Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 116: Os Gostos Daquele Homem
Na manhã seguinte, Bleier acordou nos braços de Herdin.
Parecia que ele havia voltado enquanto ela dormia.
Na verdade, ela até lembrava vagamente de sentir, em seu estado de semiconsciência, o momento em que ele a puxou para perto.
Mas, naquele estado nebuloso, seu subconsciente reconheceu aquele abraço como um lugar familiar e acolhedor…
E ela acabou voltando a dormir, mesmo depois de passar os últimos dois meses acostumada a dormir sozinha.
Porém, diferente da sensação que tivera enquanto dormia…
No instante em que recuperou completamente a consciência, sentiu o peito oprimir.
O corpo dele, que a cercava, parecia uma prisão feita sob medida.
Bleier tentou escapar de seu abraço, empurrando aqueles braços grossos que a prendiam.
Então—
Herdin apenas a apertou ainda mais.
Por um momento, ela hesitou, imaginando se ele havia acordado.
Mas, pela regularidade de sua respiração, parecia continuar profundamente adormecido.
Depois de confirmar isso, Bleier ergueu os braços dele e os afastou como quem move um fardo pesado.
Não havia o menor traço de delicadeza em seus movimentos.
Ela já não tinha vontade alguma de ser cuidadosa com ele.
Nem pretendia mais prender a respiração para evitar irritá-lo.
Mesmo assim, ignorando completamente suas intenções, Herdin apenas franziu levemente a testa… sem acordar.
Como ele normalmente tinha o sono leve, só podia significar uma coisa:
Estava extremamente exausto.
Talvez por isso sua expressão, no dia anterior, parecera mais afiada e cansada do que o habitual.
Assim que conseguiu se libertar, Bleier encarou por alguns segundos o rosto dele, que dormia com uma serenidade incomum…
Então desviou o olhar friamente e se levantou.
Ela odiava aquele homem.
Odiava profundamente.
Mas tinha a sensação de que, se continuasse observando aquele rosto perfeito e tranquilo por muito tempo…
Até mesmo esse ódio poderia vacilar.
Embora, é claro…
No instante em que ele abrisse os olhos, tudo voltaria como antes.
Ao sair da cama, a primeira coisa que viu foi a grande janela à frente.
Através dela, era possível enxergar um jardim impecavelmente cuidado, como se mãos habilidosas tivessem aparado cada detalhe.
Depois de observar o quarto por um instante, Bleier vestiu um xale leve e saiu.
Ontem, por causa do caos, não conseguiu analisar bem os arredores.
Mas antes que Herdin acordasse e começasse a vigiá-la de novo…
Precisava descobrir onde estava.
Ao deixar o quarto, Bleier temeu que mais algum desconhecido fosse designado para segui-la.
Mas, felizmente, encontrou um rosto familiar.
— Ah, senhora. Acordou cedo.
— Quanto tempo, Sir Ruth.
Ruth, que estava prestes a saudá-la naturalmente, congelou no lugar.
Mesmo sem saber toda a verdade, era óbvio:
Bleier havia fugido com a intenção de nunca mais voltar para Herdin.
E Herdin a trouxera de volta à força.
Como ajudante dele, Ruth estava numa posição extremamente desconfortável para perguntar se ela estava bem.
Após hesitar por alguns instantes e forçar um sorriso constrangido em meio ao silêncio, Ruth finalmente encontrou palavras.
— Bem… Sua Excelência ainda está dormindo?
— Parece que estava cansado. Na verdade… tive a impressão de que ultimamente ele não conseguia dormir direito.
— Sua Excelência se preocupou muito com a senhora. De verdade.
Ruth mencionou indiretamente os sentimentos de Herdin, esperando que o coração de Bleier amolecesse.
Pelo bem de seu senhor.
E pela paz daquela família.
Mas aquelas palavras não causaram qualquer efeito nela.
Herdin a procurava por outros motivos.
Só que, para quem não conhecia a verdade, pareceria apenas um marido desesperado atrás da esposa.
Ignorando o comentário, Bleier mudou de assunto.
— Melli e Rina estão bem?
— Ah, sim. As duas sentem muito sua falta. Como não sabíamos que a senhora estaria aqui, não as trouxemos… mas poderá vê-las quando voltarmos para a mansão do duque.
— Fico feliz que estejam bem.
Pela primeira vez, uma leve expressão suave apareceu no rosto de Bleier.
Muito diferente de sua frieza ao falar de Herdin.
Então, lembrando-se de seu verdadeiro objetivo, ela perguntou:
— A propósito… onde estamos? Pelo que vi, parece uma mansão bem grande.
— Esta é a mansão do Lorde Nereha. Estamos na ala separada.
Ao descobrir que outra pessoa estava envolvida nos problemas entre ela e Herdin, a expressão de Bleier endureceu.
Interpretando seus pensamentos, Ruth se apressou em explicar:
— Sua Excelência está promovendo um projeto para construir um porto no território de Ribren, e Lorde Nereha, ao saber disso, enviou primeiro um convite. Então… ele uniu negócios a esta visita.
— Ah… entendo.
— Se precisar de qualquer coisa, por favor, me diga sem hesitar.
— Nesse caso… tenho um favor a pedir…
Ruth lançou um olhar curioso.
Bleier estava prestes a pedir que trouxessem Bbi Bbi…
Mas mudou de ideia.
— …Não, não é nada.
Talvez pudesse usar a desculpa de ir buscá-la pessoalmente para conseguir sair dali.
Como Anna provavelmente estava cuidando bem dela, decidiu adiar isso por enquanto.
— Então darei instruções para prepararem sua refeição. Vai comer na sala de jantar?
— Sim, por favor.
Depois de se despedir de Ruth, Bleier foi até a sala de estar da ala.
O local tinha uma enorme janela panorâmica com vista ampla para toda a propriedade dos Nereha.
Sentada no sofá, ela mergulhou em pensamentos.
“O que eu faço agora?”
Herdin não mudaria.
Acreditar que ele mudaria…
Ou que ela seria capaz de mudá-lo…
Era apenas a arrogância juvenil de sua vida passada, quando ainda não sabia de nada.
Portanto, o certo seria se separar dele de vez.
O problema…
Era que ele não tinha intenção alguma de deixá-la ir.
Nesse caso…
A única resposta era fugir outra vez.
Mas…
Será que conseguiria escapar de novo?
“De algum jeito, vou entrar em contato com Mikhail e—”
Bleier balançou a cabeça.
“Não. Não.”
“Não posso envolvê-lo mais nos nossos problemas.”
Ela já o colocara em perigo demais.
Não podia continuar se aproveitando da boa vontade dele.
Precisava deixar sua gratidão permanecer apenas como gratidão…
E encerrar sua relação com ele ali.
Justo quando Bleier finalmente organizava seus pensamentos—
A porta da ala se abriu abruptamente.
E uma mulher desconhecida entrou.
Beateuriseu acordou cedo naquela manhã, arrumou-se cuidadosamente e foi direto para a ala separada.
Tinha dois objetivos:
Primeiro, convidar Herdin para aproveitarem juntos o festival da colheita naquele dia.
Segundo…
Confirmar com os próprios olhos o que vira na noite anterior.
“Quem diabos é aquela mulher?”
Na noite passada, Beateuriseu havia ido até a ala com a intenção de convidar Herdin para passarem o festival juntos.
Claro…
Ir visitá-lo tão tarde também carregava segundas intenções.
Mesmo homens frios podiam se tornar mais emocionais durante a madrugada.
Mas, no momento em que entrou no caminho para a ala…
Ela congelou.
Herdin estava carregando uma mulher nos braços.
Sua expressão endureceu instantaneamente.
“Uma mulher de uma noite?”
Bem…
Com aquele rosto e aquele corpo, seria estranho se ele reprimisse completamente seus desejos só porque a esposa havia fugido.
“Não que eu não entenda… mas ainda assim, não gosto.”
Beateuriseu crescera ouvindo que uma dama respeitável não deveria sentir ciúmes nem inveja das amantes passageiras do futuro marido.
Mas compreender isso racionalmente…
E aceitar de coração…
Eram coisas completamente diferentes.
“Preciso ir logo expulsá-la.”
E foi exatamente isso que fez.
— Vim porque tenho algo a dizer a Sua Excelência.
— Sua Excelência ainda não se levantou.
— Não importa. Vou esperar lá dentro.
Os cavaleiros de Delmark hesitaram, mas acabaram permitindo sua entrada.
Afinal…
Ela era a dona daquela mansão.
Recusá-la diretamente seria complicado.
Assim, Beateuriseu entrou naturalmente na sala de estar — seu lugar favorito naquela ala desde pequena.
Mas, quando chegou…
Já havia alguém ali.
Provavelmente…
A mulher que Herdin carregara na noite anterior.
A mulher que olhava para ela com surpresa possuía uma beleza tão impressionante que despertava admiração instantânea.
Mesmo sem maquiagem.
Mesmo recém-acordada.
Sem um único defeito.
Enquanto a observava atentamente…
Beateuriseu notou a leve barriga saliente.
E sua expressão se distorceu.
“Disseram que a duquesa fugiu grávida… então os gostos dele são mulheres grávidas?”
“Que gosto estranho.”
Beateuriseu se aproximou de Bleier.
— Você. O que está fazendo aqui parada? Já que acordou, suma daqui agora mesmo.
Bleier encarou a mulher, perplexa.
Entrar daquele jeito…
E mandar que fosse embora sem explicação.
Mesmo assim, não foi difícil deduzir sua identidade.
Dentro da mansão dos Nereha…
Só havia uma jovem mulher capaz de entrar e sair daquela ala livremente.
— A senhorita é a filha do Conde Nereha?
— Exatamente. Agora que sabe, saia imediatamente da minha casa. Não quero dividir o mesmo espaço nem por um segundo com alguém de classe baixa.
Bleier franziu a testa diante daquelas palavras cruéis.
Era óbvio que aquela mulher estava entendendo tudo errado.
Mas, ainda assim…
Sua arrogância ofensiva revelava claramente sua verdadeira natureza.
— Acho que houve um mal-entendido. Eu sou…
Bleier parou no meio da frase.
Ela já havia abandonado tanto o título de princesa quanto o de duquesa ao deixar o império.
E não tinha a menor vontade de recuperá-los.
Mas…
Seria possível explicar sua presença ali sem revelar sua identidade?
Depois de hesitar, abriu a boca resignada.
— Eu sou… a esposa do Duque Delmark.
— A duquesa?
Mas Beateuriseu, longe de acreditar, soltou uma risada debochada.
Não gostava da forma como Bleier não se intimidava.
Nem de sua beleza.
Nem da ousadia de se passar pela duquesa.
— Sua insolente. Como ousa contar uma mentira tão inútil? Vejo que palavras não serão suficientes.
No instante em que Beateuriseu ergueu a mão para dar um tapa em Bleier—
Uma mão surgiu de repente.
E segurou seu pulso.
— O que pensa que está fazendo com a minha esposa, senhorita?
Atrás dela…
Estava Herdin.
Com um olhar frio o suficiente para congelar tudo ao redor.
Comentários