Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 138. Período de Graça
—Foram encontrados três cadáveres. No entanto, estavam tão horrivelmente mutilados que dizem ser difícil identificar quem eram. Havia algum sacerdote escoltando Sua Santidade?
Naquele momento, havia quatro pessoas na vila.
Gerard e Mikhail, que permaneciam no porão, e dois subordinados de Gerard que guardavam o local.
O fato de terem encontrado três corpos significava que, além dos subordinados, Mikhail também havia morrido.
Ao receber a notícia, os cantos dos lábios de Gerard se ergueram levemente.
— Não. Todos os que morreram ali pertencem ao lado do mal.
— Que alívio!
Miela sorriu radiante, cheia de alegria.
Mesmo que fossem pessoas malignas, ainda assim era um tanto estranho vê-la se alegrar tanto com uma notícia de morte.
Enquanto Gerard pensava no que faria a seguir, Miela voltou a falar com um tom sugestivo.
— Aliás, a eliminação dos magos negros ainda não terminou, certo?
Gerard a olhou com desconfiança.
Não era exatamente uma “eliminação de magos negros”, mas era verdade que o trabalho dele ainda não havia terminado. A intenção por trás daquela pergunta o incomodava.
Miela sorriu levemente e foi direta.
— Acho que posso ajudar Sua Santidade.
— Eu vi alguém com um círculo mágico negro gravado no corpo.
Enquanto dizia isso, suas pupilas douradas brilhavam de forma inquietante.
No final do outono, o vento já estava frio, embora o sol ainda mantivesse seu calor.
Depois do almoço, Bleier saiu para caminhar levando Bbi Bbi.
As criadas tinham recomendado que ela descansasse, já que o ataque dos mortos-vivos havia acontecido apenas no dia anterior.
Mas Bleier ignorou os avisos e foi ao jardim. Como seu corpo estava pesado, tudo o que podia fazer era sentar em um banco.
Ainda assim, sorria suavemente ao observar Bbi Bbi correndo animado por todo lado.
Herdin, que a observava da janela, lembrou das palavras que ela havia dito no dia anterior.
“Quando tudo isso terminar, vamos nos separar.”
Ela ainda o amava.
Quando recuperou suas memórias, ele não conseguiu entender o desejo dela de se afastar, mesmo ainda amando-o.
Mas quando a viu falar sobre a separação com uma expressão de alívio, entendeu tarde demais.
Se ela consegue pedir separação mesmo me amando… quão profunda foi a ferida que eu causei?
“Eu acredito que isso é o melhor para nós dois.”
Ela disse que era pelo bem dele.
Só então ele entendeu.
Que aquelas palavras aparentemente nobres eram, na verdade, frias e egoístas.
Palavras que concediam “permissão” enquanto ignoravam o dano causado ao outro.
Agora ele queria reverter tudo. Queria segurá-la.
Mas água derramada não volta ao copo.
Ele só pôde ficar parado, como alguém incapaz de reagir a um recipiente tombado.
Quando tudo isso terminar.
Ou seja, aquele era o período de graça que ela lhe concedia.
Não era tempo de reconquistar seu coração, mas de aceitar a perda.
…Ele se sentia sufocado.
Justo quando levou a mão à garganta, a porta foi batida e a voz de Ruth soou.
— Está na hora.
Ele tinha um almoço marcado com o senhor de Nereha.
Após verificar o relógio, Herdin vestiu o casaco e saiu.
Enquanto descia, ordenou:
— Diga a Calrigo para ir às planícies de Elir.
— Ao sir Calrigo? Não seria mais rápido enviar cavaleiros da capital?
— Há muitas bestas mágicas lá. É melhor alguém competente.
Mas havia outro motivo.
Se ele interrogasse ou executasse Calrigo diretamente, o verdadeiro responsável poderia agir por outros meios.
E Bleier ficaria em perigo.
— E coloque alguém confiável para vigiá-lo.
Ruth entendeu a intenção e assentiu.
Ao sair da mansão, Herdin encontrou Bleier voltando do passeio.
Eles se encararam em silêncio.
Ela o cumprimentou com calma, sem vestígios de ressentimento.
E isso o sufocou ainda mais.
Quanto tempo restava daquele “período de graça”?
Ele passou por ela e entrou na mansão.
Depois do almoço, recebeu outra informação:
— Foi encontrado um enorme círculo mágico negro no porão da vila…
Reimondeu falava com um cavaleiro quando Herdin entrou.
Ao ouvir aquilo, Herdin estreitou os olhos.
Mortos-vivos, círculos mágicos negros… tudo parecia estar ligado a Bleier.
Mas ele fingiu não saber nada.
Depois do almoço, saiu e ordenou a Ruth em voz baixa:
— Investigue o colapso da vila de ontem. Discretamente.
Enquanto isso, Bleier tentava conter Bbi Bbi, que bagunçava o quarto.
De repente, sentiu o bebê se mover violentamente.
Assustada, segurou a barriga.
O bebê crescia rápido. E seus movimentos também.
Mesmo com dor, ela sorria.
Era sinal de vida.
Cansada, deitou-se.
Bbi Bbi, como se entendesse, se aproximou e encostou na barriga dela.
— Você também está esperando o bebê?
Ela sorriu e acariciou o animal.
Mas então pensou.
Ela havia decidido separar Herdin… sem considerar o bebê.
“Eu estou realmente fazendo isso pelo bem deles?”
Uma sombra surgiu em seus olhos.
Bateram na porta.
— Senhora, o sacerdote chegou.
Miela entrou sorrindo.
— Como está se sentindo?
— Melhor, graças a você.
Mas o sorriso dela desapareceu em um instante.
E ela foi direto ao ponto:
— Então… o que acha de deixar o lado de Sua Excelência agora?
Comentários