Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 106: As Coisas Que Ficaram Para Trás
Ao ouvir aquele som, Rina arregalou os olhos.
Desde que Bleier desapareceu, sempre que surgia qualquer pista sobre uma mulher parecida com ela, Herdin ia pessoalmente verificar. Para isso, deixava os assuntos urgentes sob responsabilidade de Ruth.
Desta vez também, ele havia ido até o sul em busca de Bleier e acabava de retornar para casa após uma semana.
“Será que, desta vez, Sua Excelência trouxe a senhora de volta?”
Nos passos apressados de Rina, enquanto corria até o saguão central para recebê-lo, havia uma expectativa impossível de esconder.
Logo após o desaparecimento de Bleier, os rumores externos também chegaram à mansão do duque.
Diziam que Bleier havia sido infiel e fugido secretamente carregando o filho de outro homem.
Rina e Melli, que confiavam nela, jamais acreditaram nessas histórias.
Na verdade, chegaram até a ser repreendidas por Mason depois de discutirem com criadas que espalhavam tais boatos.
As duas acreditavam que, pouco antes de Bleier desaparecer, Herdin praticamente a mantinha confinada, e isso havia provocado uma espécie de guerra fria entre eles; por isso, provavelmente haviam tido uma grande discussão por causa disso e de outras questões.
Se os rumores das criadas fossem verdadeiros, seria impossível que Herdin estivesse procurando Bleier tão desesperadamente, deixando tudo de lado, apenas porque ela havia fugido com o filho de outro homem.
“Quando a raiva da senhora passar, ela vai voltar.”
Foi nisso que Rina acreditou quando Bleier partiu.
Para onde poderia ir uma princesa criada com tanto refinamento que jamais precisou sequer molhar as próprias mãos, ainda mais estando grávida?
Mas passou uma semana. Depois quinze dias. E mesmo após mais de um mês, Bleier não voltou.
No início, desejando que Herdin — que havia feito Bleier sofrer — também experimentasse angústia, Rina chegou a rezar para que ele não a encontrasse.
Mas agora, pouco a pouco, começou a se preocupar verdadeiramente com Bleier. E, ao mesmo tempo, passou a sentir uma certa mágoa por ter sido deixada para trás.
“Por favor… volte logo…”
Rina permaneceu diante da entrada da mansão com sentimentos conflitantes: desejando que Herdin trouxesse Bleier de volta, mas também esperando que ele não a tivesse capturado.
Finalmente, a carruagem que se aproximava parou diante da mansão, e Herdin desceu.
— Bem-vindo de volta, Sua Excelência.
Mason recebeu o senhor da casa em nome de todos os funcionários.
Ao sinal dele, os criados alinhados curvaram a cabeça em uníssono.
Aproveitando o momento, Rina observou Herdin discretamente.
Seu rosto perfeito não havia mudado, mas em apenas alguns meses sua expressão se tornara mais afiada.
Embora nunca tivesse tido uma aparência particularmente suave, agora a linha de sua mandíbula parecia ainda mais marcada, seus olhos emanavam um frio ainda mais cortante, e sua expressão seca — sem revelar sequer um resquício de emoção — criava uma atmosfera inquietante.
Havia nele uma nitidez semelhante à de uma lâmina recém-afiada.
Rina não era a única a sentir isso; até mesmo as criadas que antes admiravam secretamente o rosto de Herdin agora evitavam olhar diretamente para ele.
Chegou ao ponto em que até funcionários que antes falavam mal da desaparecida Bleier passaram a desejar secretamente seu retorno.
Todos haviam entendido que a atmosfera sufocante da mansão era consequência de sua ausência.
Mas, apesar do desejo de todos — inclusive de Rina e Melli —, desta vez apenas Herdin desceu da carruagem.
Como sempre, com o rosto gelado, atravessou a mansão em passos largos e subiu.
Mesmo depois que os criados, aliviados por terminarem a recepção sem problemas, se dispersaram, Rina permaneceu encarando a carruagem, incapaz de abandonar a esperança.
Mas, no fim, ninguém mais desceu.
E logo o veículo partiu.
Nesse momento, Melli se aproximou.
— Vamos entrar também, Rina.
Enquanto caminhavam juntas para dentro, Melli observou discretamente sua expressão sombria.
Tentando aliviar o clima, mudou de assunto.
— O vento já está bem frio, não acha?
Mas, apesar do esforço, Rina continuava abatida.
Após um momento de silêncio, murmurou como se falasse consigo mesma:
— A senhora sempre teve os brônquios fracos… Toda mudança de estação ela fica resfriada. Agora, grávida, nem poderá tomar remédios… E se adoecer gravemente?
Ao ouvir aquilo, até Melli, que tentava se manter firme, deixou escapar um sorriso amargo.
Não era como se ela não estivesse preocupada.
Mas sentia que não podia demonstrar sua própria ansiedade diante de Rina.
Porque ainda carregava no coração o último pedido de Bleier:
“Fico muito feliz que vocês duas se deem bem. Continuem se apoiando e permaneçam próximas no futuro, está bem?”
Provavelmente, Bleier havia deixado aquelas palavras prevendo a tristeza e a ansiedade que sua ausência causaria.
E atender esse último pedido parecia ser o mínimo que podia fazer.
Melli acariciou o braço de Rina com gentileza.
— Não se preocupe tanto. Agora ela já consegue acender velas sozinha. Tenho certeza de que está bem, em algum lugar quentinho.
— …É verdade. Ela já não tem tanto medo de fogo quanto antes… Vai ficar tudo bem, não vai?
— Vai, sim. E vamos encontrar a senhora antes que o inverno chegue.
Mas, ao ouvir aquilo, a expressão de Rina escureceu ainda mais.
Hesitante, ela confessou:
— Na verdade… ultimamente, tenho rezado todas as noites para que Sua Excelência encontre logo a senhora.
Melli ouviu em silêncio.
Porque sentia exatamente o mesmo.
Mas então Rina disse algo inesperado:
— Só que… agora não sei mais se devo continuar rezando assim.
— Claro que sinto muita falta dela. E me preocupo se está segura em algum lugar desconhecido.
— Mas… o fato de ela não ter voltado até agora… não significa que ela odiava profundamente viver aqui?
Melli ficou sem palavras.
Ela nunca havia pensado nisso.
Que o carinho, a saudade e o desejo de tê-la de volta talvez fossem, na verdade, apenas egoísmo delas.
— Se realmente queremos a felicidade da senhora… não deveríamos rezar para que Sua Excelência nunca mais a encontre?
Rina estava certa.
Se realmente amavam Bleier, não deveriam impor seus próprios desejos, mas sim desejar sua felicidade.
Após refletir por um instante, Melli sorriu suavemente.
— Então vamos rezar assim:
— Que, onde quer que a senhora esteja… ela esteja segura e feliz.
— Esse é um desejo que podemos fazer, não é?
O rosto de Rina finalmente se iluminou.
— Ah…! Assim está certo!
Na esquina do corredor, uma sombra que ouvira toda a conversa das duas jovens virou-se silenciosamente.
Era Ruth, que havia vindo à mansão ao saber do retorno de Herdin.
“Parece que, desta vez também… ele voltou de mãos vazias.”
Engolindo o suspiro amargo, ela seguiu até o escritório.
No início, logo após o desaparecimento de Bleier, Ruth também temia enfrentar Herdin, que parecia exalar sede de sangue.
Mas, com o passar do tempo, esse medo gradualmente se transformou em preocupação.
Ruth, que o observava há muitos anos — primeiro como subordinada, e às vezes como alguém próximo da família — sabia que Herdin não estava simplesmente furioso.
Mas Bleier não voltara por mais de dois meses.
E ainda estava grávida.
“Isso não é apenas uma briga de casal… Ela realmente não quer mais vê-lo.”
Mesmo sem conhecer todos os detalhes, Ruth entendia que Bleier havia desistido daquela relação.
Por isso, como Rina dissera… se ele realmente a amasse, talvez o certo fosse deixá-la ir.
Mas ela jamais conseguiria dizer isso a Herdin.
Porque, mais do que ninguém, ele próprio devia saber o significado de Bleier não ter voltado.
Não era que ele não soubesse.
Era justamente porque sabia… que não conseguia soltá-la.
Ao chegar ao escritório, Ruth bateu, mas não recebeu resposta.
— Sua Excelência, com licença.
Ao entrar, encontrou o cômodo vazio.
Herdin não estava ali, embora claramente tivesse passado pelo local — havia um cigarro consumido no cinzeiro.
“Ele foi para lá de novo…?”
Sentindo o cheiro amargo de tabaco, Ruth lembrou-se do primeiro lugar para onde Herdin sempre ia ao voltar.
Depois do banho, como sempre, ele seguia diretamente para o quarto de Bleier.
Tudo permanecia exatamente como no dia em que ela partiu.
Tudo… exceto a dona daquele quarto.
Herdin deixou o corpo exausto pelos dias e noites de viagem cair sobre a cama vazia.
Então, o leve aroma de Bleier ainda impregnado nos lençóis o envolveu.
Fitando o teto, suas pupilas afundaram em um frio sombrio.
O perfume que sempre o recebia naquele quarto estava desaparecendo, pouco a pouco.
Ele odiava esse fato.
Mas não havia nada que pudesse fazer enquanto a fragrância sumia dia após dia.
Nada…
Além de vagar incansavelmente em busca da dona daquele aroma.
Após permanecer alguns instantes de olhos fechados na cama onde Bleier não estava mais, Herdin pressionou a ponte do nariz e se levantou.
Seu corpo estava exausto, mas sua mente permanecia desperta.
Desde que Bleier desaparecera, aquilo se tornara normal.
Enquanto caminhava silenciosamente pelo quarto, traços dela surgiam em cada canto que seus olhos alcançavam.
Quanto mais observava, mais seu cenho se franzia.
Irritava-o ver os pertences dela espalhados.
Porque, sempre que os via… era forçado a encarar a verdade de que não era diferente daquelas coisas.
Ele também havia sido deixado para trás.
Ainda assim, uma risada autodepreciativa escapou de seus lábios ao perceber que sempre retornava àquele quarto.
Sobre a mesa de cabeceira havia um pequeno porta-retrato.
Dentro dele, estava a pintura que compraram juntos na torre do relógio, naquele dia de primavera em que as cerejeiras floresciam.
“Sim, eu adorei. Acho que sempre que olhar para este quadro… vou me lembrar de hoje.”
Ele recordou o rosto dela, levemente corado, incapaz de esconder a felicidade.
Mesmo tendo gostado tanto…
Até aquilo ela deixou para trás.
Junto com ele.
Abandonado naquela mansão.
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