Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 96. Obsessão
Ao longo de quinze dias, os dias ficaram mais longos e o clima mais quente.
Quando o sol se pôs e o ar da noite começou a esfriar, o médico pessoal veio ao quarto de Bleier para o check-up semanal.
Após receber permissão para entrar, ele encontrou Bleier sentada na cama, apoiada, com Herdin ao seu lado.
O médico se assustou ao encarar aqueles olhos azuis frios.
Mesmo já tendo passado por isso várias vezes, ainda ficava nervoso diante dele. Era quase instintivo.
— Bem-vindo, senhor Ermano.
Só depois do cumprimento de Bleier ele conseguiu se recompor e se aproximou com educação.
Após o exame, falou com um ar mais tranquilo:
— Os batimentos cardíacos estão mais claros do que na semana passada. Parece que o bebê está crescendo bem. E os enjoos matinais?
— Acho que pioraram.
— Essa fase é a mais difícil. Mesmo sem apetite, tente comer ao menos um pouco. O bebê se nutre do corpo da mãe, então não precisa se preocupar com ele, mas com o clima mais quente, sua resistência pode cair facilmente.
— Obrigada pela preocupação.
Herdin, que ouviu tudo em silêncio, perguntou:
— Quando começa exatamente o período de estabilidade?
— Geralmente a partir do quarto mês. Os enjoos também melhoram bastante nessa fase. Algumas pessoas até fazem pequenas viagens nesse período.
— E quando a barriga começa a aparecer?
— Varia de pessoa para pessoa, mas em uma primeira gravidez…
Herdin continuou fazendo algumas perguntas sobre a gestação. À primeira vista, parecia um marido atencioso e um futuro pai exemplar.
O médico até sorriu, relaxando ao ver esse lado inesperado dele.
— Já que vocês se dão tão bem, o bebê também deve estar ansioso para conhecer os pais.
Mas ao ouvir aquilo, o leve sorriso de Bleier desapareceu.
Pouco depois, o médico terminou a consulta e saiu.
Herdin chamou Melli.
— Traga o jantar para o quarto.
Quando voltou, Bleier já estava deitada, de costas para ele.
Seu olhar ficou frio.
Já fazia quinze dias que ela o ignorava.
Ela respondia quando ele falava, mas não iniciava conversa nem o olhava nos olhos.
Mesmo assim, Herdin esperou sem pressioná-la.
Ele já esperava isso. Afinal, a estava forçando a permanecer ao seu lado.
Ainda assim, podia suportar.
Desde que ela ficasse ali, ele suportaria qualquer coisa.
Além disso, acreditava que essa resistência não duraria muito.
Quando a barriga crescesse e o corpo dela ficasse mais frágil, ela acabaria voltando a se apoiar nele.
Foi então que, ao se aproximar—
Uma dor de cabeça familiar surgiu, junto com uma lembrança.
Era noite.
Bleier dormia de lado, abraçando a barriga já visivelmente arredondada.
Naquela lembrança, ele apenas a observava e se afastava.
Mas, junto disso, veio uma emoção sufocante — uma ansiedade desesperadora por não conseguir alcançá-la.
Herdin franziu a testa e deu um passo.
A memória se desfez e desapareceu.
“…Com razão eu estava tranquilo por um tempo.”
Mas a sensação permaneceu.
Incomodava.
Sem conseguir ignorá-la, ele subiu na cama, a abraçou por trás e pressionou os lábios contra o ombro dela.
O corpo pequeno encaixava perfeitamente no seu.
O cheiro suave da pele, o cabelo macio roçando seu rosto…
Tudo isso trazia uma sensação de estabilidade.
Mas não era suficiente.
Sua mão subiu lentamente pela perna dela.
Bleier segurou sua mão.
— Hoje não.
— Quero descansar.
Diante da recusa direta, Herdin retirou a mão sem insistir, mas a inquietação não desapareceu.
“Eu estou desesperado… e você…”
Como pode ser tão indiferente?
Provavelmente… por causa daquele homem que ela amou.
Um amor unilateral, miserável e cruel.
Herdin acariciou suavemente a barriga dela, ainda pouco perceptível.
Bleier fechou os olhos sem reagir.
De qualquer forma, ele faria o que quisesse.
Ela já estava cansada.
Exausta de lutar.
Quando estava prestes a adormecer, ouviram uma batida na porta.
Era Melli trazendo a comida.
Após receber permissão, ela entrou, arrumou a mesa e saiu.
Herdin carregou Bleier nos braços até a mesa.
Mas, como vinha acontecendo nos últimos dias, o enjoo veio antes que ela conseguisse comer direito.
Herdin se aproximou enquanto ela se curvava com ânsia e passou a mão em suas costas até que melhorasse.
Parecia que ela tinha emagrecido ainda mais.
Naquele momento, o bebê em seu ventre lhe pareceu detestável.
Quando finalmente parou, Bleier desabou, sem forças.
Ele a pegou no colo.
— Não consigo comer mais hoje… quero dormir.
Herdin a levou de volta para a cama e trouxe uma bandeja com chá de limão e biscoitos.
— Coma ao menos um pouco.
Era praticamente tudo que ela conseguia ingerir sem rejeitar.
Mas ela recusou.
— Quero que, a partir de agora, comamos separados.
— Me sinto desconfortável com você me observando.
Herdin franziu a testa.
— Por favor… me deixe ao menos comer em paz.
Sua voz era fraca, mas seu olhar era firme.
Ela estava traçando uma linha clara entre eles.
Aquilo era diferente de antes.
Antes, mesmo distante, ela ainda era dócil.
Agora não.
Herdin suspirou e colocou a bandeja ao lado.
Ia falar—
toc toc
— Excelência, chegou uma carta do palácio sobre a data do julgamento.
Era Mason.
Herdin saiu do quarto.
Bleier comeu um biscoito à força, bebeu um pouco de chá e se deitou, exausta.
Esperando conseguir dormir antes que ele voltasse.
Quando abriu os olhos novamente, já era noite.
Como sempre, estava presa nos braços dele.
A mão dele repousava naturalmente sobre sua barriga.
Ele estava obcecado pelo bebê.
Muito diferente da vida passada, quando ele simplesmente foi embora ao saber da gravidez.
Naquela época, ela se sentiu sozinha.
Tinha medo de se tornar mãe.
Queria fugir.
Mas também queria alguém ao seu lado.
Agora…
Ele não foi embora.
Mas esse interesse… era sufocante.
Porque não era amor.
Era cálculo.
Uma peça no jogo dele.
Ela não permitiria isso.
Faltava um mês.
Em um mês, ela deixaria aquela mansão.
Bleier colocou a mão sobre a dele e sussurrou para o bebê:
“Cresça bastante até lá.”
“Para que possamos ir embora juntos.”
O mês passou rapidamente.
E logo chegou a véspera do julgamento.
O fim do verão se aproximava, e o canto das cigarras ecoava pelo jardim.
Bleier atravessou o jardim até o cercado externo onde Bbi Bbi estava.
Por causa do calor, ele havia sido levado para lá.
Ela acariciou a barriga por hábito.
Agora, no quarto mês, já estava claramente mais arredondada.
Os enjoos haviam diminuído bastante.
Seu apetite havia voltado, e seu corpo estava mais forte.
O médico havia confirmado naquela manhã que ela poderia comparecer ao julgamento.
Ao chamá-lo, Bbi Bbi saiu correndo animado.
Melli, colocando o arreio nele, comentou:
— O clima está ótimo ultimamente… ainda um pouco quente, mas agradável.
Bleier olhou para o céu.
Azul, limpo, com uma brisa suave soprando.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Sim… está um clima perfeito.
Um dia perfeito para partir.
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