Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 98. Que você encontre a paz
O julgamento começou envolto em uma atmosfera solene.
— Duque Delmark, o senhor afirmou que a culpada pelo incêndio no palácio da imperatriz, ocorrido há dez anos, não foi a antiga imperatriz. Possui provas ou testemunhas que sustentem essa afirmação?
— Naturalmente.
Herdin deu um passo à frente diante de Ivan, com uma calma que beirava a arrogância.
— Em primeiro lugar, a alegação de Sua Majestade, a Imperatriz, de que a antiga Imperatriz tentou assassinar Sua Alteza, a princesa, é falsa. O testemunho será dado pela própria princesa, única sobrevivente do incidente.
Era a vez de Bleier.
Ela respirou fundo, levantou-se e caminhou com tranquilidade até a frente.
— A testemunha, Bleier Delmark, jura diante de Deus e de Sua Majestade, o Imperador, dizer apenas a verdade.
Após o juramento, Ivan falou:
— Soube que a testemunha havia perdido as memórias do ocorrido.
— Sim. Até alguns meses atrás. Porém, após ser sequestrada e vivenciar outro incêndio, recuperei minhas memórias.
— Então relate tudo o que viu naquele dia, sem omitir nada.
Bleier reuniu suas lembranças e começou.
Contou como Esmeralda percebeu o perigo e a escondeu em um armário.
Como, ao acordar, viu Marina Peurorang — a criada que supostamente a salvou — estrangular Esmeralda.
E como ela mesma acabou matando aquela mulher.
— A antiga Imperatriz não foi a criminosa… mas sim a pessoa que salvou minha vida.
O salão entrou em agitação.
Durante dez anos, Esmeralda carregou o peso de uma acusação falsa.
— Mesmo que seja tarde… estou aqui para limpar o nome de alguém que morreu injustamente.
Bleier falou calmamente… olhando diretamente para sua mãe.
Katarina endureceu.
Aquele olhar…
Era igual ao de Esmeralda.
“Então você vai afundar sua própria mãe por causa de uma morta…?”
Após o depoimento, Bleier voltou ao seu lugar.
— Então o verdadeiro culpado continua desconhecido?
Antes que a dúvida se espalhasse, Herdin interveio.
— Com base nesse testemunho, reconstruí o caso e encontrei o verdadeiro culpado. Tenho provas e testemunhas.
Ele fez um sinal para Ruth.
Ela entregou um objeto ao responsável da corte, que o passou a Ivan.
Era uma moeda.
— Isso não parece uma moeda comum.
— Pertencia a Marina Peurorang. Era usada como pagamento em casas de penhor para evitar contato direto com o mandante.
— Onde isso foi encontrado?
— Um soldado que chegou primeiro à cena a escondeu.
O soldado foi chamado.
Ele confessou ter pego a moeda achando que era ouro… e depois escondido com medo.
— Então você sabe quem é o dono?
— O dono da casa de penhor se recusou a falar. Mas encontrei o artesão que fez a moeda.
— Quem é?
Herdin olhou diretamente para Katarina.
— O visconde Vernon.
O salão explodiu em murmúrios.
— Vernon? O irmão da condessa Magrid?
O próprio visconde se levantou.
— Isso é calúnia! Nunca vi isso!
— Ainda há pagamentos sendo feitos com essa moeda. E vêm dele.
Silêncio.
Todos entenderam.
O irmão da dama próxima de Katarina.
Mas ninguém ousava dizer o óbvio.
— Silêncio!
Ivan interveio.
— Com base nas provas, peço que os jurados deem seu veredito.
Os nobres hesitaram.
Uns apoiaram a família imperial.
Outros, Delmark.
O resultado ficou quase empatado…
Mas, por pouco, prevaleceu o lado de Herdin.
Todos sabiam qual era a verdade.
Mas ainda observavam o imperador.
Katarina olhou para Ivan, desesperada.
“Ele não vai me abandonar…”
Ivan então falou:
— Após revisar o caso… percebo que houve erros no julgamento anterior.
Silêncio absoluto.
— Seguirei o exemplo de meu pai… e corrigirei isso.
Até Herdin se surpreendeu.
— Prendam o visconde Vernon imediatamente. Descubram o verdadeiro mandante.
Os cavaleiros o levaram.
— E… devemos limpar o nome da antiga Imperatriz.
— A partir de hoje, retiro todas as acusações contra Esmeralda Delmark.
Era o momento que Herdin esperou por dez anos.
Mas…
Algo não parecia certo.
Ivan estava… fácil demais.
“Ele está se livrando da própria mãe…?”
— Agradeço, Majestade.
— Não há o que agradecer. Conflitos familiares devem ser resolvidos.
Família.
A palavra soou diferente.
— Declaro o julgamento encerrado.
Ivan se levantou e ofereceu a mão a Katarina.
Ela aceitou…
Mas olhou para Bleier com ódio.
Bleier não desviou.
“Que filha cruel…”
Mas agora…
Ela não sentia mais medo.
Porque tinha Asiel.
Katarina saiu.
E, pela primeira vez…
Parecia pequena.
Herdin se aproximou e segurou a mão de Bleier.
Eles deixaram o palácio.
Dentro da carruagem, ela disse:
— Vamos passar no cemitério antes de voltar.
O cemitério estava silencioso… frio.
Eles pararam diante de uma lápide.
[Esmeralda Delmark]
Uma imperatriz…
Que morreu injustiçada.
Bleier fechou os olhos.
Ela havia cumprido sua promessa.
— Agora… descanse em paz, Majestade.
Uma brisa suave passou.
Como um toque gentil.
Como um último sorriso.
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