Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (1)
Quando maio chegou, a banheira se encheu de flores de cinco cores.
Encher a banheira que Bleier usava com pétalas era tarefa de Melli.
“Ontem foram rosas vermelhas, hoje lilases… me pergunto que flores ela colocará amanhã.”
Bleier terminou seu banho sentindo-se revigorada, sorrindo diante do aroma das flores que Melli havia preparado.
Ao sair do banho, dirigiu-se ao quarto de Asiel. Queria dar boa-noite ao menino e observá-lo até que adormecesse.
Desde o nascimento de Asiel, durante os últimos oito anos, aquilo havia sido uma rotina que ela nunca deixara de cumprir, exceto em dias de doença ou ocasiões especiais.
—Asiel, já está dormindo?
Quando bateu à porta, ouviu-se um estrondo dentro do quarto, seguido pela voz apressada de Asiel.
—E-espere um momento!
Embora não pudesse ver o interior do cômodo, apenas pelo som Bleier percebeu que o menino estava escondendo alguma coisa.
Um sorriso agridoce surgiu em seus lábios enquanto esperava.
“Já tem idade para guardar segredos.”
Sentia-se um pouco triste porque ele já era grande o bastante para esconder coisas dela, mas, ainda assim, não tinha intenção de forçá-lo a revelar.
Depois de um instante, a porta se abriu e Asiel apareceu.
O menino, com os cabelos negros levemente cacheados e olhos violetas tingidos como ametista, parecia cada vez mais com o retrato de Herdin em sua juventude.
—Os brinquedos estavam muito bagunçados, então eu estava arrumando…
Antes que Bleier pudesse perguntar qualquer coisa, o menino começou a explicar, tropeçando nas palavras, por que havia demorado para abrir a porta. Era evidente que escondia algo.
No entanto, Bleier não insistiu e mudou de assunto.
—Já está pronto para o banquete de amanhã?
—Sim! Também preparei um presente para a bebê.
Amanhã, os três deveriam comparecer ao banquete realizado na residência de Pellik Hujak. Era o primeiro aniversário da filha caçula de Yohan.
Bleier acariciou a cabeça do menino.
—Muito bem. Rusi vai adorar.
—Parece que papai vai chegar tarde porque foi para longe hoje. Então hoje mamãe vai te colocar para dormir.
—Não precisa me colocar para dormir…
Asiel falou sem pensar, mas, ao perceber que suas palavras poderiam ser mal interpretadas, acrescentou apressadamente:
—Q-quero dizer… não é que eu não queira, é só que seria incômodo para mamãe. Você deve estar ocupada. Além disso, eu não sou mais um bebê.
Bleier piscou diante do comentário de Asiel.
Mesmo assim, vê-lo afirmar que já não era mais um bebê parecia adorável e, ao mesmo tempo, um pouco triste.
—Não é incômodo nenhum. Para a mamãe, você é a prioridade absoluta.
Asiel deitou-se na cama, e Bleier apagou o abajur. Diferente de antigamente, fez isso com naturalidade. Foi uma grande mudança que aconteceu depois que se tornou mãe.
No quarto escuro, enquanto fechava os olhos, Asiel juntou as mãos de repente, como se tivesse se lembrado de algo. Parecia estar fazendo um pedido.
Quando Bleier olhou para ele com curiosidade, Asiel sussurrou sem abrir os olhos:
—Da outra vez, mamãe disse que, quando tinha um desejo, rezava todos os dias, não foi? Então, ultimamente, eu também rezo todas as noites antes de dormir.
Só então Bleier se lembrou de que, alguns dias antes, havia contado a Asiel histórias de sua infância.
“Se você rezar com sinceridade todos os dias, às vezes Deus ouve essa voz e realiza o desejo.”
O desejo de que Katarina a amasse não se concretizou.
Mas, no lugar de Katarina, ela teve Esmeralda, que a amou como filha e lhe deu um carinho transbordante.
E o desejo que fez por Herdin, embora tenha levado muito tempo, acabou se realizando, então talvez aquela prece realmente tivesse sido ouvida.
Bleier esperou um pouco até que o menino abrisse os olhos e perguntou suavemente:
—Qual é o seu desejo?
Asiel, que normalmente contava tudo à mãe, ficou em silêncio de repente, como se tivesse se lembrado tarde demais de algo.
—Dizem que não se deve contar os desejos. Então é segredo.
—Agora fiquei ainda mais curiosa.
—Mesmo assim, não posso contar.
Diante da postura firme do menino, Bleier soltou uma risinha e acariciou seus cabelos macios.
—Deus certamente vai realizar o seu desejo.
Depois, beijou sua testa arredondada e sussurrou:
—Tenha sonhos doces, meu pequeno.
Uma voz suave e amorosa como penugem pousou na escuridão da noite.
Sempre que Asiel ouvia a voz da mãe, sentia o peito se encher daquele mesmo calor. E, quando se sentia assim, sua sinceridade sempre escapava antes mesmo de seus pensamentos.
—Eu te amo, mamãe.
—Eu também te amo.
A presença de sua mãe, sempre elegante, se afastou, e logo a porta do quarto se fechou silenciosamente.
Olhando para a porta fechada, Asiel saiu sorrateiramente da cama e tirou de uma gaveta um livro que havia escondido.
Ao levá-lo até a janela, a luz brilhante da lua iluminou claramente a capa do volume.
“Como nascem os irmãos mais novos?”
Era um livro adaptado para crianças.
Asiel, lendo a obra com uma expressão extremamente séria, só voltou para a cama quando ouviu o relógio de parede anunciar as dez da noite.
Afinal, não podia se atrasar para o banquete de amanhã.
O menino fechou os olhos e fez mais uma vez seu desejo fervoroso.
“Deus, por favor, faça com que eu tenha um irmãozinho!”
—Feliz aniversário, Rusi!
Os gritos de comemoração ecoaram junto ao som dos aplausos.
O banquete ao ar livre realizado no jardim da residência de Pellik Hujak estava mais animado do que o habitual.
Normalmente, em banquetes com crianças, criavam-se espaços separados para elas, mas no evento de hoje, pais e filhos estavam reunidos no mesmo lugar.
Porque hoje não era um banquete para adultos, mas uma celebração para crianças.
Os adultos entregavam os presentes que haviam preparado e ofereciam felicitações, enquanto os pequenos corriam por toda parte, afastando-se de seus pais.
Asiel não foi exceção.
Sentado à mesa com seus amigos, Asiel mergulhava pedaços de pão em fondue de chocolate enquanto olhava para a protagonista do banquete.
No fim de seu olhar estava a filha caçula de Yohan, Rusi.
Enquanto Asiel não conseguia desviar os olhos da bebê, uma menina ao seu lado, que comia bolo, interveio.
—Então, Asiel, você está dizendo que quer um irmãozinho?
Senika era a filha do conde Arbon e uma das meninas mais próximas de Asiel.
Asiel assentiu.
—Sim. De preferência uma irmãzinha, mas um irmãozinho também serve.
Então Jemie, sentado à direita de Asiel, do lado oposto de Senika, deu de ombros como se não conseguisse entender aquilo de jeito nenhum.
—Mas por quê? Irmãzinhas são chatas e só incomodam.
—Olha quem fala. Irmãos mais velhos são chatos e só fazem besteira.
—Você começou!
Senika e Jemie começaram a discutir rapidamente. As duas crianças, cujos rostos eram parecidos enquanto rosnavam uma para a outra, eram irmãos gêmeos.
Asiel, acostumado àquela situação, comia seus lanches com expressão tranquila mesmo estando preso entre eles.
Rilliana, sentada em frente a Asiel, perguntou:
—Mas, Asiel, por que você quer um irmão mais novo? Os meus ficam me seguindo o dia inteiro. Brincar com eles é cansativo. É chato.
Rilliana tinha dois irmãos mais novos. Parecia que os amigos que já tinham irmãos não conseguiam entender o sentimento de Asiel.
Nesse momento, Joshua, que comia biscoitos em silêncio, interveio, compartilhando do sentimento de Asiel.
—Eu entendo o Asiel. Eu também queria ter um irmão mais novo. Se tivesse um, poderia mandar ele fazer as tarefas que meu irmão mais velho manda eu fazer.
Lembrando-se da imagem do amigo, que sempre reclamava que seu irmão o provocava e atormentava, Asiel achou que entendia por que Joshua dizia aquilo.
Mas Asiel sabia.
“Todos dizem isso, mas na verdade se dão bem com seus irmãos.”
Sentia inveja tanto das brigas entre Senika e Jemie quanto do fato de Rilliana achar seus irmãos irritantes, ou de Joshua sair para caçar com o irmão mesmo sendo provocado por ele.
Entre seus amigos, apenas Asiel não tinha irmãos ou irmãs.
Asiel comeu o bolo com uma expressão abatida.
Percebendo seu humor, Bbi Bbi, enrolado em volta do pescoço de Asiel como um cachecol, esfregou a cabeça na bochecha do menino.
Depois do nascimento de Asiel, Bbi Bbi tornou-se seu melhor amigo. Já era antes, mas, ao passar tempo com o menino, tornou-se ainda mais amigável com os humanos, a ponto de poder ser carregado para todos os lados.
Rilliana, ao notar que a expressão de Asiel ficava sombria, mudou rapidamente de postura.
—B-bem, mas você tem o Bbi Bbi.
—Mas o Bbi Bbi, na verdade, é mais velho do que eu.
Asiel tirou pequenos pedaços de carne seca do bolso, deu-os a Bbi Bbi e acrescentou:
—E, acima de tudo, Bbi Bbi não é uma pessoa. Ele não pode jogar bola comigo nem treinar esgrima.
Quando Bbi Bbi inclinou a cabeça, Asiel se corrigiu apressadamente.
—Claro, não quero dizer que estou decepcionado com você, Bbi Bbi. Você está fazendo o seu melhor como meu irmão.
Só então os irmãos Arbon, que haviam percebido o desânimo de Asiel, se aquietaram discretamente. Senika, observando a situação enquanto comia bolo, perguntou:
—Mas irmãos mais novos têm que ser feitos pela mamãe e pelo papai. Você já falou com eles?
Asiel soltou um suspiro. Não era como se ele não tivesse tentado conversar com o pai.
No entanto, a resposta que recebeu foi…
“Isso é um pouco problemático.”
“No dia em que você nasceu, enquanto olhava para você, fiz uma promessa.”
“Prometi que te daria todo o amor que eu pudesse.”
Foi uma decisão tomada pela culpa de não ter sido bom para ele em sua vida passada e pelo amor ao filho que havia retornado carregando as lembranças de um passado doloroso.
No entanto, Asiel, que não tinha como conhecer o coração do pai, continuava desejando um irmãozinho.
“Eu estou disposto a ceder parte do amor do papai para o meu irmãozinho.”
Embora ceder tudo fosse um pouco problemático.
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