Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 153. Apenas nós dois
Desde aquele dia, Herdin instalou definitivamente seus pertences na casa de Bleier.
Ao se estabelecer ali, os funcionários que o serviam começaram a visitá-lo com naturalidade. Por causa disso, a casa, que já era modesta, tornou-se ainda mais movimentada.
Por essa razão, Rina, encarregada da limpeza, estava com os nervos à flor da pele. Em um lugar onde até mesmo Bleier precisava andar com cuidado, o fluxo constante de pessoas de fora impedia que o chão secasse completamente.
Diferente da mansão do duque, que permanecia sempre aberta, o fato de ter que descer pessoalmente para abrir a porta cada vez que alguém chegava contribuía para irritar ainda mais seu humor.
No entanto, hoje, como já era de se esperar, apareceu uma visitante inconveniente.
—Haha, olá.
Ruth, que recebeu um olhar fulminante e aparentemente sem motivo de Rina ao ter a porta aberta, cumprimentou com um sorriso forçado.
Mas, ao contrário do ditado de que não se pode cuspir no rosto de quem sorri para você, Rina lançou-lhe um olhar visivelmente irritado.
Ela apontou para os sapatos de Ruth, que estavam cobertos de neve.
Só então Ruth compreendeu o motivo daquele olhar penetrante e sacudiu a neve de seus calçados.
Depois de pedir desculpas a Rina, subiu para o segundo andar quase fugindo. Ao que parecia, encontrou Bleier, pois ouviu-se a voz dela cumprimentando-a docemente.
“Bem, enquanto a senhora estiver feliz, isso basta.”
Pensando assim, Rina limpou mais uma vez, minuciosamente, o lugar por onde Ruth havia passado, certificando-se de que nem a menor gota de umidade colocasse Bleier em perigo.
Deixando para trás o olhar glacial de Rina, Ruth subiu para ver Herdin e ouviu algo totalmente inesperado.
—Estou pensando em tirar uma folga do trabalho por uns dois meses.
—Preciso ficar ao lado de Bleier. Este é o momento mais difícil.
Ruth ficou atônita diante das palavras de Herdin.
Mas o quê? Se alguém ouvisse isso, pensaria que Bleier e ele viviam separados. Ela tinha acabado de ver que Bleier estava no quarto ao lado.
—Mas o senhor já está ao lado dela.
—Quero dizer que não devo me separar dela nem por um instante sequer. Dizem que, se você não fizer isso quando sua esposa está grávida, ela vai jogar isso na sua cara pelo resto da vida. Tenha isso em mente você também.
Se fosse resumido em poucas palavras, Herdin estava alegando com total seriedade que não queria trabalhar.
Se lembrasse de como ele parecia estar morrendo em vida apenas quinze dias atrás, seu estado atual era muito melhor, mas…
—Como assim descansar? Não é como se fosse Vossa Excelência quem vai dar à luz.
Essas palavras não surtiram efeito em Herdin. Se ele descansasse, quem teria de carregar toda a responsabilidade seria ela, em seu papel de assistente.
Além disso, era impossível administrar tudo sem a presença do senhor feudal.
—E se disser que vai descansar, acho que a senhora será a primeira a se preocupar.
Quando Ruth mencionou Bleier, Herdin soltou um suspiro e não voltou a tocar no assunto. Em vez disso, abriu a caixa de charutos que estava sobre a mesa; no entanto, a caixa estava vazia.
Naquela pequena casa, não havia absolutamente nenhum lugar onde pudesse fumar seus charutos sem incomodar Bleier.
Por isso, havia decidido aproveitar a oportunidade para abandonar o hábito por completo e esvaziou a caixa, para não fumar nem mesmo se a abrisse por costume.
Não era fácil largar os charutos da noite para o dia quando consumia mais de dez por dia, mas toda vez que abria a caixa e abraçava Bleier, recuperava sua força de vontade.
Mas agora, Bleier estava no quarto ao lado.
Toc, toc. Sem falta, os sintomas de abstinência chegaram, e seu desconforto, sem ter como ser aliviado, manifestou-se em seus dedos tamborilando sobre a mesa.
Sem prestar atenção àquilo, Ruth, depois de fazê-lo assinar e organizar um a um os documentos urgentes, falou:
—A propósito, o senhor não pensou em se mudar para Ribren?
—Para Ribren?
—Como falta pouco para o parto, acho que viajar até a capital seria um fardo para a senhora, então me parece melhor que fiquem confortavelmente em Ribren. Também seria ideal para supervisionar o progresso da construção do porto.
Herdin não desgostava da vida naquele vilarejo.
Embora a casa, o quarto e a cama fossem pequenos, usava isso como desculpa para ficar ainda mais grudado em Bleier.
Como estavam bem distantes de Ribren, Ruth não aparecia com tanta frequência, o que lhe permitia passar mais tempo com ela.
E, acima de tudo, ele adorava as pequenas rotinas diárias, incluindo os passeios que faziam duas vezes ao dia, de manhã e à tarde, com Bleier.
No entanto, como Ruth dizia, pensando em um parto seguro para Bleier, o correto era ir para Ribren.
Ao notar que Herdin refletia mais do que o esperado, Ruth soltou um suspiro e confessou o verdadeiro motivo de sua sugestão de mudança.
—E além disso, a criada da senhora diz que me olha feio por sujar o chão.
Aquela mulher dá medo.
Herdin curvou o canto dos lábios, parecendo satisfeito com isso.
Para o azar de Ruth, da perspectiva de Herdin, essa era mais uma das razões pelas quais ele gostava daquela pequena casa.
Naquela noite, enquanto estava deitado na pequena cama abraçando Bleier, Herdin perguntou se ela preferia ir para Ribren ou se desejava dar à luz naquele lugar.
Ele pensava que, considerando a segurança e o conforto de Bleier, o lógico seria ir para Ribren, mas não queria impor sua vontade sobre ela.
Havia prometido que, dali em diante, conversaria, refletiria e decidiria tudo junto com ela.
—Para Ribren?
Diante da pergunta inesperada, Bleier piscou, refletiu por um momento e perguntou de volta.
—Hmm… E você, o que quer fazer?
—Da minha parte, eu gostaria que você estivesse mais confortável em Ribren.
Mas, afinal, a opinião dele sobre o lugar onde ela residiria realmente importava?
Como Ruth dizia, não era ele quem daria à luz nem quem passaria pelas dificuldades físicas.
—O importante é a sua vontade.
Quanto à parteira, isso era um problema que se resolvia trazendo uma de Ribren para ficar disponível o tempo todo.
Portanto, ele pretendia seguir inteiramente o desejo de sua esposa. O fato de ela estar tranquila era sua prioridade absoluta.
Ao ver que a escolha recaía totalmente sobre ela, Bleier mergulhou em seus pensamentos. Seus pequenos lábios, levemente projetados enquanto refletia, pareciam adoráveis.
Enquanto a observava em silêncio, justo quando Herdin não conseguiu resistir e tentou tocar aqueles lábios com o dedo, Bleier finalmente decidiu. Para a decepção dele.
—Então, vamos ficar aqui mais quinze dias antes de irmos.
Bleier envolveu suavemente a bochecha de Herdin com a mão, olhou em seus olhos e acrescentou:
—Eu gosto de estarmos só nós dois neste vilarejo tranquilo.
Ao dizer isso, as pupilas violetas de Bleier se curvaram como luas crescentes em um sorriso.
Herdin sentiu como se tivesse levado uma pancada na cabeça diante daquelas palavras.
Como essa mulher podia pensar assim?
Achou adorável perceber o quanto ela valorizava o tempo que passavam a sós.
Herdin não conseguiu desviar o olhar de Bleier enquanto saboreava aquelas palavras.
Só nós dois.
Estritamente falando, eles não estavam sozinhos, mas era verdade que passavam muito mais tempo em intimidade do que quando estavam na mansão.
“Quando o bebê nascer, o tempo para nós dois inevitavelmente diminuirá.”
E se realmente dispensasse todas as criadas e cozinheiras, e passasse quinze dias sozinho com ela naquela casa? Se o assunto fosse cuidar dela, ele poderia fazer tudo sozinho.
Dormir abraçados, acordar tarde, cozinhar juntos, comer, passear e, se sentissem vontade, desejar um ao outro em qualquer canto daquela pequena casa…
Só de pensar nisso, sentia que enlouqueceria de prazer. As preocupações de Ruth deixaram de importar completamente.
Ao ver que Herdin não demonstrava nenhuma reação particular e permanecia em silêncio, Bleier, intrigada, piscou e olhou para ele.
—Você não quer?
Ao encontrar seus olhos, Herdin finalmente saiu de sua imaginação. Se sua inocente esposa descobrisse que tipo de fantasias impuras haviam passado por sua mente, certamente ficaria horrorizada.
Para evitar que Bleier interpretasse mal suas intenções, assentiu rapidamente.
—Não, como poderia? Vamos fazer assim.
Só então Bleier sorriu radiante, como se tivesse ficado aliviada. Depois, acariciou sua bochecha e sussurrou:
—Obrigada por conversar isso comigo.
—Não me elogie por algo tão óbvio. Você vai me mimar.
—Não é fácil para uma pessoa mudar. Isso merece elogio. Então, o que eu faço quando quiser te elogiar?
Herdin olhou fixamente para os olhos dela, que brilhavam sob a luz da lamparina, e então desviou o olhar para seus lábios.
Para aqueles lábios avermelhados que o estavam tentando fazia algum tempo.
—Me beije.
Diante de um pedido tão explícito, Bleier semicerrrou os olhos rapidamente. Parecia que nem precisava ouvir o que ela diria em seguida; algo sobre como o significado do elogio desapareceria…
Antes que Bleier pudesse abrir a boca, Herdin cobriu os lábios dela com os seus. Bleier, embora parecesse surpresa por um momento, acabou sorrindo como quem aceita a derrota e correspondeu ao beijo.
O beijo, que começou com leves toques brincalhões, tornou-se rapidamente ardente à medida que suas respirações se entrelaçavam. Ao mesmo tempo, a mão de Herdin começou naturalmente a acariciar o ventre dela.
Toda vez que se beijavam ou mantinham um contato físico sugestivo, ao acariciar sua barriga, ele sentia uma estranha sensação de transgressão, como se o bebê os estivesse observando.
E o rosto de sua esposa, envergonhada por esse fato, também contribuía para estimular seu desejo.
Sentindo que a respiração de Bleier se acelerava gradualmente, Herdin afastou seus lábios.
Os olhos de Bleier, tão próximos e febris pelo calor, e seus lábios vermelhos umedecidos por uma saliva que já não se sabia de quem era, eram belíssimos.
Ele sempre pensara isso, mas mais uma vez adorou aquela pequena cama que os mantinha tão unidos, permitindo-lhe sentir ainda melhor o calor dela.
Herdin a abraçou novamente e voltou a unir seus lábios aos dela.
Nesse momento, como se o bebê entre os dois estivesse com ciúmes das demonstrações de afeto entre seu pai e sua mãe, houve um movimento fetal. Ao senti-lo ao mesmo tempo, ambos separaram os lábios e caíram na risada.
Herdin beijou novamente Bleier, que ria feliz, e sussurrou.
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