Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 140. Inimigo
— Foram encontrados três cadáveres. No entanto, estavam tão horrivelmente mutilados que dizem ser difícil identificar quem eram. Havia algum sacerdote escoltando Sua Santidade?
Naquele momento, havia quatro pessoas na vila.
Gerard e Mikhail, que estavam no porão, e dois subordinados de Gerard que guardavam o local.
O fato de terem sido encontrados três cadáveres significava que, além dos subordinados, Mikhail também havia morrido.
Ao receber a notícia, os cantos da boca de Gerard se ergueram levemente.
— Não. Todos os que morreram ali pertencem ao lado do mal.
— Que alívio!
Miela sorriu radiante, satisfeita.
Mesmo que os mortos fossem inimigos, aquela alegria diante da morte ainda era algo perturbador.
Enquanto Gerard refletia sobre os próximos passos, Miela voltou a falar.
— Aliás, a erradicação dos magos negros ainda não terminou, não é?
Gerard a observou com desconfiança.
Não era exatamente uma erradicação de magos negros, mas era verdade que seu trabalho ainda não havia terminado.
Miela sorriu levemente e foi direta.
— Acho que posso ajudar Sua Santidade.
— Eu vi alguém com um círculo de magia negra gravado no corpo.
Enquanto dizia isso, suas pupilas douradas brilhavam de forma inquietante.
No fim do outono, o vento estava frio, embora o sol ainda fosse suave.
Depois do almoço, Bleier saiu para caminhar com Bbi Bbi.
As criadas recomendaram que ela descansasse, já que o ataque dos mortos-vivos havia ocorrido no dia anterior.
Mas ela ignorou e foi ao jardim. Seu corpo estava pesado, então apenas sentou-se em um banco.
Ainda assim, sorria enquanto observava Bbi Bbi correr.
Herdin, observando da janela aquele sorriso raro, lembrou-se das palavras dela do dia anterior.
“Quando isso acabar, vamos nos separar.”
Ela ainda o amava.
Ele só percebeu tarde demais o quanto a havia machucado.
Se ela pediu separação mesmo amando, o quanto ele a feriu?
“Isso é o certo para nós dois.”
Ele entendeu que aquilo, dito como “pelo seu bem”, era também uma escolha cruel.
Era uma justificativa conveniente e irresponsável.
Agora queria reverter tudo.
Mas já era tarde.
“Quando isso acabar…”
Era o período de graça dela.
Não para recuperar o amor — mas para aceitar a separação.
Ele sentia o peito apertar.
Naquela noite, Bleier voltou do banho e parou ao ver Herdin no quarto.
Ele já estava ali, brincando com um isqueiro.
— Vou te ensinar a acender a lareira.
Ela hesitou.
— Lembrei que não te ensinei antes. O inverno está chegando.
A lareira estava fria.
Bleier lembrou do passado, quando não conseguia se aquecer após o parto e ficou fraca.
Talvez aprender agora fosse importante.
Ela assentiu.
Herdin guiou suas mãos até o fogo acender.
Ele acariciou seu rosto.
— Você foi muito bem.
Mas seu olhar era triste.
— Houve um tempo em que eu queria que você tivesse medo do fogo para sempre.
Ele riu de si mesmo.
— Eu queria que você ficasse comigo de qualquer forma… fui um idiota.
Então disse:
— Quando isso acabar… vamos nos separar. Como você disse.
E completou:
— Mesmo assim… quero que seu inverno seja quente.
Mais tarde, Gerard recebeu Miela novamente.
Ela confirmou a existência do círculo de magia negra no corpo da duquesa.
Gerard fingiu surpresa, mas já sabia de tudo.
Enquanto isso, Herdin recebia relatórios suspeitos sobre Miela e o sacerdote sobrevivente.
Coincidências demais.
Ele decidiu investigar.
No dia seguinte, Gerard chegou a uma vila abandonada.
Seu plano estava pronto.
Provocar caos. Fazer Herdin entrar em frenesi. Iniciar uma guerra.
Ele ativou o círculo de magia negra.
Mas algo falhou.
Parte do círculo havia sido apagada, como se alguém tivesse pisado nele.
— Parece que algo não está funcionando bem, Sua Santidade.
Uma voz surgiu das sombras.
Herdin.
Saindo da escuridão com a espada em mãos.
— Antes disso…
— Por que o Papa usa magia negra?
A espada brilhou.
— E mais importante…
— Por que você matou meus pais?
Finalmente, ao se revelar completamente fora da luz, suas pupilas azuis tremiam com uma sede de sangue.
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