Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (3)
A suave luz do sol primaveril entrava pela janela.
Herdin, que havia acordado primeiro, observava em silêncio Bleier, que ainda permanecia mergulhada em um sono profundo.
Parecia que a hora de se levantar já havia passado, mas ela não dava sinais de despertar. Provavelmente porque ele a havia atormentado até mais tarde do que o habitual.
Bleier talvez não soubesse, mas ele tendia a pressioná-la com mais intensidade nos dias em que iam juntos a banquetes. Era porque os olhares furtivos que recaíam sobre ela durante todo o dia irritavam seus nervos.
O casamento e a maternidade não haviam diminuído em nada o encanto de sua esposa.
Sua mulher continuava bela, elegante e capturava a atenção de todos os homens no salão de baile.
Em uma sociedade aristocrática onde, tacitamente, quase todos mantinham amantes, sobravam homens que desejavam se tornar o amante dela.
Ele compreendia o sentimento natural de se sentir atraído pela beleza, mas, independentemente dessa compreensão, era algo que não podia tolerar.
Desde as pontas dos dedos de Bleier, sua voz suave, até o sorriso que ela oferecia aos outros.
O incomodava que qualquer outra pessoa a tivesse tocado, ainda que por um instante, e ele não se sentia satisfeito até cobrir cada um desses pontos com seus próprios lábios e suas próprias marcas.
Somente quando sentia fisicamente que ele era o único dono da aparência completamente desfeita daquela mulher, seu estado de espírito distorcido finalmente se acalmava.
Enquanto zombava de si mesmo por seu terrível senso de posse e exclusividade, lembrou-se de repente das palavras que ela havia lhe dito na noite anterior.
—Herdin, o que você acha de… termos um segundo filho?
Herdin acariciou o ventre plano de Bleier.
“Se houvesse outra criança neste ventre.”
Então, nenhum outro bastardo ousaria colocar os olhos em uma mulher que carregava seu filho.
Além disso, ao engravidar, ela se tornaria mais frágil tanto emocional quanto fisicamente, então Bleier dependeria dele mais do que o habitual.
“Também era adorável vê-la caminhar com cuidado com a barriga arredondada.”
No entanto, sua imaginação parou ali.
Mais cedo ou mais tarde, veio a consciência de que ele era um lixo por pensar em engravidar sua esposa apenas por razões como essas.
Mesmo que Bleier desejasse, não podia ser.
Ele não podia fazer sua esposa, que tinha dificuldade até para abrir os olhos naquela hora depois de ter sido atormentada por apenas uma noite, passar novamente por aquele processo tão árduo e doloroso.
Após descartar seus pensamentos sombrios, sua mão deslizou do ventre fino e da cintura dela para cima. A carne macia encaixou-se perfeitamente em sua mão.
Enquanto a abraçava por trás e brincava com ela, chamou-a com uma voz baixa e rouca.
—Não pretende se levantar?
Ele a despertou roçando os lábios em seu ombro branco, que havia ficado descoberto para fora das cobertas. Diante daquele estímulo, o corpo de Bleier estremeceu, mas ela não conseguia abrir os olhos facilmente.
—Você precisa tomar café da manhã.
—Quero dormir mais um pouco…
Bleier, reclamando de sono, virou o corpo e se aconchegou em seus braços.
Diante daquela ação, Herdin soltou uma risadinha. Era irônico que o lugar para onde ela fugia para escapar de suas provocações fosse justamente o peito do culpado que a fizera chorar e a atormentara a noite inteira.
—Então pretende pular a refeição?
Parecia que lhe era impossível afastar o sono, pois ela não respondeu por um longo tempo, e só quando ele a beijou respondeu murmurando:
—Você… me dê comida.
Ao ouvir sua resposta, Herdin lembrou-se repentinamente de como ela era no passado e deixou escapar uma risada incrédula.
Quando haviam acabado de se casar.
Quando ele tentou alimentá-la pela primeira vez enquanto ela estava exausta, ela o rejeitou dizendo que ele não era digno e que, de qualquer forma, comeria sozinha.
Agora havia se transformado em uma mulher sedutora que sabia dizer palavras bastante atrevidas.
Embora, é claro, fossem palavras que jamais teria dito se estivesse plenamente desperta e não meio adormecida.
—Não se arrependa de ter dito isso.
Hoje era um dia de descanso, sem nenhum plano especial.
Pensou que primeiro tomaria café da manhã, depois daria algo para ela comer e então a colocaria sentada em seu colo para devorá-la, enquanto se levantava.
Bleier não reagiu, pois parecia ter adormecido novamente.
Herdin vestiu o roupão, reprimindo com dificuldade o desejo que ardia apenas por um breve contato físico com ela. Depois, saiu do quarto com passos tranquilos e dirigiu-se à sala de jantar.
A menos que acontecesse algo especial, sempre passava o café da manhã e o jantar com o filho. Não queria que Asiel tomasse café sozinho. Principalmente porque sabia que Bleier não gostaria disso.
Ao entrar na sala de jantar, Asiel, que já havia chegado, o recebeu alegremente.
Seus belos olhos violetas, iguais aos da mãe, estavam cheios de entusiasmo. Ao ver aqueles olhos, Herdin pensou de repente que aquela cena era como um milagre.
Antes de se casar com Bleier, as manhãs sempre haviam sido enfrentadas sozinho.
Acordar sozinho, comer sozinho, uma vida terrivelmente solitária onde não havia nenhuma família para recebê-lo quando voltava.
Essa vida mudou. Graças a ela.
Tanto sua esposa, que se aconchegava em seus braços ao despertar, quanto o menino que o recebia ao voltar para casa, eram felicidades semelhantes a milagres que Bleier lhe havia concedido.
Ao sentir isso mais uma vez, esboçou um sorriso e se aproximou do menino.
—Dormiu bem, Asiel?
—Sim. E o papai?
A mão grande de Herdin acariciou levemente o cabelo macio do menino.
A criança, que sorria diante do toque afetuoso do pai, inclinou a cabeça ao notar a ausência da mãe.
—Parece que ela está muito cansada. Disse que quer dormir mais.
—Porque vocês foram ao banquete ontem?
Sentindo-se travesso, ele pousou a taça com a qual havia refrescado a garganta e respondeu descaradamente:
—Não. Porque brincou com o papai a noite toda.
—Brincaram de quê?
—Tsc, me deixam de fora.
Diante da reclamação do filho, Herdin respondeu com um sorriso significativo.
Pouco depois, um café da manhã simples foi servido.
Pai e filho começaram a refeição conversando sobre o que havia acontecido no banquete do dia anterior.
Embora o lugar vazio de Bleier parecesse distante, o ambiente continuou harmonioso, já que Asiel era quem costumava tagarelar sem parar.
Foi perto do fim da refeição que o menino, que não havia parado de falar, começou a ficar em silêncio.
Herdin percebeu que Asiel estava medindo sua reação. Parecia ter algo importante a dizer.
—Asiel, você tem algo para me dizer?
Quando Herdin perguntou, Asiel se sobressaltou. Ao ver isso, Herdin soltou uma risadinha.
Embora já estivesse crescendo, ainda era uma criança, e o fato de não conseguir esconder as emoções lhe parecia simplesmente adorável.
Após hesitar por um momento, o menino fez uma pergunta totalmente inesperada com uma expressão bastante séria.
—Escuta, papai. Quando o papai sente vontade de beijar a mamãe?
Enquanto fazia aquela pergunta, Asiel lembrou-se da conversa que tivera com os amigos no banquete de ontem.
“Isso é algo que Asiel precisa pensar.”
Diferente de como Senika havia gritado com confiança, ela deixou que Asiel encontrasse a solução sozinho.
Depois de terminar o banquete e voltar para casa, Asiel pensou a noite toda.
“O que devo fazer para que mamãe e papai se beijem bastante?”
Ele sabia perfeitamente que os beijos que dava em seus pais eram estritamente diferentes dos que seus pais davam um ao outro.
No entanto, Asiel, que nunca antes havia se sentido atraído por uma menina, não sabia qual era essa diferença nem em que momentos surgia a vontade de beijar.
No fim, o que Asiel escolheu foi perguntar diretamente ao interessado.
Herdin, que arregalou os olhos por um instante diante da pergunta inesperada do filho, logo respondeu com cinismo:
—Sempre que sua mãe me parece bonita.
—Mas a mamãe é sempre bonita.
—Isso significa que eu sempre tenho vontade de beijá-la.
Diante da resposta descarada do pai, Asiel estremeceu sem perceber.
Ele também amava profundamente a mãe, mas às vezes sentia que o afeto do pai por ela era excessivo. Como agora.
—Então por que normalmente não faz isso com frequência?
—Nós fazemos escondido. Sua mãe fica envergonhada quando você está por perto.
Ao ouvir isso, uma sensação de alívio se espalhou pelo rosto de Asiel.
Se seus pais se beijavam bastante quando ele não estava presente, isso significava que a possibilidade de ter um irmãozinho não era nula.
—Mas por que está me perguntando isso?
—Ah, bem… Nos livros de contos, a princesa e o príncipe se beijam. Fiquei curioso para saber por que fazem isso.
Asiel respondeu de forma evasiva à pergunta perspicaz de Herdin.
Ele já tinha o precedente de ter sido rejeitado uma vez quando disse a Herdin que queria um irmão. Não queria que descobrissem suas intenções e o vissem como uma criança mimada.
—En… então, vou estudar.
Asiel saiu rapidamente da sala de jantar para evitar que Herdin percebesse algo mais e voltasse a perguntar. Os olhos de Herdin se estreitaram enquanto observava as costas do menino, apoiando o queixo na mão.
“Não me diga que ele já tem uma namorada.”
Pensou enquanto refletia sobre o comportamento suspeito do filho.
Talvez fosse melhor começar a educação sexual o quanto antes.
Ao voltar para seu quarto, Asiel mergulhou em seus pensamentos.
“Então, a mamãe não pode beijar muito na minha frente porque fica com vergonha?”
Pensando assim, fazia sentido.
A razão pela qual ele não havia visto os dois se beijarem nem uma única vez desde que presenciara a cena na estufa alguns anos atrás.
Enquanto pensava em alguma forma de aumentar as chances de ter um irmãozinho, os olhos de Asiel brilharam como se tivesse se lembrado de algo. Em seguida, puxou a corda de chamada para pedir algo à criada.
Pouco depois, a criada voltou trazendo papel de carta, envelopes e cera de selagem.
Asiel sentou-se à mesa e começou a escrever a carta.
“Querido amigo Jemie, e querida Senika.”
Após escrever a carta com esmero, seguindo a etiqueta epistolar, colocou-a no envelope e a entregou à criada.
—Envie para a casa do conde Arbon.
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