“Lady. Se não for incômodo, poderia me dizer seu nome?”
O homem, com o rosto corado, dirigiu-se a ela. Diante da situação repentina, Roxana apenas piscou, sem saber o que responder. Era a primeira vez que passava por algo assim. Ela precisava voltar sozinha.
“Você veio com o Marquês Russell, não foi? Na verdade, desde aquele momento, não consegui tirar os olhos de você. Procurei por você o tempo todo só para poder falar. Sei que é extremamente indelicado abordar alguém sem uma apresentação, mas…”
O homem deu um passo à frente. Parecia prestes a segurar sua mão e beijar o dorso dela. Roxana recuou um passo instintivamente e desviou o olhar.
“Sinto muito.”
“Por acaso você tem um noivo?”
O homem perguntou novamente, com o rosto transbordando decepção diante da recusa silenciosa.
“Ainda assim, gostaria que me dissesse pelo menos o seu nome.”
O homem percorreu Roxana com o olhar, de cima a baixo. Cabelos loiros que caíam suavemente e misteriosos olhos violetas. Mesmo frequentando os banquetes mais renomados, era uma beleza rara.
“Sinto muito.”
No momento em que o olhar do homem desceu do pescoço longo e alvo até o colo, Roxana, após pedir desculpas repetidamente, virou as costas às pressas.
“Espere um pouco.”
Foi então que o homem agarrou o braço dela, que tentava se afastar. Surpresa, Roxana repeliu a mão dele por reflexo. Quando passou pela mesma situação pouco tempo atrás, ela apenas se assustou, mas desta vez, sentiu um calafrio estranho. Irritado com a recusa contínua, o homem fechou a cara.
“Não precisa se fazer de difícil…”
“O que está fazendo?”
No momento em que Roxana franziu a testa devido à força excessiva, uma voz fria cortou a fala do homem.
“Mar… Marquês da Fronteira.”
“Perguntei o que você está fazendo.”
Os olhos cinzentos fixaram-se na mão do homem que segurava o braço de Roxana. Com uma intenção assassina que parecia capaz de cortá-lo ali mesmo, o homem soltou a mão rapidamente.
“Eu, eu só tentei segurá-la porque pareceu que ela ia cair.”
Parecia que o álcool tinha afetado seu juízo por um momento. Ousar tocar na mulher de Curtis Russell. O homem à sua frente era um monstro que, nos tempos de mercenário, tinha uma notoriedade que não perdia para as hordas de bárbaros do norte.
“Fico feliz que esteja bem. B-bem, então, com licença.”
Julgando que, se se envolvesse mais, não sairia dali inteiro, o homem deu um sorriso sem jeito e fugiu rapidamente.
Um vento frio soprava no lugar onde o homem aterrorizado acabara de fugir. Tinha que ser justamente nessa situação. Roxana soltou um suspiro profundo por dentro. Enquanto ela não sabia o que fazer, palavras gélidas caíram sobre sua cabeça.
“Foi para isso que você convenceu Frey?”
“……O quê?”
Roxana perguntou de volta, confusa com a pergunta absurda.
“Do que está falando?”
“Você sabe muito bem do que estou falando, Roxana.”
Curtis, com um sorriso de canto, inclinou a cabeça. Sua sombra cobriu completamente a dela.
“Quer conhecer homens, lavar sua identidade e se tornar uma dama da nobreza?”
“…….”
“Eu entendo. Você quer viver confortavelmente, vestindo roupas finas, comendo boa comida e cercada por criadas.”
À medida que o sarcasmo continuava, a expressão de Roxana, antes atônita, tornou-se gradualmente calma. Aquilo irritou ainda mais o temperamento de Curtis. Ele se sentiu um tolo por ter procurado desesperadamente por ela, pensando que talvez tivesse encontrado seu antigo noivo. E por que ele a procurou com tanto afinco? Para vê-la, toda arrumada, a sós com um sujeito que ele nem conhecia?
“Por que não responde alguma coisa?”
“Como respondi da última vez, se quer pensar assim, pense.”
Ela não se deixaria abalar. Roxana suprimiu a emoção que subia em sua garganta. Curtis era volúvel, impenetrável e, mesmo quando fingia ser gentil, era cruel. Ele apenas tentava manipulá-la como um gato brincando com um rato.
“Não nega, então.”
Curtis, com um sorriso de escárnio, virou-se.
“Vamos. Frey está esperando.”
O banquete ainda não tinha acabado. Embora ela quisesse voltar para o território imediatamente.
* * *
“Que a prosperidade do Sul seja eterna!”
“Eterna!”
Após a apresentação do palhaço, uma salva de palmas estrondosa ecoou. A Baronesa, como anfitriã, bateu palmas duas vezes para os músicos. Então, como se esperassem por isso, uma música alegre começou a soar pelo salão. Os convidados levantaram-se e estenderam as mãos para as pessoas do sexo oposto que haviam notado.
Em um instante, o centro do amplo salão encheu-se de homens e mulheres dançando ao ritmo da música. Os olhares das pessoas, naturalmente, voltaram-se para os irmãos Russell, que eram presenças raras. Como era costume o homem convidar a mulher para dançar, algumas jovens nobres rondavam Curtis.
“Marquês da Fronteira, não vai dançar? As damas estão esperando.”
Uma das damas sentadas à direita falou com ele discretamente. Curtis, com um sorriso suave, girou sua taça de vinho em silêncio.
“Não sei dançar. Seria melhor para elas dançarem abraçadas a uma boneca do que comigo.”
“Oh, que pena.”
A nobre, escondendo a expressão de constrangimento com o leque, foi falar com outra pessoa. Mal tinha terminado a conversa entediante, outros dois homens se aproximaram.
“Não é o Sr. Russell? O que traz o Marquês da Fronteira a um lugar como este?”
“Como estou trancado no meu território, pensei que acabaria esquecendo até as etiquetas e coisas do tipo.”
“Esquecer a etiqueta? Haha.”
“Como sabe, meu talento é apenas um.”
Curtis, respondendo de forma ácida, fez um gesto como se estivesse cortando o próprio pescoço. Os homens, sentindo um calafrio na espinha, trocaram olhares e pigarrearam.
“Isso, isso é…”
Curtis engoliu um escárnio diante da reação previsível. Embora fosse de linhagem nobre, ele já tinha sido acusado de traição e sua família fora exterminada. Após limpar seu nome, enfrentou muita oposição até ser reintegrado. O motivo era o fato de ter sido o líder de um bando de mercenários bárbaros e cruéis.
No entanto, na verdade, havia outro motivo mais fatal. Quando vagava pelo país, recebia pedidos para invadir territórios vizinhos ou atacar a comitiva de convidados ilustres. Mas ele nunca aceitava trabalhos que pudessem trazer retaliações futuras ou que não tivessem uma justificativa clara. Por causa disso, alguns senhores feudais guardavam rancor dele.
“Hum, hum, aliás, ouvi rumores de que uma mina foi descoberta no território do Sr. Russell…”
“É verdade. Tenho algumas propostas relacionadas a isso.”
Os homens, julgando que seria difícil criar laços de amizade agora, foram direto ao ponto. Curtis tentou conter um bocejo enquanto ouvia as conversas deles com desinteresse.
Ele veio aqui por causa do desejo de Frey, mas era entediante e monótono. Ele não conseguia entender por que gastavam tanto tempo e dinheiro com esse tipo de diversão. Seu olhar desviou-se para a esquerda. Roxana, com uma expressão de dificuldade, estava tentando impedir Frey.
“Por que não para de beber e vem comigo tomar um ar?”
“Quantas taças eu bebi, afinal? Se quer tomar um ar, vá você sozinha.”
“Mas…”
“Você é minha mãe, por acaso?”
Frey, afastando a mão de Roxana, tateou a mesa novamente em busca de vinho. Por fim, Curtis, não aguentando mais, tomou a taça dela.
“Frey. Pare de beber.”
“Ah. Irmão.”
Frey virou a cabeça com o rosto já embriagado.
“Parecia que você estava ocupado demais para se importar comigo, mas estava me observando?”
“Pare de beber e saia um pouco. Não está tão frio lá fora.”
“Já que você insiste, eu vou.”
“Voltarei logo.”
Roxana, amparando Frey que cambaleava, levou-a para fora. Os olhos cinzentos observaram fixamente as costas delas.
* * *
Frey mal conseguia dar um passo, de tanto vinho que havia bebido. Roxana a sentou em um banco do lado de fora.
“Por que bebeu tanto?”
“Eu não sei. Simplesmente continuou descendo.”
Frey, rindo alegremente, encostou o rosto no ombro de Roxana. Com uma expressão de resignação, Roxana acariciou o cabelo de Frey. Frey, desfrutando do toque suave, murmurou:
“Nunca mais virei a um lugar desses.”
“Por quê? Parecia que estava gostando.”
“Não é tão divertido quanto pensei.”
“Todos pareciam muito interessados na senhorita. Falaram bastante com você.”
“Pfft.”
Frey, que soltou uma risada repentina com a resposta de Roxana, segurou a barriga e caiu na gargalhada. Roxana, confusa, olhou fixamente para ela. Só depois de rir por um bom tempo, Frey respondeu:
“Eles não estão interessados em mim. É tudo por causa do meu irmão.”
“O quê?”
“Eu não sou boba, Roxana. As pessoas não se interessam por uma criança cega. Devem estar tentando agradar o irmão, cujo poder está se expandindo, falando com aquela pobre irmã.”
Diante das palavras cruas e sem filtros, Roxana permaneceu em silêncio.
“Algo aconteceu, não é? Sim?”
“Nada aconteceu.”
“Senhorita.”
Roxana chamou Frey, que negava, em voz baixa e segurou sua pequena mão. Em contraste com o ar frio, a pele que se tocava estava quente.
“O que aconteceu? Por favor, me conte. Guardarei segredo.”
“……A história.”
Diante da voz séria, o rosto de Frey foi perdendo a cor gradualmente. Roxana esperou silenciosamente que ela abrisse a boca.
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