Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 117: A Fera Faminta
Diante da aparição repentina de Herdin, Beateuriseu tentou abaixar a mão às pressas…
Mas Herdin segurou firmemente seu pulso.
A força foi tanta que o rosto de Beateuriseu se contorceu de dor.
— Estou perguntando… o que pretendia fazer com a minha esposa?
— Oh… acho que houve um mal-entendido. Pensei que fosse uma mulher de bordel…
— Então, aos olhos da senhorita, eu sou o tipo de homem obcecado por desejo, que traz mulheres vulgares para a casa de seu anfitrião enquanto é apenas um convidado?
— N-Não foi isso que eu quis dizer…!
Diante das palavras diretas e frias de Herdin, Beateuriseu pareceu prestes a chorar.
Sentia-se injustiçada.
Jamais imaginaria que a duquesa — aquela de quem diziam ter fugido por amor a outro homem — estava justamente ali, em Nereha…
E pior…
Na ala separada de sua própria casa.
Enquanto buscava desesperadamente uma desculpa, percebeu que não havia como amenizar seu erro.
Então, soluçando, abaixou a cabeça.
— …Desculpe. Eu disse algo absurdo.
Mas Herdin não pareceu minimamente satisfeito.
Seu rosto permaneceu gelado.
Quando Beateuriseu o encarou ansiosa, ele apenas inclinou levemente a cabeça na direção de Bleier.
— Acho que a ordem do seu pedido de desculpas está errada.
— Primeiro, peça desculpas à minha esposa. Você ousou insultar a duquesa chamando-a de mulher de bordel… e, como se não bastasse, ainda tentou levantar a mão contra ela.
Beateuriseu se virou para Bleier com uma expressão claramente relutante.
Tudo isso era culpa daquela mulher.
Se ao menos tivesse revelado sua identidade corretamente desde o início…
Nada disso teria acontecido.
Ao perceber a evidente má vontade de Beateuriseu, Bleier tentou intervir.
— Herdin, já basta. O mal-entendido já foi esclarecido.
Não que Bleier gostasse de Beateuriseu.
Mas a posição de Herdin ali era delicada.
Ele era o convidado.
E, tecnicamente…
Ela era a dona da casa.
Bleier não queria que a situação escalasse ainda mais.
Mas Herdin claramente não compartilhava da mesma opinião.
— Peça desculpas. Minha esposa parece bastante surpresa com sua falta de respeito.
No fim…
Sem conseguir suportar a pressão, Beateuriseu abaixou a cabeça diante de Bleier.
— …Fui desrespeitosa, senhora.
A expressão de Herdin continuava rígida, mas ele decidiu encerrar o assunto.
Então retirou o olhar dela e declarou friamente:
— Não sei com que propósito veio, mas hoje parece que minha esposa e eu precisamos passar um tempo sozinhos. Volte em outra ocasião.
E, sem dar espaço para resposta…
Herdin simplesmente pegou Bleier nos braços.
Então passou por Beateuriseu, deixando apenas uma ordem seca para que se retirasse.
Assim que chegaram ao corredor, Bleier agarrou seu ombro.
— Me coloque no chão. Eu posso andar sozinha.
— Por que não disse que era a duquesa?
Seu olhar era frio.
Investigativo.
Como se acreditasse que ela havia escondido aquilo de propósito.
Não era verdade.
Mas Bleier não tinha a menor vontade de explicar.
Porque admitir que já havia revelado sua identidade…
Seria como reconhecer, com a própria boca…
Que ainda era esposa dele.
Ela odiava aquela realidade.
Odiava o fato de que sua segurança só existia enquanto permanecesse como esposa daquele homem.
Não queria depender dele nem por um instante.
— …Eu não queria dizer.
— Mesmo que isso significasse ser confundida com uma mulher de bordel?
Bleier não respondeu.
Herdin interpretou o silêncio como confirmação.
O canto de seus lábios se torceu.
Era óbvio.
Ela preferia ser vista como uma prostituta…
Do que como sua esposa.
Ignorando completamente o pedido para soltá-la, Herdin voltou ao quarto e a colocou sobre a cama.
Bleier imaginou que ele sairia imediatamente.
Mas, para sua surpresa…
Ele subiu na cama.
Antes que pudesse recuar diante do pressentimento ruim…
Herdin se inclinou sobre ela.
Seu hálito quente roçou sua pele a uma distância perigosamente curta.
Mas aqueles olhos azuis…
Permaneciam gelados.
— O que… está fazendo agora…?
— Então… não haveria problema se eu simplesmente tomasse você.
Herdin envolveu a cintura de Bleier com os braços.
Bloqueando completamente qualquer rota de fuga.
Na verdade…
Seu corpo já a desejava desde a noite anterior.
Não…
Mesmo quando ela não estava ao seu lado…
Ele a desejou.
Possuiu.
Imaginou.
Agora que ela estava realmente ali…
Diante dele…
O calor em seu corpo cresceu de forma descontrolada.
Ele a queria como uma fera faminta.
“Se prefere ser tratada assim a ser minha esposa… então posso tratá-la exatamente como quiser.”
Dominado pelo desejo…
Herdin capturou os lábios pequenos de Bleier.
Os mesmos lábios que, durante sua ausência, ele só havia explorado em fantasia…
Eram ainda mais macios.
Mais doces.
Do que imaginara.
Ele a beijou.
Mordeu.
Como uma besta esfomeada.
Bleier lutou contra aqueles beijos bruscos, impiedosos…
Mas, em pouco tempo…
Parou de resistir.
Como se tivesse desistido.
Interpretando aquilo como permissão…
Herdin ergueu a camisola dela e começou a acariciar sua barriga arredondada.
Era a primeira vez que a tocava diretamente sobre a pele.
Não através de tecido.
Sua mão deslizou lentamente…
Descendo…
Até tocar o tecido fino mais abaixo.
Então Herdin afastou os lábios, querendo observar sua reação.
E foi nesse momento que viu—
Os olhos indiferentes de Bleier.
Neles…
Não havia vergonha.
Nem confusão.
Nem o tremor habitual que costumava surgir em momentos íntimos.
Apenas apatia.
De seus lábios úmidos pela saliva dele…
Saiu uma voz seca.
Fria.
Totalmente incompatível com a cena.
— Se fizermos isso… você vai me deixar ir?
Naquele instante…
Foi como se todo o sangue do corpo de Herdin congelasse.
Um convidado não pode manter uma prostituta na casa do anfitrião.
E, é claro…
Uma mulher assim também não poderia continuar sendo duquesa.
Ela estava disposta a ir até esse extremo…
Só para se afastar dele.
Aquelas palavras fracas…
Mas brutalmente sinceras…
Dilaceraram suas emoções.
Depois de encará-la por alguns segundos…
Herdin finalmente se afastou.
— …Vá se lavar. Vamos jantar juntos.
E saiu imediatamente do quarto.
Assim que deixou o aposento…
Foi direto para o banheiro.
Só então percebeu o estado do próprio corpo.
Ainda a desejava.
Herdin zombou de si mesmo.
Então tirou o robe e entrou na banheira.
Talvez fosse a umidade.
Talvez fosse loucura.
Talvez fosse simplesmente o desejo absurdo que sentia por ela.
Mas o calor em seu corpo não diminuía.
Engolindo um gemido rouco…
Ele finalmente começou a aliviar aquele desejo fervente sozinho.
O som úmido ecoou pelo banheiro.
Sua respiração ficou cada vez mais pesada.
Uma voz rouca escapou por entre dentes cerrados.
Até naquele momento…
O rosto que surgia em sua mente…
Ainda era o dela.
Lindo.
De forma miserável.
Quando Bleier despertou de seu cochilo…
Já era o fim da tarde.
Percebendo que a atmosfera estava mais calma do que pela manhã, decidiu caminhar pela ala para clarear a mente.
Não levou muito tempo para explorar o local.
Era luxuoso…
Mas não particularmente grande.
Enquanto caminhava devagar, percebeu:
Herdin não estava ali.
Então perguntou a uma criada próxima:
— Ele… quer dizer, para onde foi o duque?
— Foi inspecionar o porto com Lorde Nereha. Haverá um banquete na mansão esta noite, então ele retornará antes disso.
— Então tenho tempo livre até o jantar.
Depois de pensar um pouco, Bleier comentou casualmente:
— Posso ir por um momento até a casa onde eu estava hospedada? Há uma marta que criei lá, e gostaria de buscá-la pessoalmente.
A criada hesitou.
Mas não recusou.
— Por favor, aguarde um instante.
Ela consultou os cavaleiros e logo voltou.
— Assim que estiver pronta, nós a acompanharemos imediatamente.
Bleier se surpreendeu internamente.
Foi fácil demais.
Considerando que Herdin já a havia mantido confinada antes…
Ela esperava uma proibição imediata.
Por isso nem tinha grandes esperanças.
Mas, inesperadamente…
Recebeu permissão.
Depois de se arrumar de forma simples, saiu.
A carruagem já a aguardava.
Durante o trajeto, Bleier observou distraidamente a paisagem de Nereha pela janela.
A porta podia ser aberta.
Mas…
Ela não podia fugir.
“Com esse corpo… me alcançariam imediatamente.”
Então…
Talvez pudesse fugir depois que o bebê nascesse?
Não…
Antes disso…
Será que Herdin não acabaria amando Miela?
E se isso acontecesse…
Será que conseguiria assistir, nesta vida também, enquanto ele amava outra pessoa ao seu lado?
Sem conseguir fugir.
Sem conseguir aceitar.
Sufocada por aquela realidade cruel…
A carruagem finalmente chegou.
Ao descer…
Bleier encarou fixamente a casa.
Ela vivera ali até ontem.
Mas, em apenas uma noite…
Os dois meses passados naquele lugar pareciam incrivelmente distantes.
Quando os cavaleiros tentaram bater na porta imediatamente, Bleier os impediu.
— Aquele animal é feroz. Vai atacar se vir estranhos. Eu mesma vou buscá-la, então esperem um momento.
— Enquanto isso, nós cuidaremos da bagagem.
Bleier bateu.
A porta se abriu.
E Anna apareceu.
O olhar que lançou a Bleier estava repleto de preocupação.
— Anna… me desculpe. Posso entrar por um instante?
Depois de observar as criadas e os cavaleiros atrás dela…
Anna abriu caminho em silêncio.
As criadas que entraram junto com Bleier subiram imediatamente para o segundo andar para arrumar suas coisas.
Enquanto observava aquilo, Bleier subiu as escadas e falou em voz baixa para Anna:
— Vou sair logo… só com Bbi Bbi.
Anna a encarou preocupada.
Mas assentiu.
Ao chegar ao segundo andar…
Bleier passou por seu antigo quarto, onde as criadas empacotavam tudo às pressas…
E entrou no quarto de Bbi Bbi.
Naquele instante—
Bbi Bbi, que brincava com um brinquedo de madeira, reconheceu Bleier e correu imediatamente até ela.
E ao lado de Bbi Bbi…
Mikhail estava esperando.
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