“Mas quem é esta?”
“Uma parente distante.”
Enquanto Curtis, que não havia tido tempo de definir um pseudônimo, hesitava, Roxana interveio antes que a Baronesa notasse algo estranho.
“Sou Melanie Dalton, Baronesa. Vivi no exterior e vim visitá-los recentemente.”
“Ah, entendo. Seja bem-vinda.”
Embora estivesse vestida com um belo traje, seu rosto parecia estranhamente pouco familiarizado com banquetes daquele tipo. A Baronesa, com um sorriso radiante, deu as boas-vindas a Roxana.
“Seus cabelos loiros são belíssimos. Espero que tenha uma ótima noite, Lady Dalton.”
“Obrigada, Baronesa.”
Roxana respondeu de forma desajeitada, mantendo o olhar baixo. Em pouco tempo, as pessoas começaram a se reunir ao redor dos irmãos Russell.
“Sir Russell. Eu queria conversar com você há tempos, é um prazer vê-lo. Sobre a mina que descobrimos recentemente…”
“Lady Russell. Não sabe como é um prazer vê-la aqui. Você é tão linda quanto dizem os rumores. Eu adorava que fôssemos amigas.”
Frey parecia um pouco surpresa ao ser subitamente cercada por tantas pessoas. Como se quisesse tranquilizá-la, Roxana acariciou levemente suas costas. Foi um gesto pequeno, mas a expressão tensa de Frey suavizou-se um pouco. Aliviada com aquilo, Roxana perguntou com cautela:
“Senhorita, gostaria que eu trouxesse um pouco de água?”
“Eu agradeceria.”
Com a permissão de Frey, Roxana recuou um passo, depois dois. Seria mais preciso dizer que ela foi empurrada pela multidão que se aglomerava.
Ela pegou um copo de água de um garçom que passava e procurou por Frey, mas os irmãos Russell não eram vistos em meio à agitação. Por fim, quando tentou retornar ao meio da multidão, uma bola rolou até seus pés.
“Minha bola!”
Um menino bem vestido abriu caminho entre as pessoas e se aproximou. Roxana pegou a bola e olhou ao redor.
“Garotinho, onde estão seus pais?”
“Não sei. Devem estar em algum lugar.”
Normalmente, crianças não eram trazidas a banquetes como aquele. O menino, que respondeu com um tom mal-humorado, pegou a bola e a arremessou para algum lugar. No mesmo instante, Roxana saltou e agarrou a bola no ar.
“O que você está fazendo?”
O lugar onde o menino havia jogado a bola não era outro senão a mesa de comida. As flores belamente arranjadas e os pratos apetitosos quase foram arruinados em um segundo.
“É da minha conta. Me dê a bola.”
O menino estendeu a mão com uma expressão descarada. Roxana recusou com um semblante severo.
“Não. Não vou dar. Aqui não é seu parquinho.”
“Aquela bola é minha.”
“Eu te devolvo se prometer que não vai jogar ou chutar coisas aqui dentro.”
“Você sabe com quem está falando?!”
O menino, irritado, começou a falar, mas hesitou. Seria ele filho de uma família de alto escalão? Vendo como ele tratava um adulto que acabara de conhecer, era bem provável. Roxana, por sua vez, perguntou:
“Quem é você?”
“…Você não precisa saber.”
O menino, virando o rosto com desdém, estendeu a mão novamente exigindo a bola. Em vez de entregá-la, Roxana perguntou de repente:
“Está entediado, não é? Não há amigos da sua idade aqui.”
“…….”
Em vez de responder, o menino, emburrado, ignorou-a. Roxana, após pensar por um momento, viu ao longe, entre as pessoas, o rosto de Frey conversando alegremente. Ao lado dela, Curtis a apoiava firmemente.
Talvez um pouco de tempo não fizesse mal. Apenas um pouco.
“Que sorte. Eu também estou entediada. Quer brincar comigo? Vou te ensinar uma brincadeira mais divertida do que jogar bola.”
“Por que eu brincaria com você?”
“Se não for divertido, eu te devolvo a bola imediatamente.”
Roxana interrompeu o menino e propôs:
“O que acha? Se você gosta tanto de brincar de bola sozinho, não posso fazer nada.”
Roxana sorriu levemente.
“Tenho certeza de que será divertido.”
O sorriso era radiante, como uma flor que acabara de desabrochar. O menino, que a observava atônito, desviou o olhar.
“É bom que seja divertido.”
Como o salão estava lotado, Roxana levou o menino para fora. Embora fosse uma noite escura, o luar estava brilhante.
“Nossa, você dobra muito bem.”
“Bem, é só isso.”
“Então, você consegue dobrar assim?”
“Se eu souber o método, consigo dobrar de uma vez.”
Vendo o menino brilhar os olhos como se nunca tivesse visto aquilo, Roxana dobrou o guardanapo. Era a arte de dobrar papel que sua mãe lhe ensinara na infância.
“Quem diria que se pode fazer tantas coisas com um pedaço de guardanapo.”
“Não é incrível?”
Não era de se estranhar que o menino estivesse surpreso. Dobraduras de papel eram uma brincadeira comum entre crianças de famílias nobres de classe baixa. Roxana queria presentear o menino, que fora arrastado para o banquete dos adultos, com um momento de diversão. Felizmente, o menino ficou fascinado com a novidade.
“Tcharam! O que é isto?”
“…Um lobo?”
“Acertou. Tente fazer um.”
Em vez de responder, o menino começou a dobrar o guardanapo. Roxana observava a cena com satisfação. Lembrou-se de quando, na infância, desejava ter um irmão mais novo. Isso foi antes de perceber que o relacionamento entre seu pai e sua mãe não era bom.
“Pronto! Veja, não está igual?”
“Hum. Não sei dizer.”
“Por quê?”
“Olhe para a cauda.”
“Ah.”
O menino, percebendo rapidamente, concentrou-se novamente na dobradura. Foi quando ele terminou o lobo, seguindo a ovelha e o coelho.
“Jovem Mestre!”
“Jovem Mestre, o senhor está aqui?”
De longe, ouviu-se a voz dos criados procurando por alguém.
“Tenho que ir agora.”
“Ah. Leve a bola.”
O menino, que se levantou apressado para partir, virou-se.
“Já que você me divertiu, vou te dar isso de presente.”
“O quê?”
A bola tinha detalhes em ouro envoltos em um couro resistente que ela não conhecia. Roxana, surpresa, balançou a cabeça. Era uma bola cara, dava para ver à primeira vista.
“Não. Não posso aceitar. Leve-a.”
“Em troca, me diga seu nome.”
“Meu nome é…”
Roxana hesitou por um momento antes de dizer o pseudônimo.
“Melanie.”
A pessoa que o menino encontrou, seguindo a orientação dos criados, era seu tio. O Duque Enoch Ferentz, com seus cabelos loiro-platinados e olhos azuis profundos.
“Tio!”
O homem virou-se ao chamado inocente. Ele estava com os nervos à flor da pele. Já era ruim o suficiente ter sido forçado a comparecer a um banquete que não desejava, e ainda tinha que carregar um fardo extra.
“Onde você estava, Theo?”
“Me dá um abraço.”
“Francamente.”
Enoch, soltando um suspiro, pegou a criança no colo. Aquele pirralho incontrolável, que agia com tamanha intimidade com alguém de alto status, era seu sobrinho.
O único filho de sua irmã mais velha, que se casara com um membro da realeza estrangeira. Como a irmã era muito próxima da Baronesa Philomena e o marido não pôde vir, ele teve que comparecer como acompanhante.
Ele trouxera Theo porque o menino fizera birra, dizendo que não queria ficar longe da mãe.
“Onde você estava? Eu te procurei por toda parte.”
“Eu estava entediado, então andei pelo salão. Brinquei com uma moça bonita.”
“Uma moça bonita?”
Ele não tinha acabado de fazer birra por não querer ficar longe da mãe? Enoch achou engraçado o fato de ter ignorado tantas mulheres enquanto procurava pelo sobrinho. Inconformado, Enoch colocou Theo no chão. Theo, mexendo nos bolsos, estendeu algo.
“Ah, é verdade. Veja isto, tio.”
“O que é isso?”
“Fui eu quem dobrei.”
Theo, estufando o peito com orgulho, exibiu o lobo que acabara de fazer. Enquanto Enoch observava aquilo em silêncio, a voz de uma mulher passou vagamente por sua mente.
“Você sabe fazer dobraduras de papel?”
“……Tio? No que você está pensando?”
“Nada. De qualquer forma, vá procurar sua mãe. Estou cansado dessas galinhas e guaxinins, preciso ir embora.”
Era uma mulher que morrera há muito tempo. Ele mal a vira algumas vezes. Por que aquilo surgira de repente? Enoch, afastando a voz que insistia em ecoar, segurou a mão do sobrinho.
“Aliás, tio, você tem dormido bem ultimamente?”
Diante da pergunta inesperada, Enoch apenas assentiu em vez de responder.
“Antes de dormir, acenda uma vela aromática com os ingredientes que acabei de mencionar e mantenha suas mãos e pés aquecidos. Tente relaxar os músculos do corpo, começando pelas pontas dos dedos, e conte ovelhas na sua mente.”
Pensando bem, naquele dia, naquele momento, parecia que ele estava enfeitiçado. Uma mulher de voz calma e tom monótono. Ele se lembrou de uma fada de conto de fadas que, ao receber um pedido de ajuda e um favor, sempre retribuía.
“Qual é o nome dessa benfeitora?”
“Melanie.”
“O quê?”
Theo, assustado, parou onde estava.
“O nome da moça bonita que brincou comigo também era Melanie!”
* * *
Ao contrário do que temia, Frey se deu bem com as pessoas. Era natural, já que a maioria ali precisava causar uma boa impressão ao Marquês da Fronteira Russell. Curtis observava cada pessoa que se aproximava dela. Com um aviso silencioso, as pessoas tornavam-se ainda mais gentis e atenciosas ao falar.
“Seu penteado está tão lindo, Lady Russell. Os detalhes deste vestido também são belíssimos. Qual costureira você usa? As rendas são requintadas.”
“Que tipo de livros você gosta? Você patrocina algum músico?”
“Sir Russell. Você comparecerá à próxima reunião dos nobres?”
“Ao contrário da reputação, você é muito gentil…”
Curtis, ignorando as palavras daqueles que se aproximavam dele, observava Frey.
Embora Frey respondesse com um sorriso ao interesse das pessoas, que era maior do que o esperado, ela parecia cada vez mais cansada. Por fim, Curtis interveio ao encontrar o momento certo.
“Com licença, mas minha irmã parece um pouco cansada. É a primeira vez dela em um evento assim.”
“Ah, perdão. Não fomos atenciosos.”
“Não se preocupe. Vamos apenas tomar um pouco de ar.”
Curtis, com um sorriso, segurou o ombro de Frey e a conduziu para fora. Parecendo exausta, Frey quase se deixou levar pelo apoio de Curtis. Somente quando saíram para um local sem a presença de outras pessoas, os irmãos falaram.
“Por que parece tão cansada? Você não queria vir?”
“Eles não estão olhando para mim. Estão apenas tentando falar comigo para causar uma boa impressão ao irmão. Ah, meus pés doem.”
“Sente-se aqui.”
Frey, sentando-se no banco conforme Curtis indicava, tirou os sapatos. Frey, que ajustou o xale devido ao vento frio, perguntou de repente:
“A propósito, onde está Roxana? Para onde ela foi?”
“Eu a vi saindo com um garotinho.”
Embora o tom fosse de escárnio, Frey sabia que a mente dele estivera em outro lugar o tempo todo.
Se Curtis Russell, seu irmão, não tivesse interesse em alguém, ele simplesmente ignoraria a pessoa como se ela fosse um fantasma. Vendo que ele mantinha o celibato apesar de não faltarem mulheres tentando se aproximar, era óbvio que ele não tinha a menor intenção de se casar.
No entanto, ultimamente, seu irmão prestava atenção, mesmo que discretamente, em apenas uma mulher. Ela perguntou novamente, fingindo não saber.
“É mesmo? Havia tanta gente, você conseguiu vê-la? E havia uma criança aqui?”
“Provavelmente era o jovem mestre Theo.”
Era impossível não reconhecer. Os cabelos loiros e os olhos verdes que se destacavam mesmo de longe.
Embora a cor do cabelo e dos olhos fossem diferentes, o rosto era tão parecido com o do tio materno que parecia ter herdado os traços dele.
Enoch Ferentz. O antigo noivo de Roxana. Curtis, ao perceber isso, fechou o punho com força. Não podia ser.
“Fique aqui, eu vou buscá-la. Se alguém vier incomodar, diga meu nome.”
“Não se preocupe, pode trazê-la.”
Frey, que já estava farta das pessoas, acenou com a mão.
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