Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 125: Uma Emoção Parecida com Tristeza
Enquanto todos mantinham sorrisos forçados, Beateuriseu foi a primeira a quebrar o gelo.
— De qualquer forma, a estabilidade física e mental da senhora deve vir em primeiro lugar. Especialmente em um período tão delicado para o corpo. Foi uma decisão extremamente prudente.
Posicionando-se ao lado de Herdin, ela se aproximou discretamente.
— Ainda assim, é uma pena que Vossa Excelência esteja sem companhia, já que nos concedeu a honra de sua visita. Se não se importar… poderia me conceder a dança de abertura?
Beateuriseu já considerava a resposta como garantida.
Embora fosse incomum uma mulher convidar primeiro, homens raramente recusavam uma dama para não ferir sua honra.
Além disso, como uma das anfitriãs do banquete, ser sua primeira parceira de dança também elevaria ainda mais o prestígio de Herdin como convidado de honra.
Mas Herdin destruiu suas expectativas sem hesitar.
— Agradeço sua gentileza, senhorita. Porém, eu não me sentiria confortável aproveitando um banquete ao lado de outra mulher enquanto deixo minha esposa sozinha… especialmente quando ela carrega meu filho.
Ao enfatizar claramente “minha esposa, que carrega meu filho”, ele não apenas abafou os rumores sobre Bleier, como também estabeleceu uma justificativa irrefutável para a recusa.
Beateuriseu mordeu os lábios.
Como filha única, criada com mimos, ser rejeitada era algo raro… e profundamente desagradável.
Mas ela não podia demonstrar isso.
Sem qualquer desculpa plausível para insistir com um homem que afirmava se preocupar tanto com a esposa grávida, forçou um sorriso elegante.
— Que pena… mas se esse é o desejo de Sua Excelência, não há o que fazer.
Ela se afastou escondendo o orgulho ferido, e os nobres, já sem interesse, também desviaram a atenção.
Finalmente livre daqueles “chacais”, Herdin pegou uma taça de vinho próxima.
Foi então que sentiu alguém observando-o.
Ao virar o rosto, viu Beateuriseu.
E, ao lado dela… um rosto familiar.
Miela.
O cenho de Herdin se fechou imediatamente.
— Esta é senhorita Miela, minha benfeitora e amiga. Ela é uma sacerdotisa do Império Ardel e está em viagem de treinamento para transmitir a vontade divina.
Miela cumprimentava os nobres apresentados por Beateuriseu, mas desviou o olhar de Herdin.
Herdin a observou friamente.
“Será realmente coincidência encontrar essa mulher em um país estrangeiro tão distante?”
A suspeita surgiu, mas não havia base suficiente para interrogá-la.
E, mais importante… ele não pretendia dar a ela a chance de se aproximar.
Então simplesmente a ignorou.
Para que nem mesmo seus olhares se cruzassem.
Mas seus esforços foram inúteis.
Porque Miela o seguiu quando ele deixou a mansão após permanecer apenas o necessário.
Herdin, que planejava retornar diretamente ao anexo, acabou parando a contragosto.
Não queria que ela o seguisse até lá.
— Parece uma situação perfeita para ser mal interpretada. Imagino que o assunto deva ser realmente urgente para me perseguir mesmo correndo esse risco… não é, sacerdotisa?
Miela, que havia corrido até alcançá-lo, ofegava enquanto olhava para sua mão enluvada.
— Sobre sua mão… aquela que estava ferida antes… como está? Na época, eu não consegui tratá-la…
Ao ouvir isso, Herdin soltou uma risada sarcástica.
— Não acredito que tenha me seguido do Império até este país distante por causa de um ferimento tão insignificante.
Seu olhar tornou-se glacial.
Mas, embora tremesse diante daquela frieza, Miela respondeu:
— É que… eu me preocupo com o Duque.
Seu rosto parecia sinceramente aflito.
Mas isso não despertou emoção alguma em Herdin.
— Eu pareço tão fraco assim? Ou talvez… pareça digno de pena?
— N-não foi isso que quis dizer…!
Miela mordeu os lábios e, com os olhos marejados, confessou:
— …Eu sinto algo pelo Duque.
Apesar da dificuldade com que pronunciou aquelas palavras…
O olhar de Herdin não mudou.
— E qual é o propósito de confessar seus sentimentos a um homem casado? Pretende se tornar amante dele?
— N-não! Nunca pensei nisso! Eu só… queria que soubesse que jamais faria algo para prejudicá-lo. Queria apenas… que aceitasse minha boa vontade…
Não havia mentira em seus olhos.
Aquilo era sua verdade.
E, ao mesmo tempo… uma malícia involuntária nascida da crença de que sua sinceridade era algo puro.
No instante em que Herdin abriu a boca para responder…
Uma dor de cabeça familiar atravessou sua mente.
Ele franziu a testa violentamente.
Então… uma memória surgiu.
Miela.
Ela estava em seu escritório.
Abraçando-o.
E, pela fresta da porta aberta… Bleier observava.
Seus olhos violetas tremiam de choque.
Na memória, Herdin tentou afastar Miela…
Mas, em vez disso… puxou-a para mais perto.
Abraçou-a.
Bleier parecia devastada.
Seus olhos distorcidos, à beira das lágrimas.
Então… ela se virou.
Cambaleando.
Fugindo.
A visão terminou abruptamente.
“Que diabos foi isso…?”
Por que memórias que não eram suas continuavam aparecendo?
Seu peito se apertou dolorosamente.
— Duque? Está bem?
Percebendo que ele vacilara, Miela tentou se aproximar.
— Sua expressão não parece bo—
Herdin evitou sua mão.
E se virou imediatamente para o anexo.
Foi então…
Que seus olhares se cruzaram.
Assim como na memória.
Bleier.
Olhando para ele com olhos trêmulos.
Uma hora antes, após terminar seu banho, Bleier retornara ao quarto.
Mas sentiu um arrepio.
A noite estava fria.
Embora Nereha fosse mais amena que o Império, o vento marítimo tornava tudo mais gelado.
Ela sentiu falta do calor da lareira.
Já não temia tanto o fogo quanto antes…
Mas ainda hesitava em acendê-la sozinha.
“Quando Herdin vai voltar?”
Ao perceber o próprio pensamento, ficou surpresa.
Parecia… que estava esperando por ele.
Bleier rapidamente afastou essa ideia e tentou dormir cedo.
Mas, talvez por ter cochilado demais durante o dia, o sono não vinha.
Depois de muito se revirar, desistiu.
Vestiu um xale grosso e saiu para caminhar.
As criadas diante da porta a observaram.
— Senhora? Não vai dormir?
— Estou sem sono. Só vou dar uma pequena volta.
— Ah… Vai receber Sua Excelência?
Bleier se assustou.
— Não! Só vou caminhar.
Envergonhada demais para suportar mais perguntas, pediu para ir sozinha.
As criadas permitiram.
Desde a discussão na escola, a vigilância de Herdin havia diminuído.
Enquanto caminhava, o bebê começou a se mover intensamente.
Bleier riu baixinho.
— Por que você não se mexe assim quando seu pai está por perto? Ele fica tão ansioso…
Conversando com o filho, acabou chegando perto da estrada de onde se via a mansão.
O ar frio fez com que tossisse.
E então… ouviu vozes.
Ao olhar…
Viu Herdin.
Ao lado da mulher que ele amara em sua vida passada.
Naquele instante… percebeu.
“Ah… então eu estava esperando por esse homem. Como uma idiota.”
Suas pernas quase cederam.
Precisava se virar antes que ele a visse.
Mas foi tarde.
Herdin se virou primeiro.
Seus olhares se encontraram.
Bleier tentou fugir.
Desaparecer.
Mas antes que pudesse dar alguns passos, ele segurou seu braço.
— Vamos conversar.
— Parece que vocês ainda não terminaram. Pode concluir sua conversa e depois voltar. Não precisa se preocupar comigo.
Sua voz saiu mais calma do que esperava.
Talvez porque precisava desesperadamente parecer indiferente… para não se sentir patética.
Ela tentou soltar o pulso.
Herdin não deixou.
— Não. Quero falar com você. Agora.
— Não acredito que exista algo tão urgente a ponto de abandonar a pessoa com quem estava conversando.
Irritado, Herdin afastou a franja da testa.
— Aquela mulher e eu não temos o tipo de relação que você está imaginando.
— Não importa que tipo de relação vocês tenham. Você não precisa me explicar. Isso não tem nada a ver comigo.
Ao ouvir sua resposta fria…
Os lábios de Herdin se torceram.
— …Não tem nada a ver? Não importa que tipo de relação eu tenha com ela?
— Mesmo que fosse algo imoral… ter uma amante é comum na sociedade nobre. Não é algo em que eu deva interferir. Então…
Bleier respirou fundo, tentando impedir que a voz tremesse.
— Termine sua conversa… e depois volte.
Até forçou um sorriso.
Um sorriso inadequado.
Diante disso, Herdin soltou uma risada amarga.
— Eu realmente não significo nada para você?
Então… ele explodiu.
— Pelo menos fique com raiva! Me questione! Ou até me bata!
Bleier piscou, confusa.
— Eu… realmente não entendo por que você está bravo.
Ela não entendia.
Não era exatamente isso que ele sempre quis?
Que ela não perguntasse.
Que não fugisse.
Que apenas permanecesse obediente ao seu lado.
Herdin, segurando seu braço com desespero, abriu e fechou os lábios várias vezes.
Então… encarou profundamente seus olhos.
Com um suspiro carregado de autodesprezo… ou talvez tristeza…
Finalmente revelou:
— É porque… eu te amo.
Sabia_tutsung
FOI PRA ISSO QUE EU LI HAHAHAH