Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 137. O Quebra-Cabeça que Não se Encaixa
Herdin, amargurado pelas decisões tolas de sua vida passada, percebeu de repente que a suposição que havia feito sobre Bleier e sobre si mesmo estava errada.
Diante de seus murmúrios, que sugeriam que ele havia compreendido algo da conversa anterior, Bleier o observou com curiosidade.
Herdin a encarou desta vez com firmeza e falou.
— Quem te matou não foi sua mãe.
— Como você pode ter tanta certeza?
— Porque foi Calrigo quem encontrou as provas que demonstravam a conexão entre o incêndio do palácio da imperatriz e a Imperatriz durante o julgamento.
Na vida anterior também havia sido assim. O fato de Herdin ter conseguido chegar a um acordo final com Katarina naquela época também se deveu às provas que Calrigo havia encontrado.
Bleier piscou, surpresa com suas palavras. Herdin acrescentou:
— Se aquele homem fosse subordinado da Imperatriz, ele não teria me entregado essas provas, teria as destruído.
Quem mais poderia guardar rancor contra Delmark?
Imerso em pensamentos com um olhar gélido, Herdin observou Bleier e entendeu que havia chegado o momento de revelar o círculo de magia negra.
Assim como ambos haviam descoberto que Calrigo e Katarina não tinham ligação durante a conversa, ela poderia saber coisas que ele desconhecia. E acima de tudo…
Ele não queria machucá-la escondendo a verdade sob o pretexto de protegê-la, como fizera em sua vida passada.
— Acredito que a mente por trás de tudo isso seja provavelmente a mesma pessoa que lançou a magia negra sobre você e sobre mim.
— Você provavelmente também sabe disso. Sobre o poder de Delmark.
Herdin explicou brevemente a Bleier.
Que no passado, os descendentes de Delmark, que herdaram o poder da besta divina, podiam usar uma força que ultrapassava os limites estabelecidos.
Que a besta divina, preocupada com o possível abuso desse poder, impôs como restrição o sacrifício da vida da pessoa amada em troca de seu uso.
Que, por causa disso, um ancestral que perdeu seu ente querido desistiu de ultrapassar esses limites e removeu essa restrição.
E que, no entanto, alguém utilizou magia negra para impor novamente essa restrição sobre os dois.
Enquanto continuava a explicação, Herdin parou e tocou a clavícula de Bleier, onde estava gravado o círculo de magia negra. Ao contato repentino de seus dedos, Bleier se estremeceu involuntariamente.
Herdin continuou falando enquanto a observava.
— O que está gravado aqui é essa marca.
As pupilas de Herdin se dilataram enquanto observava a delicada clavícula dela, e seus olhos tremiam levemente.
Bleier então perguntou, como se tivesse acabado de entender algo:
— Você me manteve afastada por causa disso? Por medo de que seu poder me machucasse?
A voz de Bleier era calma, como se reprimisse as emoções, mas em seus olhos havia um ressentimento impossível de esconder.
Herdin permaneceu em silêncio.
Ele não conseguia compreender.
Se era perigoso, mais razão ainda havia para ter contado. Se era um problema de ambos, deveriam tê-lo resolvido juntos.
Mas ele não fez isso.
No fim, para ele, ela não passava de uma joia a ser protegida para não ser arranhada. Não uma parceira igual.
Enquanto o observava, Bleier lembrou de um livro de magia que já havia visto em seu estudo.
Magia do tempo.
Ao lembrar disso, as peças do quebra-cabeça de suas dúvidas finalmente se encaixaram.
— …Foi você quem me salvou.
Herdin novamente não respondeu.
Depois de descobrir que ele a havia feito voltar no tempo, surgiu a dúvida que a acompanhava desde que retornara ao passado.
— E o que aconteceu com Asiel?
Seu bebê, que deveria ter ficado sozinho após perder a mãe.
Mesmo enquanto morria e depois de acordar novamente, aquela criança não saía de sua mente.
— O que aconteceu com aquela criança…?
Diante da pergunta, o olhar de Herdin vacilou. Ele ficou em silêncio por um momento antes de falar.
— Logo depois que você morreu… ele perdeu o controle.
Bleier sentiu que não precisava ouvir mais nada para entender.
Se ele perdeu o controle, não haveria como reverter aquilo. Exceto pelo suicídio.
Portanto, aquele menino que perdeu a mãe também perdeu o pai e ficou sozinho. Em um tempo onde não havia ninguém.
Ao perceber isso, lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Bleier.
— Mesmo assim, você deveria ter ficado ao lado dele até o fim.
— Você… era o pai daquela criança…
Herdin olhou em silêncio para Bleier, que o encarava com ressentimento, e sorriu amargamente. Sentiu um nó na garganta, porque até aquele rosto sem sorriso ainda lhe parecia belo.
Ele finalmente falou:
— Eu não tinha confiança para suportar esse mundo sem você.
Aqueles olhos brilhantes que o olhavam. As bochechas levemente coradas. Até mesmo aquela voz doce chamando seu nome.
Só de mencionar a morte de Bleier, as lembranças daquele momento vieram com força. Só de lembrar, sentia o coração se despedaçar e sufocar.
Engoliu suas emoções e continuou.
Bleier tentou dizer algo, mas acabou engolindo as palavras em silêncio.
Ela sabia que emoções não podiam ser controladas facilmente. E também sabia que, numa situação onde tudo já havia sido perdido, a única escolha dele foi voltar ao passado.
Mas ainda assim…
Pensar na criança que ficou sozinha fazia seu coração não apenas se encolher, mas se despedaçar. Mesmo sabendo que era inevitável, o ressentimento a seguia como um peso.
Mesmo que o bebê em seu ventre agora fosse Asiel, ainda poderia ser considerado o mesmo menino que ela deixou para trás?
Enquanto reprimia suas emoções diante de uma realidade irreversível, Bleier percebeu de repente:
Que ele e ela, no fim, nunca poderiam se encaixar.
Era verdade que ele a ferira, mas não se podia dizer que seu desejo de protegê-la estivesse errado. Eles apenas eram diferentes.
Se tentassem forçar peças de um quebra-cabeça que não se encaixam, se desgastando repetidamente, algum dia se encaixariam? Isso seria realmente o melhor para ambos?
No fim, Bleier falou.
Herdin a observou em silêncio enquanto ela o chamava com voz calma, como alguém disposto a ouvir qualquer coisa.
Mas as palavras que saíram de sua boca eram algo que ele não queria aceitar.
— Quando tudo isso terminar… vamos nos separar.
As pupilas de Herdin se agitaram violentamente.
Ele deveria dizer algo, mas nenhuma palavra saiu.
Porque a expressão dela parecia aliviada, como alguém que finalmente encontrou a resposta para um problema que não conseguia resolver há muito tempo.
— Ah, você já recuperou a consciência?
A primeira coisa que Gerard viu ao recobrar os sentidos foram os olhos de Miela, que verificava seu estado.
No começo, ele franziu a testa sem reconhecê-la, mas logo a imagem dela voltou à sua memória.
Era uma das sacerdotisas do templo que ele já havia visto ocasionalmente.
Como havia muitas sacerdotisas, não lembrava de todas, mas Miela era conhecida entre sacerdotes e fiéis por sua beleza excepcional e atos de bondade.
Gerard falou com a garganta seca.
— Você me reconhece!
Miela sorriu alegremente.
— Onde estou? Não pode ser a capital.
— É a mansão do senhor de Nereha. Você estava muito ferido, então o trouxemos para cá.
Gerard se levantou imediatamente, apesar da dor intensa no corpo.
— Ainda não deve se mover. Eu curei seus ferimentos, mas houve uma grande perda de sangue. Precisa descansar.
Ignorando o aviso, ele examinou o quarto rapidamente.
Era um quarto luxuoso, embora pequeno. Um quarto de hóspedes de uma mansão nobre.
Miela explicou:
— Tivemos que esconder sua identidade. Não pudemos preparar algo maior.
Gerard franziu o cenho, mas logo sorriu satisfeito.
— Você tomou uma decisão muito sábia, sacerdotisa Miela.
Ela sorriu aliviada.
— Fico feliz em poder ajudar.
Ela então lhe ofereceu água e perguntou:
— Sua visita secreta é para capturar o mago negro, certo?
Gerard parou.
Seus pensamentos voltaram ao colapso do edifício e à batalha com Mikhail.
Ele não sabia se o inimigo ainda estava vivo.
“Será que aquele homem morreu?”
Ele aguardou a resposta de Miela.
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