo a vontade da falecida, realizamos um funeral simples e construímos o túmulo.”
Terminando a frase como se estivesse em confissão, Anna soluçou, tremendo os ombros. Roxana a observou em silêncio.
“Não me avisar também foi um desejo da Madre Superiora?”
Em vez de responder, Anna assentiu.
“Por quê?”
“Isso é…”
“Parece que ela temia que a notícia de sua morte se tornasse um obstáculo para o seu novo começo, Roxana… Você realmente seguia a Madre Superiora.”
Seguia? Um riso vazio escapou pelos lábios secos de Roxana. Era mais do que isso. Ela era como a mãe que ela havia perdido. A razão pela qual seus dias tranquilos e pacíficos neste convento eram felizes era graças à Madre Superiora, que a cuidava e a amava como uma mãe biológica.
“Veja esta flor que floresceu após suportar a geada e o frio do inverno, Roxana. A vida é algo tão nobre e precioso. Você também é.”
“Sua mãe certamente foi feliz até o fim. Porque sua amada filha esteve ao seu lado até o último momento. Portanto, não se culpe mais.”
“Seu talento para a farmácia certamente terá um uso valioso um dia. Estude e estude sem parar. Não existe conhecimento sem significado no mundo, e salvar e curar pessoas é mais importante do que qualquer outra coisa.”
“Roxana…”
Roxana permaneceu paralisada, apenas piscando os olhos. A Irmã Anna, soluçando, puxou o cobertor desarrumado até os ombros dela.
“Tente dormir um pouco mais. Conversaremos novamente quando você estiver melhor.”
Roxana fechou os olhos em vez de responder. Ela desejava que, ao acordar, tudo fosse um sonho. Que fosse uma brincadeira de mau gosto, que tudo fosse mentira. Mas isso não aconteceu.
Quando abriu os olhos novamente, já era tarde da noite. A Irmã Elin estava ao lado de Roxana. Com a ajuda de Greg, a Irmã Elin forçou Roxana, que tinha um olhar vazio como o de uma boneca, a se levantar.
“Tenho algo para lhe dar.”
“…Não preciso. Deixe-me em paz.”
Roxana respondeu sem forças e tentou soltar o braço das duas. Ela não queria pensar em nada. Só queria seguir sua mãe e a Madre Superiora e dormir para sempre. Os rostos de Frey, Alice e Kesi, que estariam esperando, passaram brevemente por sua mente, mas ela não se importou.
“Roxana!”
Como se tivesse lido seus pensamentos, uma repreensão severa ecoou. A Irmã Elin, com um rosto rígido, falou claramente.
“Você certamente precisará disso. Foi o que a Madre Superiora deixou.”
A Madre Superiora? Suas pupilas turvas encontraram o foco. A Irmã Elin sorriu levemente e a guiou pelo braço.
“Espere um momento.”
O lugar para onde a Irmã Elin a levou era um quarto vazio e estreito. Os únicos móveis eram uma mesa baixa, quatro cadeiras velhas e uma estante de livros caindo aos pedaços.
Era o escritório que a Madre Superiora usava. Um espaço onde não havia um canto sequer que não tivesse sido tocado pela dona. Enquanto Roxana olhava ao redor com os olhos marejados, a Irmã Elin vasculhou a estante e retirou um livro. Então, entregou-o a Roxana.
“Foi este livro que ela deixou?”
“Não. Está dentro dele. Ela disse para lhe entregar caso você soubesse de sua morte. Disse que você entenderia.”
Confusa, Roxana abriu o livro imediatamente. As páginas, gastas de tanto serem lidas, passaram rapidamente e algo caiu no chão. Ela se abaixou e pegou.
“Isto é…”
Era um marcador de livro feito com um botão de flor branca e densa, seco. Enquanto Roxana olhava para ele em silêncio, a Irmã Elin sussurrou suavemente.
“É uma flor de viburno. Como você já deve saber.”
Como ela disse, Roxana conhecia aquela flor. Foi a flor que a Madre Superiora lhe ensinou em um dia de maio, quando foram colher ervas juntas. Ela se lembrava vividamente do significado daquela flor.
“O amor… é mais forte que a morte.”
Seus lábios se moveram antes de sua mente. Segurando cuidadosamente o marcador de flor, que parecia que se despedaçaria com qualquer pressão, Roxana o levou ao lado esquerdo do peito. Lágrimas quentes escorreram por suas bochechas e se acumularam em seu queixo. Suas pernas cederam e ela desabou no chão. A Irmã Elin, dobrando os joelhos, estendeu a mão e a abraçou com força.
“A Madre Superiora desejava que a Irmã Roxana vivesse de forma resoluta e digna, mais do que qualquer outra coisa. Nós também éramos discípulas preciosas, mas para a Madre Superiora, a Irmã Roxana era… como uma filha biológica.”
“…”
Em vez de responder, seus ombros frágeis tremeram violentamente. Apertando o abraço, a Irmã Elin sussurrou.
“Prometa-me, Roxana. Que nunca mais voltará a este lugar.”
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