Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 2. Não Te Amo.
A mulher que Heredin trouxera se chamava Miela, um rosto que Blair vira uma ou duas vezes enquanto ia e voltava do templo.
Sua profissão era sacerdotisa.
Um trabalho que combinava com seu rosto angelical.
Miela, que havia ido para o norte em uma missão pela vontade da deusa, descobriu a Ordem dos Cavaleiros de Delmark, que havia sofrido grandes danos em um ataque de bestas demoníacas, e os ajudou.
Aproveitando-se da oportunidade, Heredin valorizou muito suas habilidades e a recrutou como assistente para subjugar as bestas demoníacas, mantendo-a ao seu lado, e ela até retornou à capital com ele.
Uma pessoa talentosa e um lorde que teve o olhar apurado para reconhecê-la.
Superficialmente, esse era o limite do relacionamento deles, mas os servos cochichavam sobre os dois à vontade.
— Você conhece Sua Graça e Lady Miela… não acha que possa haver algo entre eles? —
Sua Graça e Lady Miela?
Não tenho tanta certeza. —
Bem, Sua Graça é assim mesmo.
Ele não é de demonstrar muito as emoções.
Mas você não percebe que Lady Miela gosta de Sua Graça? —
É… verdade.
Basta ver como ela não voltou ao templo mesmo depois de retornar à capital e está ficando aqui. —
Sua Graça provavelmente se apaixonará por Lady Miela em breve.
Uma mulher tão bonita e capaz diz que gosta dele. —
Bem.
Seja o que for, é melhor do que a filha de um inimigo.
As risadas das criadas que faziam a limpeza também chegaram aos ouvidos de Blair.
Mas Blair tapou os ouvidos como se não tivesse ouvido nada.
Ela temia que, se reagisse, seria o mesmo que admitir que o boato era verdade.
Assim, o verão sufocante passou, o outono se foi e o inverno sombrio retornou.
Após retornar da propriedade principal, Heredin, como sempre fizera desde que Blair engravidara, nunca a procurava primeiro.
Estava sempre ocupado com compromissos externos e, mesmo quando Blair ia visitá-lo, raramente a recebia.
A princípio, Blair se esforçou para restaurar o relacionamento, mas acabou desistindo de vê-lo.
Se havia algo de bom nisso, era o fato de que, ocasionalmente, ele demonstrava interesse por Asiel.
Claro, Asiel parecia nem sequer reconhecer o homem desconhecido como seu pai.
Naquele dia, Blair foi ao escritório de Heredin, depositando suas esperanças naquele tênue interesse.
O aniversário de Asiel seria em quinze dias.
Blair pretendia sugerir que, para o aniversário de Asiel, eles fossem até a mansão Holstein e passassem um tempo juntos em família.
Blair, que estava prestes a bater na porta do escritório de Heredin, hesitou.
A porta estava entreaberta.
“Heri—”
Ao ver a cena através da fresta, Blair engoliu as palavras que ia dizer.
Miela estava nos braços de Heredin.
Os olhos de Blair, ao observarem os dois, começaram a tremer sem rumo.
“Ah….”
Blair instintivamente deu um passo para trás, tentando escapar daquela realidade inacreditável.
Nesse instante, seus olhos encontraram os de Heredin enquanto ele olhava para a porta.
Ele pareceu brevemente surpreso, mas não desviou o olhar de Blair.
Era como se não tivesse a intenção de evitá-lo.
Ele puxou Miela, que estava encostada nele, para mais perto de seus braços.
Enquanto seu olhar frio permanecia fixo em Blair além da porta.
Como se a estivesse mostrando deliberadamente.
Cambaleando para trás, Blair se virou e voltou para o seu quarto.
Ela não conseguia se lembrar de como tinha voltado.
Olhando para o chão, pois seus pés estavam gelados, percebeu que um de seus chinelos havia sumido, talvez deixado cair pelo caminho, e sua respiração subia até o queixo.
“Haa, haa….”
No instante em que fechou a porta, as lágrimas que vinha segurando irromperam.
Ela não conseguia esquecer o olhar de Heredin enquanto ele segurava Miela e a olhava.
Imaginá-lo abraçando outra mulher com as mãos gentis que um dia a seguraram, sussurrando para outra mulher com a voz lânguida que sussurrara para ela, tornava difícil respirar.
Mesmo que sua ternura tivesse durado apenas um breve momento logo após o casamento, ela ainda o amava.
Mesmo tendo fugido daquele momento, não podia fugir da realidade que enfrentara.
“Ha, ugh…
Soluço….”
Seu sistema respiratório, gravemente danificado em um incêndio há mais de dez anos, não suportou aquela breve fuga e o choro, e ela ofegou em busca de ar.
Blair batia no peito enquanto chorava, sem conseguir respirar direito.
Mais do que o peito que ela golpeava até deixá-lo roxo, doía mais o seu coração.
* * *
No dia seguinte, Blair deixou um recado através do mordomo — “Quero passar o aniversário de Asiel na vila, então, por favor, venha no dia do aniversário dele, mesmo que esteja ocupado” — e fugiu para Holstein com Asiel.
Mesmo assim, ela secretamente tinha esperança.
Que ele viesse e explicasse que o que ela vira naquele dia não era nada, que tudo não passara de um mal-entendido.
Mas nem uma única carta chegou de Heredin até o dia do aniversário de Asiel.
Para Blair, que não conseguia se afastar da janela de onde se via o portão da frente da mansão, mesmo com os olhos sem vida, uma pequena sombra se aproximou cambaleando.
“Mamãe!
Mamãe!”
Era Asiel, todo arrumado para o seu aniversário.
Como se nunca tivesse exibido uma expressão triste, Blair sorriu e pegou Asiel no colo.
“Nosso filho está com uma roupa tão bonita hoje?
Nossa, que lindo.”
Asiel, sorrindo radiante enquanto era coberto de beijos pela mãe, de repente pareceu se lembrar de algo e apontou para a janela com sua mãozinha.
“Papai?”
Ele se lembrou de como sua mãe o segurava todas as noites, vagando pela janela à espera do pai.
Ao ouvir o título que saiu da boca de Asiel, o rosto de Blair, que sorria como se nada estivesse errado, se contorceu por um instante.
“…Sim, papai virá logo.
É o aniversário do nosso bebê, então ele com certeza virá.”
Assim que ela repetiu a esperança na qual queria acreditar, como se estivesse se consolando, ouviu-se uma batida na porta.
Era o mordomo.
Ao ver Asiel nos braços de Blair, ele deu a notícia com uma expressão preocupada.
“Minha senhora, Sua Graça disse que sua agenda atrasou mais do que o esperado.
Então, este aniversário será só vocês dois…”.
Com essa notícia, a luz se apagou dos olhos de Blair, que antes guardavam uma tênue esperança.
* * *
“Bons sonhos, meu bebê.”
Blair beijou delicadamente a cabecinha de Asiel, que dormia em seus braços, e o colocou no berço.
A criança dormia com o rosto sereno, chupando o dedo.
Blair, com um leve sorriso no rosto, acariciou as mãozinhas e os pezinhos do bebê antes de voltar para o seu quarto.
Só então o sorriso desapareceu dos lábios de Blair, que haviam sorrido conscientemente na frente da criança.
O quarto onde ela sempre vivera sozinha de repente pareceu solitário e silencioso.
Às vezes, quando aquele vazio ficava insuportável, ela trazia Asiel para o quarto e adormecia em seus braços, mas hoje ela o deixara deliberadamente em seu quarto.
Porque sentia que as lágrimas que vinha segurando iriam explodir.
Porque ela não queria mostrar esse lado de si mesma para Asiel.
Porque esperava que aquela criança adorável não conhecesse esse lado da mãe.
“Haa….”
Blair desabou no sofá.
A criança havia comemorado um segundo aniversário modesto, mas feliz.
Estava rodeada de criados e felicitações, comeu comida deliciosa e recebeu uma pilha de presentes de aniversário enviados pelos vassalos.
Tinha sido um aniversário perfeito.
Exceto pelo fato de que seu pai, Heredin, não estava lá.
A criança ria alegremente como se estivesse feliz apenas com a mãe, mas sempre que os criados entravam e saíam e a porta se abria, procurava por Heredin, perguntando-se se o pai havia chegado.
Cada vez que via aquela cena, o coração de Blair se despedaçava miseravelmente.
Ela conseguia entender Heredin por tratá-la com frieza.
Mas não suportava a indiferença dele, mesmo para com Asiel.
“Asiel não sabe de nada.
Ele está numa idade em que nem mesmo o amor da mãe e do pai seria suficiente…”
Seu coração doía como se estivesse se despedaçando, ao pensar que a negligência de Heredin para com Asiel era inteiramente culpa dela.
Mais uma vez, ela se arrependeu de ter amado aquele homem indiferente.
“Se eu pudesse voltar ao passado, não amaria aquele homem.”
Assim que Blair engoliu as lágrimas que subiam à garganta,
um rangido — o som de uma porta se abrindo ecoou no quarto silencioso.
Com uma tênue esperança, Blair ergueu a cabeça.
“…Heredin?”
Mas o que ela viu ao olhar para a porta foi um homem suspeito usando uma máscara preta.
O rosto do homem, oculto pela máscara e pela escuridão, não podia ser visto claramente.
No entanto, os olhos negros que refletiam o luar da espada e a cicatriz horrenda no dorso do nariz eram claramente visíveis.
O coração de Blair disparou ao ver o intruso.
Vendo o homem caminhando em sua direção, Blair instintivamente tentou gritar, mas lembrando-se de Asiel dormindo no quarto ao lado, ela fechou a boca com força.
Se gritasse, a criança acordaria.
Se a criança chorasse, o homem poderia notar sua presença e ir matá-la.
Isso jamais poderia acontecer.
Blair virou seu corpo trêmulo e correu em direção à corda do sino ao lado da cama.
Mas naquele instante
, um metal frio e gélido perfurou suas costas.
“Ah…”
Com uma dor terrível, algo quente jorrou de sua boca.
Era sangue vermelho vivo.
Mas Blair, cambaleando, cerrou os dentes e se aproximou da cama.
E sacudiu desesperadamente a corda do sino.
Socorro!
Por favor, alguém, proteja meu bebê!
Blair não aguentou mais e desabou na cama, mas não soltou a corda do sino que segurava.
Nem mesmo quando o intruso, que se aproximou um instante depois, retirou a adaga que estava cravada nela.
Ao mesmo tempo, o som de passos de várias pessoas ecoou pelo corredor.
O intruso, após pegar a adaga, desapareceu pela sacada.
Blair encarou fixamente as costas do intruso enquanto ele atravessava a sacada.
O padrão característico gravado no cabo da adaga que ele guardava brilhou ao luar antes de sumir de vista.
Só depois que a figura dele desapareceu completamente, Blair soltou a corda do sino que segurava desesperadamente.
“Graças a Deus.
Não deixei Asiel dormir no meu quarto esta noite…”
Aos poucos, ela sentiu a sombra da morte se aproximando. ”
Não posso morrer assim.
O que vai acontecer com o meu bebê, meu bebê que vai procurar a mãe?
Ainda há tanta coisa que quero fazer por ele…”
Pensando no rosto de Asiel piscando como uma imagem residual, Blair finalmente fechou as pálpebras que lutava para manter abertas.
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