Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 136. O Erro Fatal
Na minha vida anterior, como desconhecia o funcionamento exato dos círculos mágicos, mantive-me afastado de Bleier sem hesitar. Eu temia que a simples proximidade desestabilizasse meu mana e provocasse uma perda de controle.
Por essa razão, a abandonei enquanto ela estava grávida e parti para o castelo de Delmark.
Após uma investigação minuciosa, descobri que se tratava de uma marca ligada à segunda restrição; no entanto, mesmo depois de retornar à capital, fui forçado a me afastar de Bleier para tentar eliminar seus sentimentos por mim.
Agora sei que o simples fato de estar ao lado dela já não desestabiliza meu poder.
Também sei que machucá-la não servirá para apagar o que ela sente por mim.
Ainda assim, eu não queria mais que ela tremesse de frio por um motivo tão insignificante. Uma única vez já foi suficiente para cometer tamanha estupidez.
Ao retornar ao quarto, fui recebido por uma rajada de ar gélido. As criadas provavelmente haviam aquecido o ambiente antes, mas o calor já havia quase desaparecido por completo.
Herdin acendeu a lareira e se aproximou de Bleier. Como esperado, ela dormia.
Ele observou distraidamente o rosto sereno da mulher e estendeu a mão com cautela até sua bochecha. Seus dedos tremiam levemente.
A pele suave sob seu toque estava quente. A respiração que escapava de seus lábios levemente entreabertos era ritmada e viva.
Ela estava viva.
Como um milagre.
Ao lembrar repentinamente do dia em que Bleier morreu, a respiração de Herdin vacilou por um instante antes de se estabilizar.
No passado, ele não pôde tocá-la por medo de que seu poder a ferisse. Pesadelos intermináveis com a imagem de seu pai e sua mãe o atormentavam.
Mas aquele pesadelo era um fardo que ele deveria carregar sozinho. Nada disso podia servir de desculpa para fazê-la sofrer com o frio.
Ele percebeu essa verdade tarde demais. Somente depois de tê-la perdido.
Nesta vida, ele não permitiria que esse milagre fosse destruído.
Depois de observá-la em silêncio por um longo tempo, Herdin finalmente fechou os olhos quando o crepúsculo do amanhecer começou a se desfazer, enquanto a abraçava.
Quando seus olhos se fecharam, Bleier abriu os seus em silêncio sob o céu da madrugada.
Seus olhos violetas, tingidos pela penumbra azulada, pareciam frios… ou talvez tristes.
Sentindo o calor em suas costas, Bleier piscou lentamente e voltou a fechar os olhos.
Logo pela manhã, Miela visitou a vila nos arredores acompanhada pelos cavaleiros de Nereha devido ao colapso da propriedade relatado no dia anterior.
Os cavaleiros que chegaram ao local estalaram a língua.
— Uau… desabou completamente. Se alguém estivesse aqui, seria impossível sobreviver.
Na noite anterior, devido ao ataque repentino de mortos-vivos, a notícia do acidente só chegou tarde.
Como tentar resgatar vítimas no escuro poderia causar mais baixas, os cavaleiros foram enviados apenas pela manhã.
Ao saber disso, Miela decidiu ir voluntariamente ao local.
Ela abriu caminho entre os escombros da vila destruída. Os cavaleiros tentaram impedi-la.
— Sacerdotisa, por favor, fique aqui. Provavelmente não há sobreviventes. Pode se machucar.
— Está tudo bem. Se algumas almas já retornaram ao lado de Deus, é meu dever rezar por elas.
“Um anjo… um verdadeiro anjo.”
Elogios a seguiam naturalmente.
Enquanto isso, a busca continuava até que um dos cavaleiros gritou:
— Encontrei um corpo!
Logo outro gritou:
— Aqui tem mais dois!
Enquanto os corpos eram retirados, descobriram algo estranho sob os escombros: um círculo mágico com resíduos de mana negro.
— Subcomandante… isso não é…
— Sim. Isso pode não ter sido um simples desabamento.
Enquanto analisavam a situação, Miela notou algo entre os destroços.
Era a mão de um homem.
— Há um sobrevivente!
Acordado por um pesadelo, Herdin levantou-se cedo.
A imagem de seus pais mortos se misturava com a de Bleier.
Dessa vez, era ele quem a havia matado.
Ele saiu para o balcão e acendeu um cigarro.
Seu pensamento voltou ao culpado da vida anterior.
A família imperial.
Se eles realmente estavam envolvidos…
Mas, mais do que raiva, o que sentia era medo por Bleier.
De novo.
A família dela a estava ferindo novamente.
Bleier então apareceu no balcão.
— Herdin. Vamos conversar.
Ela insistiu em sair, mesmo ele tentando levá-la para dentro. No fim, ele a cobriu com um casaco e saiu com ela.
Durante o passeio, ela foi direta:
— Você vai procurar quem me matou, não é? Quero falar sobre isso.
E então disse:
— Eu sei quem me matou. Foi o cavaleiro Calrigo.
A intenção assassina de Herdin explodiu no ar.
— Mas alguém o manipulou… talvez minha mãe ou meu irmão.
Herdin riu amargamente.
Ele já suspeitava disso.
Mas percebeu algo com clareza.
Que talvez, se tivesse contado tudo antes…
Ela não teria se machucado.
Que tê-la subestimado foi seu erro fatal na vida anterior.
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