Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (5)
Antes que Bleier pudesse articular qualquer palavra, os lábios dele avançaram sobre os seus, devorando-os.
Herdin invadiu com brusquidão por entre seus dentes, entrelaçando suas respirações. O desejo que havia mantido reprimido enquanto observava Bleier dormindo explodiu como uma represa rompida e a envolveu por completo.
Desencadeou-se um beijo voraz, no qual o hálito quente e a saliva se fundiam como se ele pretendesse engoli-la inteira.
Bleier era incapaz de recuperar a compostura devido à intensidade do beijo, mais brusco que o habitual, e ao efeito nebuloso do álcool. Só podia aceitar o ar que ele lhe proporcionava, como um passarinho.
Tendo esquecido seu propósito inicial e se deixando levar por ele, Bleier mal recobrou os sentidos no instante em que a mão dele acariciou sua coxa e deslizou para baixo da camisola.
Sobressaltada, Bleier encolheu o corpo e separou os lábios. Ele contemplou em silêncio seus lábios úmidos e, quando tentou beijá-la novamente, ela virou o rosto para evitá-lo.
Bleier falou apressadamente para impedir que ele voltasse a unir suas bocas.
— Herdin, vamos conversar um momento.
Ao ver isso, uma das sobrancelhas de Herdin se ergueu. O homem que a observava já possuía os olhos de uma fera faminta.
— Fale. Estou ouvindo.
No entanto, ao contrário de suas palavras, sua mão avançou sem hesitar. Pouco antes de alcançar o fundo, Bleier a segurou às pressas e exclamou:
— Hoje… eu não tomei o remédio.
Só então a mão de Herdin parou. Para detê-lo, Bleier lançou uma declaração ainda mais impactante.
— Está tudo bem se eu engravidar?
A pressão na mão dele, que mantinha suas coxas abertas, aumentou por um instante e depois relaxou. Seu pomo de Adão se moveu com intensidade enquanto ele soltava um suspiro lânguido.
Ter sua esposa diante dele, pronta para ser devorada e a uma distância onde podia sentir sua respiração, mas não poder tocá-la.
O desejo que não se saciava nem mesmo depois de possuí-la todas as noites inflou rapidamente até o ponto de explodir, atormentando-o. Ainda assim, não havia forma de vencer a ameaça impertinente de sua esposa.
Ela não o queria. Pelo menos, não por enquanto.
Por fim, após abaixar a camisola de Bleier, ele chegou a um compromisso com seu desejo ao sentá-la sobre suas pernas.
— Diga, princesa.
Bleier se perguntou como deveria abordar o tema que havia sido rejeitado repetidamente para que ele aceitasse, mas infelizmente carecia de talento para negociações. E muito menos para ameaças.
No final, o que escolheu foi enfrentá-lo mais uma vez, com honestidade e sinceridade.
— …Quero ter um segundo filho.
Herdin, que já previa o que ela diria, estava prestes a negar quando Bleier acrescentou rapidamente:
— Asiel também quer.
Diante disso, o cenho de Herdin se franziu levemente.
Ele já sabia que Asiel desejava um irmão. Mas pensou que, tendo explicado isso ao menino de forma suficientemente clara, ele teria compreendido.
— Aquele pestinha foi implorar para você também?
Bleier negou com a cabeça.
— Não. Ele não demonstrou o menor sinal disso na minha frente. Só que elaborou um plano muito fofo por conta própria.
— Ele está cheio de esperança, pensando que, se ele não estiver presente, mamãe e papai podem fazer um irmãozinho.
Herdin soltou uma risada incrédula.
Só agora compreendia o verdadeiro propósito de Asiel ao dizer que iria para a casa do conde Arbon. E também o motivo pelo qual, dias atrás, havia lhe perguntado quando sentia vontade de beijar a mãe.
Era um plano adorável, algo que só uma criança poderia imaginar.
Ao notar que a atmosfera severa dele havia se suavizado, Bleier não deixou passar a oportunidade e continuou.
— Herdin, eu sei muito bem que você evita uma gravidez porque se preocupa comigo. Eu também não poderia mentir e dizer que aquele período não foi difícil.
— Mas durante aquele tempo eu fui muito feliz. Embora o tempo que pude dedicar a um cuidado pré-natal adequado tenha sido curto… eu gostava que você se preocupasse comigo, que me desse atenção e me protegesse o tempo todo.
Ela ainda se lembrava disso às vezes.
Daquela época em que carregava Asiel em seu ventre. Da felicidade daqueles momentos em que, abraçada a ele todos os dias, conversava com o bebê e sentia junto seus movimentos.
Tudo o que compunha aqueles instantes era amor.
Tornar-se uma família, criar uma família, era uma bênção semelhante a um milagre.
— E eu me senti orgulhosa por poder criar uma família para você. Porque isso é algo que só eu, a pessoa que você ama, posso fazer.
Agora ela podia ter certeza.
De que aquele homem a amava. E de que ela era a única pessoa neste mundo destinada a receber esse amor.
Aquele homem não podia amar mais ninguém.
Os olhares, os gestos e o calor que ele lhe mostrara a cada instante nesta vida… tudo isso lhe dizia.
Que ele a amava.
E a esse homem, Bleier queria fazê-lo ainda mais feliz do que já era. Queria amá-lo mais e fazer com que fosse ainda mais amado.
— Se pudermos ser mais felizes, eu ficaria feliz se esse milagre nos visitasse mais uma vez.
Mesmo com todo o processo difícil.
— Então… você me permitiria esse milagre mais uma vez…?
Herdin contemplou por um momento os olhos dela, carregados de desejo, como se estivesse enfeitiçado.
Ela já o havia feito feliz o suficiente. Havia lhe ensinado o amor e lhe dado uma família.
E agora dizia que o faria ainda mais feliz.
Como podia ser tão adorável?
Diante do pedido tão fervoroso dela, ele quis ceder fingindo não conseguir resistir, mas ainda restava uma segunda razão que ela desconhecia.
Herdin apoiou suavemente a testa na dela e falou.
— Não é só por essa razão, Bleier.
— Eu sei o quanto você ama Asiel. Sei o quanto sofreu para criá-lo. Sempre sinto gratidão e culpa por você ter carregado e dado à luz aquele menino.
Bleier o observou em silêncio enquanto ele continuava em um tom bastante sério. Herdin manteve o olhar fixo nela e prosseguiu.
— Mas, Bleier. As crianças crescem muito rápido. Haverá muitas ocasiões em que você vai chorar, como hoje.
Ele sabia que a existência de Asiel era especialmente preciosa para Bleier, mas aquele menino não podia ser tudo em sua vida.
Ela, mais do que ninguém, precisava saber disso. E foi justamente por buscar essa próxima razão que ela passou a desejar um segundo filho.
— Nesse momento, as crianças ainda vão nos amar, e nós ainda vamos amá-las, mas elas já não poderão ser sua vida inteira.
— Quando esse dia chegar, eu poderei ter você só para mim, então para mim seria ótimo… mas você ficaria bem com isso? Viver a vida inteira apenas como esposa de alguém e mãe de filhos?
Diante dessa pergunta, Bleier o encarou atônita.
Uma vida que não fosse a de mãe.
Era uma vida na qual ela nunca havia pensado desde o nascimento de Asiel.
Herdin acrescentou enquanto afastava delicadamente uma mecha de cabelo atrás da orelha da esposa.
— Eu desejo que você seja feliz por ser você mesma, e não apenas como mãe ou esposa.
Enquanto o observava, piscando com os olhos muito abertos, uma lembrança surgiu na mente de Bleier.
“Me dê mais uma chance, Bleier.”
A imagem dele retornando em uma noite de neve, naquele inverno em que ela partiu porque não tinha coragem de ser ferida por ele mais uma vez.
Ele não desperdiçou aquela oportunidade. E ela, até hoje, jamais se arrependera de tê-la concedido.
Ele a fizera sentir, a cada instante, que era amada.
Sentindo um arrepio que começava na ponta dos dedos, Bleier apoiou a cabeça no ombro firme do marido.
— Você amadureceu.
— Já estava na hora. Faz anos desde quando eu só fazia você sofrer.
Bleier riu, divertida, diante da resposta descarada dele.
— Então pense mais uma vez. Se isso realmente a faria feliz.
Dizendo isso, Herdin deitou Bleier na cama. Sobre ela, surpreendida pela mudança repentina de perspectiva, projetou-se a grande sombra dele.
— Então, agora me daria sua permissão, esposa?
Bleier encarou fixamente o marido, que aguardava seu consentimento. As noites com ele ainda eram um pouco assustadoras, mas a emoção era muito maior. Bleier gostava daquela mistura de excitação e temor.
Felizmente, ela assentiu antes que a razão dele se rompesse. Assim que recebeu a permissão, a fera com rosto de marido avançou sobre ela.
Bleier abraçou o pescoço de sua amada fera.
Na manhã seguinte, assim que abriu os olhos, Bleier teve de suportar o marido, que já estava pronto para sair e a esperava.
De verdade, mais do que fera, a palavra monstro combinava melhor para descrever sua resistência física.
Assim, em um estado semiadormecido, ela o recebeu mais uma vez e, depois de cair em um sono profundo, despertou quando Herdin já havia saído para compromissos externos.
Agora que pensava nisso, acreditou ter ouvido, entre sonhos, seus murmúrios dizendo que queria adiar a agenda.
Bleier, que mal conseguiu despertar quando o sol já estava alto, foi ao banho para finalmente começar seu dia tardio.
— Chame-me se precisar de algo, senhora.
Após dispensar as criadas, Bleier entrou na banheira.
Ao mergulhar o corpo na água quente, a tensão acumulada pelo excesso da noite anterior se dissolveu languidamente. Além disso, o som rítmico das gotas d’água clareou sua mente. Então, lembrou-se repentinamente da conversa da noite anterior.
“Eu desejo que você seja feliz por ser você mesma, e não apenas como mãe ou esposa.”
“Então pense mais uma vez. Se isso realmente a faria feliz.”
A forma de ser feliz.
A razão da minha vida.
“Eu não sabia que Herdin pensava tão profundamente sobre isso.”
Depois de refletir por muito tempo sobre a vida de “Bleier”, para além de ser mãe, ela organizou seus pensamentos e saiu do banho sentindo-se renovada ao terminar seu banho.
Parecia que, a partir de hoje, ela estaria um pouco mais ocupada.
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