Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 148. Vou me acostumar
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Bleier despertou ao ouvir o canto dos pássaros.
No entanto, ao sentir o ar fresco, afundou novamente sob as cobertas. Era bom estar envolvida no calor aconchegante do edredom.
Depois de permanecer encolhida por um momento, Bleier se ergueu ao ouvir mais uma vez o trinado das aves.
Justo então, sentiu que o bebê em seu ventre também havia despertado, movendo-se levemente.
Bleier acariciou a barriga e o cumprimentou.
— Olá, pequeno. Você também dormiu bem?
Depois de conversar um momento com o bebê, Bleier levantou-se da cama e abriu a janela. Embora o dia estivesse fresco, a brisa matinal era agradável.
Assim como o céu limpo, sem uma única nuvem.
— Está um bom tempo.
De Ribren até Ikar havia um trajeto de três ou quatro horas de carruagem. Não era um caminho tão longo, mas para uma mulher grávida em estágio avançado, era um itinerário exaustivo.
Por isso, depois de chegar, ela passara os últimos três dias descansando em casa e ainda não tivera a oportunidade de passear pela vila.
“Hoje devo dar uma olhada pela vila.”
E também levar Bbi Bbi para passear, já que ele devia estar sufocado por ficar preso no quarto.
Bleier arrumou a cama, fechou a janela e desceu para o primeiro andar. Das escadas, os sons pacíficos da manhã, misturados ao tilintar dos utensílios de cozinha, chegavam harmoniosamente.
Ao entrar na cozinha, uma mulher de meia-idade que preparava a comida a cumprimentou.
— Ah, já acordou?
— Dormiu bem, Nilda?
Nilda era uma criada que ela contratara em Ikar.
Como se sentia confortável com a pessoa que já a servia antes, quis chamar Anna novamente, mas Anna era uma pessoa de Mikhail, e sentiu que não deveria fazê-lo. Se não soubesse dos sentimentos dele, seria uma coisa, mas agora que sabia, parecia ainda menos possível.
— Claro. A senhorita também descansou bem?
— Eu já disse para não me chamar de senhorita.
Nilda soltou uma gargalhada ao ver Bleier constrangida pelo tratamento.
— Mas é que você é jovem demais para eu chamar de senhora. Quando o bebê nascer, mesmo que eu a chame de senhorita, ninguém vai notar.
Bleier sorriu, admitindo sua derrota.
Pelo que havia percebido nos poucos dias em que estavam juntas, Nilda possuía uma personalidade calorosa e afetuosa. Apesar de terem passado apenas alguns dias juntas, Bleier gostava daquela mulher, que tinha idade para ser sua tia.
— Há algo em que eu possa ajudar?
— Ora, uma mãe nesse estado ajuda simplesmente comendo bem e descansando bem. Por favor, sente-se.
Diante do gesto de Nilda recusando sua oferta, Bleier, que estava prestes a sentar-se à mesa, congelou ao notar a lareira acesa na sala. Seu coração disparou, começando a bater com força.
Justo quando sua respiração começava a ficar ofegante, de repente ouviu uma voz em suas lembranças.
Assim como aquela voz lhe ensinara certa vez, foi recuperando o fôlego lentamente.
Nesse instante, Nilda, que trazia a comida, olhou estranhamente para Bleier, que permanecia imóvel, e se assustou ao seguir seu olhar até a lareira.
— Céus, como sou distraída! Eu queria apagá-la antes e acabei esquecendo… Me desculpe, senhorita.
Só então Nilda se apressou para apagar o fogo. Bleier segurou seu braço.
Embora ainda não conseguisse desviar os olhos da lareira, sua respiração gradualmente se estabilizou.
Bleier forçou um leve sorriso para mostrar que estava bem e acrescentou:
— Acho que estou bem.
Depois de tranquilizar a assustada Nilda, Bleier sentou-se e encarou a lareira fixamente. Olhar para o fogo aceso era algo que antes ela sequer conseguiria imaginar.
“Será resultado das práticas para acender fogo que fiz com Herdin?”
Ao pensar que agora era capaz de lidar com o fogo, o sentimento de terror diminuiu consideravelmente.
Embora ele já não estivesse mais ao seu lado, o que ele lhe ensinara permanecia em suas lembranças, protegendo-a.
Ao perceber esse fato, sentiu uma pontada no peito. No entanto, logo saiu de seus pensamentos quando o preparo do café da manhã terminou.
Bleier terminou de comer enquanto ouvia Nilda falar sobre a vila.
Depois, justamente quando estava prestes a subir para o segundo andar com carne crua para Bbi Bbi, ouviu-se de repente uma batida na porta e a voz de uma mulher.
Bleier piscou e olhou para a porta.
Ela não conhecia ninguém na vila, então não deveria haver ninguém vindo visitá-la.
Ao ver que Nilda estava lavando a louça, Bleier deixou o recipiente com a comida de Bbi Bbi e se adiantou.
— Eu vou ver.
Ao olhar pela janela ao lado da porta, viu duas mulheres paradas ali. Como estavam próximas à entrada, não conseguia distinguir claramente seus rostos.
“Mas por que essa voz parece tão familiar…?”
Sentindo uma estranha sensação de déjà vu, Bleier abriu a porta e só então compreendeu a origem daquela sensação.
Os olhos de Bleier se arregalaram de surpresa ao confirmar a identidade das visitantes.
Atrás de uma Rina à beira das lágrimas, também estava Melli, exibindo uma alegria silenciosa.
Rina, que estava prestes a abraçar Bleier efusivamente entre soluços, parou bruscamente ao ver sua barriga proeminente. No instante seguinte, começou a chorar de novo.
— Não pode ser, já está quase na hora! Quanto você deve ter sofrido sozinha!
— Como vocês vieram parar aqui…?
Em vez de Rina, que chorava agarrada ao pescoço de Bleier, foi Melli quem respondeu com um sorriso, de trás.
— Sua Excelência nos enviou.
Ao mesmo tempo, Rina também respondeu.
— Já não temos para onde ir. Vou viver com a senhora para sempre!
Diante da birra de Rina, Melli soltou uma risadinha e acrescentou discretamente:
— Para ser exata, não é que fomos despedidas, apenas mudaram nosso local de trabalho.
Bleier ficou dividida entre a alegria de vê-las e a sensação de que não podia simplesmente se alegrar.
“Já que decidi me divorciar de Herdin, não queria continuar tendo dívidas com ele…”
No entanto, diante das duas pessoas que haviam percorrido um longo caminho para encontrá-la, a alegria foi mais forte.
Como se lesse os pensamentos de Bleier, Rina a olhou cautelosamente e perguntou:
— Você não vai nos mandar embora… vai?
Ao ver o olhar ansioso de Rina, Bleier acabou aceitando seus sentimentos.
O desejo de estar com elas era muito maior do que qualquer questão relacionada a Herdin.
Bleier sorriu, admitindo sua derrota, e deu tapinhas nas costas de Rina.
— Bem-vindas, vocês duas.
Só então largos sorrisos iluminaram os rostos de Rina e Melli.
— Então, por favor, aguardem um momento.
O criado deixou a xícara de chá e saiu da sala de recepção. Herdin encarou fixamente seu próprio reflexo na xícara antes de beber.
No dia seguinte à partida de Bleier da mansão de Ribren, ele adiantou sua agenda prevista para a semana seguinte e retornou imediatamente à capital.
Sentia que, se permanecesse mais tempo ali, voltaria a procurá-la, ignorando a promessa que fizera.
Tanto em sua vida passada quanto na atual, durante duas vidas inteiras, priorizara seus próprios sentimentos e impusera seus desejos sobre ela, justificando-se com a desculpa de que fazia aquilo por seu bem.
Portanto, se a separação era o desejo dela, agora ele precisava respeitá-lo, mesmo que seu coração se despedaçasse.
… Sim, certamente deveria ser assim.
Enquanto pensava nisso e se sentia patético ao perceber que, inconscientemente, continuava pensando nela, a porta da sala de recepção se abriu.
— Parece que você emagreceu um pouco, seja pela longa viagem ou por ter enfrentado uma grande batalha.
Essas foram as primeiras palavras de Ivan, que analisou rapidamente a aparência de Herdin.
— Agradeço sua preocupação.
Herdin respondeu em tom seco enquanto lhe entregava os documentos que resumiam o incidente. Ivan, que a princípio folheava os papéis com desinteresse, franziu a testa.
Após compreender os fatos — como Gerard ter provocado a morte do antigo Duque Delmarque e de sua esposa simulando um acidente, o uso de magia negra e Miela ter caluniado Bleier para colocá-la contra Nereha — Ivan deixou os documentos sobre a mesa.
— Eu já tinha a sensação de que o Papa não era alguém confiável… Meu instinto não falhou. Era um homem muito mais sinistro e perigoso do que imaginei. Por pouco uma guerra não explodiu.
Ao contrário de suas palavras de alívio, seus olhos demonstravam decepção.
E não era para menos, já que o que ele mais desejava era obter os portos de Nereha por meio de uma guerra contra Kulania.
No entanto, quem atacou Nereha primeiro foi Gerard, e devido às intrigas de Miela, o confronto terminou sendo entre Nereha e Herdin, de modo que a responsabilidade recaía sobre o Templo, e não sobre Nereha.
Herdin ignorou a ganância de Ivan e mencionou o destino de Miela.
— Pretendo levar a sacerdotisa a julgamento assim que as deliberações com o Templo terminarem.
— Terei de discutir isso com o Templo também. Não podemos perdoar uma traidora que ousou provocar uma guerra só porque serve a Deus.
Ivan precisava de um meio para demonstrar imparcialidade em sua relação com Kulania e, do ponto de vista do Templo, Miela era uma peça que não valia a pena proteger ao custo de enfrentar o Imperador.
Portanto, Miela seria punida como traidora.
Se tivesse sorte, terminaria como escrava curandeira na zona fronteiriça; se tivesse azar, seria condenada à morte.
Era o castigo merecido para aquela mulher.
— A propósito, me disseram que Bleier não veio com você.
Uma vez encerrado o assunto do incidente, Ivan mudou de tema. Possivelmente, era o tema que ele mais esperava.
— A essa altura, a barriga dela deve estar bem avançada, então imagino que uma viagem tão longa teria sido difícil. Ela disse que planeja dar à luz em Ribren?
Diante da existência do sobrinho que poderia prender Delmark, os olhos de Ivan brilharam de ganância.
Herdin, que observava fixamente aqueles olhos, falou.
— Minha esposa deseja o divórcio.
Ivan pareceu surpreso com a notícia inesperada, mas logo exibiu um sorriso relaxado.
Quanto mais Bleier desejasse o divórcio, mais Herdin desejaria que ele impedisse aquilo.
— Parece que aquela garota ainda continua dizendo bobagens. Eu falarei com ela e a convencerei, então não se preocupe.
— Não é necessário.
Herdin cortou friamente as palavras de Ivan.
— Pretendo respeitar a vontade da minha esposa.
Só então a expressão de Ivan se contraiu ao compreender a intenção de Herdin.
Herdin fez menção de colocar a mão no bolso interno, mas parou, abaixou a mão e se levantou.
— Eu o visitarei quando os documentos estiverem prontos.
Saiu da sala de recepção, deixando para trás Ivan, que soltava uma risada incrédula.
Ao subir na carruagem, ouviu-se um leve amassar em seu bolso interno. Herdin retirou o objeto.
Era o pedido de divórcio que Bleier havia redigido. Já continha até sua assinatura.
Contemplou o documento fixamente, suspirou e fechou os olhos com irritação.
Claramente, ele havia prometido aceitar o divórcio com ela.
Então… o que é que eu quero fazer agora?
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