Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 102. A paisagem de uma tarde sem ele
Ivan, ao sair de seus aposentos para participar do Conselho de Estado, deu de frente com Katarina, que havia ido procurá-lo pessoalmente.
No mesmo instante, um suspiro escapou de seus lábios.
Era a primeira vez que encarava a mãe desde o julgamento do dia anterior.
Até então, ele a evitara deliberadamente.
Usando como desculpa os assuntos de Estado, prometia visitá-la assim que resolvesse tudo… mas, na verdade, apenas adiava o inevitável.
Porque lhe era insuportável enfrentar Katarina chorando, agarrando-se a ele e lamentando as consequências do julgamento.
Mas agora que ela estava diante dele…
Já não podia escapar.
Ivan rapidamente recompôs sua expressão e vestiu a máscara do filho atencioso.
— A que devo sua visita tão cedo, mãe? Eu justamente pretendia vê-la assim que a reunião terminasse.
— …Conceda-me apenas um momento. Não tomarei muito do seu tempo… só um instante.
Como ele previra, Katarina não sairia sem conversar.
Ivan sinalizou para seu assistente aguardar e entrou com ela na sala de recepção.
Assim que a porta se fechou, Katarina foi direto ao ponto:
— Ivan, o julgamento de ontem foi uma calúnia. Eu não matei aquela mulher.
Ivan soltou um suspiro cansado.
— Então como explica as provas apresentadas pelo duque Delmark?
— Foram forjadas! Herdin deve tê-las fabricado para me incriminar! De qualquer forma, não fui eu! Eu nunca tive intenção de matar aquela mulher—
— Se ele pretendia inventar provas falsas, poderia ter feito isso há anos. Por que faria apenas agora?
Katarina ficou sem resposta.
Os lábios dela tremeram.
Seu rosto parecia prestes a desmoronar em lágrimas.
Ivan odiava profundamente aquela expressão.
Porque sempre o fazia parecer o filho cruel.
Controlando a irritação, ele perguntou:
— Se não foi você… então quem matou a antiga imperatriz?
— …
— E por que acusou Esmeralda de tentar matar Bleier?
Então Katarina explodiu:
— Porque todos teriam suspeitado de mim primeiro!
Sua voz ecoou pela sala.
Naquele dia…
Esmeralda morreu enforcada.
Assassinato ou suicídio — ninguém jamais soube.
O incêndio destruiu tudo.
E, numa situação dessas…
Quem seria a principal suspeita?
Katarina.
A mulher que rivalizava politicamente com Esmeralda e desejava o trono de imperatriz.
Por isso…
Ela agiu primeiro.
Uma morta não pode se defender.
— Você também está pensando isso agora, não está?
Os olhos de Katarina se contraíram em dor.
— No fim… foi por você, Ivan. Eu precisava sobreviver. Se eu caísse, o que aconteceria com você neste palácio cruel?
— Escolhi a única forma de salvar nós dois.
Ivan passou a mão pelo rosto, exausto.
Estava cansado.
Cansado de ouvir que toda atrocidade cometida por ela era “por ele”.
Mesmo que fosse verdade…
No fim, aquela decisão não destruiu justamente a autoridade da família imperial?
O olhar de Ivan esfriou.
— …Consideraremos a condessa Magrid como a verdadeira culpada.
Katarina congelou.
— O quê?
— Diremos que ela agiu sozinha, por lealdade à senhora. Isso será suficiente.
— Ela não tem nada a ver com isso!
— Por favor, mãe!
Ivan a interrompeu com evidente irritação.
— Quem acreditaria nisso agora?
Katarina ficou em choque.
Ivan continuou friamente:
— O importante já não é a verdade.
— É a percepção pública.
— As provas surgiram. O julgamento foi revertido. Agora só resta uma coisa.
Ele declarou, sem hesitar:
— Proteger o prestígio da família imperial.
Os olhos de Katarina vacilaram.
Então…
Ela compreendeu.
Ivan estava descartando-a.
Sacrificando-a para preservar a própria imagem como imperador justo.
A mão que um dia ela criou…
Agora a cortava de sua vida.
Quando Ivan saiu da sala, Katarina desabou no chão.
Uma risada vazia — ou talvez um choro — escapou de seus lábios.
“Naquele dia… eu deveria ter ignorado Gerard?”
A lembrança de dez anos atrás atravessou sua mente.
“Os vivos precisam sobreviver.”
Agora…
Esse arrependimento chegava tarde demais.
No fim da tarde, quando a luz dourada do sol se intensificava…
Bleier abriu os olhos.
O que viu não foi o teto luxuoso da mansão ducal.
Mas sim…
O teto gasto de uma casa velha.
Por um instante, ficou imóvel.
Então se lembrou.
Após fugir, Mikhail a escondera numa residência simples, no coração da capital.
Porque ninguém imaginaria que Bleier Delmark, procurada pelos cavaleiros, permaneceria justamente dentro da própria cidade.
O plano era simples:
Esperar.
Quando Delmark expandisse a busca para fora da capital…
Uma brecha surgiria.
E então ela escaparia.
Bleier, exausta por uma noite inteira sem descanso, adormecera assim que deitou.
Agora, ao despertar…
Sentia uma paz que há muito não conhecia.
O quarto era velho.
A cama rangia.
A manta era feita de retalhos.
Mas…
Era aconchegante.
Mais acolhedor do que qualquer quarto da mansão ducal.
Pela primeira vez desde a gravidez…
Ela podia simplesmente descansar.
Sem medo de Herdin surgir de repente.
Sem sua presença sufocante.
Sem seus braços.
Sem seu calor.
…
A ausência dele deixava um estranho vazio.
Mas, ao mesmo tempo…
Era um alívio imenso.
Somente depois de fugir…
Seu coração finalmente encontrou paz.
Quando estava quase voltando a dormir…
Um aroma delicioso subiu do andar de baixo.
Seu estômago roncou imediatamente.
Bleier desceu.
Lá embaixo, Mikhail ajudava uma senhora idosa a preparar a refeição.
Ao vê-la, sorriu.
— Dormiu bem?
— Sim… Se soubesse que estavam preparando comida, teria descido para ajudar.
A velha imediatamente fez um gesto de reprovação.
— O que uma mãe grávida está dizendo? Quem deve trabalhar é o pai da criança!
Então lançou um olhar direto para Mikhail.
…
Silêncio.
Bleier e Mikhail congelaram.
A senhora claramente havia entendido tudo errado.
Antes que qualquer um pudesse corrigir…
TOC TOC.
Alguém bateu à porta.
E, naquele instante…
O ar da casa congelou.
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