Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 100. A esposa desaparecida
Na floresta noturna, onde os uivos das feras ecoavam, o som de cavalos galopando rompeu o silêncio. Logo depois, cinco cavaleiros surgiram.
Eles pararam diante de uma vila isolada no meio do bosque. No centro do grupo estava Herdin.
Ao descer do cavalo e se aproximar, homens que guardavam a entrada o receberam.
— Nós o acompanharemos até dentro.
Herdin fez um gesto, impedindo os cavaleiros de Delmark de segui-lo, e entrou sozinho.
Dentro da vila, mergulhada na penumbra, apenas uma lâmpada iluminava a mesa central, onde um homem encapuzado estava sentado.
Herdin tirou uma nota do bolso e a colocou sobre a mesa.
Era uma mensagem que havia recebido há apenas uma hora.
«Há doze anos, a morte dos seus pais não foi um acidente, mas um assassinato premeditado.»
A carta terminava dizendo que o assunto não poderia ser tratado por escrito e que desejava encontrá-lo pessoalmente.
— A menos que queira morrer, espero que não tenha mencionado a família de outra pessoa por diversão.
A voz de Herdin era calma… mas seu olhar era gelado.
O homem tremeu por um instante, mas respondeu com respeito.
— Meu status não me permite visitá-lo diretamente… e temia que alguém visse os documentos se fossem enviados à mansão. Peço desculpas pela forma.
— Sem rodeios. Explique tudo.
O homem então entregou um documento.
Na primeira página, havia um círculo mágico.
Herdin pegou o documento com desconfiança…
Mas, ao reconhecer a caligrafia, seus olhos tremeram.
Era a letra de Esmeralda.
A mesma letra das cartas que o confortaram quando era criança, após perder os pais.
Ele se lembrou das palavras de Bleier:
«Lembro de ter visto a Imperatriz esconder algo… mas o documento se perdeu.»
E naquele instante, ele soube.
Era aquele documento.
— …De onde veio isso?
— Um jogador encontrou há alguns meses e vendeu com medo.
A data coincidia com o sequestro de Bleier.
Herdin começou a ler.
O documento revelava algo chocante:
Seus pais não morreram em um acidente.
Foram assassinados.
A explicação vinha junto:
A família Delmark possuía um poder ligado a uma “segunda restrição”.
Quando alguém se apaixonava, uma marca era criada na pessoa amada.
Isso permitia compartilhar poder…
Mas ao custo da vida do parceiro.
Por ser algo cruel, um ancestral destruiu essa restrição.
Mas…
Existia magia negra capaz de restaurá-la.
E essa versão era instável.
Uma vez ativada…
Só terminava com a morte de um dos dois.
Esmeralda suspeitava:
Seus pais foram vítimas disso.
E encontrou uma pista:
Eloise havia recebido uma marca antes do incidente.
O documento terminava com uma frase incompleta:
«Há alguém que me vem à mente, mas…»
A última página havia sido arrancada.
Herdin olhou para o homem.
— Quanto quer pela próxima página?
— Isso é tudo o que tenho.
Herdin ficou irritado… mas percebeu que era verdade.
— Então por que me dar isso?
— …Para retribuir um favor da antiga duquesa.
Herdin ficou em silêncio… e aceitou.
— Se encontrar o resto, me traga.
— Sim.
Ao sair, o homem lembrou das palavras de seu verdadeiro mestre.
Era Mikhail quem tinha a página final.
Quando Herdin voltou para a mansão, o amanhecer já começava.
Ele guardou o documento… mas não conseguiu sair.
Sua mente estava um caos.
Seus pais…
Seu passado…
A culpa…
E Esmeralda, que investigou tudo sozinha.
Depois de um tempo, ele pegou um cigarro…
Mas parou.
Lembrou de Bleier.
E da promessa.
Hoje… eles sairiam juntos.
Ele foi até o quarto dela.
Mas, ao entrar…
Sentiu algo estranho.
Frio.
Vazio.
Ao olhar para a cama…
Herdin parou completamente.
Bleier…
não estava lá.
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