Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 132. Sentimentos Que Não Consegui Expressar
— Eu fiz algo errado? Se cometi algum erro, vou corrigir.
Diante da pergunta de Bleier, que desconhecia toda a situação, Herdin soltou uma risada amarga, incapaz de responder.
O erro não era dela.
O pecado era dele.
O pecado de tê-la amado e o pecado de arrastá-la para o abismo da magia negra.
— Se há algum problema, por favor, me diga sinceramente. Eu sou sua esposa.
Bleier perguntou desesperadamente, com os olhos à beira das lágrimas.
No entanto, até aquela aparência era tão adorável que, paradoxalmente, ele não conseguia revelar a verdade.
Não podia permitir que ela tremesse de ansiedade ao descobrir que poderia acabar envolvida em sua perda de controle.
— Não há nada acontecendo.
Herdin respondeu enquanto segurava o rosto dela entre as mãos.
Então, inclinou-se como se fosse beijá-la, mantendo contato visual.
Naqueles adoráveis olhos violetas, como sempre, sua própria imagem estava refletida.
“Eu definitivamente vou salvar você. Vou resolver tudo e voltar para o seu lado.”
— Tudo vai ficar bem.
Eram palavras dirigidas a ela, mas ao mesmo tempo, também eram uma promessa que fazia a si mesmo.
Herdin beijou seus lábios, evitando o olhar dela, que ansiava por respostas.
Naquele instante, o doce aroma corporal da mulher o envolveu, misturando-se aos efeitos do álcool.
Seu desejo, que há tanto tempo ansiava por aquele calor e fragrância, incendiou-se inevitavelmente com um único beijo.
Arrastado pelas emoções, Herdin abraçou Bleier às pressas, sem sequer tirar a própria roupa.
Bleier, obrigada a aceitá-lo antes mesmo que seu corpo estivesse preparado, agarrou-se a Herdin apesar de se sentir sobrecarregada.
Aquele pequeno calor.
Aquele gesto de desejá-lo tão intensamente quanto ele a desejava.
Aquilo o estava enlouquecendo.
Depois de atingir o clímax, Herdin recuperou a razão tarde demais e tentou se afastar, mas Bleier o impediu.
Ela o envolveu pelas costas com seus braços finos e o beijou.
Diante daquela tentativa desesperada de mantê-lo ao seu lado a qualquer custo, o pouco de lucidez que ele havia recuperado se despedaçou completamente.
Herdin possuiu Bleier durante a noite inteira.
Deixou suas marcas em cada canto daquela pele branca.
Preencheu seu interior com seu calor incessantemente.
De novo.
E de novo.
Com obsessão.
Como se estivesse gravando a existência dela em sua memória.
Mesmo sabendo que ela correria perigo se ele permanecesse ao seu lado.
Mesmo sabendo que, ao amanhecer, precisaria se afastar novamente.
Naquele momento, ele foi incapaz de parar.
Recobrou a consciência apenas na madrugada do dia seguinte, ao despertar.
Ao ver Bleier dormindo em seus braços, Herdin se arrependeu do impulso da noite anterior.
Até que aquele problema fosse resolvido, precisava manter distância dela.
E como não podia explicar o motivo, não deveria ter se deixado levar daquela forma.
Mas, ao pensar nisso, pareceu ridículo perceber que ele simplesmente não queria se separar dela.
Recompondo-se com dificuldade, Herdin se levantou antes que Bleier despertasse.
Sentia que, se ela abrisse os olhos e o encarasse, ele enlouqueceria e escolheria ficar.
Mas, no instante em que se ergueu, Bleier abriu os olhos.
Enquanto Herdin congelava ao cruzar o olhar com ela, Bleier piscou para afastar o sono, segurou sua mão e perguntou:
— …Hoje também estará muito ocupado?
Como Herdin não respondeu, Bleier apoiou o rosto na mão dele e perguntou de forma ainda mais direta:
— Se não estiver ocupado… não poderia ficar comigo só mais um pouco?
Aqueles olhos que imploravam por seu amor.
O calor daquela mão que o segurava desesperadamente, temendo que ele partisse.
Tudo aquilo o entristeceu profundamente.
Herdin engoliu à força suas emoções, retirou a mão que ela segurava e cobriu com o cobertor os ombros frágeis que haviam ficado expostos.
Então disse, com uma voz falsamente indiferente:
— Continue dormindo mais um pouco.
No instante em que virou as costas, aqueles olhos trêmulos e dolorosamente frágeis ficaram gravados em seu peito por muito tempo.
Depois disso, Herdin voltou a se distanciar de Bleier.
Movido apenas pela determinação de recuperar a vida cotidiana ao lado dela, passou a buscar informações mais precisas sobre magia negra.
No entanto, tudo o que conseguiu descobrir foi a informação básica de que, para anulá-la, era preciso matar quem lançou o feitiço.
Não encontrou outro método.
Nem conseguiu localizar o responsável.
Além disso, passou a ter pesadelos mesmo quando Bleier não estava por perto.
Assim, o tempo passou.
E, sem progresso algum, a promessa de resolver tudo e voltar para ela começou a vacilar.
Foi então que, pela primeira vez, Herdin duvidou de sua própria escolha.
“Não teria sido melhor contar a verdade e deixá-la ir?”
Então, certo dia, Mason o procurou às pressas com uma notícia inesperada.
— Excelência, a senhora… desmaiou.
Disseram que Bleier havia perdido a consciência ao tentar se submeter a uma sessão de hipnose, depois de chamar um hipnotizador.
Quando Herdin correu imediatamente para vê-la, felizmente ela já havia recuperado a consciência.
No entanto, o rosto dela demonstrava uma clara expressão de confusão após ouvir o médico-chefe.
“Será alguma doença grave?”
No instante em que seu coração afundou em um mau presságio, o médico anunciou, emocionado:
— Parabéns, Excelência. Sua esposa está grávida.
O médico retirou-se discretamente para lhes dar privacidade, deixando os dois sozinhos.
Após receber aquela notícia inesperada, Herdin olhou atônito para Bleier… e para o ventre dela, onde ainda não havia sinal algum.
Dentro dela crescia uma criança que se pareceria com ambos.
Depois de tantas noites juntos, ele havia pensado vagamente que um dia se tornariam pais.
E nunca duvidou de que aquela criança, parecida com os dois, os faria ainda mais felizes.
Mas, apesar de finalmente receber a notícia que um dia esperou, ele não conseguiu se alegrar por completo.
Por que justamente agora?
Por que agora, quando eu nem sequer posso ficar ao seu lado?
Mesmo sendo algo para celebrar, a preocupação veio primeiro.
Predominou o medo de que aquela criança também pudesse herdar um destino tão terrível quanto o seu.
Ao mesmo tempo, uma raiva crescente surgiu diante da impotência da própria situação… e do fato de que ela, carregando mais uma vida dentro de si, havia tentado hipnose.
Essa fúria, que ele não conseguiu conter, acabou explodindo na direção errada.
— Por que diabos tentou hipnose?
Bleier, que pretendia falar primeiro sobre o bebê, ficou desconcertada com o tom cortante dele e respondeu, como se estivesse se justificando:
— Eu sei que está investigando a verdade sobre o incêndio no palácio da imperatriz, há dez anos. Eu queria ajudá-lo…
Ao ouvir aquilo, Herdin sorriu amargamente.
Parecia que alguém havia contado a ela que ele investigava o incêndio.
Provavelmente, ao ouvir isso, Bleier tentou forçar lembranças que lhe causavam terror.
Pensando que, dessa forma, poderia aliviar o coração dele.
Porque queria desesperadamente segurar o afeto dele, que estava se afastando.
Ao imaginar com que sentimento ela havia tentado aquilo, sua garganta se apertou.
Mais do que o fato de ela saber da investigação, predominou nele a necessidade desesperada de impedir que ela tentasse algo tão perigoso novamente.
— Depois de ignorar isso por dez anos, agora sente remorso?
— Não faça mais nada. Apenas fique quieta. Como sempre fez até agora.
Naquele dia, Bleier chorou desesperadamente pela primeira vez.
Embora muitas vezes parecesse prestes a chorar, nunca havia derramado lágrimas diante dele.
Mas naquele dia, não conseguiu esconder.
Aquela imagem era dolorosamente devastadora.
Ele queria abraçá-la.
Queria consolá-la, dizer que aquilo já não importava.
Que não havia nada mais precioso para ele do que ela.
Mas não podia permitir que uma emoção momentânea a colocasse em perigo.
Porque precisava considerar até mesmo a possibilidade de que, se tudo desse errado… ela cortasse seus sentimentos por ele.
Depois de sair do quarto, deixando para trás Bleier em lágrimas, Herdin desabou no mesmo lugar assim que fechou a porta.
Foi então que percebeu:
Ele nunca havia dito que a amava.
Os sentimentos que não conseguiu expressar retornaram como uma adaga cravada em seu peito.
Diante daquela realidade cruel, uma risada semelhante a um soluço escapou por entre seus dentes.
Pouco tempo depois, Herdin partiu para a fortaleza principal de Delmark, onde estavam preservados mais registros de seus ancestrais.
Deixando Bleier sozinha.
Bleier, que carregava o filho deles.
O tempo passou rapidamente, mesmo em meio a uma dor semelhante à de ter deixado o próprio coração para trás.
Do verão em que deixou o lado de Bleier, passando pelo outono e chegando ao inverno, a investigação sobre magia negra não teve grandes avanços.
Herdin chegou a desejar que Bleier o odiasse.
Que o ressentisse.
Pensava que, se isso pudesse quebrar o ciclo daquele poder terrível e mantê-la segura, então estaria tudo bem.
Mesmo que ela deixasse de amá-lo…
Bastaria que ele a amasse eternamente.
No entanto, os sentimentos dela por ele não desapareceram.
Assim como as cartas que enviava toda semana.
“Herdin, alguns dias atrás o bebê deu seus primeiros chutes. Na verdade, talvez não tenha sido a primeira vez; provavelmente ele esteve me cumprimentando o tempo todo, e eu só percebi agora.
Dizem que agora ele já pode ouvir as vozes da mamãe e do papai. Seria maravilhoso se você também pudesse cumprimentá-lo…”
“Herdin, o vento ficou muito frio. Ouvi dizer que no norte é ainda mais gelado… o senhor está bem?
Nosso bebê está crescendo bem. Ultimamente, ele se mexe bastante. Hum, é só minha opinião, mas pela força dos chutes, acho que será um menino parecido com você. Claro, se for menina também será bom. Você…”
Apesar de desejar que o amor dela desaparecesse, ele se sentia estupidamente feliz toda vez que recebia uma carta.
Ao mesmo tempo, o peito onde enterrava as respostas que não podia enviar doía.
Ele sentia saudades.
Queria abraçá-la.
Queria acariciar sua barriga, que já devia estar grande, e cumprimentar seu filho.
Então, um dia, chegou uma notícia que o obrigou a retornar à capital.
— Excelência, a verdadeira culpada pelo incêndio no palácio da imperatriz… parece ser a Grande Imperatriz Viúva.
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