Quando o dia festivo anunciado chegou, os chefes das aldeias do domínio, vestidos com elegância, entraram no castelo montados em seus cavalos, um a um. Eram sete no total. Entre eles, havia rostos que Curtis vira pouco tempo antes. Ao cruzar o olhar com Curtis, um dos chefes apressou-se em baixar a cabeça em saudação.
“Da última vez… peço perdão, meu senhor.”
“Está tudo bem. Eu estava exaltado naquele dia.”
Curtis, que balançou a cabeça diante do pedido de desculpas respeitoso, recebeu as saudações do próximo chefe. Somente após as saudações dos sete serem concluídas é que as portas da capela se abriram.
A capela do castelo interno, reconstruída após a restauração da família Russell, seguia os estilos arquitetônicos mais recentes. Do elegante teto em arco aos esplêndidos vitrais, os chefes, que raramente saíam de seus domínios, ficaram boquiabertos. O sacerdote que conduziria o culto posicionou-se no púlpito, e os cavaleiros e chefes, que já estavam sentados aguardando, separaram-se para iniciar a cerimônia.
Quando o culto de cerca de uma hora estava na metade, Curtis, que recitava as orações sentado na primeira fileira, franziu a testa ao sentir uma estranha inquietação.
“…Algo está errado.”
“O que houve, meu senhor?”
Robert, sentado ao lado, perguntou em voz baixa.
“Algo está faltando.”
“Senhor?”
O ritual do [glossario termo=”Dia de São Bento”]Dia de São Bento[/glossario] seguia o padrão de sempre. Robert, inclinando a cabeça, observou os arredores furtivamente até perceber um fato.
“Agora que mencionou, falta uma pessoa.”
“Quem?”
“Sir Greg.”
“Droga.”
“Meu senhor?”
Ao ouvir o nome, Curtis levantou-se de um salto, ignorando os vários pares de olhos voltados para si, e abriu as portas da capela. O lugar para onde se dirigiu foi a cozinha. As criadas e o cozinheiro, que trabalhavam atarefados, pararam as mãos, assustados.
“M-meu senhor? O que faz aqui a esta hora?”
“Ela não está.”
Curtis, que vasculhou o local como um falcão em busca de sua presa, soltou um palavrão. Roxana, que deveria estar preparando o prato de feijão para servir aos chefes, não estava em lugar algum. Alice e Kesi aproximaram-se hesitantes e falaram com ele.
“Aquele… quem o senhor procura?”
“Onde está Roxana?”
Um olhar feroz dirigiu-se às duas. Alice, paralisada pelo medo, respondeu gaguejando.
“Se for Roxana, ela disse que buscaria alguns temperos e foi ao depósito… Meu senhor!”
Antes mesmo de ouvir a resposta, Curtis virou-se e correu para o depósito.
No entanto, Roxana não estava lá. Ele sentiu o sangue subir à cabeça. O ritual festivo foi imediatamente interrompido e todos os cavaleiros e soldados do castelo foram mobilizados. Com os olhos injetados de sangue, Curtis ordenou:
“Encontrem o capitão dos cavaleiros e Roxana, agora mesmo!”
* * *
Ao som das rodas rangendo, Roxana abriu os olhos com dificuldade. Ao olhar ao redor, percebeu que estava dentro de uma carroça velha. Estava tudo escuro e a vibração dos solavancos, enquanto o veículo seguia em alta velocidade, era suficiente para causar enjoo.
“O que… está acontecendo? Ah…!”
Assim que percebeu onde estava, sentiu uma pontada na nuca. Tentou levar as mãos à nuca, mas suas mãos e pés estavam amarrados atrás das costas.
“Eu certamente… fui buscar algo no depósito…”
Essa foi sua última lembrança. Ao abrir a porta do depósito e entrar, a porta se fechou repentinamente atrás dela. No momento em que se virou, confusa, uma dor intensa atingiu sua nuca. Depois disso, perdeu a consciência.
“Sequestro…?”
Roxana, que tentava organizar os pensamentos para entender a situação, pronunciou a palavra estranha.
“É um sequestro…? Quem…?”
Assim que compreendeu, um calafrio percorreu todo o seu corpo. Ela se debateu como uma lagarta, mas a corda firmemente atada não cedeu. Pelo menos precisava saber para onde estavam indo. Desistindo de soltar as cordas, Roxana usou todas as suas forças para rastejar em direção à entrada da cortina. No momento em que se sentiu aliviada por pensar que estava quase chegando, sem saber que a carroça estava parando, a pessoa do lado de fora foi mais rápida. A cortina foi levantada e o culpado revelou sua identidade.
“Acordou, vejo.”
“…Sir Greg?”
Pele bronzeada, porte físico grande, cabelo cortado curto. Greg, o capitão dos cavaleiros de Curtis, olhava para ela friamente. Os olhos de Roxana tremeram, perdidos entre o choque e o pavor.
“O que é isso? Por que me…”
“Sequestrou?”
Em vez de responder, Roxana olhou para ele fixamente. Incomodado com aquele olhar, Greg franziu a testa e respondeu com frieza.
“Porque você é uma bruxa que só traz prejuízos.”
“…Bruxa.”
Era uma palavra que a perseguia sempre que ela pensava estar livre. Roxana, murmurando suas palavras, perguntou tentando manter a calma.
“Vai me matar? Foi Curtis quem ordenou? Argh!”
“Não ouse pronunciar esse nome.”
Assim que Roxana terminou de falar, Greg encostou a lâmina em seu pescoço e avisou entre os dentes. Roxana, que se encolheu por um momento, logo chegou a uma conclusão.
“Pela sua agitação, vejo que não. É uma ação por conta própria. Acertei?”
“…”
Diante da observação perspicaz, Greg, com o rosto ainda mais ameaçador, pressionou a espada contra o pescoço dela. Um corte fino surgiu e o sangue escorreu, mas Roxana não piscou.
“Se não vai me matar agora, pare. Já estou acostumada a ter alguém apontando uma arma para o meu pescoço.”
“Você é uma mulher sem medo. Bem, sempre foi assim.”
Diante da reação desanimadora, Greg guardou a espada e a empurrou rudemente contra o chão de terra. Roxana, que engoliu um grito pela dor da queda, forçou-se a levantar a cabeça.
“Você odiava tanto que eu estivesse no castelo? Se era assim, por que não se livrou de mim quando eu estava no convento?”
Era uma pergunta estúpida. Greg soltou uma risada sarcástica. Curtis parecia ter se esquecido completamente dela, mas, ao mesmo tempo, era obcecado por sua existência. Sem nem mesmo saber o porquê. Se o primeiro amor era sempre tão terrível, ou se seu amigo íntimo e irmão de juramento era especialmente assim.
“Direi apenas que não era o momento.”
“E agora é o momento?”
Roxana, escondendo o medo, perguntou como se estivesse interrogando. Era estranho. A morte era algo que ela já havia aceitado há dois anos. Pensou que já tinha superado aquilo, mas ao se ver diante de uma lâmina afiada e de um homem com intenção assassina, o suor frio escorria por suas costas e suas mãos tremiam. Ela continuava a conversa como se nada estivesse acontecendo, mas era um esforço desesperado para viver, nem que fosse por mais um segundo. Pois, enquanto a conversa continuasse, ele não a mataria.
“Sim. Como é o fim, permitirei que pergunte o que quiser. Apenas três coisas.”
Greg, que leu o medo sob o rosto sereno dela, sentou-se encostado no canto da carroça.
“Por que quer me matar?”
“Eu já disse. Você é inútil e prejudicial para Curtis.”
“Não esse motivo superficial. Há algo mais, não é? Acho que isso está mais próximo do verdadeiro motivo, não estou certa?”
“…”
Diante da pergunta sucessiva, Greg estreitou os olhos. O olhar dela parecia atravessar as pessoas, como se ela realmente usasse leitura mental.
“Você disse que permitiria três perguntas. Seja honesto.”
“…Seu pai matou minha família.”
Era um motivo que, no fundo, ela suspeitava, mas que nunca quis ouvir. Roxana, baixando a cabeça, murmurou silenciosamente.
“Entendo.”
“Próxima pergunta.”
“Quem era sua família? Tinha mãe, pai e irmãos?”
“…O quê?”
Greg, duvidando dos próprios ouvidos, apertou a mão que segurava a espada. Roxana sentiu um calafrio diante da intenção dele de cortá-la ali mesmo, mas abriu a boca mais uma vez.
“Conte-me como eles eram. Seus nomes, personalidades, aparência.”
“Você está zombando de mim agora?”
“Não. Por favor, acredite em mim.”
“…”
“São as pessoas que meu pai matou. Preciso saber. Para que…”
Para que, se eu encontrá-los na morte, possa pedir perdão. Roxana engoliu as palavras seguintes e esperou pela resposta de Greg. Mesmo tremendo de medo, ela não recuou. Por fim, Greg, desarmado, começou a contar.
“Eu era filho único. Minha mãe e meu pai…”
Eram palavras que ele não pronunciava há muito tempo. Greg, que silenciou por um momento devido à sensação de perda, continuou lentamente.
“Minha mãe era filha de uma família de barões. Raramente, para aquela época, ela não se casou por conveniência, mas com quem ela queria. Meu pai era um cavaleiro que servia ao antigo Marquês da Fronteira. Por muito tempo, foi o amigo inseparável e o súdito leal de Sua Excelência. Mesmo sendo criança, ao ver os dois, eu admirava: ‘Ah, é assim que um verdadeiro senhor e um cavaleiro devem ser. É assim que se parece a confiança e a lealdade absolutas’.”
A voz carregava uma saudade profunda. Roxana ouviu silenciosamente suas palavras.
“Para você… que tipo de pais eles eram?”
“Minha mãe era rigorosa, mas carinhosa. Meu pai sempre foi fraco comigo. Quando treinávamos com espadas de madeira, ele sempre fingia perder. Eu, achando que era por causa da minha habilidade, ficava todo orgulhoso.”
Uma mãe rigorosa, mas carinhosa. Um pai que sempre perdia para o filho. Parecia que ela podia ver a cena claramente. Roxana, que fechou os olhos e imaginou, murmurou sem perceber.
“…Que inveja.”
Greg, que a encarava com olhos ferozes, desviou o olhar, desarmado pela expressão sincera dela.
“Vamos para a próxima pergunta. Só resta uma agora.”
“Curtis… não, Sua Excelência, o Marquês da Fronteira, você o estima e o valoriza muito. Estou certa?”
Era uma pergunta cuja resposta era óbvia. Greg soltou uma risada seca e assentiu.
“Sim. Ele é meu irmão de juramento inseparável e o senhor a quem sirvo. Por ele, daria até a minha vida.”
Um tom sem hesitação. Roxana sorriu levemente diante da aceitação inabalável. Enquanto a conversa fluía, o medo diminuía pouco a pouco, e a resignação e o alívio preenchiam aquele lugar.
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