Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 123: Coisas que se Parecem com Você
Herdin voltou ao quarto já bem tarde da noite.
Durante o dia, mantinha certa distância de Bleier, mas ao cair da noite retornava ao quarto para descansar. De qualquer forma, sua esposa, cujo sono noturno se prolongava desde que engravidara, normalmente já estava dormindo quando ele chegava.
Ao entrar no quarto naquela noite, presumindo que Bleier já estaria dormindo como sempre, ele paralisou ao se deparar com olhos violetas.
Bleier ainda estava acordada. Parecia ter esperado por ele.
Herdin se aproximou e sentou-se ao lado dela, que permanecia recostada na cama. Em seguida, Bleier lhe estendeu uma carta, como se tivesse aguardado exatamente por aquele momento. Era uma mensagem selada com o emblema de Nereha.
— Chegou um convite para o banquete por parte do senhor de Nereha.
Ao vê-la, Herdin soltou uma risada irônica. Achou ridículo ter se permitido pensar, nem que fosse por um instante, que poderia haver qualquer outro motivo.
Herdin pegou o convite que Bleier lhe oferecia.
Era um convite formal, composto apenas por saudações protocolares, informando que dentro de três dias seria realizado um banquete na mansão e solicitando sua presença para honrar o evento.
As intenções de Reimondeu eram óbvias.
Certamente, convidar Herdin e Bleier se devia em parte ao fato de não poder ignorar os hóspedes hospedados em sua casa, mas, mais do que isso, seu verdadeiro objetivo era tentar estabelecer relações.
Em pequena escala, Delmark era um rival no comércio portuário, mas, em grande escala, representava um cliente importante que administrava os vastos territórios do império.
No fundo, Herdin queria recusar o convite, mas considerando que estavam hospedados no anexo da mansão, recusar o convite do anfitrião não causaria uma boa impressão.
Depois de verificar a data, Herdin deixou o convite sobre a mesa de cabeceira e declarou:
— Direi que apenas eu comparecerei ao banquete, então você descanse.
Bleier o olhou com estranheza. Era uma pergunta silenciosa sobre por que ela não poderia ir.
— Depois do que aconteceu recentemente, acho melhor que você não se esforce demais. O senhor de Nereha compreenderá.
Embora dissesse isso, na verdade o motivo principal era sua plena consciência dos rumores que cercavam Bleier.
Desde que ele a encontrou e a trouxe para o anexo, o boato de que a duquesa havia fugido com o filho de outro homem havia diminuído temporariamente.
No entanto, muitos, mesmo vendo seu retorno, ainda inventariam histórias às suas costas. Era evidente que isso não faria bem à estabilidade mental e física de Bleier.
Felizmente, Bleier assentiu obedientemente.
— É melhor assim. Farei como o senhor disser.
A conversa sobre o banquete terminou dessa forma.
Herdin achou que ela logo adormeceria, já que normalmente àquela hora estaria profundamente dormindo e o único motivo para tê-lo esperado havia sido o convite.
Mas Bleier o encarou fixamente e hesitou por um momento. Parecia ainda ter algo a dizer.
Quando Herdin a observou com curiosidade, Bleier, que vinha movendo os lábios em hesitação, finalmente falou:
— …Obrigada pelo presente. Vou aproveitar muito.
Ele se perguntou por que ela, que sempre agia com cautela ou se entregava resignadamente ao seu lado, parecia tão estranhamente suave hoje. Era surpreendente que a razão fossem apenas alguns doces.
Sentiu um leve vazio e soltou uma risada amarga ao pensar que bastavam alguns doces, enquanto ele havia gastado dinheiro e até discutido com ela.
Não conseguia compreender os padrões dela, mas, se ela havia gostado, isso era o importante.
Herdin assentiu levemente diante do agradecimento e mudou de assunto.
— Parece que hoje você não está cansada.
— Acho que estou bem porque tirei uma longa soneca.
Diante das palavras de Bleier, que indicavam que não pretendia dormir imediatamente, Herdin fixou o olhar na barriga dela e perguntou:
— E esse pequeno também diz que está bem?
Quando Bleier piscou, confusa por não entender sua intenção, Herdin acrescentou:
— Você disse que parece que ele ainda não está acostumado com o pai. Então ele precisa se acostumar.
Só então Bleier entendeu que Herdin queria sentir os movimentos do bebê.
Se pensasse na indiferença que esse homem demonstrara pelo filho em sua vida passada, aquilo lhe parecia detestável, mas esse era apenas um sentimento pessoal.
Para a criança, sem dúvida, seria melhor que o pai se interessasse por ela, ainda que fosse agora.
“E como hoje recebi um presente… talvez eu possa ajudá-lo um pouco.”
Naquele exato momento, ela também sentiu que o bebê em seu ventre estava acordado e se movia levemente.
Como não era um movimento forte o suficiente para ser claramente percebido, Bleier pegou cuidadosamente a mão dele e a colocou sobre a área onde sentia o bebê se mexer.
Mas, apesar desse esforço, o bebê ficou quieto naquele instante. Foi o mesmo mesmo quando Bleier pressionou suavemente a barriga.
Depois de segurar a mão dele e tentar algumas vezes mais, Bleier falou:
— Hmm… Parece que ele ainda não está acostumado com você. Que tal tentar cumprimentá-lo primeiro?
Herdin, que estava mais concentrado na mão de Bleier tocando a sua do que no bebê, perguntou novamente com certo atraso:
— O bebê. Os ouvidos dele já se formaram, então ele consegue ouvir as vozes da mãe e do pai.
Herdin hesitou por um instante e então cumprimentou a criança.
— Olá, pequeno.
Ela pensou que aquilo seria estranho, mas ele cumprimentou com uma naturalidade surpreendente.
Bleier o observou, absorta. Era uma cena que desejara desesperadamente desde sua vida passada. Por algum motivo, sentiu o coração se encher de emoção.
No entanto, o bebê continuou sem reagir.
Herdin, que esperou em silêncio por uma resposta, acabou retirando a mão sem obter reação. Nesse instante, Bleier segurou a mão dele e a colocou novamente sobre a barriga.
Ela falou com o bebê em uma voz suave, quase um sussurro:
— Pequeno, seu papai quer cumprimentar você. Parece que ele está triste porque você vive se escondendo.
Ela era extremamente habilidosa em se comunicar com o bebê em seu ventre.
Herdin observou a cena em silêncio.
No quarto silencioso, a voz suave dela ecoando baixinho era agradável. Seu afeto transbordava plenamente em sua voz. Bastava ouvi-la para saber o quanto ela amava aquela criança.
Quando falava com o bebê, ela parecia mais feliz do que nunca.
Só então Herdin sentiu que começava a entender um pouco do que ela gostava.
Balas, choux cream, marshmallows… e a conexão com o bebê.
Ela amava coisas parecidas com ele.
Coisas doces, suaves e quentes.
Herdin gravou na memória a imagem de Bleier sorrindo enquanto ouvia sua voz doce e sussurrante, sentindo o calor dela segurando sua mão.
Mesmo que o bebê não tenha reagido no fim, aquela noite já havia sido suficiente apenas por tê-la diante de seus olhos.
No dia do banquete, a mansão do senhor de Nereha estava agitada com os preparativos.
Entre todos, a pessoa mais ocupada era Beateuriseu.
No lugar da mãe, falecida no ano anterior, ela precisava supervisionar a mansão já preparada para o evento e se arrumar como a protagonista do banquete daquela noite.
Ao seu lado estava Miela, enquanto Beateuriseu se arrumava recebendo a ajuda apressada das criadas.
— Senhorita… tem certeza de que está tudo bem eu também ir ao banquete?
— Claro, é óbvio. Você é minha salvadora, não é?
Alguns dias antes, durante uma chuva torrencial repentina.
Beateuriseu, que conseguiu retornar às pressas à mansão graças à carruagem de Miela, propôs que ela permanecesse hospedada ali enquanto estivesse em Nereha.
“Você disse que veio porque conseguiu férias, certo? Não precisa passar todas as férias apenas rezando no templo, não acha?”
Naquele momento, pensou que seria vantajoso ter uma amiga de idade semelhante.
Embora Miela fosse uma plebeia, era uma sacerdotisa — e isso poderia ser útil de muitas formas.
“Se eu mencionar que ela é uma sacerdotisa, meu pai também aceitará facilmente que ela fique na mansão.”
Diante da proposta ativa de Beateuriseu, Miela decidiu permanecer na mansão de Nereha, fingindo não conseguir recusar.
Depois disso, Beateuriseu rapidamente abriu o coração para Miela, que aceitava bem sua personalidade, tratando-a como uma amiga.
E para aquele dia, haviam combinado que Miela participaria do banquete com ela. Para Miela, que vivera toda a vida como plebeia, seria uma experiência extraordinária.
— Miela, como sua pele é branca, acho que um vestido dessa cor combinaria muito com você.
— Mas esse vestido tem um design tão luxuoso… acho que combinaria muito mais com a senhorita do que comigo.
Miela observou a reação satisfeita de Beateuriseu diante do elogio e abordou o assunto com cautela.
— Ah, a propósito… senhorita, o duque Delmark também comparecerá ao banquete de hoje?
Desde o dia em que chegara à mansão, ela já havia descoberto que Herdin estava hospedado no anexo. E também que ele viera até ali procurando Bleier.
Embora tivesse ouvido fragmentos de informação na mansão Delmark, para onde foi tratar os ferimentos de Herdin, sobre a possibilidade de Bleier estar ali, jamais imaginou que ela realmente estivesse naquele lugar.
Viera para Nereha até mesmo pedindo férias aos superiores, por precaução… e seu mau presságio havia se confirmado.
Enquanto seu coração batia de expectativa ao pensar em reencontrá-lo, também parecia se partir ao imaginar que Herdin viajara até ali em busca de Bleier.
“O que falta nesse homem para se interessar por uma mulher como ela…?”
Existiam inúmeras mulheres que o amavam. E entre elas certamente havia damas de famílias prestigiadas e grande beleza, ainda que não estivessem no nível de Bleier.
“Mesmo que as condições fossem um pouco inferiores, ainda seriam melhores do que a filha de um inimigo.”
Por exemplo… como Beateuriseu, que estava diante dela.
Quando Herdin foi mencionado, o rosto de Beateuriseu se iluminou.
— Sim. Parece que a duquesa não poderá vir, então apenas o duque comparecerá.
Mas sua expressão logo voltou a se obscurecer.
— Mas de que adianta? No fim, ele já é casado. Ah, se ao menos tivéssemos nos conhecido um ano antes…
— É verdade. Tenho vergonha de dizer isso, mas sinceramente acho que a senhorita combinaria muito mais com o duque do que alguém como a duquesa, que carrega tantos escândalos.
— Não é? Você também acha?
Ao ver Beateuriseu expressar seu pesar, Miela exibiu um sorriso triunfante e sussurrou:
— Então… que tal ocupar o lugar de acompanhante do duque no banquete de hoje?
Os sentimentos de Beateuriseu por Herdin logo se transformariam em ciúme e ódio por Bleier.
Miela sorriu discretamente enquanto acendia o pavio desse sentimento.
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