Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 51. Vamos nos Vingar.
Blair acalmou seu coração ansioso enquanto olhava pela janela, então virou a cabeça ao som de uma batida.
Lina entrou segurando uma carta.
“Senhora, chegou um convite para o torneio de caça do palácio imperial.”
O torneio de caça era um evento que sinalizava a chegada da primavera.
Segurando a carta, Blair pensou consigo mesma.
Ela tentaria persuadir Herdin mais uma vez.
* * *
Depois de se despedir das damas nobres e jovens damas, Rachel saiu do templo com uma expressão muito mais revigorada.
Estava longe de ser suficiente para esquecer a humilhação que Blair lhe infligiu, mas pelo menos isso a fez se sentir um pouco melhor.
Claro, o sentimento não duraria muito.
Rachel caminhou em direção à carruagem da família Selden que a esperava.
Ao vê-la, o cocheiro que a esperava desceu do assento do condutor para abrir a porta da carruagem.
No instante em que ia abri-la, uma voz indesejada soou atrás dela.
“Rachel.”
Virando-se na direção da voz, ela viu Wesley parado ali.
O rosto de Rachel se contorceu em desagrado ao vê-lo.
Eles se conheciam desde a infância, mas depois que Wesley se envolveu com jogos de azar dois anos atrás, ele começou a vagar por aí pedindo dinheiro emprestado a todos os seus conhecidos, e todos o evitavam.
Além disso, seus hábitos de bêbado eram terríveis, e ele causava problemas por onde passava.
Nada de bom resultava de se envolver com ele.
Rachel engoliu em seco e fez um gesto para que o cocheiro esperasse dentro da carruagem.
Assim que o cocheiro desapareceu, ela finalmente falou.
“Faz muito tempo que não o vejo sóbrio, Wesley.
O Marquês está bem?
Parece que envelheceu bastante ultimamente por sua causa.”
“O velho?
Ele está bem.
E seus pais?”
“Eles estão bem.
Ao contrário de algumas pessoas, eles têm uma filha inteligente que se comporta adequadamente, então com o que eles teriam que se preocupar?”
Ao ouvir as palavras de Rachel, Wesley deu uma risadinha como se tivesse ouvido algo engraçado.
Até mesmo aquela risada irritou Rachel.
“Enfim, o que te traz aqui?
Você não veio me ver, veio?”
“Claro que vim te ver.
Se eu quiser conhecer a honrada filha do Marquesado de Selden, tenho que vir ao templo, não é?”
“Se você veio pedir dinheiro emprestado para jogar de novo, suma daqui. E se for qualquer outra coisa, suma daqui também.”
E não volte a me procurar.”
Depois de lhe responder friamente, Rachel se virou e abriu a porta da carruagem.
Atrás dela, um apito soou junto com a voz dele.
“Ouvi dizer que nossa princesa imperial — não, a Duquesa — lhe deu uma bela lição no banquete oferecido pela casa Delmark.”
Rachel congelou ao ouvir aquelas palavras.
Quando se virou, seus olhos tremeram de raiva.
Mais do que o medo de que alguém tivesse ouvido o que ela disse a Blair, o fato de alguém ter testemunhado sua humilhação por Blair a enlouqueceu.
Por toda a sua vida, ela acreditou que Blair era inferior a ela.
Observar Blair ser influenciada por cada palavra e ação sua deu a Rachel uma sensação de superioridade.
Sempre que manipulava Blair, sentia-se mais nobre do que aquela princesa de alta linhagem.
Era seu orgulho e sua dignidade.
No entanto, alguém testemunhou o momento em que seu orgulho foi esmagado.
“Dizem que os pássaros ouvem as palavras ditas durante o dia e os ratos ouvem as palavras ditas à noite.
Você estava bisbilhotando como um rato?”
Ao ver a reação de Rachel, Wesley assobiou e deu uma risadinha.
“Então, antes que aquele ratinho saia por aí guinchando, vamos conversar.”
Antes mesmo que Rachel pudesse dar permissão, Wesley entrou na carruagem aberta.
Franzindo a testa, Rachel o seguiu a contragosto.
Logo a carruagem começou a se mover.
Rachel lançou um olhar fulminante para Wesley, sentado à sua frente.
“Então, qual é o seu problema?
Não me diga que está usando isso como desculpa para me pedir que pague suas dívidas de jogo.”
“Vou pegar um dinheiro emprestado, mas não estou pedindo que você pague as minhas dívidas.
Eu tenho um pouco de vergonha, sabia? Eu não pediria isso a você.”
“Então, o que você quer?”
“Vamos nos vingar.”
“…Vingança por quê?”
“Você também quer se vingar da Duquesa, não é?”
Quando as palavras Blair e vingança saíram da boca de Wesley, o olhar de Rachel mudou ligeiramente.
“Nossa senhorita Rachel Selden cuidou tão bem de Sua Alteza Imperial durante todo esse tempo, e ela nem sequer demonstra gratidão.
E agora ousa desafiá-la por causa de um único homem?”
“……”
“Não deveríamos reprimi-la para que ela nunca mais aja com tanta arrogância?”
Ao dizer isso, os olhos de Wesley brilharam com loucura.
Rachel franziu a testa enquanto o olhava.
Ela podia imaginar, mais ou menos, por que Wesley havia tido tais pensamentos.
Ele provavelmente ainda guardava rancor por ter sido espancado por Herdin no banquete de aniversário da Grande Imperatriz Viúva.
Como Herdin era poderoso demais para que ele descontasse sua raiva nele, redirecionou-a para Blair.
Mas Rachel não tinha a menor intenção de se juntar a ele.
“Você deve ter esquecido, mas ela é minha prima.
Por mais que eu a deteste, não farei uma coisa dessas.
Se quiser fazer, faça sozinha.
Não me arraste para isso.”
“Você só está com medo, mas finge ser virtuosa.”
Wesley mudou rapidamente de atitude, suas palavras zombeteiras atingindo em cheio sua fragilidade.
Aproveitando o momento, ele continuou:
“Você não precisa ter tanto medo.
Não estou sugerindo que machuquemos a preciosa princesa imperial.
Só uma pequena brincadeira.
Nós sofremos essa humilhação, então não deveríamos ao menos pregar uma peça?
” “……”
“A nobre senhorita Selden não precisa sujar nem um dedo. Apenas me empreste o dinheiro.
Eu cuido do resto.”
“……”
“E então? Interessada agora?”
Rachel encarou Wesley por um instante antes de finalmente falar.
“Conte-me seu plano.”
* * *
Na sala aquecida pela lareira, as sombras de duas pessoas se entrelaçavam.
Com um braço em volta da cintura dela, Herdin acariciou a bochecha de Blair com a outra mão e enfiou o polegar na boca dela.
Quando o polegar entrou de repente e começou a brincar com a boca dela, Blair instintivamente mordeu o dedo dele.
Herdin deu uma risadinha.
A mordida foi tão fraca que chegou a ser fofa.
Ao mesmo tempo, ele queria ver o rosto dela.
“Blair, olha para mim.”
Mas Blair mal conseguia se recompor.
Então Herdin virou o rosto dela para o seu.
O rosto dela estava um desastre, molhado de lágrimas.
Mesmo assim, ele parecia lindo.
Herdin se divertiu com a situação, mas não conseguiu resistir ao desejo e beijou os lábios entreabertos dela.
“Hum…”
Seguiu-se um beijo voraz.
Então, de repente, ele se afastou.
“Herd—”
Antes que Blair pudesse questionar a interrupção repentina, Herdin a virou para que ficasse de frente para ele e a abraçou novamente.
Blair parecia sentir mais quando não conseguia ver o rosto dele, mas Herdin preferia ver o dela.
O rosto de uma mulher corado de calor e à beira das lágrimas lhe dava um prazer vertiginoso.
Herdin segurou os ombros de Blair enquanto ela deslizava pela cama, lutando contra a força que mal conseguia suportar.
O rosto dela estava bem diante do dele, suas respirações se misturando mesmo sem que seus lábios se tocassem.
Herdin fitou os olhos de Blair, contorcidos enquanto ela se debatia para suportá-lo.
Nos olhos violeta úmidos da mulher, apenas seu reflexo era visível.
Sempre que olhava naqueles olhos, sentia a ilusão de ser o único em seu mundo.
A voz que o chamava pelo nome quase inconscientemente, o pequeno corpo agarrado a ele desesperadamente porque não conseguia suportar tudo o que estava acontecendo.
Se ele fosse realmente a única existência naquele mundo, então era natural que reivindicasse cada momento daquela mulher para si.
Já estavam tão próximos que não podiam ficar mais perto, mas essa sensação de insuficiência persistia.
Teria aquela mulher o enfeitiçado?
Ou ele havia enlouquecido?
Se essa sede insaciável era o que as pessoas chamavam de desejo, então ele podia, de certa forma, entender aqueles homens que perdiam a cabeça por causa das mulheres.
Herdin olhou para Blair como se a estivesse gravando em seus olhos antes de puxá-la para um abraço mais apertado.
Como se quisesse acalmar o tremor de seu corpo, ele a beijou e acariciou.
Depois de um tempo, Blair recuperou o fôlego e abriu os olhos lentamente.
Seus brilhantes olhos violeta refletiam o dele.
Recebendo seu beijo, Blair falou com cuidado:
“…Herdin.
Podemos terminar mais cedo hoje?”
“Cedo?”
“Temos que acordar cedo amanhã.”
“Ah.”
Parecia que ele só agora se lembrara de que amanhã era o torneio de caça.
Ele havia considerado brevemente deixá-la dormir mais cedo esta noite também, mas isso fora antes de entrar em seu quarto.
Ao vê-la olhar para ele com olhos suplicantes, o impulso sádico dentro dele se manifestou.
Talvez ele tivesse começado a apreciar as expressões da esposa.
O rosto banhado em lágrimas, o rosto corado pelo calor e pela confusão impotente, o rosto tomado pelo constrangimento…
A mulher de aparência angelical que raramente ria ou chorava na sua frente demonstrava tantas expressões diferentes na cama, e isso o fascinava.
“Então, como minha esposa deseja…”
disse Herdin, afastando-se um pouco.
Ou pelo menos era o que parecia.
No instante em que Blair relaxou a guarda, ele a puxou para seus braços novamente.
“Ah!”
“Vou tentar.
Rápido.”
“N-não era isso que eu queria dizer—”
Blair o encarou com evidente ressentimento, mas Herdin apenas beijou seus olhos.
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