Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 120: O Que Ele Deseja
Depois de terem se relacionado duas vezes, Bleier, que havia mergulhado em um sono profundo quase como se tivesse desmaiado, abriu os olhos quando o crepúsculo já começava a cair.
Ao se mover inconscientemente, sentindo o corpo pesado, Bleier congelou ao perceber, com um instante de atraso, a presença de uma grande mão envolvendo sua barriga.
Naquele momento, junto ao calor do peito firme que tocava suas costas, a voz grave e rouca dele chegou a seus ouvidos.
—Normalmente ele não se mexe muito?
Só pelo toque daquela mão acariciando seu ventre, ela identificou facilmente quem era o dono daquele murmuro que mais parecia um monólogo.
—Ultimamente eu sinto com frequência, mas há dias em que ele fica quieto. Como hoje. Talvez o papai…
Bleier, que o havia chamado de papai inconscientemente, fechou a boca apressadamente.
Era a primeira vez que, diante dele, o reconhecia como pai da criança.
Durante toda sua vida passada, ela o odiara pela indiferença em relação ao pequeno, razão pela qual evitava deliberadamente reconhecê-lo como progenitor.
Tentando disfarçar o deslize, Bleier acrescentou:
—… Talvez tenha se escondido porque se sente estranho.
—Então terei que acostumá-lo a mim de agora em diante.
Bleier não respondeu.
Detestava ver a si mesma desejando naturalmente um futuro ao lado dele apenas por causa de uma frase em que ele mencionava se aproximar da criança.
“Depois de ter sido ferida tantas vezes por você… o que ainda estou esperando?”
Herdin, incapaz de compreender os sentimentos dela, beijou sua orelha e perguntou:
—Quer ir amanhã ver a praça?
—É o festival da colheita.
—… Se você quiser, vamos.
Assim que Bleier respondeu, a mão que acariciava sua barriga subiu e apertou seu corpo voluptuoso. Em seguida, a perna firme dele se entrelaçou às suas.
Assustada pelo calor que ele provocou num instante, Bleier se virou abruptamente para encará-lo.
Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, os lábios dele tomaram os seus.
Depois de sugar alternadamente seu lábio inferior e superior, ele a soltou e, estreitando ainda mais seus corpos, sussurrou:
—Desta vez não vou entrar. Vamos fazer mais uma vez.
Bleier, que tentava rejeitá-lo, ficou paralisada ao encontrar o rosto dele observando-a de cima.
Suas pupilas azuis, refletindo sua imagem, eram tão fascinantes quanto as de um demônio.
Enquanto encarava aqueles olhos como se estivesse hipnotizada, Bleier lembrou com atraso que naquela noite deveria haver um banquete na mansão…
Mas essa dúvida foi mais uma vez engolida pelos lábios dele.
No dia seguinte, já à tarde, depois do almoço.
Uma carruagem com o brasão da família do Duque Delmarque parou diante de um edifício.
Era a maior boutique de Nereha e, ao mesmo tempo, a loja principal da grife mais famosa do Reino de Kulania.
Como Bleier vivera como plebeia desde sua chegada a Nereha, não possuía um único vestido adequado à sua posição nobre.
Se estivessem no Império, teriam encomendado roupas sob medida, mas como permaneceriam pouco tempo em Nereha, foram comprar peças prontas.
Quando Herdin e Bleier desceram da carruagem, os funcionários da boutique, já avisados de sua chegada, inclinaram a cabeça em uníssono.
No centro estava o próprio dono.
—Seja bem-vindo, Duque! Eu estava ansioso para conhecê-lo pessoalmente. É uma honra recebê-lo.
Movido pela esperança de agradar Herdin e abrir uma filial em Ribren, território vizinho, o dono fizera questão de recebê-lo pessoalmente.
Diante de tamanha hospitalidade, ambos entraram e foram guiados para uma sala VIP.
Assim que Bleier entrou para experimentar vestidos, o dono trouxe um catálogo para Herdin.
—Também trabalhamos com joias, então o senhor pode escolher acessórios que combinem com as roupas ao mesmo tempo.
—Como a senhora pode se cansar com facilidade, se o senhor selecionar primeiro o que considera apropriado, prepararemos tudo imediatamente.
Sentado profundamente no sofá, com as longas pernas cruzadas, Herdin abriu o catálogo.
Depois de selecionar algumas joias que acreditava combinar com Bleier e informar suas escolhas ao dono, ela saiu do provador.
—Parece que o ditado “a roupa faz a pessoa” foi criado para a senhora.
—É a primeira vez que vejo alguém ficar tão bem com roupas de maternidade. Parece uma imagem sagrada.
As funcionárias faziam um alvoroço.
Se tivessem dito aquilo a qualquer outra pessoa, soaria apenas como bajulação comercial.
Mas Herdin compartilhava silenciosamente da mesma opinião.
—Ficou bem.
Diante do breve aceno dele, Bleier foi conduzida de volta ao provador.
Enquanto o processo de experimentar e exibir vários vestidos continuava, Herdin falou:
—Acho que isso será cansativo demais para minha esposa. Vamos parar as provas aqui e decidir a compra.
Aliviado por perceber que o humor de Herdin não estava ruim, o dono assentiu rapidamente.
—Com certeza. Provar roupas realmente consome energia. Quais vestidos agradaram ao senhor?
—Quantos vestidos de maternidade desta loja existem no tamanho dela?
O dono olhou para a gerente, que respondeu:
—Não é um número exato, mas acredito que cerca de trinta.
—Comprarei os trinta.
Todos na boutique ficaram chocados com a ousadia da compra.
E a pessoa mais surpresa de todas foi Bleier.
—Herdin, não precisamos de tantos. Alguns poucos bastam.
—Levaremos bastante tempo para retornar ao Império. Não acha que ao menos trinta vestidos são necessários?
—Mandem todos para a residência do Lorde Nereha.
Ignorando a tentativa dela de impedi-lo, Herdin simplesmente deu a ordem.
O dono da boutique sentiu admiração por sua riqueza, mas também um certo pesar interno.
“Se eu soubesse disso, teria produzido muito mais vestidos de maternidade.”
Como roupas de maternidade eram temporárias, tecidos extremamente raros eram reservados para vestidos comuns.
Ainda assim, vender trinta peças já era uma sorte.
Enquanto o dono sorria amplamente, Bleier apenas soltou um suspiro.
Nesse momento, os funcionários retornaram com as joias.
Colocaram-nas diante de Herdin e Bleier, explicando cada peça e ajudando na prova.
—Como sua pele é muito clara, qualquer pedra combina com a senhora. Qual prefere?
—Eu gosto mais desta.
Depois de experimentar tudo, Bleier escolheu o colar e os brincos mais simples, com apenas uma pequena gema.
Herdin observou fixamente Bleier, que falava educadamente com os funcionários.
Parecia que a princesa nobre, que antes escolhia apenas as coisas mais preciosas do mundo, havia se adaptado rápido demais à vida de plebeia.
Mas Herdin não pretendia permitir que isso continuasse.
Já era hora de ela deixar de ser Arwen Hales, a plebeia…
E voltar a ser Bleier Delmark, esposa do Duque Delmarque.
—Comprarei tudo o que vimos até agora.
—Como ouvi dizer, sua generosidade é extraordinária!
Mais uma vez, as reações se dividiram.
O dono da boutique sorria radiante.
Já a expressão de Bleier se tornou ainda mais sombria.
—Isso já basta para mim. Não haverá eventos importantes até retornarmos ao Império, então não preciso de tanto.
—Você é minha esposa e a senhora da Casa Delmarque.
Herdin apresentou a justificativa mais irrefutável possível.
—Isso é necessário para manter a dignidade de uma duquesa. Apenas aceite. Se ainda se incomoda, pense nisso como um fundo de emergência caso falte dinheiro na viagem de volta.
Bleier não respondeu mais.
Enquanto isso, o dono, focado apenas em agradar Herdin, riu exageradamente da ideia de usar joias como dinheiro de viagem.
Depois de concluírem as compras, ambos saíram sob os cumprimentos de toda a equipe.
Pouco depois, a carruagem partiu para o próximo destino.
Herdin observou Bleier em silêncio.
Ela olhava pela janela, como sempre.
Mas sua expressão estava ainda mais sombria do que quando chegaram à boutique.
Ao vê-la assim, Herdin perguntou:
—Como está se sentindo fisicamente?
Só então Bleier se virou para ele.
Percebendo, com um instante de atraso, que ele havia perguntado por causa de sua expressão, respondeu em voz baixa:
—Obrigada, Herdin.
Depois de agradecer com um rosto que não parecia nem um pouco grato, voltou a olhar para fora.
Herdin a observou em silêncio.
A mulher que sorria até por um simples pedaço de marshmallow assado…
Agora não sorria nem mesmo diante de presentes valiosos o suficiente para não poderem ser medidos em marshmallows.
O preço daquele sorriso era um padrão impossível de compreender.
Ainda assim…
Ele tinha certeza de que, no próximo lugar para onde fossem, conseguiria comprar aquele sorriso caro.
Bleier, que cochilara por um instante, despertou ao ouvir a voz do marido chamando-a.
Ao descer da carruagem sob a escolta dele, ainda meio sonolenta…
Bleier congelou ao ver a paisagem diante de seus olhos.
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