Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 1. Papá arrependido (5)
08.02.2024.
Quando o boneco desapareceu diante de seus olhos, o olhar de Asiel naturalmente se voltou para Herdin.
Este observou a reação da criança, sentindo-se internamente tenso diante da possibilidade de Asiel voltar a cair no choro.
As pequenas sobrancelhas do menino, que o observava atentamente, franziram-se. Era o sinal habitual antes de Asiel começar a chorar.
No momento em que Herdin ficou nervoso, um milagre aconteceu.
Asiel não chorou apesar de vê-lo, embora mantivesse as sobrancelhas profundamente franzidas e uma expressão irritada.
Diante daquela mudança inacreditável ocorrida em apenas uma noite, as pupilas de Herdin estremeceram violentamente enquanto observava o filho.
— Asiel… você não tem mais medo do papai?
Herdin olhou para a criança, atordoado por um instante, e então a pegou cuidadosamente nos braços.
Ele temia que dessa vez o menino chorasse, mas, surpreendentemente, Asiel permaneceu tranquilo em seus braços. Era a primeira vez que isso acontecia desde que havia começado sua fase de estranhar desconhecidos.
Um sorriso se espalhou lentamente pelos lábios do homem ao abraçar novamente o filho. Naquele mês, a criança havia ficado um pouco mais pesada.
— Obrigado, Asiel. Por realizar o desejo da sua mamãe.
Naquele instante, ele quis beijá-lo como costumava fazer antes de começar a fase de timidez, mas decidiu se conter, pensando que seria precipitado demais.
Herdin levou Asiel diretamente para o quarto matrimonial.
Assim que abriu a porta e entrou, deparou-se com Bleier, que havia acabado de acordar e estava prestes a ir ao quarto da criança.
— Bleier, olhe isso. Asiel não está chorando mesmo estando nos meus braços.
Antes mesmo que ele terminasse de falar, os olhos de Bleier se arregalaram de surpresa ao ver o filho em seus braços.
O pequeno, que até aquele momento estava calmo com Herdin, estendeu apressadamente suas mãozinhas para ela assim que a mãe apareceu.
Bleier olhou para o filho, atônita.
Ela não conseguia acreditar no milagre que havia acontecido em apenas uma noite. Ao mesmo tempo, uma possibilidade cruzou sua mente.
“Será que Asiel entendeu o que eu disse ontem?”
Embora pensasse que aquilo era uma ideia absurda e típica de uma mãe cegada pelo amor, Bleier sorriu radiante e segurou a mão da criança.
— Nosso bebê é inteligente e também muito bondoso.
Ao ver a mãe sorrindo feliz, Asiel, que a observava, soltou uma gargalhadinha. Herdin, vendo a esposa e o filho, também sorriu junto com eles.
A imagem daquela família de três sorrindo enquanto se olhavam mostrava uma semelhança impressionante.
Um mês depois, após o trabalho meticuloso de um pintor, o primeiro retrato da família foi concluído.
Bleier, que já vinha pensando havia dias sobre onde pendurá-lo, tomou sua decisão no mesmo dia: o colocaria no quarto matrimonial.
A partir daquele dia, Bleier passava todo o tempo livre admirando o retrato.
Ao despertar, Herdin procurou instintivamente o calor do corpo dela, mas abriu os olhos ao sentir o espaço ao seu lado vazio.
Seu coração disparou ao notar a ausência de Bleier, mas, lembrando-se do comportamento recente dela, olhou para onde o retrato estava pendurado.
Como esperado, Bleier estava ali, em pé, contemplando a pintura.
Ao vê-la, sentiu orgulho e, ao mesmo tempo, remorso.
“Ela gosta tanto assim.”
Eu deveria ter sugerido isso antes. Então você teria sido feliz por mais alguns dias.
Herdin levantou-se da cama, vestiu o roupão e aproximou-se da esposa com passos lentos. Ao sentir sua presença, Bleier virou-se para ele.
— Dormiu bem, Herdin?
Ele a envolveu pela cintura enquanto perguntava:
— Gostou tanto assim?
Bleier olhou para ele em vez de responder. Suas pupilas, banhadas pela luz da manhã, brilhavam de felicidade.
Bleier acrescentou um instante depois:
— Embora, claro, eu goste mais do original do que da pintura.
— É problemático você me provocar desse jeito logo cedo.
Diante disso, Bleier riu e apoiou suavemente a cabeça em seu ombro enquanto sussurrava:
— Obrigada, Herdin. Eu sei que você se esforçou muito desta vez.
Herdin soltou uma risadinha e beijou sua cabeça. Depois, ficaram de pé, juntos, olhando para o retrato.
Uma moldura repleta de felicidade, pendurada sobre as lembranças de um passado doloroso.
Ambos contemplaram o retrato até Bleier começar a andar, e então seguiram juntos para o quarto de Asiel.
No entanto, assim que entraram no quarto, ouviram o choro inconsolável da criança.
— Ora, o que será que deixou nosso jovem amo tão triste?
Também se ouvia a voz da ama, desconcertada porque Asiel simplesmente não parava de chorar.
Quando Bleier se aproximou, a ama entregou a criança em seus braços e relatou rapidamente:
— Ele tomou leite assim que acordou, troquei a fralda e não parece estar com dor, mas continua desconfortável.
— Asiel… aconteceu alguma coisa que deixou você triste?
A criança, que havia chorado até ficar com os olhos vermelhos, foi parando gradualmente ao ser abraçada pela mãe. Como sempre acontecia quando Bleier chegava.
— Sim, agora que a mamãe está aqui, tudo vai ficar bem.
Bleier o acalmou dando tapinhas habilidosos em suas costas, mas em seu rosto havia uma preocupação que ela não conseguia esconder.
Asiel crescia mais rápido do que outras crianças de sua idade.
Não apenas fisicamente, mas também em suas ações. Sentar, engatinhar e até o balbucio haviam sido precoces.
Mas Bleier não conseguia ficar totalmente feliz com isso.
Talvez como uma reação ao crescimento acelerado, Asiel era muito sensível. Havia muitos dias em que chorava sem motivo aparente.
No começo, preocupada se ele estava doente, chamou o médico da família, mas a resposta foi…
“O jovem amo goza de excelente saúde.”
Disseram apenas que a criança estava crescendo bem.
Por precaução, ela chamou Agnes para revisar seus métodos de criação, mas Agnes também não poupou elogios, afirmando que a educação dos dois era magnífica.
Era um alívio saber que não havia problemas de saúde ou emocionais, mas Bleier não conseguia se livrar da preocupação em um canto do coração.
“O Asiel da minha vida passada não era assim.”
O Asiel da vida anterior também havia crescido fisicamente rápido, talvez por se parecer com Herdin, mas seu desenvolvimento comportamental não diferia muito do de outras crianças.
Além disso, havia sido um menino dócil, que raramente reclamava ou chorava.
“… Não, não pense nisso.”
Bleier balançou a cabeça apressadamente ao perceber que estava comparando inconscientemente o Asiel da vida passada com o desta vida.
Ambas as crianças eram a mesma pessoa, mas eram estritamente diferentes. Portanto, era natural que fossem distintos.
No entanto, mesmo sendo seres diferentes, o fato de que ela amava ambos mais do que a própria vida não mudava.
Bleier sentiu uma culpa apertando seu peito por ter tido aqueles pensamentos, ainda que por um instante, e abraçou o filho com ternura.
— Mamãe e papai te amam muito, Asiel.
Então, por favor, apenas cresça saudável.
E seja muito feliz ao nosso lado.
Asiel, que ainda fungava com o rosto marcado pelo choro, sorriu alegremente como se tivesse entendido as palavras da mãe.
A criança cresceu rapidamente.
Aquele pequeno que não conseguia fazer nada sozinho logo começou a comer algumas coisas com as próprias mãozinhas, a andar e a expressar seus desejos com palavras em vez de choros.
Apesar de ser um processo que ela já havia vivido uma vez, Bleier frequentemente derramava lágrimas, sentindo-se ao mesmo tempo orgulhosa e triste por ele crescer tão depressa.
E, à medida que crescia, seu temperamento sensível foi desaparecendo gradualmente.
Como quem mais sofria com essa sensibilidade inata era o próprio Asiel, Bleier considerou uma sorte esse traço desaparecer.
Embora, é claro, mesmo que ele tivesse continuado assim, ambos o amariam da mesma forma.
— Isto é o mar.
Asiel, que estava prestes a completar seu segundo aniversário, havia desenvolvido um grande gosto por livros de histórias. Sempre que tinha oportunidade, abria um livro e “lia” balbuciando.
Graças a isso, seu vocabulário aumentava rapidamente.
— Isto é um ba-rco. Papai faz.
Asiel apontou para o navio desenhado no livro com o dedo indicador enquanto tagarelava. Sua voz era tão adorável que Bleier riu e beijou sua cabecinha redonda.
— Isso mesmo, isto é um barco. Nosso filho tem uma memória muito boa. Você se lembra de que o papai constrói barcos.
Talvez porque o barco o tenha feito lembrar de algo, Asiel perguntou:
— Onde está o papai?
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