Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 121: O Que Ela Deseja
O lugar para onde Herdin a levou era uma escola primária.
—Ouvi dizer que você ensinava crianças aqui.
Depois de descobrir que Bleier havia trabalhado ali como professora, ele fez uma doação em nome de “Bleier Delmark” e a trouxe até o local.
—Mesmo que seja difícil para você voltar a ensinar no futuro, pensei que poderia ajudar a escola de outra forma, então decidi fazer essa doação.
Ele sabia que a duquesa não poderia retornar às salas de aula, mas como ela amava profundamente crianças, acreditou que vê-las a faria se sentir melhor.
—…Fez uma doação?
—Sim. Em seu nome.
Porém, em vez de se alegrar, a expressão de Bleier escureceu ainda mais.
Justo quando Bleier estava prestes a responder a Herdin, um homem de pele bronzeada saiu do prédio da escola e se aproximou dos dois.
—Vocês chegaram, Duque. Duquesa. Estava esperando desde que recebi o aviso.
Embora seu sotaque fosse um pouco diferente do dos habitantes de Kulania, ele falava o idioma fluentemente.
Bleier o reconheceu de imediato. Era Petro, o professor que ensinava o idioma do continente sul às crianças da escola.
Bleier esboçou um sorriso ao ver um rosto familiar, mas sua expressão congelou no instante seguinte ao perceber que ele a havia chamado de “duquesa”.
—Professor Petro.
—Ah! Professora Arwen!
Antes que Bleier pudesse cumprimentá-lo, as crianças que brincavam de bola no pátio a viram e correram até ela em grupo.
Fazia apenas alguns dias desde a última vez que a tinham visto, mas a alegria parecia a de anos de separação.
Bleier tentou cumprimentá-las, mas Petro entrou na frente, impedindo que se aproximassem.
—Crianças, não sejam mal-educadas. Eu não avisei há pouco? Vocês não devem mais chamá-la de professora, mas de duquesa. Até agora ela agiu naturalmente conosco por várias circunstâncias, mas, na verdade, é uma convidada distinta em visita a Nerha.
Talvez Petro já tivesse avisado isso antes de sua chegada, porque as crianças pararam abruptamente, hesitaram e a cumprimentaram de forma desconfortável.
—Olá…
Algumas olhavam para Bleier com medo após ouvirem as palavras de Petro, enquanto outras ainda demonstravam alegria. Mas até essas não ousavam expressá-la livremente e apenas observavam o clima ao redor.
—Está tudo bem, professor Petro.
—Não, senhora. A senhora foi generosa com as crianças, mas elas precisam aprender as normas básicas de etiqueta.
Bleier, percebendo a reação dos pequenos, tentou impedir Petro, mas ele continuou instruindo-os severamente sobre boas maneiras.
—Vamos, vamos. Todos de volta aos seus lugares. Vocês não precisam decidir quem vai vencer a partida?
As crianças olharam para Bleier com pesar antes de retornarem ao campo. Porém, um menino permaneceu parado.
Era o garoto apaixonado por Bleier.
—Esse homem é o marido da professora Arwen?
Herdin observou com indiferença o menino que o encarava com olhos ousados.
O garoto, que parecia ter cerca de onze ou doze anos, diferente das outras crianças que se assustavam e evitavam Herdin, sustentava um olhar particularmente afiado.
Petro, atento à reação de Herdin, rapidamente repreendeu o menino.
—Como assim “esse homem”? Ele é o Duque do Império, Chris. É o marido da professora Arwen… quer dizer, da senhora.
—…Não gostei dele.
—Anda logo, volte também. O jogo não funciona sem um atacante promissor.
Ignorando o resmungo mal-humorado de Chris, Petro empurrou apressadamente suas costas.
—Então, por favor, fiquem à vontade, ambos.
Após se despedir, Petro se afastou levando Chris consigo.
Bleier observou suas costas e abaixou o olhar com um sorriso amargo.
Petro estava certo.
As crianças ainda eram pequenas, e sua experiência de vida era curta.
Se eliminassem as barreiras sociais com ela, poderiam agir da mesma forma diante de outros nobres e isso poderia lhes causar problemas.
Portanto, pensando no bem delas, o certo era ensiná-las com rigor.
Mas…
“Essas crianças nunca mais vão me chamar de professora…”
Até poucos dias atrás, ela fazia parte daquela paisagem. Compartilhava a simplicidade do cotidiano, ria ao lado delas.
Mas agora, era a única que havia sido expulsa daquela cena.
Simplesmente por ser a esposa do homem ao seu lado.
Assim, tornou-se uma completa estranha, pertencente a um mundo diferente do delas. Ao perceber isso de repente, sentiu-se profundamente sozinha.
Naquele momento, Herdin segurou sua mão e a guiou.
—Vamos até aquele banco.
—Não… estou bem.
Bleier parou e soltou discretamente a mão dele.
Herdin a olhou, estranhando. Um vento gelado atravessou o espaço onde a mão dela havia escapado.
—Vamos voltar.
Ao dizer isso, a expressão de Bleier, ao contrário do que Herdin esperava, estava distorcida pela tristeza. Ao vê-la assim, ele franziu a testa.
“Estou dando tudo o que ela quer. E mesmo assim…”
“Por que você ainda não sorri?”
Herdin levou a mão à testa e perguntou, soltando um suspiro.
—Qual é o problema agora?
—…Não é isso. Só estou cansada. Quero descansar.
Herdin segurou a mão de Bleier, que tentava voltar para a carruagem escondendo seus verdadeiros sentimentos.
Segurou seu ombro, obrigando-a a encará-lo.
—Você não está com cara de quem está simplesmente cansada.
Forçada a olhá-lo, Bleier moveu os lábios, mas no fim os fechou com força, sem revelar o que sentia.
—Não é por sua causa. É um problema meu. Sinto muito por preocupar você.
Mesmo se desculpando e insistindo que o problema era dela, aquela resposta evasiva, em vez de aliviar Herdin, apenas o deixou mais inquieto.
Ver Bleier resignada, sem lutar como antes, era como se ela estivesse desistindo dele.
—Você diz que não é por minha causa.
—Então não deveria ter me preocupado. Como pode dizer isso quando ficou esse tempo todo com essa expressão fúnebre ao meu lado?
—Qual é exatamente o problema? Estou te dando tudo o que você quer. O mais caro, o mais valioso, estou te dando tudo. Isso não é suficiente?
—…Isso é o que eu queria?
Diante dessas palavras, Bleier finalmente deixou transbordar as emoções que vinha reprimindo. Paradoxalmente, vê-la assim trouxe a Herdin um mínimo de alívio.
Ele suavizou a voz.
—Então me diga. O que você quer? O que arruinou seu humor?
Bleier soltou uma risada amarga diante daquele tom, como se ele estivesse tentando consolar uma criança.
Ela sempre havia dito o que pensava.
Mas ele nunca a ouvira.
Por isso, sua postura atual de querer escutá-la parecia ridícula.
—Se eu disser, você pretende ouvir?
—Minhas opiniões, meus pensamentos… de qualquer forma, não são importantes para você. Você não tem intenção de me ouvir, nem a menor curiosidade de saber por que tomei certas decisões.
—E qual é o seu problema? Não estou sendo teimosa sem motivo e estou fazendo tudo o que você quer.
A expressão de Herdin endureceu.
—…O que é que você deseja?
—Tudo isso é o que você deseja. Você me dá coisas caras e valiosas sem se importar com minha vontade, e racionaliza isso dizendo que é para o meu bem.
—Claro, qualquer outra pessoa diria que sou uma mulher sortuda por reclamar disso. Então, no fim, o problema sou eu. Você não tem culpa, então não se preocupe.
Assim como Herdin sempre fazia, Bleier culpou a si mesma, sua própria teimosia e seus erros, enquanto respondia com sarcasmo.
Independentemente de qual fosse sua intenção, ela sabia que ele realmente escolhia o mais caro e o melhor para lhe dar.
Mesmo ignorando sua vontade.
Por isso, pensou que se sentiria aliviada se desprezasse essa sinceridade e o ferisse.
Mas por quê?
A faca que lançou contra ele acabou perfurando dolorosamente seu próprio peito.
Foi ela quem teve vontade de chorar com as próprias palavras.
Bleier se virou, tentando conter o ardor que subia aos seus olhos.
Não queria chorar diante dele. Lágrimas eram apenas um meio de enfraquecer o coração do outro e fugir momentaneamente da situação, mas não resolviam o problema de verdade.
No entanto, Herdin não parecia disposto a permitir isso; soltou um suspiro e a virou novamente para si.
—Bleier, espere. A conversa ainda não acabou.
Finalmente, as lágrimas que ela já não conseguia conter caíram.
Bleier abaixou a cabeça enquanto enxugava o choro.
—Me solte. Quero que isso acabe…
Sua voz estava tomada por um cansaço evidente. Seus ombros frágeis tremiam miseravelmente enquanto tentava conter os soluços.
Ao vê-la assim, as pupilas de Herdin se contraíram.
A sensação sufocante de antes desapareceu, e apenas a necessidade de consolá-la dominou sua mente.
Mas naquele instante, uma dor familiar atravessou sua cabeça, e sua visão se tornou branca.
“Desculpe, Bleier.”
Desta vez, não houve visão alguma.
Ainda assim, surgiu um pensamento que claramente era dele.
Ao mesmo tempo, uma emoção lancinante, como se seu peito estivesse sendo rasgado, o atingiu como um tsunami.
Herdin endureceu a expressão e prendeu a respiração.
Não era sua emoção atual, mas a intensidade com que o invadia, como se fosse sua, o impediu de respirar por um instante.
Justo quando começava a questionar aqueles sintomas anormais que vinham se tornando frequentes, a imagem de Bleier chorando voltou a se tornar nítida.
Diante dela, aquela emoção que o invadira o impulsionou a agir.
Foi no exato momento em que Herdin, guiado por esse sentimento, tentava secar suas lágrimas—
Bleier, que soluçava, de repente começou a respirar com dificuldade, contraiu o rosto de dor, segurou o ventre e desabou no mesmo instante.
Herdin a segurou por reflexo, e seus olhos se agitaram violentamente.
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