Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 112: Algo Que Faço Porque Gosto de Você
Depois de terminar um jantar satisfatório, como em qualquer outro dia, Bleier observava o lado de fora pela janela, agora completamente mergulhado na escuridão.
Apesar da hora avançada, os arredores da vila ainda fervilhavam de atividade. Os moradores estavam totalmente absorvidos nos preparativos para o festival da colheita, que aconteceria em poucos dias.
Enquanto Bleier se distraía com aquela movimentação, Anna colocou diante dela o chá que havia preparado.
Ao perceber que Anna se sentava à sua frente, Bleier perguntou como se tivesse acabado de lembrar de algo:
—Anna, existe algum evento relacionado a máscaras durante o festival da colheita?
—Sim. Hoje, na escola, as crianças estavam falando sobre o baile de máscaras. Nas lojas da vila também estão vendendo muitas.
Anna bateu palmas, como se só agora tivesse se lembrado.
—Durante os dez dias do festival da colheita, acontece um baile de máscaras todas as noites na praça.
—Isso mesmo. Normalmente é uma diversão aproveitada apenas pela nobreza, mas durante o festival de Nereha, até os moradores participam juntos do baile de máscaras na praça.
Os olhos de Bleier brilharam de curiosidade ao ouvir aquilo.
Um baile de máscaras na praça, onde todos se divertiam juntos.
Uma vila nova, pessoas novas, costumes novos. Para Bleier, que jamais conhecera a vida fora do palácio imperial, tudo aquilo era fascinante e desconhecido.
—Esse baile de máscaras surgiu de uma antiga lenda de Nereha.
—Que lenda?
—Você sabe que a cidade recebeu esse nome por causa do deus do mar, Nereha, certo?
Em vez de responder, Bleier apenas assentiu silenciosamente.
Anna soltou uma pequena risada ao vê-la tão curiosa, parecendo uma criança, e continuou:
A lenda que deu origem ao baile de máscaras era a seguinte:
Há muito tempo, no vasto mar diante da cidade, vivia o deus do mar chamado Nereha.
Mais do que um deus protetor, ele era um tirano cruel, e por isso o oceano sob seu domínio estava sempre enfurecido. Incontáveis pessoas morriam ao se aventurar em águas profundas.
Aqueles que viviam na costa e não podiam evitar navegar decidiram oferecer todos os anos uma virgem como sacrifício vivo para apaziguá-lo.
Assim, enquanto jovens eram entregues ano após ano, chegou o dia em que uma mulher chamada Roen foi escolhida.
No entanto, Roen, que havia perdido o pai e o irmão para o mar revolto, não aceitou seu destino passivamente.
Em vez disso, empunhou uma espada para se vingar de Nereha.
Infelizmente, era impossível que o ataque de uma humana ferisse um deus, e sua vingança fracassou.
Mas sua coragem criou uma grande mudança.
Nereha, intrigado por aquela humana que ousava desafiar seu destino e enfrentá-lo, decidiu poupá-la.
Esse pequeno interesse se transformou em afeição.
E a afeição logo se tornou amor.
Diante do amor infinito do deus, parecia que Roen também acabava se apaixonando por ele…
Mas ela não conseguia esquecer o rancor pela morte do pai e do irmão.
No fim, Roen fugiu de Nereha e se escondeu na cidade.
Nereha, ao persegui-la até lá, enfureceu-se por se sentir traído e destruiu toda a cidade.
Ao ver aquela devastação, Roen propôs uma condição para acalmá-lo:
“Se conseguir me encontrar entre a multidão de pessoas mascaradas antes que a noite termine, aceitarei seus sentimentos e voltarei com você para o mar.”
Desesperado para encontrá-la, Nereha aceitou e começou a procurá-la entre os aldeões mascarados.
Pouco antes do amanhecer, ele finalmente conseguiu.
E, como prometido, Roen retornou ao mar com Nereha.
Depois disso, a cidade recuperou a paz, e o mar furioso que antes engolia tantas vidas se acalmou.
As pessoas passaram a acreditar que Nereha e Roen protegiam o oceano, batizaram a cidade com o nome de Nereha e começaram a venerá-lo como deus protetor.
—… É uma história que ensina que, se o amor for verdadeiro, você consegue encontrar a pessoa independentemente da aparência que ela tenha. Foi daí que surgiu a brincadeira.
—Que história interessante. Então normalmente casais usam máscaras para se procurar?
—Sim. Até entre pessoas que gostam uma da outra, às vezes fazem a promessa de que, se forem encontradas, aceitarão uma confissão. E como é uma promessa feita diante do deus, não pode ser quebrada.
—Que romântico. Parece divertido.
—Entre casais casados, fazem isso com a condição de que quem for encontrado precisa realizar um desejo. Por exemplo, não poder sair da cama naquela noite… ou ser amarrado e ter que fazer tudo o que o outro quiser…
Diante da naturalidade com que Anna dizia coisas tão constrangedoras, Bleier a interrompeu às pressas.
Seu rosto estava vermelho como uma maçã madura.
Ao ver aquilo, o olhar de Anna se tornou travesso.
Era tão adorável vê-la agir como uma garota inocente, mesmo já sabendo de tudo, que Anna sentiu vontade de provocá-la ainda mais.
—Você já está carregando um bebê, então por que fica tão envergonhada?
—O-o bebê pode ouvir.
—E o que tem isso? O bebê surgiu justamente por causa desse processo.
Enquanto Anna ria alto da reação desesperada de Bleier, alguém bateu à porta principal.
Anna foi até a entrada e, pouco depois, voltou acompanhada de Mikhail.
Ao vê-lo, Bleier se levantou surpresa.
—Mikhail? O que faz aqui a essa hora?
—Trouxe algo para você.
Diante do olhar curioso de Bleier, Mikhail simplesmente apresentou uma caixa que trazia consigo.
Dentro havia um travesseiro comprido.
—Ouvi dizer que, quando a barriga cresce, fica desconfortável dormir.
—Nossa, homens normalmente não sabem dessas coisas. Mestre, você vai ser um ótimo marido.
Ao lado de Bleier, que apenas piscava surpresa diante do presente inesperado, Anna fazia ainda mais alarde.
Bleier, que estava prestes a agradecer, congelou ao ouvir aquilo.
Embora provavelmente não fosse essa a intenção, aquelas palavras pareciam insinuar algo entre ela e Mikhail.
Percebendo o desconforto dela, Mikhail mudou rapidamente de assunto para evitar pressioná-la.
—Aliás, sobre o que vocês estavam falando? Dava para ouvir risadas lá fora.
Foi uma péssima escolha.
No mesmo instante, o rosto de Bleier voltou a corar intensamente ao se lembrar da conversa anterior.
Já Anna abriu um sorriso malicioso.
Era a oportunidade perfeita para provocar tanto Bleier, naturalmente tímida, quanto Mikhail, que só diante dela se tornava tão ingênuo.
—Ah, estávamos falando sobre o baile de máscaras da praça durante o festival da colheita…
Percebendo imediatamente as intenções de Anna, Bleier puxou Mikhail apressadamente para fora de casa.
—Vamos dar uma volta.
Assim que saíram, Bleier percebeu que ele olhava fixamente para sua mão, que ainda segurava a dele.
Ela soltou rapidamente.
—Ah, me desculpe. Foi sem pensar, eu estava com pressa.
—Não tem problema. Na verdade, eu também queria passear com você.
Os dois caminharam pela trilha da vila.
Enquanto seguiam em meio a um silêncio tranquilo, Bleier tomou a iniciativa com cautela:
—Muito obrigada pelo presente. Era exatamente algo de que eu precisava. Vou usá-lo bastante.
—Se for assim, isso já me deixa feliz.
—Mas… daqui em diante, ficarei grata apenas pela intenção.
Ao ouvir aquilo, Mikhail franziu ligeiramente a testa.
—… Posso perguntar por quê?
Bleier hesitou por um instante antes de responder:
—Anna pode interpretar mal. E não só ela… outras pessoas que nos virem também podem. Isso seria desagradável e desconfortável para você.
—Não é desconfortável. Nem desagradável.
Mikhail sustentou o olhar dela por um momento antes de continuar:
—… Porque é algo que faço porque gosto de você.
Bleier ficou imóvel.
Sob a luz da lua, os olhos verdes dele brilhavam mais intensamente do que de costume.
No instante em que viu aquele olhar, sentiu como se seu coração afundasse.
Ela desviou discretamente os olhos.
Deve ser compaixão.
Deve ser apenas bondade nascida da pena.
Ele é uma pessoa profunda, então provavelmente isso é apenas cortesia… um mínimo senso de responsabilidade para com ela.
Bleier se forçou a pensar assim, porque encarar sentimentos que não podia retribuir parecia doloroso demais.
—Eu agradeço esse senti—
—Quero dizer que faço isso porque gosto de você.
Mikhail deixou tudo claro, como se quisesse impedi-la de continuar fingindo que não entendia.
As pupilas de Bleier tremeram.
Como não havia percebido?
Que dentro daquela bondade infinita poderiam existir outros sentimentos?
Não… talvez, no fundo, ela soubesse.
Talvez apenas tivesse fingido não ver.
Porque tinha medo de ficar sozinha e queria receber ajuda enquanto ignorava os sentimentos dele.
Bleier sentiu-se egoísta por isso.
Precisava traçar uma linha clara naquele instante.
—… Me desculpe. Eu provavelmente serei uma fugitiva que nunca poderá se orgulhar de si mesma. Já fui casada com outro homem. E ainda carrego o filho dele. Não sou alguém adequada para você.
—Eu não disse isso para que você se diminuísse. Coisas assim jamais poderiam reduzir seu valor.
—É só que… achei que, se não dissesse, talvez você nunca soubesse em toda a sua vida.
Que reação deveria ter diante disso?
Ocasionalmente, homens já haviam se confessado para ela antes.
Mas nenhum deles se aproximara com sinceridade e respeito.
Por isso, Bleier não sabia como rejeitar alguém sem machucá-lo.
Mikhail observou o arrependimento estampado em seu rosto, soltou uma pequena risada e, em um tom leve, completamente diferente do de antes, perguntou:
—Então… se eu encontrar você no baile de máscaras deste festival da colheita, aceitaria sair comigo oficialmente?
Sabia_tutsung
Ela indo encontrar o Hardim