Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 1. Papá arrepentido (2)
Bleier, que havia lido a carta com expressão impassível, dobrou-a novamente e a guardou na gaveta, exatamente como fizera com a anterior.
Herdin, que observava a cena, interveio.
—Se está fazendo isso por minha causa, não é necessário. Laços de sangue não se rompem tão facilmente.
Mesmo que Katarina não tivesse participado diretamente da morte de Esmeralda, ele ainda a odiava.
Afinal, ela havia tentado usar até mesmo a vida de Bleier para limpar o próprio nome.
Por isso, continuava desejando que ela não tentasse agir como família diante de Bleier.
No entanto, independentemente desse sentimento, ele não queria que Bleier guardasse ressentimento ou ódio por Katarina por causa dele.
Aquela mulher, que nunca havia se comportado como mãe, não deveria permanecer no coração da filha nem sequer como um sentimento de culpa.
Mas, ao contrário de suas preocupações, Bleier foi categórica.
—Não é por sua causa, Herdin.
Ela continuou falando enquanto tomava nos braços o bebê, que acabara de soltar um adorável arroto.
—Mamãe é uma covarde. Ela não se desculpou comigo nem pediu perdão a você; está simplesmente tentando virar a página usando a desculpa de que somos família.
—Claro, se fosse apenas uma questão familiar, problemas pequenos poderiam ser resolvidos assim, mas isso não é algo que possa ser ignorado tão facilmente.
A vida solitária que ela teve de suportar em sua existência anterior se devia fundamentalmente ao desejo de vingança de Gerard, mas Katarina também era culpada por ter enterrado a verdade para proteger sua própria segurança e ambição.
Por causa disso, Esmeralda carregou uma calúnia injusta mesmo após a morte, e Delmark e Herdin tiveram de suportar todo aquele dano.
—Mamãe precisa se desculpar formalmente e pedir perdão a você e à falecida Imperatriz.
Agora, as prioridades de Bleier eram seu marido e seu filho.
Se Katarina realmente amava a filha, precisava respeitar sua família. Precisava deixar o orgulho de lado e se desculpar sinceramente pelas feridas que havia causado.
Assim como ele havia feito com ela no passado.
Depois de expressar seus sentimentos em relação a Katarina com o rosto severo, Bleier perguntou, como se tivesse acabado de se lembrar de algo:
—Então… isso vai colocar sua posição em uma situação desconfortável?
Herdin arregalou levemente os olhos diante da pergunta, mas logo soltou uma pequena risada.
Sua esposa pensava na posição dele até mesmo em uma situação que a afetava profundamente. Isso era tão típico dela que chegava a ser adorável.
—Desde quando eu me importo com esse tipo de coisa?
Acrescentou, olhando para a esposa e para o bebê que ela segurava nos braços.
—Bleier, o que você quiser é o que eu quero.
Como se aquela resposta a satisfizesse, Bleier sorriu radiante.
Enquanto ela e o bebê estivessem felizes como agora, nada mais importava.
No entanto, pouco tempo depois, ele se deparou com um obstáculo inesperado.
O tempo passou rapidamente e o verão chegou.
Bleier e Herdin retornaram à residência urbana na capital com Asiel.
Naquele dia, estava programado um banquete destinado a anunciar o retorno dos dois e, ao mesmo tempo, apresentar Asiel à nobreza.
Rina, que havia coordenado os preparativos do banquete durante todo o dia, subiu as escadas.
Apesar de ter realizado um trabalho exaustivo, seus passos eram extremamente leves.
Claro, terminar suas tarefas já era motivo de alegria, mas havia outra razão verdadeira para sua empolgação.
“Nosso jovem mestre… quanto será que cresceu nesse curto período em que não o vi?”
Não seria exagero dizer que, atualmente, Asiel era a alegria de sua vida.
Para ser mais exata, ele havia se tornado a alegria não apenas dela, mas da maioria dos criados que viviam na mansão.
Rina chegou quase correndo diante do quarto de Asiel.
A porta estava ligeiramente aberta, provavelmente porque Melli havia chegado primeiro.
Ao entrar silenciosamente pela porta aberta, percebeu o doce aroma de leite típico dos bebês.
Só aquele cheiro já a fazia se sentir bem.
No entanto, infelizmente, já havia uma visitante indesejada ali.
—Ele se parece exatamente com Sua Excelência, como pode ser tão fofo?
Era a voz de Ruth.
Logo em seguida, ouviu-se a voz de Bleier respondendo:
—Ele é fofo porque se parece com ele.
—Eh… isso… quero dizer, Sua Excelência é, claro, muito bonito, mas fofo ele definitivamente não é.
—Entendi perfeitamente o que você quer dizer. Ele também tem seus momentos fofos.
“Em que parte Sua Excelência é…?”
A expressão de Rina se distorceu de forma cômica ao ouvir as palavras de Bleier.
Ruth parecia pensar o mesmo e respondeu em voz baixa:
—… Receio que jamais conseguirei concordar com essa avaliação da senhora.
Bleier riu suavemente diante do comentário de Ruth.
Desde que Asiel nasceu, as duas haviam se tornado muito próximas.
Ruth sempre gostara de crianças, e Bleier parecia ter desenvolvido certa intimidade com ela ao lhe mostrar Asiel com frequência.
Como consequência, Asiel, que estava entre as duas, também acabou se aproximando naturalmente de Ruth.
E Rina sentia ciúmes da relação entre aquelas duas.
Que Herdin fosse o marido e Asiel o filho era compreensível, mas a confidente mais próxima de Bleier deveria ser ela.
—Você já chegou, Rina.
Bleier, que segurava Asiel, alegrou-se ao vê-la entrar no quarto.
Asiel, que já conseguia distinguir rostos até certo ponto, reconheceu Rina e começou a agitar mãos e pés.
Rina, que até então se mantinha distante e irritada pela presença de Ruth, derreteu instantaneamente ao ver Asiel, como se nunca tivesse estado incomodada.
—Ai, jovem mestre! Estava me esperando?
—Eu também estava morrendo de saudade, tanto que nem conseguia trabalhar!
Asiel soltou uma risadinha, como se tivesse entendido as palavras de Rina.
Ao observar o bebê, não apenas Rina, mas também o rosto de Ruth se iluminou com um sorriso natural.
—Então, senhora, deixe o jovem mestre conosco e vá se arrumar.
Ruth estendeu os braços para Asiel, agrupando naturalmente a si mesma e Rina sob o termo “conosco”.
Diante disso, os olhos de Rina se estreitaram.
Seu plano de monopolizar Asiel estava desmoronando.
—A senhorita assistente também não deveria estar ocupada se preparando? Deixe o jovem mestre comigo e termine seus assuntos tranquilamente.
—Não tenho mais tarefas durante o banquete.
—Como pode acabar bebendo demais hoje, que tal adiantar o trabalho de amanhã?
—Agradeço a preocupação, mas não bebo a ponto de comprometer a agenda do dia seguinte.
“Ela acabou de me alfinetar por eu ter bebido demais no piquenique do verão passado, não foi?”
E assim começou uma guerra nervosa faiscante entre Rina e Ruth.
Quando Bleier, observando a cena, caiu na gargalhada, Asiel, que também olhava curioso para as duas, acompanhou-a rindo alto.
Justo quando não conseguiam decidir quem brincaria com Asiel…
—Então vocês ainda estão aqui.
Herdin apareceu para pôr fim ao confronto gelado entre as duas.
Já vestido com um fraque, tomou Asiel dos braços de Bleier com habilidade.
—Eu ficarei com Asiel, então vão se arrumar e venham.
Ruth e Rina, que perderam instantaneamente a razão para brigar, olharam atônitas para Asiel nos braços de Herdin, como cães que veem o teto depois de perder a caça.
Parecia que a guerra nervosa entre ambas terminaria assim.
Até que Asiel, que encarava fixamente o rosto do pai, começou a chorar.
Os quatro adultos se alarmaram diante do choro da criança.
Ruth e Rina tentaram acalmá-lo com a habilidade que normalmente usavam para mimá-lo, mas foi inútil.
O bebê agitava os membros na direção de Bleier e, por fim, começou a chorar desesperadamente, arqueando o corpo inteiro.
Como se quisesse escapar dos braços do pai.
Somente quando Bleier o pegou de volta nos braços e o consolou, Asiel parou de chorar aos poucos.
—Asiel, meu bebê. O que foi? É porque não quer que a mamãe vá?
Bleier buscou a razão em outro lugar, mas Herdin acreditava que o motivo do choro da criança estava nele.
Ele já havia percebido isso desde que Asiel começou a reconhecer pessoas.
Há algum tempo, o menino conseguia distinguir as pessoas.
Chorava ao ver estranhos e sorria alegremente ao ver rostos familiares.
Bleier, assim como a ama e pessoas que via frequentemente como Rina e Melli, e até mesmo Ruth e Mason.
No entanto, embora brincasse feliz e sorrisse para todos eles, no instante em que seu pai o pegava no colo, ele desatava a chorar amargamente.
Entre todas as pessoas próximas para quem Asiel sorria, o único ausente era Herdin.
Bleier o consolava dizendo que “era apenas coincidência de timing”, mas quando essa coincidência se repetiu várias vezes, Herdin não teve escolha a não ser aceitar.
Asiel queria evitá-lo.
Embora ele não tivesse a menor ideia do motivo.
Queria dar a ele todo o amor que não pôde oferecer em sua vida passada, mas ver o bebê chorar assim que o via fazia seu coração se consumir.
Por quê, exatamente?
Qual era a razão disso?
Como nem sequer podia conversar com o menino, sentia-se desesperado diante da frustração.
Além disso, os olhos de Asiel ao chorar eram idênticos aos de Bleier, de modo que, toda vez que via o pequeno chorando enquanto o encarava, sentia como se sua própria esposa o estivesse rejeitando.
—Herdin, eu vou levar Asiel.
Bleier, como se se sentisse ainda mais culpada pelo comportamento do filho, trocou com ele um olhar suave e saiu do quarto.
Rina a seguiu.
Herdin, observando Asiel se afastar nos braços de Bleier, engoliu um suspiro e olhou para o próprio reflexo na janela.
“… Será que eu tenho um rosto assustador demais para crianças?”
Graças ao seu pequeno filho, pela primeira vez na vida começou a refletir seriamente sobre a própria aparência.
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