“Então, chegou a hora. Vou acabar com você antes que os cavaleiros que ele enviou cheguem.”
“Espere um momento.”
“Não me diga que agora quer implorar pela vida.”
“Não é isso.”
Roxana balançou a cabeça e tentou se sentar de qualquer maneira.
“É um desejo antes de morrer, poderia me ajudar a sentar?”
“Isso tem algum significado?”
“Para mim, tem.”
Ela queria morrer guardando na memória, pela última vez, a imagem da pessoa que protegeria Curtis e Frey. Só assim sentiria um pouco de paz.
Hesitando por um momento diante daquele pedido incompreensível, Greg segurou o braço dela e a colocou sentada corretamente. Ao ver o rosto dele, Roxana inclinou o pescoço para baixo, facilitando o corte.
“Corte de uma vez. Não gosto de sentir dor e, além disso, seria trabalhoso para o senhor limpar as manchas de sangue.”
“……Farei isso.”
Com uma expressão indecifrável, Greg assentiu e ajustou o aperto no punho da espada. No momento em que a lâmina se elevou, Roxana pediu calmamente:
“E, se possível, abandone esta carroça e vá embora. É fácil ser rastreado.”
Foi nesse instante. Junto com o som de cavalos galopando, uma voz cortante ecoou.
“Greg!”
O protagonista daquele rugido não era outro senão Curtis. Montado em um cavalo que corria a uma velocidade assustadora, Curtis mirou seu arco e disparou a flecha.
“Argh……!”
A espada, que subira como se fosse descer a qualquer momento, cravou-se no chão. Greg cambaleou, agarrando o braço atravessado pela flecha.
“Prendam-no imediatamente!”
Seguindo a ordem de Curtis, os cavaleiros que o acompanhavam avançaram e imobilizaram Greg.
* * *
Coberta por um cobertor, Roxana subiu na sela de Curtis e retornou ao castelo. Greg, com as mãos e os pés amarrados como ela estivera, seguia atrás em uma carroça, como um criminoso.
Assim que retornaram ao castelo, Curtis ordenou com voz feroz que Greg fosse trancado na masmorra subterrânea e, em seguida, verificou o estado dela.
“Estou bem.”
Ao contrário de suas palavras, seu corpo tremia violentamente. Os olhos de Curtis, que examinavam minuciosamente o corpo de Roxana, estreitaram-se. Havia um ferimento em seu cotovelo. Roxana se apressou em dar uma desculpa.
“O único ferimento é este.”
Era um pequeno corte causado pela queda da carroça ao chão. Enquanto o médico cuidava do ferimento, Curtis permanecia de braços cruzados, observando-a sem piscar. Sob a pressão que pesava sobre seus ombros, Roxana baixou a cabeça. Embora não tivesse feito nada de errado, sentindo a tensão, ela acabou abrindo os lábios.
“E o…… senhor Greg?”
“Na prisão.”
Curtis respondeu de forma irritadiça e descobriu o ferimento no pescoço de Roxana, que ela escondia com o cabelo. Sob seu olhar feroz, a temperatura do quarto caiu instantaneamente.
“E-então, eu vou me retirar agora. Vossa Senhoria.”
Pálido de frio, o médico cumprimentou-o respeitosamente e fugiu apressado.
Quando ficaram a sós, Roxana sentiu como se estivesse enfrentando uma fera sozinha em uma caverna fria e escura. Mordendo o lábio inferior, ela se justificou impulsivamente:
“Eu o provoquei.”
Curtis, que passou a mão pelo cabelo bagunçado como se achasse aquilo um absurdo, encostou-se na parede com uma expressão de quem queria ouvir o que ela tinha a dizer. Recuperando a compostura, Roxana continuou calmamente:
“Ele não tinha intenção de me cortar. Bem, quando me sequestrou, talvez tivesse essa intenção.”
“Sofisma.”
“Greg é um cavaleiro excelente. Se ele tivesse a intenção de me matar, mesmo com uma flecha cravada no braço, teria descido a espada imediatamente.”
Era um argumento irrefutável. Curtis, com os olhos estreitos, fixou o olhar no ferimento do pescoço dela e desencostou-se da parede.
“Cuide do seu corpo.”
“Curtis.”
Roxana o chamou apressadamente, mas não obteve resposta. Curtis virou as costas e saiu, abrindo a porta com violência.
Graças ao fato de o ferimento no pescoço de Roxana não ser profundo, ele cicatrizou rapidamente. No entanto, enquanto o ferimento sarava, Roxana não pôde sair do quarto devido à ordem de confinamento de Curtis. No terceiro dia, Roxana chamou Robert através de Kesi. Ao ouvir o pedido dela, Robert exibiu uma expressão de dificuldade.
“A punição do senhor Greg?”
“Sim. Sei que é inconveniente, mas…… estou curiosa.”
“Isso é……”
O castelo estava de cabeça para baixo por causa do que Greg, conhecido por ser íntegro e leal, havia feito. Ao redor da mesa redonda, as opiniões divergiam entre aqueles que exigiam uma punição severa imediata e aqueles que defendiam a redução da pena devido aos serviços prestados.
Mesmo entre os argumentos conflitantes, uma coisa era certa: Greg não poderia mais permanecer naquele castelo. O crime de sequestrar a mulher servida pelo senhor, mesmo não sendo sua esposa oficial, e ainda tentar assassiná-la, era grave.
A punição final foi deixá-lo escolher.
Cometer suicídio ou ser desonrosamente banido após ter um braço ou uma perna cortados. E isso só era possível porque o ato não passou de uma tentativa.
“Suicídio…… cortar um braço ou uma perna……”
Roxana, pálida diante da punição cruel, repetiu as palavras de Robert. Com o rosto abatido, Robert explicou:
“Reconhecemos o mérito de tê-lo servido por tanto tempo, por isso a pena de morte foi evitada. O suicídio é, pelo menos, uma forma honrosa de morrer. Ele poderá até ter uma lápide. Se escolher ter um braço ou uma perna cortados, poderá, ao menos, preservar a vida.”
“O que acontece depois da morte não importa. E será que o senhor Greg escolherá ter um braço cortado ou a própria vida? Dizem para ele escolher, mas, na verdade, isso é o mesmo que forçá-lo à morte.”
“Isso é……”
“Embora eu seja uma mulher, eu sei. Para um cavaleiro, não poder mais empunhar uma espada, não poder mais ir para a guerra, não é algo mais desonroso do que a própria morte?”
Ele não conseguiu fingir que não era verdade. Robert baixou a cabeça em silêncio.
“Mordomo.”
“……Sim.”
Diante da resposta fraca, Roxana perguntou sutilmente:
“O senhor também não quer que o senhor Greg morra assim, quer?”
“É…… verdade.”
Embora não fossem tão próximos, eram colegas que comiam e viviam juntos no mesmo castelo. Mesmo deixando de lado a posição de colega e olhando pela perspectiva do mordomo do castelo, Greg era um homem valioso. Um excelente comandante de cavaleiros e uma força militar confiável.
“Então, ajude-me.”
Roxana sorriu levemente e pediu. Entendendo o significado, Robert balançou a cabeça lentamente.
“Não…… não posso fazer isso. A execução da pena já está marcada para amanhã……”
“Então é amanhã. Ainda bem que perguntei hoje.”
Robert, que cobriu a boca tardiamente, balançou a cabeça. Roxana, segurando-o enquanto ele tentava escapar de qualquer maneira, implorou sinceramente:
“O senhor precisa me ajudar. Não por mim, mas pelo senhor.”
* * *
Não havia quem pudesse recusar o apelo cheio de lágrimas de uma bela mulher. Robert, embora se arrependesse internamente, acabou entregando a chave da masmorra subterrânea nas mãos de Roxana.
“Quando o sino da meia-noite tocar, os guardas se ausentarão brevemente para a troca de turno. É nesse momento que a senhora deve entrar.”
“Muito obrigada, mordomo.”
“Repito, a senhora não deve ser descoberta por ninguém.”
“Não se preocupe.”
Roxana sorriu, puxou o capuz do manto para cobrir o rosto e dirigiu-se à masmorra. Como esperado, assim que o sino tocou, os guardas que vigiavam a entrada rigorosamente se retiraram por um momento. Roxana respirou fundo, abriu a pesada porta de ferro e deu um passo para dentro da masmorra escura. Era um lugar terrível, onde o som de água pingando se misturava ao guincho dos ratos e a um odor fétido que parecia capaz de fazer o nariz cair.
“Senhor Greg.”
Embora tivesse ouvido dizer que não havia guardas lá dentro, Roxana chamou Greg em voz baixa, por precaução.
“Senhor Greg. Onde o senhor está?”
Somente após chamar mais uma vez, obteve uma reação. Junto com o som de correntes sendo arrastadas, uma voz rouca soou perto dela.
“……Por que você está aqui?”
“Então o senhor estava aqui.”
Confirmando que não havia guardas, Roxana tirou o capuz e acendeu a vela que trouxera com um fósforo. Em um instante, a luz brilhante envolveu a masmorra antes escura.
“Por que…… você veio aqui?”
Roxana arregalou os olhos ao ver o rosto abatido através das grades. Diante daquela reação, Greg riu e perguntou com desapego:
“Veio para despejar palavras de maldição?”
“……Não.”
Roxana balançou a cabeça em silêncio e passou a chave que recebera de Robert através das grades.
“Vim para lhe dar isto. Para que fuja hoje.”
“……Quanto mais olho, menos entendo. O que você tem na cabeça?”
Em vez de pegar a chave, Greg encarou Roxana fixamente e balançou a cabeça.
“As palavras ódio e raiva não existem no seu vocabulário? Você bateu a cabeça com força quando era criança?”
Diante do sarcasmo, Roxana confessou com franqueza:
“Claro que não. Eu também sou humana. Quando o senhor tentou me matar, senti medo e raiva.”
“Então me deixe aqui. Ah. Ou então.”
Como se algo tivesse surgido de repente, Greg, que estava em silêncio, perguntou calmamente:
“Você está fazendo isso porque quer me ver morrer nas mãos de Curtis enquanto tento fugir?”
“…….”
“Se for esse o caso, desista. Não pretendo ser manipulado por uma bruxa até o momento da minha morte. Prefiro morrer com honra a viver como um covarde.”
Greg, que afastou a mão de Roxana, deitou-se sobre o chão de pedra frio. Roxana, que observava aquela cena, perguntou lentamente:
“A honra é tão importante assim?”
“……O quê?”
“Quando nos reencontramos, Curtis disse algo. Que se existisse cavalheirismo, ele já teria morrido no campo de batalha há muito tempo.”
“…….”
Era uma frase que ficara gravada em seus ouvidos e não desaparecia. Na verdade, quando ela reencontrou aquele que pensava estar morto, aquela atmosfera, aquele tempo, aquela conversa, tudo isso permaneceu na mente de Roxana pelos últimos dois anos. Mesmo tentando apagar ou esquecer, aquilo se repetia a ponto de ela se lembrar de cada palavra trocada naquele momento.
Ate o capitulo 80 antecipadamente em
Em Busca da Vingança Perfeita – Novel
Webtoon lançando mes que vem
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