Frey sempre foi uma criança doente. Desde o seu nascimento, tudo na família Russell passou a girar em torno dela. Embora Curtis, por vezes, sentisse inveja da irmã mais nova, o seu coração parecia ser esmagado sempre que via o rosto dela ardendo em febre.
Aquele dia foi um desses momentos.
— Saia, Curtis.
— Eu só queria te mostrar as conchas.
— Saia!
A mãe, abraçando firmemente o corpo da filha pequena que fervia em febre, apontou para a porta. Curtis, recuando diante do olhar hostil, abriu a porta e saiu da casa de veraneio como se estivesse fugindo.
A ilha estranha, para onde tinham ido por causa da convalescença de Frey, era composta apenas por praias, não importava para onde fosse. Era difícil encontrar crianças da sua idade e ele não conseguia se comunicar com os habitantes locais. Provavelmente, se ele caminhasse pela praia por um tempo, seu pai viria buscá-lo. Ele diria que sentia muito e pediria para que Curtis compreendesse a mãe.
Após a situação se repetir tantas vezes, Curtis já sabia até as palavras do pai de cor.
Sinto muito, Curtis. Sua irmã nasceu com a saúde frágil. Tente entender. Você é o irmão mais velho.
Frey era pequena. Mas ele já tinha treze anos.
Eu sou uma pessoa inútil? Devo fugir? Devo me esconder de vez? Se eu desaparecesse, minha mãe se arrependeria?
Enquanto caminhava pela praia que se estendia ao longo da crista da ilha, o impulso fervilhava. Não seria má ideia se estabelecer nesta ilha. Metade dela era floresta, afinal.
— Devo levar o Greg também? Se o Greg estiver comigo, não me sentirei sozinho.
Ele murmurava enquanto caminhava há algum tempo. De repente, ouviu sons de alguém se debatendo ao longe. Uma menina estava se afogando no mar, movendo os braços desesperadamente.
Sem tempo para pensar, seu corpo se moveu primeiro. Curtis mergulhou no mar imediatamente. Quando viu a menina perdendo a consciência sob as ondas azul-escuras, sentiu como se seu fôlego tivesse parado. Cabelos vermelhos como o sol e olhos roxos misteriosos. Parecia uma sereia que vivia no mar.
Será que isso é uma armadilha? No momento em que pensou isso, a menina estendeu a mão para Curtis. Ele agarrou o corpo dela e nadou para fora com toda a força que tinha. Nunca havia agido de forma tão desesperada. Nem Frey, nem sua mãe, nem seu pai estavam em sua mente naquele momento.
Como aprendera com o pai, fez a respiração boca a boca e a compressão torácica. Repetiu até ficar exausto, quando a menina, virando o rosto para o lado, cuspiu a água do mar. Um alívio e uma euforia surgiram. Ele não era uma pessoa inútil.
Ele havia salvado alguém. Antes que a menina, que mal tinha sobrevivido, abrisse os olhos, Curtis enxugou as lágrimas que caíam. Então, sorriu brilhantemente e falou.
— Meu nome é Curtis. Qual é o seu?
— Eu sou… Roxana. Sou a Roxana.
Roxana.
Era um nome que combinava com ela. Curtis repetiu o nome em pensamento. Quanto mais repetia, mais sentia um formigamento no fundo do peito.
— Senhor.
Assim que abriu os olhos, os resquícios do sonho desapareceram como o lugar onde as ondas haviam passado. Curtis, passando a mão pelos cabelos bagunçados, lavou o rosto com a água que Robert trouxera.
— E o Greg?
— Ele já terminou os preparativos para a caçada.
— Dormiu demais.
Murmurando, Curtis levantou-se da cama macia.
— O quarto… que o senhor mencionou, está pronto como pediu.
Robert, hesitante, perguntou baixinho.
— Como devemos chamá-la agora?
— Chamem-na de senhorita.
Nem “Madame”, nem “Senhorita Roxana”, mas apenas “Senhorita”. O significado era claro. Ele sabia que havia algo entre os dois, mas parecia que as coisas tinham se tornado rígidas. O rosto de Robert escureceu.
* * *
Quando os aposentos de Roxana foram transferidos do quarto ao lado de Frey para o quarto interno usado pela Condessa, muitas coisas mudaram simultaneamente. A comida que comia, as roupas que vestia e o tratamento que recebia.
Mesmo que as criadas do castelo a olhassem de soslaio com inveja e curiosidade, Roxana não sentia alegria alguma.
Alice e Kesi não falavam mais com ela e, mesmo quando se cruzavam, apenas faziam uma reverência formal e passavam rapidamente. Robert continuava gentil, mas sentia-se uma barreira, e apenas Frey recebia a notícia com alegria.
— Como devo te chamar agora? Roxana… irmã?
— Pode me chamar apenas de Roxana. Quem sou eu para…
— Não posso fazer isso. Afinal, você é a mulher do meu irmão. Talvez até se torne a dona deste castelo.
Frey, balançando a cabeça com firmeza, sorriu brilhantemente.
— Acho que eu meio que sabia que isso aconteceria.
— Como?
— O jeito que meu irmão tratava a Roxana não era comum. Era diferente de como ele tratava outras mulheres.
Parecia que ela confundia desprezo com interesse. Roxana, balançando a cabeça internamente, respondeu calmamente.
— Por um momento, chamei a atenção do senhor, mas sou apenas uma criada, senhorita. A Condessa provavelmente será uma dama de uma família de alto nível. Portanto, não precisa me tratar tão bem.
— Meu irmão não se apega tanto ao status. Então, não tire conclusões precipitadas, Roxana. E há algo que você não sabe.
— …Algo que eu não sei?
— Você sabe que foi meu irmão quem te encontrou e te trouxe quando você desmaiou na floresta, não sabe?
— Sim.
A memória ia apenas até ali. Até o momento em que ele a segurou, congelada.
— Meu irmão massageou seus braços e pernas, que estavam inconscientes, a noite toda. Junto com o médico. Mesmo quando a criada da Princesa Consorte se ofereceu para fazer isso, ele recusou.
— …
— Você acha que isso é possível com um sentimento comum?
Era a primeira vez que ouvia aquilo. Roxana piscou os olhos silenciosamente. Talvez ela tivesse ficado comovida. Se não soubesse do trabalho da Madre Superiora. Teria pensado que era apenas um capricho ou que ele achava que era cedo demais para ela morrer ali. Pois ele estava preparando um sofrimento ainda maior.
Frey, que parecia sentir que o silêncio de Roxana era de emoção, sorriu intensamente e enfatizou.
— E agora, nunca mais me chame de senhorita. Apenas me chame de Frey. Fale comigo de forma casual também.
— …Eu não posso.
— Não quer? Então vou te chamar de irmã Roxana.
Irmã. Era uma palavra que ela um dia quis ouvir, mas, ao ouvi-la, era um título que trazia um peso. Ela não tinha o direito de ser chamada assim por Frey. Roxana, que franziu e relaxou os lábios, acabou assentindo.
— Entendido, Frey.
Foi no momento em que Frey, tendo alcançado seu objetivo, pulava de alegria. Alguém bateu na porta. Quando ela deu permissão para entrar, Olivia deu um passo para dentro do quarto.
— O que houve?
Ao encontrar os olhos de Roxana, Olivia baixou o olhar apressadamente. Diante da reação amarga, Roxana olhou pela janela. Sentindo que algo estava agitado, ela se levantou, mas as palavras de Olivia perfuraram seus tímpanos.
— O senhor, que tinha ido caçar, retornou.
— Ah! Tenho que ir!
Frey, radiante, levantou-se.
— É que…
Olivia a impediu com um rosto embaraçado, como se ela fosse sair do quarto imediatamente.
— Ele ordenou que apenas a senhorita Roxana fosse recebida.
* * *
Uma bolsa de onde pingava sangue foi jogada do lombo do cavalo para o chão. Eram os lobos caçados. Curtis, que desceu da sela após tirar os pés dos estribos, gesticulou para Roxana, que estava parada, como se chamasse um cachorro.
— Roxana.
Roxana, que recuou involuntariamente diante do cheiro de sangue fresco, teve o braço segurado. Como Curtis havia saído do castelo para caçar logo após tê-la como amante não oficial, aquele era o primeiro encontro desde que ela se tornara sua amante. Uma tensão tensa e um constrangimento pairavam entre os dois.
Quem quebrou o silêncio foi Curtis.
— Você ficou corajosa desde a última vez que nos vimos. Parece que, com a ascensão social, você não vê mais nada à sua frente?
Embora ele rosnasse, era o mesmo tom de voz de sempre. Após o choque momentâneo com a atitude dele, como se nada tivesse acontecido, Roxana, sentindo-se aliviada sem perceber, confessou honestamente.
— O cheiro de sangue é muito forte.
— Foi por isso que te chamei. Para ver esse rosto.
Curtis, que sorriu com a confissão honesta, respondeu de forma provocadora.
Roxana sentiu-se desarmada diante daquele rosto descaradamente confiante. Ela não conseguia acreditar nesta situação, neste ar. Eles já eram pessoas que haviam colocado vingança e ódio na boca um do outro. Eram pessoas que já haviam atravessado um rio sem volta para trocar esse tipo de conversa cotidiana. Era óbvio que, quanto mais se aproximassem, mais seriam perfurados pelos espinhos um do outro e acabariam em ruínas.
Ninguém pode ser feliz desse jeito. Com a percepção, o maremoto recuou e a tempestade se acalmou.
De fato, ela não pode ser sua amante. A dívida que tem com ele deve ser paga de outra forma. No momento em que Roxana, decidida, abriu a boca, o perfume frio que se aproximou quebrou seus pensamentos um passo à frente.
— Não pense em outras coisas quando eu estiver por perto.
Com um aviso baixo, um hálito quente grudou repentinamente na curva de sua orelha. Roxana congelou com o formigamento que subia da ponta dos pés. Curtis, com a cabeça baixa, sussurrou.
— Vou te contar porque sei que está curiosa: já enviei um mensageiro para a guilda dos artesãos de couro. Eles disseram que ficariam felizes em ver seu rosto. O resto é com seu primo.
Ao mesmo tempo, Roxana ouviu o som das algemas sendo trancadas em seus tornozelos. Quando o rosto de Jonathan passou diante de seus olhos, a coragem que mal havia se acendido diminuiu como se tivessem jogado água fria.
Se ela dissesse que pagaria de outra forma, será que ele assentiria? Não. A escolha não estava com ela.
— Roxana.
Curtis, que levantou o queixo dela com o dedo indicador, fez com que ela o olhasse.
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