Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 152. O que significa ser marido e mulher
Naquela vila, não havia nenhuma propriedade da família Delmark.
Para ser exato, como se tratava de uma pequena aldeia próxima de Ikar, o nobre que governava aquele território também residia em Ikar.
Portanto, o único lugar para onde Herdin podia ir depois de sair da casa de Bleier era a hospedaria na entrada da aldeia, onde havia deixado seu cavalo.
Ao subir para o quarto, Herdin desabou sobre a cama.
Embora Bleier o tivesse ameaçado, dizendo que ele nunca mais pisaria em sua casa, para ele, o bem-estar dela vinha acima de tudo.
Ele não havia feito nada direito durante toda a gravidez e não podia correr o risco de transmitir-lhe um resfriado.
“Vou me sentir melhor depois de dormir um pouco.”
Fechou os olhos enquanto soltava um suspiro quente.
Por causa da febre, seu sono foi agitado, e ele despertou várias vezes. De repente, abriu os olhos ao sentir uma sensação fresca tocando seu rosto. Através da visão turva, distinguiu uma silhueta familiar.
A mão que limpava seu rosto com uma toalha úmida parou. Ao mesmo tempo, as pupilas dela, ao encontrarem as dele, tremeram levemente.
Herdin ergueu seu corpo pesado. Franziu a testa ao ver a barriga arredondada da mulher.
— Por que veio? Eu disse que poderia pegar meu resfriado.
Diante da atitude dele, tentando afastá-la assim que a viu, a expressão de Bleier se contraiu de ressentimento.
— Disse que veio porque sentia minha falta.
— Disse para eu lhe dar uma chance.
— Vai me afastar de novo sob o pretexto de me proteger, como fez no passado?
Vê-lo rejeitá-la trouxe à tona lembranças de sua vida anterior, e, de repente, a raiva brotou dentro dela. Diferente do dia anterior, quando conseguiu falar calmamente, agora suas emoções transbordavam.
Ao perceber isso, Herdin ficou paralisado. Bleier limpou a voz trêmula e continuou.
— O senhor é sempre assim. Age de forma unilateral, usando como desculpa que é para o meu bem.
— Nunca me explica nada direito, e eu sempre descubro o motivo muito tempo depois. E então, me transforma na pessoa ruim por ter ressentido alguém que tomou essa decisão por mim.
Ela pensou que, simplesmente, o amor dele e o dela eram diferentes.
Que, embora o amor dele a tivesse ferido, não era errado, apenas diferente. Que ele definitivamente a amava, e que esse sentimento era sincero.
Foi por isso que escolheu se separar dele.
Pensou que, sendo diferente e não errado, não deveria difamá-lo chamando-o de uma pessoa ruim.
Que, em algum lugar deste mundo, existiria alguém que seria feliz com o amor dele…
Mas ele voltou para ela. E, ao vê-lo repetir as mesmas ações depois de retornar, ela percebeu.
O amor unilateral dele estava errado.
Só agora compreendia que, por amá-lo demais, ela havia disfarçado esse sentimento com a palavra “diferente”.
E também que o fato de ter deixado seu lado não foi pelo bem dele, mas simplesmente porque fugiu por não ter coragem de ser amada e ferida novamente.
— Sabe o quanto esse seu lado me faz sentir… sozinha e miserável?
As lágrimas e a tristeza que ela havia tentado conter explodiram.
Diante do choro de Bleier, Herdin hesitou por um momento e estendeu o braço como se fosse abraçá-la, mas então o abaixou. Em vez disso, sua mão tocou a bochecha molhada dela.
— Me desculpe. Eu… eu errei em tudo.
— Vou corrigir tudo. Vou ouvir suas palavras. Então, por favor, não chore.
As pontas dos dedos de Herdin enquanto secava suas lágrimas, e suas pupilas enquanto olhava para Bleier, tremiam levemente.
Ao vê-lo assim, Bleier chorou ainda mais.
O homem que não temia nada no mundo, diante dela, temia tudo.
Na ponta de seus dedos, em sua voz, em seus olhos… o sentimento que emanava de todo o seu ser por ela era, sem dúvida, amor.
Bleier, tendo finalmente conseguido recompor suas emoções, segurou a mão dele.
Olhando em seus olhos, Bleier disse:
— Herdin. Eu não espero que o senhor ouça minhas palavras incondicionalmente.
— O que eu desejo é que, seja qual for o problema, nós nos ajustemos mutuamente a partir de uma posição de igualdade. Conversar juntos, nos preocuparmos juntos e resolvermos juntos.
— Porque é isso que significa ser marido e mulher.
Herdin olhou para Bleier, atônito, enquanto ela dizia aquilo.
Marido e mulher.
Essa palavra que os unia era mais absoluta do que qualquer outra coisa para ele.
— Sim, eu farei isso. Definitivamente farei assim.
Herdin respondeu docilmente enquanto apertava a mão dela com a sua, ainda quente por causa da febre. Em seu toque, que já não fugia mais, residia toda a sua sinceridade.
Sentindo isso, Bleier gradualmente parou de chorar. Envergonhada pelo choro tardio, retirou a mão que ele segurava e disse:
— …Durma mais um pouco. Sua febre ainda não baixou.
No entanto, Herdin não se deitou imediatamente, apenas continuou olhando fixamente para ela. Parecia ter algo a dizer.
Quando Bleier o encarou, confusa, Herdin falou.
— Se eu adormecer, você vai embora?
Diante dessa pergunta, Bleier piscou.
Antes, ele a empurrava, pedindo para que fosse embora. Tentava escapar dela de qualquer maneira. Agora, parecia ansioso, com medo de que ela partisse.
— Gostaria que eu não fosse?
Depois de pensar por um momento, Herdin respondeu:
— Por enquanto, volte para casa, e permita que eu vá procurá-la. …Claro, não agora.
Só então ele se lembrou de que ela o havia ameaçado, dizendo que ele não poderia mais entrar em sua casa.
Herdin insistiu por uma resposta.
— Vai permitir?
Ela o amou, e ainda o amava.
E, na mesma medida, odiava o homem que a fez se sentir sozinha em sua vida passada.
Lembrava-se do desespero daquele momento em que a única pessoa em quem podia se apoiar, o mundo em que confiava, desmoronou.
Mas, ao vê-lo ali, deitado sozinho numa hospedaria vazia apenas para não transmitir-lhe um resfriado, a imagem dele na vida passada se sobrepôs, e, de repente, ela pensou:
“Você também deve ter sofrido tanto quanto eu naquela vida.”
Em um lugar que eu não conhecia, ferindo-me sob o pretexto de que era para o meu bem… você também deve ter sofrido.
Ao encarar os sentimentos internos dele, que desejava estar ao lado dela apesar de rejeitá-la, a tristeza que ele deve ter suportado voltou a tocar seu coração.
Diante da sinceridade dele, todo ressentimento pareceu inútil.
Porque você me ama, e eu também amo você.
Tudo o que os desviou no passado já havia sido resolvido, e agora restava apenas amarem um ao outro. Portanto, ela decidiu deixar para trás os fantasmas de ontem.
Depois de organizar calmamente seus sentimentos, Bleier o encarou e falou devagar.
— Se o senhor se deixar examinar direitinho e se recuperar.
Bleier permaneceu ao lado dele por bastante tempo depois disso. Até que o médico viesse examiná-lo, ele tomasse o remédio e adormecesse.
Na manhã seguinte, Rina recebeu uma manhã revigorante como de costume. Até se lembrar da neve que havia caído a noite inteira.
Quando era criança, ela adorava neve, mas agora que estava na posição de ter que removê-la… bem. Só de pensar nisso, sentia seus braços, que já haviam trabalhado tanto ontem, ficarem rígidos e doloridos.
— …Primeiro vou tomar café da manhã e depois tiro a neve.
Ela não podia permitir que sua preciosa senhora e o pequeno se machucassem.
Enquanto pensava nisso e abria a janela para arejar, Rina parou.
Alguém já havia feito aquilo; a neve estava empilhada de um lado do pátio.
Ela suspeitou de Melli ao ver que a cama ao lado estava vazia, mas Melli era pequena e frágil demais para remover toda aquela neve. Nilda era forte, mas até para ela seria demais fazer tudo sozinha.
“Bom, não importa quem tirou.”
O importante é que não fui eu!
Bocejando profundamente enquanto descia para o primeiro andar, viu Nilda e Melli preparando a comida, como em todas as manhãs.
E, diante da lareira, estava Bleier sentada com roupas de sair.
Rina, que estava prestes a cumprimentá-la automaticamente, engoliu as palavras ao ouvir a voz de Herdin ao lado dela.
O culpado que havia feito Bleier se preocupar ao chegar tarde na noite anterior e desaparecer doente, estava amarrando os cadarços dos sapatos dela, cuja barriga já estava grande.
Disseram que ele estava muito doente, mas parecia perfeitamente bem depois de apenas uma noite. A ponto de alguém pensar que tudo não passava de uma estratégia para continuar grudado ao lado de Bleier.
— Pronto.
Herdin se levantou e ajudou Bleier a ficar de pé. Apoiada nele para erguer seu corpo pesado, Bleier olhou para Rina.
— Vamos sair por um momento.
Rina assentiu inconscientemente.
Herdin saiu pela entrada, sustentando Bleier quase como se a abraçasse.
Além da porta que se fechou, ouviram-se a voz suave de Bleier e a risada baixa de Herdin.
Rina observou os dois em silêncio pela janela.
Herdin não se afastava de Bleier por medo de que ela tropeçasse, e Bleier caminhava apoiando todo o peso nele. Conversavam e, de vez em quando, trocavam olhares.
Melli se aproximou de Rina, que observava o casal, entregou-lhe um chá quente e começou a falar.
— A senhora agora parece feliz, não é?
Embora Bleier tivesse vivido bem sozinha sem Herdin, como Melli dizia, agora que ele estava ao lado dela, finalmente parecia estável.
Diante daquela imagem, Rina também sorriu, como se admitisse a derrota.
— Sim, parece mesmo.
Embora ainda detestasse o homem que fizera Bleier sofrer, pensou que, se ela estava feliz, então isso era tudo o que importava.
Rina e Melli aqueceram seus corpos com o chá quente enquanto observavam as figuras de Bleier e Herdin se afastando.
Ela teve o feliz pressentimento de que os dias que restavam também se encheriam de paisagens semelhantes.
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