Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 129. A Promessa
Todas as tardes de quarta-feira eram reservadas para o chá de Esmeralda.
Herdin, que a visitava como de costume, deparou-se com uma convidada indesejada, grudada nela como sempre.
Ao encontrar Herdin, a intrusa o cumprimentou com uma alegria quase descarada.
—Nos vemos de novo, Lorde Delmark.
Desde o incidente com Bleier no Festival de Ano Novo, eles se cruzavam com frequência sempre que ele visitava o palácio da imperatriz.
No começo, os encontros eram ocasionais, mas em algum momento ela passou a aparecer no palácio todas as quartas-feiras como um fantasma, reivindicando seu lugar. Agora, mais do que uma visitante inconveniente, parecia praticamente uma convidada oficial da hora do chá.
Herdin se irritava com a atitude da princesa, que desde o Festival de Ano Novo o tratava com uma familiaridade estranha, mas tolerava sua presença.
Em parte porque Esmeralda gostava profundamente da princesa, e em parte porque não lhe desagradava totalmente que aquela voz tagarela preenchesse o silêncio da hora do chá em vez de sua própria quietude taciturna.
No entanto, aquela voz cessou abruptamente quando Esmeralda se ausentou por um momento devido a um assunto urgente.
Sem se importar, Herdin começou a ler o livro que havia levado. Então, Bleier abriu o dela, imitando-o.
Entre os dois reinava apenas o silêncio das páginas virando. Para ser exato, apenas o som do livro de Herdin era ouvido.
Herdin percebia que Bleier o observava de soslaio enquanto mantinha o livro aberto, mas fingiu não notar.
O olhar cauteloso da princesa pousava nele e depois recaía sobre o livro. Então, ao perceber que ele não virava a página havia muito tempo, ela se apressava em virar a sua também. Aquilo era cômico.
Mas, apesar de esperar bastante, a princesa não teve coragem de falar com ele, embora estivesse óbvio que queria iniciar uma conversa.
“Desse jeito, vai amanhecer.”
No fim, foi Herdin quem quebrou o silêncio.
—Tem algo a me dizer?
Ao ouvir aquilo e erguer os olhos, os olhos violetas que encontraram os dele se arregalaram e desviaram rapidamente.
Bleier, hesitante, conseguiu finalmente dizer algo ao notar o livro sobre o Continente Sul que Herdin lia.
—Isso… Lorde já viu o mar alguma vez?
—Fui umas três ou quatro vezes. No verão.
—Com seus pais?
Depois de fazer a pergunta impulsivamente, Bleier fechou a boca um instante depois. Percebeu que havia tocado numa ferida.
Herdin, ao ver em seu rosto a expressão culpada de quem não sabia o que fazer, soltou uma risada sarcástica.
Depois da morte de seus pais, ele já ouvira coisas muito piores; será que ela achava mesmo que mencionar seus progenitores o feriria?
Sentiu emoções contraditórias. Achava curioso aquele cuidado, tão diferente das pessoas que consumiam sua tragédia como entretenimento, mas ao mesmo tempo o irritava parecer que ela o via como alguém frágil.
Herdin respondeu naturalmente.
—Sim. Com meus pais.
Só então o rosto de Bleier relaxou.
—Ouvi dizer que o mar é como um lago enorme, enorme! Dizem que não dá para ver o fim!
—Isso se chama horizonte.
Os olhos de Bleier brilharam ao falar do mar. Era completamente diferente da garota de antes, que gaguejava sem conseguir sequer falar com ele.
—Quando eu crescer… poderia me levar para ver o mar?
Diante daquelas palavras, Herdin arqueou uma sobrancelha.
—Por que eu?
Bleier, que esperava apenas um sim ou não, pensou por um momento antes de responder.
—Porque o Lorde é a pessoa mais forte que conheço… e também porque é alguém que já viu o mar…
Diante daquela resposta ingênua, como se ela desconhecesse completamente como o mundo funcionava, Herdin se sentiu desarmado e soltou uma risada irônica.
A jovem princesa parecia não entender o que significava uma dama nobre adulta sair acompanhada por um homem que não fosse da família ou seu cavaleiro escolta.
Mas não havia necessidade de recusá-la de forma cruel.
—Se é isso que deseja, eu farei.
Ao ouvir sua resposta dócil, Bleier sorriu radiantemente.
—É uma promessa.
Herdin fitou aquele rosto puro sorrindo para ele.
Logo aquela imagem desapareceu, e quando piscou, transformou-se em uma paisagem familiar.
Depois de encarar o teto por alguns instantes, Herdin recordou o sonho que acabara de ter e zombou de si mesmo.
Perguntou-se por que aquela promessa, que agora era inútil ou deixara apenas ódio, surgira em seus sonhos.
Apagando de sua mente o rosto que permanecia como um rastro, levantou-se.
O crepúsculo do amanhecer apenas começava a surgir, mas ele não sentia que o sono voltaria mesmo se permanecesse deitado.
Passou a mão pelo rosto, jogou a franja para trás e, pegando o cigarro e o isqueiro da mesa de cabeceira, saiu para a varanda.
Com o início do outono, a brisa da madrugada já estava bastante fria. Embora o calor retornasse quando o sol nascesse.
Herdin colocou o cigarro aceso entre os lábios enquanto repassava mentalmente a agenda do dia.
Naquela noite, seria realizado no palácio imperial um banquete de vitória em comemoração ao seu triunfo.
Era a primeira vez em vários anos que participaria de um evento oficial desde o incidente no palácio da imperatriz.
Ao mesmo tempo, seria a primeira vez que enfrentaria Bleier desde aquele acontecimento.
“Você, que verei de novo depois de dez anos… que expressão fará ao me ver?”
Enquanto imaginava sua aparência adulta, Herdin soltou a fumaça que prendia.
Em seus olhos azuis, enevoados pela névoa densa do tabaco, restavam apenas emoções geladas.
—Por favor, observe se há alguma dama adequada neste banquete.
No caminho para o palácio imperial, onde seria realizada a gala, Ruth falou com expressão preocupada.
Em vez de perguntar o motivo daquela fala repentina, Herdin desviou o olhar da janela para ela. Ruth então explicou:
—Sua Majestade, o Imperador, está procurando um pretendente para Sua Alteza, a Princesa, agora que ela atingiu a maioridade.
—E o que isso tem a ver comigo procurar uma mulher?
—Neste momento, em que Sua Excelência retorna após uma grande vitória na guerra… quem seria o melhor candidato a noivo em todo o império?
—Então está sugerindo que eu esteja sendo considerado como pretendente da princesa? Eu? O sobrinho da falecida imperatriz que ousou tentar assassinar a princesa?
—A família imperial deve saber que a Imperatriz foi falsamente acusada, então não haverá impedimentos. Agora que a reputação de Sua Excelência está no auge, se a receber como consorte imperial, a imagem da família imperial também crescerá.
Ao ouvir aquilo, Herdin soltou uma risada amarga.
Achava ridículo que, depois de apontarem Esmeralda como criminosa, quisessem agora entregar a filha dela a ele.
—E além disso, mesmo sem considerar esse problema, já está na hora de firmar um noivado e constituir família. Sua Excelência já restaurou o prestígio de sua casa; agora é o momento de garantir estabilidade produzindo um herdeiro.
Era um discurso que já ouvira inúmeras vezes de seus vassalos, mesmo antes de partir para a guerra.
Havia adiado aquilo até agora, mas vendo até Ruth insistir, parecia que já não poderia mais ignorar.
—Então, por favor, encontre uma dama adequada. Certo?
Quando Herdin ignorou o pedido friamente, Ruth continuou pressionando-o por uma resposta.
A ladainha leal só terminou quando a carruagem chegou ao palácio imperial.
Ao entrar no salão do banquete, os olhares de todos os nobres já presentes se concentraram nele.
Enquanto Herdin trocava cumprimentos, as portas do salão se abriram e a voz de um criado ecoou.
—Sua Majestade, o Imperador!
Herdin observou calmamente Bleier, que apareceu atrás de Ivan.
A princesa, agora adulta após dez anos, se parecia terrivelmente com sua mãe — a mulher chamada de beleza capaz de derrubar reinos.
No instante em que esboçou um sorriso amargo diante daquela imagem, Bleier sentiu seu olhar, virou-se para ele, e seus olhos se encontraram.
Ela, que piscava com seus grandes olhos violetas, pareceu reconhecer sua identidade apenas depois de alguns segundos e desviou o olhar, agitada.
E depois disso, não voltou a olhar para Herdin nem uma única vez.
Mesmo sendo ela quem cometera o erro, o fato de evitá-lo o irritava estranhamente.
Enquanto observava Bleier se recusar a encará-lo, Ivan falou:
—Naturalmente, a primeira dança deste banquete pertence ao protagonista. Que Lorde Delmark, protagonista desta noite, escolha sua parceira para a primeira dança.
Diante dessas palavras, todos os olhares do salão se voltaram para Herdin.
Inclusive o de Bleier.
Ao encontrar o olhar de Herdin, que a observava o tempo todo, Bleier desviou rapidamente os olhos mais uma vez.
Ao ver aquilo, o canto da boca de Herdin se curvou.
Sob o olhar de todos, Herdin começou a caminhar.
E seus passos pararam diante de Bleier.
Sem poder mais evitá-lo, ela ergueu a cabeça.
Naqueles grandes olhos refletiam-se claramente emoções como medo e confusão.
Herdin, encarando aqueles olhos que finalmente se encontravam com os seus, beijou o dorso de sua mão.
Enquanto as pupilas dela tremiam, ele sentiu a delicada mão em sua posse estremecer levemente.
Diante daquela reação, Herdin sorriu satisfeito.
—Concederia a mim a honra de ser minha primeira parceira de dança, Sua Alteza?
Na verdade, sua primeira parceira já estava praticamente decidida.
Naquele banquete, onde ele era o protagonista, escolher qualquer outra dama nobre se tornaria um escândalo.
Mas escolher a princesa, a mulher solteira mais nobre do império, seria visto apenas como uma demonstração de respeito ao imperador.
Parecia que ela não havia considerado isso.
Ou melhor… parecia que jamais imaginara que ele a escolheria.
Depois de encará-lo por um momento com olhos trêmulos, Bleier assentiu levemente, como se resignada.
—Então… conto com você, Lorde Delmark.
Segurando a mão de Bleier, Herdin a conduziu até o centro do salão e envolveu sua cintura com o braço.
Seus corpos ficaram tão próximos que era possível ouvir a respiração um do outro.
Ele percebeu que Bleier prendeu a respiração.
Achava patético que ela tentasse evitar até mesmo que seu fôlego o tocasse.
Logo depois, a orquestra começou.
Quando Herdin tomou a liderança, Bleier, embora hesitasse por um instante, acompanhou seus passos com habilidade.
Enquanto ele se revolvia no campo de batalha… com quantos homens ela teria dançado para se tornar tão sincronizada assim?
Ao pensar nisso, a força em seu sorriso torto se intensificou.
E também a força do braço em sua cintura.
Surpresa pela distância ainda mais reduzida, Bleier o encarou com os olhos arregalados.
Herdin, sem afrouxar o aperto, fitou-a com olhos frios e sussurrou:
—Respire.
Ainda assim, apesar daquela ordem que não parecia uma ordem, a respiração dela nunca chegou a tocar a nuca de Herdin.
Apenas o aroma doce e singular dela permaneceu na ponta de seu nariz.
Mesmo depois que a dança terminou.
Mesmo depois que a música cessou.
Por muito, muito tempo.
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