Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 130. Casamento Intencional
Depois daquilo, a alta sociedade foi inundada por rumores sobre o futuro marido de Bleier.
Tanto nos chás onde se reuniam damas e jovens nobres quanto nos clubes frequentados por aristocratas, o principal assunto eram os pretendentes da princesa.
—Quem será o sujeito absurdamente sortudo que se tornará o companheiro da nossa nobre e bela princesa?
—Para começar, você não.
—O quê? E o que há de errado comigo?
—Está mesmo perguntando? A princesa tem padrões; jamais escolheria alguém como você.
—Mas, falando sério, casar com a princesa é mesmo sorte? Você teria a família imperial como parentes; se a esposa tiver personalidade forte, viveria intimidado dentro da própria casa.
—Ainda assim, ela é linda.
—Tsc, tsc. Típico de idiota que só valoriza beleza exterior.
—E você, que diz valorizar beleza interior, não estava cortejando Ariste dos Extremos?
Enquanto jogavam cartas, os jovens nobres trocavam provocações usando Bleier como alvo.
No fundo, desejavam casar-se com ela, mas a menosprezavam. Por trás daquilo havia apenas um sentimento mesquinho, nascido da frustração de não poder possuir o que queriam.
Yohan, que jogava bilhar na sala ao lado, estalou a língua ao ouvir a conversa enquanto esperava sua vez.
Segurando o taco e assumindo posição, perguntou a Herdin:
Herdin, que acabara de encerrar sua rodada e bebia algo para refrescar a garganta, olhou para Yohan com expressão inquisitiva.
—Estou falando de casamento. Você voltou da guerra com méritos brilhantes e, segundo os rumores, as damas mais ilustres fazem fila diante da mansão do duque. Não pensa em se casar?
Casamento.
Depois dos anciãos da família, agora Ruth e Yohan também levantavam aquele assunto.
Após o banquete da vitória, Ruth havia lhe perguntado se existia alguma jovem adequada, mas Herdin não respondera. Para começar, a única pessoa que chamara sua atenção fora Bleier.
Antes que pudesse responder, a vez de Yohan terminou. Herdin pegou o taco, posicionou-se e respondeu friamente:
—Não. Ou existe alguma dama me esperando?
Sem mais palavras, concentrou-se na bola.
—De qualquer forma, trate de escolher logo uma jovem apropriada. Você precisa sair logo do mercado para que outros homens de Ardel tenham alguma chance.
Herdin não sabia por que deveria considerar as circunstâncias daqueles idiotas atrasados no mercado matrimonial, mas não se deu ao trabalho de retrucar.
O jogo terminou com a vitória de Herdin.
Yohan, que perdera todas as partidas do dia, lamentou-se.
—Maldito sem coração. Não pode me deixar vencer nem uma vez?
—O jogo é mais satisfatório quando se vence por habilidade própria, não acha?
—Sim, sim. Tudo culpa da minha incompetência.
Enquanto os dois esvaziavam suas taças, as vozes dos jovens nobres voltaram a ecoar do outro lado do arco.
—Mesmo assim, que sorte terá o sujeito que virar consorte imperial.
—Por que voltou com esse assunto de repente?
—Ela é tão linda que deixa qualquer um tonto. Quando mais alguém teria a chance de dormir com uma mulher assim na vida?
—Idiota. Típico de quem só liga para aparência.
—E se o interior dela também for belo? Aposto que até o peito dela deve ser quente…
A expressão de Yohan endureceu ao ouvir aquelas obscenidades acompanhadas de risadas.
Como amigo de Herdin, não era exatamente um admirador da família imperial, mas independentemente disso, não suportava ouvir Bleier ser tratada daquela forma.
—A princesa devia decidir logo seu casamento para esses idiotas pararem de mencioná-la… Aonde você vai?
Deixando Yohan para trás, Herdin saiu da sala, aproximou-se do jovem nobre que fazia comentários vulgares e, com um chute, virou sua cadeira.
Diante do ataque repentino, o jovem caiu miseravelmente no chão.
Tanto os nobres ao redor quanto Yohan, que vinha logo atrás, ficaram boquiabertos.
—O que deu em você? Por que de repente…?
O jovem, ainda caído de forma ridícula, levantou-se indignado, mas se calou ao encontrar o olhar gélido de Herdin.
—Eu estava passando, e a cadeira bloqueou meu caminho.
O local era amplo. Havia espaço de sobra para passar sem encostar no móvel.
E, acima de tudo, aquilo não fora um tropeço, mas um chute deliberado.
—Isso não faz o menor sen—
Antes que terminasse, Herdin pisoteou a cadeira caída.
A cada golpe, a estrutura se despedaçava como se fosse apenas madeira frágil.
Os olhos de Herdin, enquanto destruía a cadeira, eram assustadoramente indiferentes, tornando tudo ainda mais aterrorizante.
Os nobres observavam atônitos e horrorizados.
Cada estalo da madeira parecia o som de suas próprias pernas se partindo.
Por fim, Herdin parou apenas quando a cadeira foi reduzida a destroços.
—A cadeira estava no caminho. Então a culpa é da cadeira por ter se colocado diante de mim, certo?
Herdin voltou para a sala, pegou o casaco e passou tranquilamente pelos nobres ainda congelados.
—O que aconteceu com ele de repente? Está completamente louco…?
Ignorando os sussurros atrás de si.
Ao sair do clube, pediu uma carruagem por meio de um funcionário e acendeu um cigarro.
Não era a primeira nem a segunda vez que aqueles tipos falavam assim sobre mulheres.
Mas, desta vez, sentia-se especialmente enojado.
Era uma mulher que nada tinha a ver com ele, então deveria simplesmente ignorá-los como patéticos, como sempre fizera.
Mas decidiu provocar o incêndio.
Sentiu irritação tardia por agir de forma tão diferente de si mesmo, mas não se arrependeu.
Logo a carruagem chegou.
Ao retornar para casa tarde da noite, quem o recebeu foi Ruth, trazendo documentos às pressas.
—Excelência, há documentos urgentes que precisam ser revisados—
Antes que Ruth terminasse, Herdin tomou os papéis de suas mãos e ordenou:
—Faça uma lista de candidatas nobres.
Ruth piscou diante da ordem repentina, mas logo compreendeu seu significado, e seu rosto se iluminou.
Não sabia que vento soprara para Herdin, que nunca cedera a seus pedidos insistentes, dizer aquilo, mas sentiu alívio ao pensar que finalmente ele começava a levar a sério seus deveres como chefe da família.
—Que tipo de dama deseja? Se me disser suas preferências — linhagem, aparência ou qualquer outra condição — será mais fácil filtrar as candidatas.
—Qualquer uma serve.
Herdin respondeu com desinteresse, como se falasse da esposa de outra pessoa, e foi direto para o escritório.
Realmente parecia que qualquer uma serviria.
Porque nem ele próprio sabia o que desejava.
Assim que se espalhou a notícia de que Herdin procurava uma esposa, os nobres do império com filhas em idade casadoura lotaram a mansão ducal.
E houve alguém que o procurou com ainda mais urgência do que todos eles.
—Ouvi dizer que está procurando esposa. A capital inteira está em alvoroço querendo saber quem será a senhora de Delmark.
Ao descobrir isso, Ivan convocou Herdin ao palácio imperial mais rápido do que qualquer outro.
—O que acha de Bleier para esse posto?
A mão de Herdin, que segurava a xícara de chá, parou.
Naquele instante, pensou que talvez já tivesse previsto aquilo desde o momento em que ordenou a Ruth buscar candidatas.
Não… talvez até tivesse conduzido tudo para terminar exatamente assim.
Sentiu-se enfastiado com Ivan, que não se desviara um milímetro de suas previsões, mas contraditoriamente satisfeito com aquela proposta que correspondia perfeitamente às suas expectativas.
—Embora tenha havido incidentes infelizes entre Delmark e a família imperial, já se passou bastante tempo.
—Creio que seria apropriado encerrar essa relação hostil agora. E não vejo método melhor do que o casamento para restaurar o vínculo entre nossas famílias. O que pensa, Duque?
Além disso, acrescentou a condição de autorizar o aumento das forças militares de Delmark.
Ivan ocultou sua intenção de absorver a influência de Delmark e falou como se aquele casamento fosse uma generosa concessão da família imperial, feita apenas pela honra de Delmark.
Mas, ainda que suas intenções fossem óbvias, Herdin não sentiu vontade de recusar.
O cálculo era simples.
O que entregaria a Ivan era, no fim, apenas o posto de duquesa que alguém de qualquer forma teria de ocupar, além do prestígio de Delmark.
Em troca, obteria reforço militar para Delmark…
E, como bônus, uma mulher para preencher o papel de esposa.
Além disso, ela era a única testemunha do incêndio no palácio da imperatriz dez anos atrás.
Era uma proposta sem motivo para ser rejeitada.
Convencido disso, Herdin respondeu:
—Aceito essa proposta de casamento.
Os preparativos correram sem obstáculos.
Muitos comentários surgiram, dentro e fora da corte, sobre a união de duas famílias declaradamente inimigas, mas Herdin ignorou todos.
E assim, a grandiosa cerimônia de casamento chegou ao fim.
Herdin entrou primeiro na câmara nupcial e umedeceu os lábios com o vinho disposto sobre a mesa enquanto aguardava sua nova esposa.
Desde o banquete da vitória, era a primeira vez que a enfrentaria de verdade.
Durante os preparativos, eles não haviam se encontrado.
Embora alguns homens visitassem suas noivas para fingir afeto — fosse por aparência ou sinceridade — isso não tinha absolutamente nada a ver com ele.
Mesmo tendo estado juntos durante a cerimônia e o banquete, estavam cercados de pessoas, sem qualquer oportunidade de conversar adequadamente.
“Minha esposa. Minha.”
Essas palavras lhe agradavam profundamente.
Ele havia roubado o futuro de uma mulher que poderia ter sido feliz ao lado de outro homem e a colocado ao seu lado.
Para que o resquício de culpa que restasse nela a tornasse infeliz pelo resto da vida.
No instante em que começou a imaginar que expressão ela faria ao vê-lo agora como marido, o som de batidas na porta rompeu o silêncio.
—Entre.
Pouco depois de sua permissão, a porta se abriu cautelosamente e Bleier entrou.
Vestia uma camisola que revelava as curvas de seu corpo; com olhos carregados de tensão evidente, aproximou-se dele caminhando com uma calma forçada.
Então, respirou fundo para se acalmar e perguntou diretamente.
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