Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 126. De maneira terrivelmente cruel
As pupilas de Bleier se agitaram violentamente diante da inesperada confissão de Herdin, mas foi apenas por um instante. Logo, seus olhos se contraíram em dor.
Aquelas palavras que ela tanto desejara ouvir, paradoxalmente, remexeram nas feridas ainda abertas de seu passado.
Dizer que a amava.
Eram palavras que também ouvira dele em sua vida anterior.
Naquela existência, ele também a olhava com olhos afetuosos, a abraçava com suavidade e sussurrava que a amava.
Ela não sabia se aquela ternura, aquele calor e aquelas palavras haviam sido mentira, ou se foram sinceros, ainda que por um instante.
No entanto, mesmo que tivessem sido genuínos, ela sabia melhor do que ninguém o quão inútil tudo aquilo era. A prova irrefutável era ela mesma.
O simples fato de sua existência estar ali, tendo voltado no tempo.
“Mas será que sentimentos também mudam?”
Apesar de ter vivido a vida anterior e de ter sido ferida mais uma vez, seus sentimentos por ele permaneciam intactos.
Mesmo tentando ignorá-los, negá-los ou reprimi-los, ela não conseguia lidar com aquela emoção que crescia fora de controle.
Seria diferente com você?
Reconhecer seus sentimentos significava, infelizmente, abandonar na mesma medida a confiança e as expectativas que ainda tinha em relação a ele.
Ela não se sentia capaz de assistir mais uma vez à mudança dele. Tampouco tinha coragem de confiar novamente, esperando que desta vez fosse diferente.
Porque essa esperança já havia sido destruída repetidas vezes.
E, ainda assim, ela não conseguira deixá-lo ir.
Sentia que, se essa esperança se quebrasse mais uma vez, mais do que odiá-lo, não suportaria o quanto desprezaria a si mesma por sua própria tolice.
Portanto, a resposta para a confissão dele já estava decidida.
Desde o momento em que abriu os olhos ao retornar ao passado.
Tanto suas pupilas quanto sua voz, ao responder, permaneceram serenas, sem vacilar.
— Eu não amo você.
Esse fato enlouqueceu Herdin. Apesar de ser a reação que esperava, ele não conseguia aceitá-la.
— …Você realmente ama aquele idiota?
— Mikhail não tem nada a ver com isso.
Bleier traçou uma linha firme.
Herdin buscou desesperadamente outra razão. Um motivo pelo qual ela não pudesse amá-lo.
Naquele momento, lembrou-se do rosto de Miela, que havia se aproximado dele há pouco.
E também recordou que a razão pela qual se sentia desconfortável com ela era algo que ouvira de Bleier em algum momento.
— Ou é por causa daquela mulher? Por causa daquilo que não sei se é o futuro ou uma premonição?
Ele ainda não acreditava nessas palavras.
Que ele chegaria a amar outra mulher, deixando Bleier de lado, era absurdo desde o princípio.
No entanto, o fato de Bleier acreditar naquele futuro era algo que nem ele podia controlar. Se pudesse, apagaria e destruiria a versão de si mesmo naquele futuro que ela dizia ter visto.
— Pode ser diferente do futuro que você viu.
— Pode ser que eu ame você.
— Não tente procurar a razão em outras pessoas. Este é um problema dos meus sentimentos.
Diante dessas palavras, Herdin finalmente encarou a realidade que não queria admitir.
Como Bleier dissera, o importante não eram os outros, mas os sentimentos dela.
Ele não conseguia aceitar que não era que ela não pudesse amá-lo — ela simplesmente não o amava.
A mão de Herdin, que segurava o braço de Bleier, apertou com mais força. Sabia que deveria soltá-la, mas sua boca se moveu por conta própria.
— Por que eu não posso?
— Sou seu marido.
Enquanto buscava uma razão para que Bleier o amasse, seus olhos pousaram no ventre já arredondado dela.
— É nosso filho.
— Isso não é motivo suficiente para que você me ame?
Ao vê-lo tão desesperado, Bleier sorriu com amargura.
Quanto mais ele tentava demonstrar sinceramente seus sentimentos, mais lembranças da vida passada surgiam como pesadelos. Tanto a imagem dele lhe dando as costas quanto sua faceta carinhosa.
Ela só queria que aquilo acabasse.
— Porque não é estritamente necessário ter sentimentos para se casar e formar uma família.
As palavras que ele havia dito casualmente no passado, para mantê-la ao seu lado, retornaram e se cravaram no peito de Herdin. Doeu.
Ao mesmo tempo, uma dúvida tardia surgiu.
“Você também sofreu por causa das minhas palavras?”
“Não… como você não me ama, provavelmente não se importou.”
Primeiro desejou que suas palavras não a tivessem ferido e, no fim, acabou desejando que ela também tivesse sofrido por causa delas.
Enquanto se perdia nesses pensamentos absurdos, Bleier segurou a mão de Herdin que prendia seu braço.
Herdin encarou fixamente as pupilas serenas dela, que não continham emoção, confusão nem ressentimento, e finalmente a soltou.
— Vou entrar primeiro.
Depois de libertar seu braço, Bleier se virou e foi embora.
Ao observar sua figura se afastando, uma risada amarga escapou dos lábios de Herdin.
A brisa noturna que tocava sua mão, agora privada do calor dela, parecia dilacerante.
Ruth, que estivera organizando documentos e materiais até tarde, saiu do banho.
No caminho para seu quarto, ouviu o murmuro das criadas. Talvez porque a noite estivesse silenciosa, seus sussurros pareciam ainda mais altos.
Ruth, que pretendia simplesmente passar, aproximou-se ao notar suas expressões graves.
— Aconteceu alguma coisa?
— Ah, senhor Ruth… É que… como estamos na mudança de estação, a senhora anda tossindo de vez em quando, mas pediu que não acendam a lareira. Se ela pegar um resfriado, será difícil, porque não poderá tomar remédios.
Só então Ruth entendeu por que estavam tão sérias.
O fato de Bleier ter fobia de fogo era algo que, entre os servos da mansão ducal, apenas Rina, Melli e Mason sabiam.
Afinal, a fraqueza da duquesa logo se tornaria a fraqueza de Herdin.
Para quem desconhecia isso, era natural temer que Bleier adoecesse gravemente e que as consequências recaíssem sobre elas.
— Sua Excelência ainda não voltou para o quarto?
Pelo horário, normalmente Herdin já deveria ter se recolhido.
“Ainda assim, ele sempre dormia no quarto.”
Mesmo depois de encontrar Bleier em Nereha e trazê-la de volta, por pior que parecesse a relação dos dois, sempre dormiam juntos.
“Como ele já resolveu a maior parte do trabalho urgente antes de vir de Nereha, não deveria haver nada tão importante assim.”
Achando estranho, Ruth decidiu primeiro tranquilizar as criadas.
— Eu falarei com o duque. Por enquanto, façam como a senhora pediu.
— Entendido.
Depois de se afastar delas, Ruth foi até o escritório de Herdin. Bateu à porta e esperou, mas não houve resposta.
“Será que ele não está no escritório?”
Enquanto pensava nisso, Ruth lembrou-se de que Herdin havia voltado do banquete havia cerca de uma hora.
Não parecia provável que ele estivesse em outro lugar.
Após esperar mais um pouco, Ruth abriu cuidadosamente a porta.
Ao mesmo tempo, uma densa fumaça de cigarro invadiu seus pulmões.
Tossindo por reflexo, entrou no escritório e avistou uma silhueta familiar no cômodo escuro, iluminado apenas pela luz da lua.
Herdin fumava em meio à penumbra.
Ruth não sabia quantos cigarros ele já consumira, mas o escritório estava completamente tomado pela fumaça.
Prestando-se a repreendê-lo como sempre, Ruth acabou se calando ao cruzar o olhar com Herdin.
Seus olhos, afundados na escuridão, eram inquietantes.
Enquanto Ruth hesitava, Herdin falou primeiro.
— O que foi?
— Ah, não é nada importante… Só estava me perguntando se ainda não havia ido dormir. Parece que a senhora está com sintomas de resfriado, mas dizem que ela não pode acender a lareira.
Ao ouvir aquilo, Herdin soltou uma risada curta.
Mas foi só por um instante.
Logo, o sorriso desapareceu como se nunca tivesse existido.
Seus olhos, sem qualquer vestígio de alegria, continuavam inquietantes — e, ao mesmo tempo, pareciam solitários.
Ruth, julgando que não deveria se intrometer, saiu silenciosamente.
Herdin passou a mão bruscamente pelos cabelos, deu a última tragada no cigarro e soltou a fumaça como se fosse um suspiro antes de apagá-lo.
Depois, esvaziou o copo de uísque para limpar o gosto da boca, levantou-se e foi para o quarto.
O aposento onde dormia a dona daquele lugar estava em silêncio.
Herdin colocou lenha na lareira, tirou seu isqueiro e acendeu o fogo com habilidade.
O quarto, antes mergulhado em frio cortante, rapidamente se aqueceu.
Enquanto observava fixamente as chamas, Herdin soltou uma risada amarga.
Achava ridículo que Bleier, que o rejeitava dizendo odiá-lo, ainda assim não tivesse outra escolha senão depender dele.
Mas o mais absurdo era ver a si mesmo servindo de combustível para uma mulher que dizia odiá-lo.
Sua risada cessou no momento em que ouviu uma pequena tosse vindo da cama.
Ao se aproximar, viu Bleier dormindo tranquilamente.
Como sua barriga já estava muito grande e ela não conseguia dormir de costas, repousava de lado, abraçada a um travesseiro.
Ele sentou-se na cadeira ao lado e observou silenciosamente seu rosto adormecido, afastando com cuidado as mechas de cabelo que cobriam parte de sua face.
Com a tosse acalmada, Bleier parecia profundamente serena.
Ele odiava que ela dissesse que o odiaria até a morte.
Mas, ao vê-la assim, seu coração voltava a bater descontroladamente.
Queria vê-la.
Abraçá-la.
Beijá-la.
E o fato de não poder esperar nenhum sentimento daquele calor era, mais uma vez, terrivelmente cruel.
A mão de Herdin, que tentou tocar a de Bleier, parou a poucos centímetros.
Sem conseguir alcançá-la.
— Por favor… me ame um pouco.
Sua voz baixa, soando ao mesmo tempo como riso amargo e como choro, se dispersou na escuridão silenciosa da noite.
Sabia_tutsung
Se tem homi sofrendo de arrependimento tem eu feliz 😝☝️
Alic
AMOOOOOOOOOO por mim pode sofrer mais que tá pouco.
🗣️ – Mas ahh ele tá bonzinho nessa vida, é diferente e ele ama ela e faria tudo por ela e blá blá blá blá blá
GENTEEEE coloquem algo na cabecinha oca de vcs, se ELA NÃO MUDASSE ele faria TUDO IGUAL então não venham passar pano antes da hora, ele precisa lembrar de tudo o que fez para entãooooo entender e verdadeiramente se arrepender e só aí AÍ SIM eu perdoo e torço pelo casal