Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 105: Não Estamos Sozinhos
Bleier sentiu suas pupilas tremerem no instante em que seus olhos encontraram os dele.
E Herdin percebeu.
Percebeu também o medo que inundou aquele olhar.
No meio de toda a confusão ao redor, para Herdin só existia ela.
Como se, naquele mundo inteiro, apenas os dois restassem.
E então, alguém invadiu aquele espaço.
O braço de um homem encapuzado envolveu os ombros de Bleier.
Paralisada, Bleier desviou o olhar de Herdin para Mikhail.
Mais uma vez…
Ela estava tentando fugir dele.
No mesmo segundo, Herdin cerrou os dentes e avançou.
— Ei! Saiam da frente!
Uma carruagem cruzou seu caminho abruptamente.
Por um instante, sua visão foi bloqueada.
E naquele breve segundo… Bleier se afastou.
Sem hesitar, Herdin conjurou uma plataforma mágica sob os pés e saltou sobre a carruagem com facilidade assustadora.
— Vocês viram isso?!
— Quem é esse cara?! Um mago?!
Os murmúrios da multidão se espalharam, mas Herdin não ouvia nada.
Criando novas plataformas sobre a multidão, avançou em passos largos na direção onde Bleier desaparecera.
Mas quando chegou…
Ela já não estava mais lá.
Seu sorriso se distorceu de forma sombria.
Ela o viu.
Seus olhos se cruzaram claramente.
E ainda assim…
Bleier virou as costas.
Bem diante dele.
Nos braços de outro homem.
As veias no dorso de sua mão saltaram enquanto ele cerrava o punho com força brutal.
No fundo, Herdin entendia perfeitamente o significado daquele gesto.
Mesmo depois de vê-lo…
Ela escolheu ignorá-lo.
Mas rejeitou esse pensamento imediatamente.
Porque, desde o momento em que trocou os contraceptivos dela…
Os sentimentos de Bleier haviam deixado de importar.
Não importava a razão.
Não importava o que ela sentia.
Você precisa ficar ao meu lado.
Isso era tudo.
Ruth, que o seguira preocupado desde a cafeteria, finalmente o alcançou, ofegante.
Herdin nem sequer olhou para ele.
— …Ela está perto. Encontre-a.
Como Mikhail previra, as margens do rio Maha estavam lotadas.
Pessoas aproveitavam passeios de barco, lanternas flutuantes coloriam o céu noturno, e a brisa fresca do rio tornava a paisagem quase mágica.
Mas Bleier não tinha olhos para beleza alguma.
Mikhail a acomodou sob o assoalho de um pequeno barco a remo.
— Desculpe pelo desconforto… mas aguente só mais um pouco.
Cobriu Bleier, sua bagagem e Bbi Bbi com um pano preto espesso.
Logo depois, a assistente do ateliê da Baronesa Sionel sentou-se por cima, disfarçando completamente sua presença.
Tudo já havia sido preparado.
Mikhail assumiu o papel de barqueiro.
A assistente, o de passageira comum.
Esconder Bleier daquele jeito era cruel.
Mas mostrá-la seria perigoso demais.
— Desculpa, Bbi Bbi…
Sentindo a pequena criatura se agitar dentro da mala, Bleier sussurrou suavemente.
Depois de algum tempo, Bbi Bbi se acalmou.
Deitada na escuridão, Bleier observou o céu através das frestas do tecido.
As incontáveis lanternas iluminando a noite eram lindas.
E então…
A imagem de Herdin voltou à sua mente.
Em meio àquela multidão imensa…
Ela o encontrara imediatamente.
Como se fosse instinto.
Seu coração afundou.
Mikhail a puxara para perto no momento certo.
Por pouco…
Por muito pouco, ela escapara.
“Por favor… nunca mais me faça encontrar aquele homem.”
Enquanto fazia esse pedido silencioso às lanternas, ouviu uma comoção na margem.
Os Cavaleiros de Delmark.
Começaram a revistar cada pessoa, uma por uma.
E no centro deles…
Herdin.
Mesmo à distância, sua presença era tão fria que parecia congelar a noite.
Bleier puxou o tecido para cobrir melhor o rosto e prendeu a respiração.
Tum. Tum.
Seu coração batia tão forte que parecia impossível não ser ouvido.
Pouco depois, Herdin subiu na ponte mais próxima.
Os cavaleiros o seguiram.
E naquele exato momento…
O barco de Bleier passou sob a ponte.
Voltar seria suspeito demais.
Seguir em frente era a única opção.
Do alto, Herdin observou o barco.
Mikhail, com habilidade impecável, desviou o olhar como um barqueiro comum.
Um segundo.
Dois.
Uma eternidade.
Por fim, Herdin passou a mão pelos cabelos, claramente frustrado.
— Revistem tudo minuciosamente. Inclusive todos que desembarcarem dos barcos.
Sua voz grave, carregada de cansaço e obsessão, atravessou os ouvidos de Bleier.
Então…
Os passos dele começaram a se afastar.
Bleier permaneceu imóvel.
Em silêncio.
Sem respirar direito.
Até não restar mais nenhum sinal dele.
Do outro lado do rio Maha, o barco finalmente parou.
Ali começava uma floresta.
Atravessando-a, Bleier finalmente deixaria a capital.
— Cuidado.
Com a ajuda de Mikhail, ela desembarcou.
Depois de se despedirem do subordinado que os ajudara, seguiram pela mata.
Apesar da lua brilhante, o caminho era difícil.
Principalmente para Bleier.
Mikhail estendeu a mão.
— Desculpe por guiá-la por um terreno tão difícil… Se permitir…
Por reflexo, Bleier quase aceitou.
Mas então parou.
Quando saísse da capital…
Estaria sozinha.
Precisava aprender isso agora.
Balançou a cabeça.
— Agradeço… mas consigo andar sozinha.
E manteve sua decisão.
Durante toda a travessia, recusou ajuda.
Quando finalmente saíram da floresta, uma carruagem os aguardava.
Mikhail colocou sua bagagem, fechou a porta e disse:
— Tenho alguns assuntos para resolver, então irei na boleia. Descanse. Se precisar de algo, me chame.
Bleier percebeu.
Ele estava lhe dando espaço.
Liberdade.
Sorriu levemente.
— Não precisa… mas obrigada.
A carruagem partiu.
Bleier recostou-se, exausta, observando a paisagem pela janela.
Ao longe, o amanhecer começava a surgir sobre as montanhas.
Ela havia conseguido.
Finalmente deixara a capital.
Seu coração estava cheio.
Ansiedade.
Medo.
Liberdade.
E uma amarga pontada.
“Houve um tempo… em que eu queria viajar com Herdin.”
Quando era criança, sonhava que, ao crescer, exploraria o mundo ao lado dele.
Porque Herdin era forte.
Porque acreditava que ele poderia protegê-la de qualquer coisa.
Mas…
Foi justamente ele quem destruiu e aprisionou aquele sonho.
E agora…
A única que seguia para o mundo sonhado era ela.
Ao murmurar isso, sua mão pousou sobre o ventre.
Então se lembrou.
“Não… eu não estou sozinha.”
Asiel estava com ela.
E Bbi Bbi também.
Duas vidas sob sua responsabilidade.
Aquele peso pequeno, mas profundo…
Fortaleceu seu coração.
“Eu acho… que vamos viver bem.”
Não.
Nós vamos viver bem.
A luz suave do amanhecer aqueceu seu rosto.
Na mansão ducal…
Rina limpava uma janela até o vidro brilhar.
Do lado de fora, o cenário já era completamente outonal.
As árvores, antes verdes, agora se tingiam de vermelho e dourado.
Ao olhar aquela paisagem, seus olhos se encheram de melancolia.
“Nessa época, no ano passado… estávamos preparando o casamento da senhora…”
Já haviam se passado dois meses desde o desaparecimento de Bleier.
Rina esperara todos os dias por uma carta secreta.
Qualquer sinal.
Mas nada chegara.
“Está ficando frio… espero que ela esteja em algum lugar quente.”
Foi então…
Tintilar.
Um som pequeno, mas claro, ecoou pelo centro da mansão.
O sino.
O sino que anunciava…
O retorno de Herdin.
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