O olhar que pairava sobre os lábios dela subiu lentamente. Curtis sustentou aquele olhar em silêncio. Cabelos ruivos que pareciam arder em chamas.
Embora fossem curtos, chegando apenas até os ombros, a intensidade da cor prendia a atenção. Os olhos roxos, que combinavam perfeitamente com o tom avermelhado, brilhavam de forma enigmática sob a luz do luar.
Eram os mesmos olhos que, mesmo ajoelhada miseravelmente na lama, encaravam-no diretamente enquanto ela se preocupava com o bem-estar de Young-min.
Roxana Dalton era um amor precoce que apodrecera antes mesmo de amadurecer para ele. Ele perdera e destruíra coisas demais para se apaixonar de forma pura.
“Quem sabe.”
Por isso, ele detestava aqueles belos olhos roxos. Quanto mais límpidos eram os olhos de Roxana, mais sujo e terrível ele parecia refletido neles. Ele não desejava que ela fosse feliz. Mesmo querendo tirá-la de sua vista, ele desejava que ela fosse infeliz diante dele.
Será que não seria mais rápido destruí-la do que esperar que ela mostrasse sua face mais feia? Foi no momento em que sua mão subiu em direção à bochecha macia dela.
“Ah.”
Após um longo silêncio, Roxana, que parecia estar pensando profundamente em algo, chegou a uma conclusão.
“Você gosta muito de dançar, não é?”
“……O quê?”
Os olhos de Curtis piscaram. Enquanto ele perdia as palavras diante do absurdo, Roxana, interpretando seu silêncio como uma confirmação, sorriu levemente.
“Não sabia que você gostava tanto de dançar a ponto de fazê-lo com uma mulher de quem não gosta.”
“…….”
“Obrigada por me informar gentilmente. Então, com licença.”
Roxana, após se despedir de Curtis, que permanecia ali parado, virou-se e se afastou.
“Curtis.”
Alguém se aproximou de Curtis, que permanecia atordoado no quintal vazio. Era Greg, que, deixando de lado a relação de senhor e servo, treinava esgrima com ele como nos velhos tempos. Curtis, com a cabeça baixa, cobria o rosto com uma das mãos enquanto seus ombros tremiam.
“Você está bem?”
“Ha.”
No instante seguinte, Curtis sacudiu os ombros e soltou uma risada. Ahahahaha! Greg, confuso, observava-o fixamente. Curtis, limpando as lágrimas que se formavam nos cantos dos olhos, murmurou:
“Ah. Eu realmente detesto a Roxana.”
Ela o deixava constantemente agitado. Com o rosto de uma santa, ela capturava seu olhar como uma bruxa e não o soltava. A sensação elétrica que percorria sua espinha era excitante, mas ao mesmo tempo tão terrível que ele não queria senti-la uma segunda vez.
“É possessividade?”
Greg, que observava Curtis em silêncio, disparou a pergunta.
“Você não pretende tomar a filha da família Dalton como esposa, pretende?”
“Greg.”
O ar, antes relaxado, tornou-se subitamente tenso. A intenção assassina que roçou seu pescoço fez os pelos de suas mãos se arrepiarem, mas Greg não recuou. Seu pai fora um cavaleiro do antigo Marquês da Fronteira. No dia em que a família do Marquês da Fronteira Russell foi exterminada, não foi apenas Curtis quem perdeu tudo. Ele também perdera.
“Você não esqueceu, não é? O servo que morreu no seu lugar naquele dia era meu primo.”
“Eu sei.”
Curtis, que respondeu com um tom baixo e cortante, passou a mão pelos cabelos desgrenhados. Como ele poderia esquecer? Quando ele se dava conta, os fantasmas estavam sempre ao seu lado. Eles o cercavam na cama até o momento em que ele adormecia e não o deixavam em paz.
“Então prometa, pelo seu título. Que isso é apenas um capricho seu, como de costume, um passatempo passageiro. E…”
“E?”
“Que Roxana Dalton acabará apodrecendo para sempre em um convento ou morrerá pelas suas mãos.”
Dois pares de olhares se chocaram ferozmente no ar. Após um breve silêncio, Curtis sorriu e afirmou:
“Eu prometo.”
Por alguma razão, um canto de seu peito formigava. Curtis suprimiu silenciosamente aquela sensação estranha. Como se esmagasse uma formiga.
* * *
A aposta foi uma vitória de Frey. Sua dança foi impecável, sem falhas. À primeira vista, ninguém diria que ela era cega. Foi o fruto de um esforço sangrento.
“Parabéns! Lady Russell!”
“Obrigada.”
Frey, sentindo-se triunfante, saboreou a vitória intensamente.
“Agora só falta ajustar o vestido. Não está animada?”
Mal o professor de dança perguntou com um sorriso satisfeito, Frey levantou-se de um salto e procurou por Roxana.
“É verdade! Isso mesmo! Preciso tirar as medidas agora mesmo. Falta pouco tempo, o que eu faço? Será que a habilidade das costureiras será suficiente? O que você acha, Roxana?”
“Bem. Eu também não sei.”
Roxana abria a boca com uma expressão de dificuldade quando a porta se abriu silenciosamente.
“Não precisa se preocupar com isso, Frey.”
“Irmão?”
“Temos o vestido de baile feito no ano passado. Só precisará de alguns ajustes.”
Era um vestido que ele mandara fazer no ano passado, caso ela saísse da caverna. Ao ouvir a sinceridade de Curtis, Frey ficou na ponta dos pés e abraçou o irmão que se aproximava. Robert, parado à distância, sentiu os olhos marejarem com o abraço dos irmãos, algo que não acontecia há anos. Frey, ao se soltar, perguntou com uma voz manhosa:
“Já que estou pedindo, posso pedir mais uma coisa?”
“O que você quiser.”
“Quero levar a Roxana ao baile também.”
“……O quê?”
O ambiente no quarto congelou. Curtis, que mal conseguiu controlar sua expressão, segurou a mão de Frey carinhosamente.
“Frey, sinto muito, mas o acompanhante já está definido.”
“Não é sobre isso. Quero levá-la como minha amiga.”
“Isso é…”
Curtis, que suspirou por dentro, fez uma expressão de dificuldade. Embora tivessem se passado dois anos, a identidade de Roxana era a de filha de um traidor. A filha do Marquês Dalton, que cometeu o grande crime de desviar impostos do país e conspirar com nações estrangeiras.
“Qualquer outro pedido eu atenderei.”
“Não tenho outro. Você disse que atenderia qualquer coisa. Sim?”
Graças à coragem e à teimosia que surgiram impulsivamente, ela chegara até ali, mas Frey ainda tinha medo de entrar sozinha na sociedade, que parecia um mar sem fim. Seu irmão a escoltaria, mas ele não estaria presente nas áreas exclusivas para mulheres.
“Quero ir com a Roxana.”
Diante da insistência firme de Frey, Roxana repetia para si mesma que não seria possível. Ele nunca permitiria.
No entanto, uma resposta inacreditável penetrou seus tímpanos.
“O cabelo dela chama atenção, então ela pode usar uma peruca.”
Olhares de choque se voltaram para Curtis. Encontrando os olhos roxos trêmulos, ele deu de ombros com desdém.
Certamente, não era uma boa ideia exibir Roxana, mas, pensando bem, o risco era mínimo. Ao longo dos anos, o Marquês Dalton não a expusera à sociedade. O motivo era que, como ela já tinha um noivo definido, não era apropriado que uma jovem donzela ficasse circulando por aí. Portanto, Roxana não havia feito sua estreia oficial na sociedade e, como ela mesma se isolara por muito tempo, pouquíssimas pessoas conheciam seu rosto. A maioria dos nobres não sabia nada sobre ela, exceto pelos rumores de que “Roxana Dalton” era uma mulher feia e sem qualidades.
Acima de tudo, ao ver aquele rosto confuso, ele se lembrou do que acontecera pouco tempo atrás. Ele não tinha sido atingido por uma palavra inesperada dela? A sensação de retribuir não era nada ruim. Além disso, Roxana era, desde o início, um brinquedo que ele colocara nas mãos de Frey. O que poderia dar errado?
Se ela mostrasse uma face feia e embaraçosa no baile, talvez ele até se cansasse dela. Tendo chegado a uma conclusão, Curtis chamou Robert.
“Precisamos tirar as medidas novamente. Contrate todas as costureiras habilidosas que encontrar.”
“Entendido. Vou providenciar imediatamente.”
“Ah.”
Curtis, observando Roxana, que estava pálida, com tranquilidade, deu uma ordem adicional.
“Seria bom ter uma peruca também. Prefiro loiras, afinal.”
Era uma medida de segurança para o caso de algo inesperado acontecer.
* * *
Três dias depois, o baile da Baronesa Philomena começou tarde da noite. Quando o sol se escondia atrás do horizonte, carruagens de quatro rodas, cada uma ostentando o brasão de sua família, chegavam sucessivamente ao interior da cidade. O baile da rica viúva, uma figura notável da sociedade do sul, era um evento mensal que todos adoravam.
O amplo salão, decorado com todo tipo de flores e tapeçarias, estava transbordando de pessoas bem vestidas. Em meio à multidão caótica, Frey segurava o braço de Curtis como se fosse sua tábua de salvação.
“O Marquês da Fronteira Russell e sua irmã chegaram!”
O porteiro, após verificar a identidade, anunciou em voz alta para o salão. Ao ouvir o nome raramente mencionado, os convidados, que estavam agitados, viraram-se em uníssono.
“Oh! Marquês da Fronteira! Finalmente chegou.”
A Baronesa Philomena, usando um xale de pele de arminho branco e decorada com penas de faisão no cabelo, recebeu os irmãos com alegria.
“Estávamos até fazendo apostas sobre quando o senhor viria. Meu Deus, e ainda tem uma irmã tão linda.”
“Obrigado pelo convite, Baronesa Philomena. Esta é minha irmã, Frey Russell. Frey, esta é a Baronesa Philomena, que nos convidou.”
“É um prazer conhecê-la.”
“Oh, você é realmente como uma flor. Seja bem-vinda, Lady Russell.”
A Baronesa, com um sorriso amável, percorreu o corpo de Curtis com um olhar ganancioso.
Aquele era o famoso Marquês da Fronteira. Jovem, bonito e um grande proprietário de terras com uma fortuna imensa. Mas, acima de tudo, o ponto alto era sua saga de vingar a morte de seus pais após tanto tempo de espera. O homem que cresceu de um menino que perdera tudo após a queda de sua família para o líder de uma enorme organização mercenária, exterminando as sucessivas invasões de povos estrangeiros e tornando-se um herói.
A epopeia, iniciada por um famoso bardo, era comentada até mesmo nos países vizinhos. Se havia um defeito, era o fato de ele não ter muito interesse nas atividades da sociedade.
Se ele aparecesse com frequência, seria possível criar laços e, com sorte, quem sabe, tornar-se a futura Marquesa da Fronteira com as próprias mãos.
A Baronesa, que estalou a língua com pesar, direcionou seu olhar para Roxana, que entrara logo atrás.
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