Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 110: Por Uma Simples Mulher
Era Mason.
Quando Herdin fez um gesto com a cabeça para Ruth, ela se aproximou e abriu a porta do escritório.
— O que houve?
— Tentei resolver sozinho dentro do possível, mas há alguns dias os anciãos do conselho vêm tentando visitá-lo com intervalos cada vez menores.
Ao ouvir as palavras de Mason, a expressão de Ruth endureceu.
“Então era por isso que tudo estava tão calmo ultimamente.”
Ela se perguntava por que aquelas pessoas, que deveriam ter invadido imediatamente para pressionar o novo casamento de Herdin assim que os rumores sobre Bleier se espalharam, haviam permanecido em silêncio até agora. Não sabia que Mason vinha impedindo isso.
Mas permitir que encontrassem Herdin naquele momento não era nada favorável.
Não havia como aqueles velhos, cegos pela ganância de transformar suas próprias netas em duquesa, agirem com tato — e também não havia como Herdin ouvir tais propostas em silêncio.
Especialmente agora, Herdin parecia um vulcão ativo prestes a entrar em erupção a qualquer instante.
Ruth observou o rosto de seu senhor com ansiedade.
Herdin, ouvindo o relato de Mason com sua habitual expressão glacial, perguntou:
— Eles estão lá fora agora?
— Por enquanto, como Vossa Excelência ordenou antes, pedi que aguardassem diante da entrada principal.
— Eu mesmo irei.
Quando Herdin se levantou, Ruth o encarou, surpresa.
— Não pretende mandá-los entrar?
— Não há necessidade de tratar como convidados intrusos que aparecem sem aviso.
Herdin respondeu enquanto servia um pouco de uísque do decanter sobre a mesa e saía do escritório.
Ao ouvir aquilo, Ruth se lembrou de que, alguns meses antes, quando os anciãos apareceram de surpresa, Herdin ameaçara que “se voltassem sem avisar, os faria esperar do lado de fora”, e ficou horrorizada.
“Não pode ser… ele realmente os deixou esperando lá fora.”
Mason também parecia bastante desconcertado com a atitude de Herdin ao proibir a entrada dos anciãos na mansão, mas nenhum dos dois ousou questioná-lo.
Herdin molhou a garganta com o uísque e disse a Ruth, que o seguia às pressas:
— Se já terminou seu trabalho, pode se retirar.
— Ah… na verdade, havia algo que eu queria discutir mais tarde.
— Então diga agora.
— Ah, não. Vou esperar.
Na verdade, não havia assunto algum. Apenas tinha o pressentimento inquietante de que algo terrível aconteceria se deixasse Herdin sozinho com aqueles velhos.
Parecia que Mason pensava o mesmo, pois seguiu Herdin ao lado de Ruth.
Quando os três chegaram ao saguão da mansão, viram três carruagens esperando.
Os anciãos, que aguardavam dentro delas, desceram assim que avistaram Herdin.
— Seria melhor trocar logo o mordomo desta mansão, excelência. Só porque alguns velhos vieram sem avisar, isso não justifica deixar convidados esperando do lado de fora.
— Receber esse tipo de tratamento, sabendo perfeitamente quem somos… Parece que o senhor Mason também envelheceu e ficou rígido assim.
— Primeiro, vamos entrar. Meus joelhos estão doendo de tanto esperar dentro da carruagem.
Enquanto os anciãos criticavam Mason diante dele e tentavam entrar na mansão, Herdin, observando-os friamente, falou:
— Fui eu quem ordenou que convidados não convidados esperassem do lado de fora.
— Acredito ter deixado bem claro da última vez que, se viessem sem aviso, ficariam aqui fora. Parece que já esqueceram.
— Ha! Pretende mesmo deixar velhos como nós plantados aqui?
— Ou poderiam ter avisado antes e voltado outro dia.
Durante o último mês, eles haviam visitado repetidamente a residência ducal, mas como Herdin estava fora da cidade, retornaram frustrados em todas as ocasiões. Se perdessem aquela chance, não sabiam quando conseguiriam vê-lo de novo.
Os anciãos o impediram apressadamente.
— Cof, cof! Não me parece que este seja o lugar apropriado para discutir isso. Primeiro, vamos para dentro.
Eles batiam discretamente nos próprios joelhos, usando a idade como escudo.
Mas Herdin permaneceu frio, sem qualquer intenção de ceder.
— Isso decidirei depois de ouvir o que têm a dizer.
Herdin inclinou o copo, umedecendo os lábios, e perguntou:
— Então? Qual é o assunto?
Após trocarem olhares e pigarrearem, um dos anciãos finalmente falou:
— O posto de duquesa está vago, não está?
A mão de Herdin, que girava distraidamente o copo, parou.
Uma risada gelada escapou entre seus dentes cerrados.
Como esperado, não havia sequer um desvio em relação ao que ele previra.
Achava ridículo: Ivan tentando preservar aquele casamento a qualquer custo por prestígio, enquanto seus próprios vassalos aproveitavam a oportunidade para usurpar o lugar de Bleier.
— Já está na hora de pôr ordem e preparar a chegada de uma nova senhora. Só assim esses rumores nojentos deixarão de manchar Delmark.
— Não creio. O posto de senhora de Delmark não esteve vago nem por um único dia desde que me casei no fim do ano passado. Não me digam que já começaram a ficar senis.
— A duquesa, por estar grávida, não se encontra bem de saúde e foi se recuperar. Só isso. O lugar da senhora de Delmark jamais esteve vazio.
Fazia dois meses que os rumores circulavam.
Não havia ninguém na capital que não soubesse que a duquesa havia fugido secretamente grávida de outro homem.
E Herdin não podia ignorar esse fato.
Não… provavelmente era quem mais o conhecia.
Ainda assim, responder daquela forma significava claramente que ele não tinha intenção de se divorciar de Bleier.
Os anciãos, percebendo o significado daquilo, ficaram horrorizados.
— Pretende mesmo fazer herdeiro de Delmark uma criança cujo pai nem sequer se sabe quem é?
Assim que o velho terminou de falar, um som agudo de vidro se partindo ecoou.
Era o copo na mão de Herdin.
Ao mesmo tempo, o ar ao redor congelou.
Os cacos se enterraram profundamente em sua palma, e linhas vermelhas de sangue escorreram.
Como se o sangue não fosse dele, seus olhos ao encarar os anciãos estavam completamente vazios.
Era assustador.
— Se o que está naquele ventre não é meu filho… então de quem é?
Sua voz, fria como uma rajada de gelo, esmagou o ambiente.
Enquanto ninguém ousava abrir a boca sob aquela pressão, um dos anciãos avançou um passo, decidido.
— Acha que fechar os olhos e os ouvidos fará a verdade desaparecer? Os rumores já se espalharam por toda a capital. Uma mulher lasciva, igual à mãe, que se deitou com algum homem desprezível e ousa carregar uma semente de origem desconhecida—
As palavras do velho foram interrompidas.
Pela espada de cavaleiro que Herdin desembainhou num instante e apontou para sua garganta.
— Diga isso de novo.
— Quem, com quem… e o quê?
Os cacos de vidro cravados em sua mão aprofundaram ainda mais o ferimento.
O sangue vermelho escorreu pela lâmina e pingou sobre o pescoço do ancião.
Por um instante, parecia o próprio sangue dele.
O velho, horrorizado, empalideceu completamente, incapaz até de respirar direito.
Mas nos lábios de Herdin, apontando a espada para sua garganta, havia um sorriso distorcido.
Era grotesco.
Os anciãos não foram os únicos chocados.
Ruth também ficou paralisada.
Ele nunca fora particularmente cortês com eles, mas agora…
Ele não estava em seu estado normal.
Embora soubesse que precisava impedi-lo, seu corpo estava preso por uma pressão esmagadora. Era puro instinto de sobrevivência.
Quem finalmente quebrou aquela atmosfera mortal foi Mason.
Ele se ajoelhou diante de Herdin.
— Foi meu erro não receber adequadamente os convidados, excelência. Por favor, acalme sua ira.
Só então o olhar de Herdin, que parecia prestes a matar, desviou para Mason.
Ao mesmo tempo, o maná que ondulava perigosamente ao redor dele desapareceu.
Após encarar Mason por um momento, Herdin voltou-se para os anciãos.
— Bleier Delmark é minha esposa, a senhora de Delmark e sua soberana.
— E a criança que nascerá de seu ventre é, sem qualquer dúvida, meu herdeiro.
— Se voltarem a insultá-la mais uma vez… então terão de me entregar seus pescoços.
Herdin soltou a espada, deixando-a cair no chão, e se virou.
O velho, que mal escapara, desabou no local, ofegante.
— Receber esse tipo de tratamento… por uma simples mulher…
Os lamentos ficaram para trás, mas Herdin os ignorou e entrou na mansão.
Ruth, recuperando-se logo depois, correu atrás dele.
— Excelência, por favor, cuide primeiro da sua mão. O ferimento parece grave…
Herdin ignorou o conselho e foi direto ao banheiro.
Fragmentos de vidro estavam profundamente enterrados em sua palma.
Fora porque apertara ainda mais a espada momentos antes.
Apesar do ferimento severo, seus olhos, ao observar o sangue cair no chão, permaneciam indiferentes — como se observasse o corpo de outra pessoa.
A dúvida pesava mais que a dor.
“Se eu dissesse que estou morrendo… você viria?”
“Você, tão fraca e tão genuína, viria sem sequer perceber que é uma armadilha.”
“Então eu poderia capturá-la naquele momento.”
“Mas um sacerdote curaria ferimentos externos rápido demais… isso não basta.”
Enquanto refletia seriamente sobre pensamentos que ele próprio considerava insanos, Herdin retirou os cacos, enfaixou a mão de forma grosseira com uma toalha e entrou na banheira.
Sentia-se desconfortável com o álcool espalhado pelo corpo.
Depois do banho, ao retornar ao escritório, encontrou duas pessoas esperando diante da porta.
Ruth… e Miela.
— Olá, excelência. Soube que se feriu e vim vê-lo.
Ao vê-la, o olhar de Herdin afundou em frieza.
Ruth, sem conhecer os sentimentos dele por Miela, acrescentou rapidamente:
— O ferimento parece profundo. Trouxe uma sacerdotisa…
Herdin soltou um suspiro, jogou a franja para trás com a mão esquerda e virou as costas.
Naquele instante, Miela segurou sua mão.
— Será só um momento. Apenas deixe-me ver—
Mas Herdin afastou sua mão com brutalidade.
Miela cambaleou para trás, e Ruth a segurou antes que caísse.
Quando ela tentou falar, Herdin a interrompeu:
— Ruth. Minha tolerância com sua insolência termina aqui.
Era uma voz sem inflexão alguma.
Mas, ainda assim, esmagadora.
Ruth mordeu os lábios e abaixou a cabeça.
Por mais que tivesse agido pensando no bem dele, se ele não queria, aquilo ultrapassava seus limites.
Quando Herdin finalmente estava prestes a entrar no escritório, passos apressados ecoaram atrás deles.
Era Calrigo.
Assim que entrou, trouxe a notícia que Herdin tanto aguardava:
— Disseram que há alguém que viu minha senhora em Nereha.
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