Roxana baixou a cabeça em vez de responder. Ela havia relaxado ao evitar seu ex-noivo, mas havia um obstáculo inesperado. Na época em que ela estava prestes a ficar noiva de Enoch Ferentz, a Princesa Consorte já havia realizado seu casamento político. Teria sido um erro da parte dela baixar a guarda por nunca terem ficado a sós?
Com aquela pergunta, sentiu como se suas pontas dos dedos estivessem congelando. Sua mente ficou branca como uma folha de papel e suas mãos tremiam. Foi quando Curtis, que observava a cena, tentou intervir.
“Melanie!”
Um garoto que apareceu atrás da Princesa Consorte cortou o silêncio e se intrometeu. Ele se aproximou em um instante e abraçou a cintura de Roxana, fazendo o corpo dela balançar para trás. Antes que ela caísse, mãos firmes envolveram seus ombros.
“Theo!”
Após olhar para Roxana com desconfiança por um momento, a Princesa Consorte, assustada com o que acabara de acontecer, puxou o ombro do filho.
“Eu disse que você não deve agir de forma imprudente.”
“Desculpe, mãe.”
Theo, sentindo-se sem jeito, coçou a nuca. Margaret, balançando a cabeça como se não houvesse o que fazer, disse com uma expressão de desculpas:
“Como o jovem mestre está sempre preso às etiquetas em sua terra natal, ele acaba ficando assim tão agitado quando me acompanha em visitas à minha família. Sinto muito se você se assustou.”
“Pelo contrário, é bom vê-lo com tanta saúde. Estou bem. E, por favor, sinta-se à vontade para me chamar pelo nome, Vossa Alteza.”
Roxana, que se endireitou apressadamente como se quisesse se soltar dos braços de Curtis, balançou a cabeça. O Visconde Otis, percebendo a atmosfera estranha entre os dois, ocultou sua expressão maliciosa.
Após o luxuoso banquete, eles se acomodaram em um espaço amplo diante da lareira, de onde emanava uma luz quente.
“Então, o jovem mestre me perguntou por que não podíamos comer as nuvens, acredita?”
“Frey também já fez isso, então não parece algo tão estranho para mim.”
“Hoho, é mesmo?”
“Irmão! Você vai continuar contando coisas vergonhosas?”
“Ah. Eu não ouvi nada. Amanhã já terei esquecido.”
A Princesa Consorte Margaret era habilidosa na arte da conversação e em conquistar a simpatia dos outros. Era uma estratégia para que o Ducado de Anatol, que embora fosse um país independente, na prática possuía um território que mal somava três ou quatro feudos da pátria, mantivesse relações amigáveis com os países vizinhos.
Independentemente do que pensava, Curtis acompanhava as palavras da Princesa Consorte, mantendo uma atmosfera gentil. Margaret, que ria há algum tempo, dirigiu a palavra a Roxana, que apenas bebericava seu chá em silêncio.
“Não é, Melanie?”
“Ah… sim.”
Surpresa, Roxana assentiu e pousou a xícara. Theo estava dormindo profundamente em seu colo.
Margaret, que instruiu duas amas a levarem o filho para o quarto, olhou para Roxana com o rosto levemente corado pelo álcool.
“Dito isso, quanto mais olho, mais vejo que você é uma beldade.”
“Obrigada.”
“Você manteve uma parente tão bela escondida por todo esse tempo, Lorde Russell?”
“Ah. Sobre isso.”
Se aprofundassem o assunto, poderia ser perigoso. Roxana, lançando um olhar de soslaio para Curtis, usou de astúcia para confessar:
“Na verdade, até pouco tempo atrás, eu estava em um convento.”
“Ora. Por quê? Você estava doente ou algo assim?”
“Não é isso.”
“Melanie é uma crente fervorosa. Ela perdeu os pais em um acidente e entrou no convento por vontade própria.”
Curtis, interrompendo a fala de Roxana, inventou a mentira sem nem piscar.
“Puxa… sinto muito.”
Margaret suspirou baixo. Nesse momento, Derek, que mantivera a boca fechada durante toda a refeição enquanto observava Roxana e Curtis, interveio.
“É um assunto repentino, mas falar em convento me lembrou de uma história que ouvi há pouco.”
“Que história?”
“Ah, não é nada. Pensando bem, é uma história vulgar demais para Vossa Alteza ouvir.”
Derek balançou a cabeça, prolongando o final da frase de propósito. Curiosa com o assunto trazido por alguém que estivera calado o tempo todo, Margaret o incentivou.
“Eu o perdoarei, não importa o que diga. É tarde da noite e só estamos nós cinco aqui. Fale, Visconde.”
“Hum, hum…”
Derek, fingindo pigarrear, examinou Roxana de cima a baixo com um olhar sinistro.
“Dizem que alguns nobres escondem suas amantes em conventos.”
“Meu Deus, é verdade?”
“Sim. Dizem que, para evitar o olhar público, eles fazem grandes doações e escondem suas amantes nos conventos.”
“Ora… quer dizer que existem pessoas capazes de cometer tal atrocidade?”
“Pode estar mais perto do que você imagina.”
O olhar de Derek se voltou para Roxana. Sob aquele olhar que parecia apontar diretamente para ela, o rosto de Roxana empalideceu. A primeira pessoa que ela verificou foi Frey.
Felizmente, Frey estava cochilando. Curtis interrompeu a fala do Visconde.
“Parece que você bebeu demais, Lorde Otis. Frey parece estar com muito sono, então vou mandá-la subir primeiro. Se não for incômodo.”
O tom de voz era suave, mas seus olhos não sorriam. O Visconde Derek, sentindo um calafrio, desviou o olhar discretamente.
“Ah. Entendo. Já está tarde. Acho melhor encerrarmos a reunião por aqui.”
Margaret, fechando seu leque, levantou-se.
* * *
Na manhã seguinte, o que a anfitriã, a Princesa Consorte Margaret, preparou foi a pesca no gelo. Os convidados, após um café da manhã tranquilo, lançaram suas linhas de pesca sob a vasta camada de gelo.
“Olhem só! Eu peguei um!”
Theo, que pescou um peixe-gelo com a ajuda de um servo, riu abertamente e exibiu seu feito. Roxana bateu palmas, sorrindo radiantemente.
“Incrível. Já são três. Você é o mais rápido.”
Frey, sentada ao lado, sussurrou para Roxana:
“Com certeza a Princesa Consorte nos chamou apenas para sermos figurantes para o filho dela. Não acha?”
“Mesmo assim, é uma honra. Não está se divertindo?”
“Divertindo? Que nada… é brincadeira de criança.”
“Oh? Acho que algo está reagindo agora. Você não sente?”
“O quê? É sério?”
Frey, que estava amuado por não ter pegado nenhum, animou-se.
“Lizzie! O balde!”
“Sim!”
Lizzie, que observava Roxana com desaprovação lá atrás, preparou o balde rapidamente. Frey, que levantou a vara de pesca com cautela, sorriu brilhantemente.
“Acho que peguei! Acertei?”
“Acertou. Muito bem… muito bem, Frey!”
Roxana, que quase usou um tom formal por impulso, corrigiu-se. Frey, que parecia ter esquecido o desânimo, ficou extremamente animado e levantou a vara de pesca, exibindo-a como Theo fizera.
“Irmão! Onde você está? Olhe só isso! Incrível, não é?”
Curtis, sentado um pouco mais longe, respondeu de forma provocadora:
“É tão pequeno que nem consigo ver.”
“O quê?”
“Tente pegar um maior, Frey.”
“Espere só para ver! Quer apostar?”
“Certo. Qual será a aposta desta vez?”
“Quem pegar o maior peixe-gelo realiza o desejo do outro!”
“Combinado.”
Curtis, respondendo com confiança, colocou a isca na ponta da vara. Derek, que pescava ao lado, comentou com sarcasmo:
“Você tem um lado bastante imaturo, Lorde Russell?”
“Não é melhor do que não ter cérebro?”
“O quê?”
Com a resposta ácida, Derek arregalou os olhos. Aquele homem tinha mais de dez máscaras. Ontem ele agia com extrema etiqueta, mas assim que saiu do campo de visão da Princesa Consorte, descartou tudo. De repente, a orelha que fora puxada com força há pouco tempo começou a latejar. Sem perceber, ele cobriu a orelha, e Curtis levantou o canto da boca.
“É brincadeira. Apenas uma brincadeira.”
Derek, cerrando os dentes, apertou o punho com força.
“Até onde você acha que essa sua arrogância será tolerada? Com certeza você me despreza por eu ser um filho ilegítimo.”
Em vez de responder, Curtis sorriu ainda mais intensamente. Derek, enfurecido, amaldiçoou-o com rancor.
“O Rei pode confiar e favorecê-lo agora, mas até onde você acha que essa glória vai durar?”
“Hum.”
Curtis, que ficou em silêncio como se estivesse pensando seriamente, logo sorriu de forma refrescante.
“Não sei.”
“…”
“O que o senhor acha, Lorde Otis? Quanto tempo minha glória vai durar? Já viajei com ciganos, mas infelizmente não aprendi a ler a sorte.”
Ele era rude, não conhecia etiquetas e era o melhor do país em provocar os outros. Não podia se deixar levar. Derek, respirando fundo, avisou em voz baixa:
“Isso ninguém sabe. Mas uma coisa eu sei. Entre os nobres, há muitas histórias ruins sobre você, Lorde Russell. Há até quem diga que seu título deveria ser revogado novamente.”
“Ah. É mesmo? Que pena. Achei que estávamos nos dando bem.”
Curtis, respondendo de forma desinteressada, puxou a vara de pesca. Colocando o peixe-gelo no balde, ele deu ouvidos ao que Derek dizia.
“Você pode estar se gabando agora por ter muitas conquistas e confiança, mas, na minha opinião, não é uma glória que durará muito. Espero que você seja humilde e se preserve pensando no futuro.”
“Obrigado pelo conselho. Já que estamos nisso, também direi uma coisa.”
Curtis, levantando-se e sacudindo a roupa, sussurrou:
“Se você falar mais uma vez sobre amante ou qualquer outra coisa na frente da minha irmã, da próxima vez não será a orelha, mas sim a sua língua que eu arrancarei.”
“O quê, o quê?”
Ele não podia mais suportar. Quando o Visconde, com o rosto vermelho de raiva, levantou-se para segui-lo:
“Lorde Russell!”
A Princesa Consorte Margaret, que havia trocado de roupa por algo mais quente, dirigiu a palavra a Curtis. O Visconde Derek, observando as costas de Curtis se afastarem com frustração, bufou.
“Vamos ver até quando você consegue manter essa calma.”
Enquanto recolhia a vara de pesca de forma irritada, o som das risadas das duas mulheres que aplaudiam chamou sua atenção. No momento em que ele virou a cabeça para olhar, uma cena interessante entrou em seu campo de visão. Uma criada, que ele nem sabia que estava lá ontem, observava as costas de Melanie Dalton com um olhar fixo.
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