Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 57. Por Quanto Tempo Posso Continuar Te Odiando?
Quando Blair levantou um pouco a cabeça, viu as costas de Herdin. Ele vestia um roupão como se tivesse acabado de se lavar.
Estava colocando lenha na lareira.
Gotas agarradas aos seus cabelos molhados brilhavam ao captar a luz.
Depois de confirmar que o fogo havia pegado, Herdin se virou para a cama.
Blair fechou os olhos, fingindo dormir.
Parecia que deveria.
A presença silenciosa se aproximou e parou em frente à cama, projetando uma sombra diante de seus olhos.
Logo, o peso de alguém se acomodando ao seu lado pôde ser sentido.
Era um peso familiar, o mesmo que a pressionava todas as noites quando ele a abraçava.
Blair temeu que ele pudesse acordá-la, mas mesmo depois de algum tempo, Herdin não se moveu.
Quando abriu os olhos silenciosamente, viu o rosto dele imóvel, com os olhos fechados.
Aquele rosto lhe parecia estranho.
Ele sempre a abraçava com avidez até adormecer também, e só então ela conseguia dormir, enquanto ele acordava primeiro.
Então, vê-lo deitado em silêncio ao seu lado, sem fazer nada além de dormir, era estranhamente incomum.
Um homem que estava ali apenas para ela, sem nenhum benefício para si mesmo.
De repente, lembrou-se da noite em que acendera a lareira para provar sua inocência.
Naquela noite também, ele permanecera ao seu lado.
Ele sempre era assim.
Justo quando ela se afastava porque não queria mais ser ferida por sua indiferença, ele se aproximava assim e a comovia profundamente.
No momento em que ela mais precisava dele, quando seu coração fraquejava.
Ele nunca perdia essa oportunidade.
Blair percebeu que, sem que ela sequer notasse, o tremor em seu corpo havia diminuído.
Deu um sorriso irônico.
Não podia mais negar que era por causa do homem que a protegia.
“Um homem que poderia ter me matado.”
E um homem que logo a deixaria novamente.
Odeio sua bondade descuidada.
Odeio que, mesmo sabendo que a bondade é como uma brisa de primavera, eu ainda hesite.
Quando milagrosamente voltei no tempo e retornei ao passado, eu havia decidido claramente que nunca mais a amaria.
Decidi.
Mas agora…
estou começando a me sentir um pouco inquieto.
Por quanto tempo poderei continuar a odiá-lo?
* * *
Naquela noite, depois que o sol se pôs completamente, Wesley saiu pelo portão lateral do Marquesado Baldwin.
Ele olhou em volta repetidamente antes de entrar na estrada principal e chamar uma carruagem alugada.
Seu comportamento era extremamente cauteloso.
“Leve-me ao clube.”
Era seu primeiro passeio desde o torneio de caça.
Alguns dias antes, o torneio havia sido interrompido quando Blair desapareceu.
Ivan, que não sabia todas as circunstâncias, simplesmente pensou que Blair tivesse se perdido e ficou descontente.
Herdin ficou frenético, vasculhando toda a floresta em busca de Blair.
Nesse meio tempo, Wesley encontrou e matou o homem que contratara para o sequestro.
Agora não havia como provar seu envolvimento.
Ele havia pegado dinheiro emprestado de Rachel, mas a menos que ela confessasse seu próprio envolvimento no incidente, jamais poderia exigir o dinheiro de volta.
Mesmo que Herdin suspeitasse dele, não poderia puni-lo apenas com base em suspeitas.
‘No fim, nada aconteceu com aquela mulher, Blair, e ela foi resgatada em segurança. Isso não basta?’
Pensando nisso, ele se sentiu aliviado.
Depois de passar vários dias em silêncio dentro do marquesado, com medo de que Herdin viesse capturá-lo, aquilo parecia quase ridículo.
Claro, era um pouco lamentável que ele tivesse gasto dinheiro preparando o incidente.
“Se eu tivesse usado esse dinheiro para apostar, poderia tê-lo multiplicado bastante…”
Enquanto Wesley estalava os lábios em arrependimento, a carruagem chegou ao clube.
“Tanto faz. Vou ganhar hoje e aumentar a aposta.”
Parado em frente ao clube, ele sentiu de repente uma confiança infundada de que hoje seria o vencedor.
Como sempre, Wesley entrou no clube cheio de expectativa.
“Ora, ora. O famoso Wesley Baldwin faltando ao clube por vários dias? Qual é a ocasião?”
“Pensei que você estivesse doente.”
O grupo com quem ele costumava se associar o cumprimentou com risadas.
Depois de trocarem piadas triviais, naturalmente se sentaram e começaram um jogo de cartas.
Wesley recebeu suas cartas e conferiu sua mão.
Seus olhos se arregalaram.
“Esta mão é muito boa…?”
Talvez não fosse apenas expectativa — ele poderia realmente se tornar o vencedor de hoje.
Seu coração começou a bater forte de emoção.
A situação era ainda mais angustiante do que quando ele tinha uma mão ruim.
Ansioso, Wesley recebeu a última carta.
No instante em que a viu, uma alegria se espalhou por seu rosto.
Aquela era uma mão que seria mais difícil de perder do que de ganhar.
Enquanto Wesley tentava acalmar seu coração acelerado e revelar suas cartas,
uma sombra repentinamente o envolveu.
“Olá, Wesley.”
Com a aparição repentina de Herdin, o rosto de Wesley empalideceu.
“Um cachorro pode até parar de comer lixo, mas como você poderia parar de jogar?
Não é verdade?”
Aterrorizado, Wesley se levantou rapidamente para correr, mas Herdin não permitiu.
Ele agarrou Wesley pela cabeça e a jogou contra a mesa de cartas.
“Argh!”
Assustados com o impacto violento, os membros do clube fugiram em todas as direções.
Depois de bater a cabeça de Wesley contra a mesa mais algumas vezes, Wesley finalmente parou de resistir inutilmente e ficou imóvel.
Inclinando-se em direção a Wesley, que gemia, Herdin falou em voz baixa:
“Se você tentar correr assim que vir meu rosto, não terei escolha a não ser suspeitar.”
“É porque você me acusou de ser o culpado e me ameaçou desde aquele dia!”
A atitude respeitosa que ele demonstrara no torneio de caça havia desaparecido há muito tempo.
Mas, da perspectiva de Herdin, isso era menos ridículo.
Ao contrário da maneira como fingira bajulá-lo depois de se tornar adulto, apesar de ter zombado de seu azar quando eram mais jovens.
Herdin virou o rosto de Wesley para encontrar seu olhar.
“Foi você, não foi?”
Chamas azuis pareciam queimar em seus olhos.
Instintivamente dominado por aquela presença, Wesley estremeceu — mas apenas por um instante.
“Droga, você tem alguma prova de que fui eu?”
Herdin olhou para Wesley estranhamente enquanto o empurrava descaradamente.
Lutando contra a mão que agarrava seus cabelos, Wesley gritou.
“Se você trata alguém que te ajudou por boa vontade assim—”
“Rachel Selden.”
Ao ouvir o nome familiar que escapou da boca de Herdin, a resistência de Wesley cessou repentinamente.
Herdin não perdeu a oportunidade.
“Ela confessou tudo.
Disse que tudo foi algo que você planejou.”
Ao ouvir isso, o coração de Wesley afundou.
Ao mesmo tempo, a raiva o consumiu por Rachel tê-lo traído.
“Droga, isso não é verdade!
Foi tudo… sim, aquela mulher ordenou tudo!
Eu apenas fiz o que ela me mandou fazer!”
“…”
“Ela também me deu o dinheiro!
Disse que Blair — não, a Duquesa — havia ferido seu orgulho, então queria humilhá-la!”
“…”
“Pense bem.
Onde eu conseguiria dinheiro para organizar algo assim?”
Herdin ouviu em silêncio antes de finalmente soltar a cabeça de Wesley e falar.
“Suponho que terei que visitar o Marquesado Selden e perguntar o quanto disso é verdade.”
“…O quê?”
Wesley congelou.
O fato de Herdin ter dito que iria ao Marquesado Selden significava…
“Você… você não conheceu Rachel primeiro…?”
Vendo a expressão atônita de Wesley, Herdin sorriu friamente.
“É por isso que você sempre perde suas apostas.”
Perder a razão e confessar tudo sozinho por causa de uma única frase não verificada.
E suas emoções estão estampadas no seu rosto.
“Seu desgraçado, mentindo desse jeito—!”
Herdin derrubou Wesley
com um movimento brusco. Wesley caiu no chão com um baque surdo.
Olhando-o friamente, Herdin falou:
“Por quê?
Você tocou na minha mulher e me enganou, e eu ainda tenho que jogar limpo?”
“Você—!”
“Não se sinta tão injustiçado.”
Ele tirou um pequeno frasco do bolso interno e o jogou na frente de Wesley.
O frasco se estilhaçou no chão, derramando o líquido.
Um aroma doce e tentador se espalhou pelo ar.
Os olhos de Wesley tremeram.
O conteúdo daquele frasco era o que o sequestrador tentara fazer Blair beber.
“Nunca houve chance de você escapar desde o início.”
Quando visitou a casa abandonada com Wesley, ele encontrou o frasco de remédio perto dos rastros de Blair.
Naquela casa velha e decadente, a única garrafa com aparência de nova despertou suspeitas à primeira vista.
Herdin ordenara uma investigação sobre a identidade e a origem da droga.
Para Ruth, que era versada nesses assuntos, encontrar o comprador da droga fora extremamente fácil.
Mesmo já sabendo que Wesley era o mentor, Herdin o interrogou por dois motivos.
Primeiro, para garantir a confissão de Wesley.
Segundo:
“Eu a vi entrando na floresta mais cedo com um cavaleiro.”
Para confirmar a suspeita de Rachel Selden, que prestara falso testemunho alegando ter visto Blair, sequestrada, com outro homem.
Como Wesley Baldwin cumprira seu papel perfeitamente nesse aspecto, não lhe restava nada a fazer a não ser tagarelar.
E certamente faria barulho.
“Por agora, durma.”
Herdin agarrou a nuca de Wesley e bateu-a com força na mesa de cartas mais uma vez.
Logo o corpo de Wesley ficou mole.
Herdin se virou depois de jogar o inconsciente Wesley aos cavaleiros que o aguardavam como um saco de bagagem.
“Coloquem-no na carruagem.”
Era hora de capturar o outro mentor.
Comentários