Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 101. Minha esposa, minha
Herdin encarou a cama vazia por um segundo antes de avançar em passos largos e tocar os lençóis.
Estavam frios.
O calor já havia desaparecido por completo.
Aquilo significava que Bleier não tinha saído apenas por um instante.
Uma ansiedade que ele não sentia havia muito tempo o invadiu de uma só vez.
Ao mesmo tempo, o sangue em todo o seu corpo pareceu congelar.
Herdin vasculhou minuciosamente todos os lugares onde Bleier poderia estar — o closet, o banheiro, a biblioteca e, por fim, até o quarto de Bbi Bbi.
Mas ela não estava.
Em nenhum lugar.
Em nenhum canto de seu domínio.
Ainda assim, ao encontrar o quarto de Bbi Bbi vazio — depois de tê-lo trazido de volta para dentro na noite anterior por causa do clima mais frio — ele teve sua confirmação.
Bleier havia partido.
— Vossa Excelência, o que aconte—?
Mason, que havia saído cedo para o salão principal, congelou ao ver Herdin percorrendo a mansão inteira às pressas, envolto por uma aura glacial.
Nos olhos azuis de Herdin brilhava uma ferocidade afiada.
— Bleier desapareceu.
— Ninguém a viu?
Mason tentou sugerir que talvez ela tivesse saído para caminhar, mas se calou no mesmo instante ao encontrar o olhar assassino de Herdin.
Herdin já tinha certeza.
Bleier não estava mais na mansão.
— Verificarei imediatamente.
Mason reuniu todos os criados no centro da mansão.
— Da meia-noite até agora, alguém viu a senhora?
Os servos, arrancados da cama antes do amanhecer, apenas negaram, ainda sonolentos e assustados.
Entre eles, Rina e Melli empalideceram.
— A senhora… desapareceu?
Seus rostos, à beira das lágrimas, deixavam claro que não sabiam absolutamente nada.
Herdin soltou uma risada vazia.
Desde o início, Bleier nem sequer incluíra Rina em seus planos.
Se ela pretendia abandonar até mesmo suas pessoas mais próximas, então certamente não revelaria seu destino a ninguém naquela casa.
— Vocês duas. Venham comigo.
De volta ao quarto de Bleier, Herdin ordenou:
— Verifiquem se faltam roupas ou joias.
Se soubesse o que ela levou, poderia deduzir para onde tinha ido.
Mas Bleier partira levando apenas a roupa do corpo…
E Bbi Bbi.
Como se recusasse levar qualquer coisa que ele tivesse lhe dado.
Como se quisesse desaparecer completamente, sem deixar nada para trás.
Exceto…
O filho dele em seu ventre.
— Is… isso… Vossa Excelência… encontrei isto na penteadeira…
Rina, tremendo, lhe entregou uma carta.
Herdin a abriu imediatamente.
“Herdin.
Sinto muito por partir desta forma.
Mas o contrato que fizemos no início terminou, e como o senhor não pretende cumpri-lo, desejo encerrar nosso vínculo do meu próprio jeito.
Pelo meu bem… e pelo seu… peço, pela última vez, que por favor não me procure.
Crierei esta criança com cuidado, amor e sem lhe faltar nada.
Mesmo que não tenhamos conseguido nos despedir desejando felicidade um ao outro, partirei guardando apenas as boas lembranças.
Espero que o senhor também se lembre de mim dessa forma.
Desejo que seja sempre feliz.”
Ao terminar de ler, uma risada amarga escapou entre os dentes de Herdin.
Felicidade.
Ela desejava sua felicidade.
Mesmo depois de tudo…
Aquilo significava que, para Bleier, ele já não era nem amor, nem ódio, nem ressentimento.
Nada.
Ele não ocupava mais lugar algum no coração dela.
E essa constatação o atravessou como uma lâmina.
Ainda assim…
Ele não tinha a menor intenção de deixá-la partir como queria.
Mesmo que fosse como ódio.
Mesmo que fosse como rancor.
Qualquer coisa bastava.
Mas ele precisava ocupar algum espaço dentro dela.
Porque Bleier era sua esposa.
E, por esse direito…
Devia ser sua.
Herdin guardou a carta quase amassada no bolso interno e saiu imediatamente.
— Avise a ordem dos cavaleiros. Bloqueiem todas as saídas da capital. Revistem todos que entrarem ou saírem.
Mesmo grávida, ela não poderia ter ido longe ainda.
Se estivesse de carruagem, continuava dentro da capital.
Depois da ordem, Herdin foi pessoalmente aos estábulos.
Precisava verificar algo antes de qualquer outra coisa.
Enquanto isso…
No corredor escuro iluminado apenas por uma lamparina, ecoavam os pequenos choros de Bbi Bbi e a respiração ofegante de Bleier.
— Já estamos quase lá, Bbi Bbi… aguente só mais um pouco.
Bleier avançava pelo túnel subterrâneo enquanto acalmava a pequena criatura escondida na bolsa.
Inicialmente, ela não pretendia levar Bbi Bbi.
Achava que seria mais seguro deixá-lo para trás.
Mas, ao se despedir, mudou de ideia.
Assim como não conseguiu abandonar Asiel em sua vida passada…
Também não conseguiu abandonar Bbi Bbi.
Mesmo que isso tornasse sua fuga mais difícil.
Depois de caminhar por um longo tempo pelo túnel interminável, finalmente encontrou a saída.
— Disseram que a trava ficava por aqui…
Ao encontrar o mecanismo, Bleier empurrou a passagem com dificuldade.
Era pesada.
Mas, quando tentou forçar mais uma vez…
A porta se abriu por fora.
A luz azulada do amanhecer inundou o túnel.
E então…
— Foi trabalhoso chegar até aqui.
Mikhail estendeu a mão para ela.
Piscando diante da claridade, Bleier finalmente saiu.
— Onde estamos?
— Na floresta de Pahar, ao norte.
Com cuidado, protegendo o ventre, Bleier subiu.
Mikhail observou aquela mão instintivamente pousada sobre a barriga.
Durante todo o plano, ele soube da gravidez.
Mas agora, ao vê-la assim…
Uma dúvida surgiu.
— Senhora… por acaso… essa criança… é uma criança que a senhora não deseja?
Bleier piscou, surpresa.
Então compreendeu.
E respondeu imediatamente:
— Não.
Envolvendo o ventre como uma mãe protegendo sua cria, ela declarou:
— É uma criança que eu desejei.
Sua voz se tornou firme.
— Porque eu vivo por esta criança.
Por um momento, Mikhail ficou em silêncio diante daquela presença feroz que jamais tinha visto nela.
Então recuou.
— …Perdoe minha intromissão.
Ele lhe estendeu a mão novamente.
— Primeiro, vou escoltá-la para fora da floresta. A esta altura, Sua Excelência já deve ter descoberto tudo. Em breve, ele encontrará a passagem e começará a persegui-la.
Bleier segurou a mão dele e se levantou.
Ela havia acabado de deixar a mansão.
Mas isso não significava liberdade.
A verdadeira fuga…
Começava agora.
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