Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 155. Culpa
Herdin percorreu o porto junto ao responsável geral pela construção.
Devido aos fortes ventos do inverno e ao fato de os trabalhadores se tornarem mais desajeitados, o que provocava numerosos acidentes, as obras do porto estavam temporariamente suspensas.
Herdin planejava identificar os pontos fracos dos projetos e detalhar o design antes que o inverno terminasse, para que, assim que a primavera chegasse, pudessem retomar a construção imediatamente.
O responsável geral, enquanto caminhava ao lado de Herdin e o informava sobre o plano de obras, passou ao assunto seguinte.
—Ah, e sobre o estaleiro que o senhor mencionou anteriormente, a conversa terminou de forma satisfatória. Garantiram que começarão o design da embarcação assim que receberem o depósito.
—Ainda vai levar tempo até que o porto esteja concluído, então não há pressa, mas quanto mais tempo dedicarem à revisão dos projetos, melhor. A propósito, confirmaram que poderiam implementar minhas exigências?
—Sim. Apenas não era feito dessa forma até agora, mas criar mais cabines para passageiros não é uma tarefa difícil.
Herdin havia solicitado ao estaleiro o design de uma embarcação de grande calado. Afinal, um porto sem navios não fazia sentido.
Seu objetivo era construir um grande navio em nome de Delmark para poder importar e exportar mercadorias diretamente do continente além-mar.
E não apenas isso; também decidiu construir um enorme cruzeiro especializado no transporte de pessoas, maior e mais luxuoso do que qualquer outro cruzeiro existente até então.
Aquele navio seria o primeiro em Ardel a conectar o reino às terras além-mar.
«Quando eu crescer, você poderá me levar ao mar?»
Bleier sempre desejou ir ao mar, ao vasto mundo que se estendia além do horizonte.
No entanto, ele não conseguiu cumprir a promessa de levá-la, e ela acabou chegando lá por conta própria.
Embora tivesse falhado naquela promessa, desejava ser aquele que construiria o caminho para esse novo mundo do outro lado do oceano.
«Eu lhe darei este mar.»
«O mar combina com você.»
Aquela promessa que fez a ela enquanto contemplavam as águas no dia anterior à separação era, ao menos, algo que precisava cumprir.
No dia em que o porto estiver concluído e você cruzar este mar em um cruzeiro… que expressão fará ao contemplar a vastidão do oceano?
Herdin, que sorriu inconscientemente ao imaginar a alegria de Bleier, desviou o olhar ao sentir alguém se aproximando.
Era um dos criados da mansão. Ao ver seu rosto pálido e transtornado, percebeu que algo grave havia acontecido.
E teve o pressentimento ominoso de que seria algo relacionado a Bleier.
Antes que Herdin pudesse perguntar o que havia acontecido, o criado gritou apressadamente enquanto ofegava.
—A senhora… começou com as dores do parto.
Diante daquela notícia, sua mente ficou atordoada.
Após saber da situação de Bleier, Herdin retornou imediatamente à mansão a cavalo.
O mordomo da mansão de Ribren, que justamente vigiava a entrada, ficou desconcertado ao vê-lo chegar.
Herdin, que havia saído junto com Ruth, retornava sozinho, muito antes do previsto e com uma aparência completamente devastada, enquanto Ruth não aparecia em lugar algum.
Mas o que mais o surpreendeu foi a expressão de Herdin, mais gélida do que nunca; ainda assim, ao mesmo tempo, parecia vulnerável. Sua aura era completamente diferente daquela que havia demonstrado ao sair da mansão.
Herdin não dirigiu palavra ao mordomo e subiu diretamente ao segundo andar, onde ficavam os dormitórios. Era melhor confirmar com os próprios olhos do que perder tempo perguntando.
A respiração de Herdin tornou-se ofegante enquanto atravessava o corredor do segundo andar em largas passadas. Ao mesmo tempo, seu rosto se contraiu em uma expressão de dor.
Ele não sabia com que estado mental havia conseguido retornar à mansão. Desde que ouvira que Bleier havia começado com as dores do parto, perdera a razão.
No instante em que recebeu a notícia, as lembranças de sua vida passada vieram à tona.
—Excelência! A senhora deu à luz ao jovem mestre!
A lembrança de não ter conseguido estar ao lado dela naquele momento, o instante em que ela provavelmente mais sentiu medo e mais precisou do marido.
Ao pensar na Bleier de sua vida passada, que morreu sozinha e solitária enquanto ele estava ausente…
Sentia que estava enlouquecendo. Era como se aquela lembrança apertasse sua garganta, impedindo-o de respirar corretamente.
Durante todo o trajeto de volta à mansão, rezou fervorosamente.
Por favor, que não seja tarde demais.
Que desta vez eu possa estar ao seu lado…
Após percorrer o corredor, que parecia tão longo quanto uma distância infinita, Herdin finalmente chegou diante da porta e entrou diretamente sem sequer bater.
Ao atravessar a sala de estar e entrar no dormitório, a primeira coisa que viu foram Melli e Rina, que o encaravam com olhos desconcertados.
E atrás delas, estava Bleier, sentada e apoiada na cabeceira da cama.
Surpresa com seu retorno antecipado, Bleier o olhou com os olhos arregalados.
Herdin aproximou-se rapidamente dela. A primeira coisa que notou foi sua barriga, redonda e proeminente, exatamente como estava antes de ele partir.
Ao ver a barriga e constatar que Bleier estava segura, finalmente conseguiu soltar o ar que havia prendido.
—Por que voltou tão rápido?
—Ah… parece que alguém o informou.
Bleier fez uma expressão constrangida. Parecia que esperava que a notícia não chegasse até ele. Diante daquela atitude, o olhar de Herdin tornou-se frio e profundo.
Bleier sinalizou para que Rina e Melli saíssem, então explicou o ocorrido para tranquilizá-lo.
—São contrações falsas. Como pode ver, o bebê ainda está bem.
—Qual é a causa dos sintomas? Pela viagem longa de pouco tempo atrás? Porque ontem exigi demais de você? Ou será que—?
A voz de Herdin elevava-se gradualmente, e suas mãos tremiam. Ao ver isso, Bleier segurou suas mãos.
—Herdin, acalme-se. Estou bem. Nosso bebê também está bem.
Apesar das palavras de Bleier, Herdin não conseguia conter o tremor das mãos. Olhando-o com compaixão, Bleier abaixou a manta que cobria sua barriga.
Naquele instante, foi possível ver claramente o movimento do bebê se agitando sobre o ventre arredondado.
—Olhe isso. Não vê que nosso bebê também está dizendo que está bem?
Bleier o tranquilizou guiando a mão dele e colocando-a sobre sua barriga.
—Não é culpa sua, é um sintoma comum quando a data do parto se aproxima.
—Você se assustou muito? Achei que seria assim, por isso pedi que não o informassem.
Saber que Bleier havia tentado suportar tudo sozinha sem avisá-lo fez com que sentisse seu coração se partir mais uma vez.
Ao mesmo tempo, lembrou-se repentinamente da expressão abatida de Bleier antes de sair da mansão pela manhã.
Tinha sido desde então. Desde então ela apresentava os sintomas.
Ela suportara a dor em silêncio, com medo de que ele se preocupasse caso percebesse ou de que isso interferisse em seu trabalho.
Uma risada amarga, semelhante a um soluço, escapou de seus lábios diante da própria estupidez por não ter percebido. Por mais que reprimisse e engolisse as emoções que surgiam, elas não se acalmavam.
—Cada vez que você diz que está bem… sinto que estou enlouquecendo.
Foi assim também enquanto estiveram em Icar.
Ter presenciado a gravidez ao lado dela foi um processo muito mais difícil e exaustivo do que ouvira vagamente. O corpo mudava dia após dia, e muitos problemas complexos surgiam mesmo na ausência de dor.
No entanto, Bleier enfrentava essas mudanças com naturalidade, sem demonstrar sinais de medo. Sempre que via essa atitude, sentia o coração se despedaçar ao pensar que talvez fosse porque ela estava acostumada a se preparar sozinha em sua vida passada.
A culpa assentada em um canto de seu coração arranhava e perfurava seu peito sempre que encontrava uma brecha, como um punhal escondido no bolso.
E aquele punhal jamais desapareceria, mesmo que ela não se lembrasse de sua existência.
—Por isso, por favor, deixe que eu possa fazer algo por você.
—Que você me diga quando estiver cansada, quando tiver medo, quando sentir dor… assim.
—Dissemos que faríamos tudo juntos. Que isso é ser marido e mulher.
Bleier o observou em silêncio enquanto ele desmoronava pela culpa, e acariciou suavemente suas mãos, que ainda tremiam levemente, enquanto dizia:
—Na verdade, eu estava com um pouco de medo, mas não fiquei muito preocupada porque sabia que você viria logo. E realmente veio muito rápido.
—Agora mesmo você está fazendo bem o suficiente como marido e como pai.
Ela deveria ser quem mais estava sofrendo, e ele não tinha desculpa para se culpar sobrepondo o passado, mas ela, em vez disso, estava consolando-o.
—Eu só estou ao seu lado, é só isso.
—Isso é fazer as coisas direito.
Herdin fitou profundamente os olhos de Bleier enquanto ela dizia aquilo.
Os olhos dela, que o refletiam, brilhavam.
Exatamente como naquela época, quando o amava de forma pura e imutável.
—Venha aqui. Vou elogiá-lo.
Bleier sorriu enquanto dava leves tapinhas no espaço ao lado dela. Não havia como recusar a ordem, ou quase ordem, de sua esposa.
Herdin sentou-se ao lado dela. Mas, em vez de um beijo, apertou-a em seus braços.
Bleier, embora parecesse surpresa com o abraço repentino, apoiou-se docilmente nele e o envolveu com os braços.
Diante do suave aroma de leite que emanava dela e do carinho reconfortante, o tremor de seu corpo, que se recusava a se acalmar, finalmente cessou.
Foi nesse momento que Bleier falou.
—Pare de pensar nas coisas do passado. Eu já esqueci tudo.
Sua voz suave desceu como se acariciasse seu coração. Ao ouvir aquela voz, Herdin percebeu mais uma vez.
Ama essa mulher.
Não havia como não amá-la.
As dores do parto começaram exatamente na noite anterior ao dia em que Asiel nasceu, como se o bebê se lembrasse do dia do próprio nascimento.
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