Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 48. Empreste-me Seu Marido.
Blair aproveitou o momento e escapou de seus braços, indo em direção à estufa.
Ela não olhou para trás nem uma vez.
Se olhasse, se seus olhos se encontrassem, ela tinha a sensação de que ele a devoraria ali mesmo.
Tum, tum—seu coração assustado disparou.
Felizmente, ele não a seguiu.
Percebendo isso, os passos de Blair diminuíram gradualmente.
Agora completamente sozinha, Blair levou a mão à nuca, onde seus lábios haviam roçado.
“…Está quente.”
O local onde seus lábios haviam tocado queimava estranhamente.
Blair parecia confusa enquanto continuava tocando aquele lugar.
Até que a sensação desapareceu.
* * *
O tempo passou rápido e, logo, chegou o dia do banquete.
Depois que as criadas saíram para terminar os preparativos finais, Blair permaneceu sozinha no quarto e olhou para a nuca no espelho.
Felizmente, a marca deixada por Heredin havia desbotado e era quase imperceptível.
Blair só notou a marca na manhã seguinte, enquanto se arrumava após a visita do pintor.
“Minha senhora, podemos deixar seu cabelo solto hoje?”,
perguntou Melly cuidadosamente enquanto penteava os cabelos de Blair.
Quando Blair perguntou o porquê — sem saber da marca na nuca —, Melly murmurou algo sem jeito, constrangida.
Só então Blair percebeu que Heredin havia deixado uma marca ali.
“Ainda assim, é um alívio que tenha desaparecido antes do banquete.”
Sentindo-se mais tranquila, ela olhou pela janela.
O céu já começava a escurecer e a hora do banquete se aproximava.
Assim que Blair se levantou da penteadeira para verificar os últimos preparativos, a voz de Lina veio de fora.
“Minha senhora, tudo está pronto.”
Blair saiu imediatamente do quarto.
Ao chegar à escada, viu os criados reunidos no saguão do primeiro andar.
Em seus peitos, broches de prata em forma de asas de uma besta divina — o símbolo da Delmark.
Eram itens que Blair havia encomendado especialmente para o banquete.
Foram feitos para que todos os presentes vissem que aquilo era Delmark, e para que os próprios criados sentissem um maior senso de pertencimento à casa.
Blair contemplou a cena com satisfação e se perguntou:
Está perfeito?
Em sua vida anterior, ela se fizera essa pergunta inúmeras vezes.
E sempre ouvira respostas de outras pessoas.
Mas agora não precisava da resposta de ninguém.
Aos seus olhos, já estava perfeito.
Ao seu coração, já era satisfatório.
Só isso bastava.
Blair desceu as escadas e parou diante deles.
“Todos vocês trabalharam arduamente para preparar tudo isso.”
Ela olhou para cada um dos criados enfileirados à sua frente.
Entre eles, certamente havia aqueles que não gostavam dela, e talvez aqueles que haviam desenvolvido afeição por ela.
E ela própria era a senhora da casa ducal apenas por um período limitado.
Mas hoje, deixando tudo isso de lado, todos ali eram Delmark.
Blair sorriu gentilmente para eles.
“Então, vamos começar a receber nossos convidados.”
* * *
O banquete foi um sucesso.
“Eu estava preocupada, já que a mansão ficou tanto tempo sem uma senhora, mas depois de ver com meus próprios olhos, não sinto mais essa preocupação.”
“Dá para perceber o quanto a senhora se esforçou para preparar tudo isso.”
Todos os nobres com quem Blair conversou elogiaram tanto o banquete que ela havia preparado quanto a residência ducal.
A maioria pertencia a famílias alinhadas com a facção imperial.
Os criados de Delmark, assim como em sua vida anterior, sorriam abertamente, embora parecessem desagradados com ela nos bastidores — mas isso já não importava.
Blair não tinha nada do que se envergonhar.
“É verdade — até mesmo esta única taça de vinho mostra o quanto você se dedicou a isso.
É difícil acreditar que este seja o primeiro banquete que você oferece.”
Ouvindo a nobre elogiá-la a cada gole de vinho, Blair respondeu mentalmente:
“Claro.
Não é meu primeiro banquete.”
Mas, mantendo o segredo enterrado, Blair simplesmente sorriu educadamente para elas.
Exatamente como sempre vivera — com a elegância e a dignidade dignas de uma princesa.
Depois de conversarem um pouco, as nobres finalmente se retiraram, e Blair se viu sozinha por um instante.
Fingindo beber vinho, ela se afastou para um canto tranquilo do salão.
Ela havia participado de inúmeros eventos de Estado, então lidar com pessoas não era novidade para ela — mas a familiaridade não tornava a tarefa menos exaustiva.
Enquanto Blair olhava ao redor do animado salão de banquetes, seus olhos encontraram os do marido.
Mesmo entre os muitos convidados, ele se destacava.
Não era apenas porque todos usavam roupas combinando.
Sua altura, mais alta que a maioria, e um rosto digno do título de “o homem mais bonito do império” certamente contribuíam para isso — mas, mais do que isso, era a sua presença.
Uma aura que dominava naturalmente o ambiente sem que ele fizesse nada.
Ele parecia um homem maduro, completamente diferente do garoto instável de que ela se lembrava da infância.
No passado, Blair se apaixonara por ele à primeira vista quando ele retornou adulto do banquete da vitória.
Na época, ela negara seus sentimentos por culpa.
Contudo, agora, vivendo sua segunda vida após retornar ao passado, seu coração ainda batia mais forte sempre que o olhava.
Pateticamente.
Blair desviou o olhar como se recusasse a reconhecer esse fato.
Nesse instante, um rosto familiar se aproximou dela.
“Faz tempo, Blair.”
Rachel Selden.
Ela era filha de um marquês, irmão mais novo do pai de Blair — e prima de Blair.
No momento em que Blair viu seu rosto, lembrou-se subitamente.
Do que acontecera naquele banquete em sua vida anterior.
Naquela época, diante do pedido absurdo de Rachel, Blair não conseguira dizer uma única palavra.
Rachel fora uma presença tão absoluta para Blair quanto Katrina.
Enquanto Blair se recuperava do incêndio no Palácio da Imperatriz, que a debilitara, Rachel assumira o controle do círculo social entre as crianças nobres.
Quando Blair se recuperou e retornou à sociedade anos depois, quase não lhe restavam amigos.
Rachel teve pena dela, permitindo que Blair se juntasse ao seu grupo e tornando-a dependente.
Blair não teve escolha a não ser se agarrar a Rachel.
E esse relacionamento se tornou um hábito.
Mesmo depois de crescerem.
Embora Blair tivesse recusado o pedido absurdo de Rachel naquela época, o fato de não ter conseguido respondê-la deixou Blair com um profundo desprezo por si mesma.
Blair apertou a taça de vinho em sua mão e olhou para Rachel.
Seu olhar para Rachel era frio.
“Você tem razão.
Faz muito tempo.
Por que você não veio ao meu casamento?
Eu realmente queria seus parabéns.”
A expressão de Rachel se contorceu com a pergunta de Blair.
Na verdade, Blair já sabia por que não havia comparecido.
Desde a infância, muitas damas da nobreza admiravam Heredin.
Mesmo evitando-o por causa dos rumores sombrios que cercavam a tragédia de Delmark.
Mas depois que Heredin retornou como um herói de guerra, elas o adoravam abertamente.
Rachel era uma delas.
Talvez Rachel estivesse ressentida porque Blair — a quem sempre considerara inferior — havia se casado com o homem que ela mesma não poderia ter.
Rachel forçou a expressão facial a voltar ao normal e respondeu:
“Eu realmente queria ir, mas estava muito doente.
Este resfriado estava terrível.
Mas parabéns pelo seu casamento, mesmo que seja tarde.”
“Obrigada.”
Rachel pegou uma taça de vinho da mesa e ficou ao lado de Blair.
Enquanto saboreava seu vinho e olhava ao redor do salão, seu olhar parou em Heredin.
Mesmo agora, em meio à multidão, o homem irradiava uma presença marcante.
Não — talvez agora que pertencia a outra pessoa, parecesse ainda mais desejável.
Rachel não conseguia desviar o olhar dele através da borda da taça enquanto perguntava a Blair:
“O Duque te trata bem?”
“Sim.”
“Que bom.
Mas não confie demais nele.
Ele é sobrinho da mulher que uma vez tentou te matar.”
Fingindo preocupação com Blair, Rachel mencionou deliberadamente sua maior fraqueza.
Mas, em vez de demonstrar a expressão magoada que esperava, Blair simplesmente bebeu seu vinho calmamente.
A reação indiferente de Blair pareceu-lhe incomum.
Ainda assim, Rachel tinha certeza de que Blair jamais a desafiaria.
Afinal, ela havia passado anos cultivando cuidadosamente o relacionamento delas.
“Bem, com um rosto e um corpo desses, deve ser bom vê-lo todos os dias.
Há muitas mulheres que acabam se tornando a segunda esposa de homens mais velhos.
Não acha?
Eu daria tudo para namorar um homem como ele uma vez.”
“…”
“Então, Blair.”
Rachel começou com uma voz sugestiva depois de observar a expressão de Blair.
“Você poderia me emprestar seu marido por apenas uma noite?
Eu cuido do resto depois.”
Rachel fez o pedido casualmente, como se estivesse pedindo um brinquedo emprestado.
Assim como quando costumava pegar as joias de Blair quando criança.
Você não precisa realmente dar permissão — mas já que é você, estou lhe dizendo primeiro…
Ela sussurrou palavras que soavam gentis à primeira vista.
Rachel já havia começado a planejar o que faria depois, mesmo antes de ouvir a resposta de Blair.
Claro, antes do casamento, Heredin nunca lhe dera uma chance, não importava o quanto ela o procurasse.
Mas agora que ele havia tomado Blair como esposa, as coisas seriam diferentes.
Como ele nutria ressentimento pela família da Grã-Imperatriz Viúva, poderia até escolher outra mulher só para se opor a Blair.
Blair pousou a taça de vinho vazia sobre a mesa e olhou para Rachel com olhos frios.
“Que vulgar, Rachel.”
“…O quê?”
“Caso você tenha se esquecido, ele é meu marido.
E não é um objeto que você possa pegar emprestado.”
O rosto de Rachel se contraiu com a resposta inesperada de Blair.
Blair recusá-la nunca fizera parte do plano.
Blair Sonette von Ardel nunca conseguira desafiá-la.
Até agora, sempre fora assim.
Rachel riu incrédula.
“E daí?
Só porque ele é seu marido, ninguém pode tocá-lo?”
“Isso mesmo.
Era exatamente o que eu queria dizer.”
Desde tempos remotos —
mesmo que você não se lembre.
Comentários