Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 107: O Início de Um Dia Pacífico
A paisagem do jardim que se estendia além da varanda estava tingida pelas cores vibrantes do outono.
Já haviam se passado dois meses desde que Bleier partira.
A essa altura, sua barriga já devia estar consideravelmente maior. À primeira vista, qualquer um perceberia que ela estava grávida. Dormir à noite provavelmente se tornara desconfortável, e talvez o bebê já estivesse se mexendo.
E ao lado dela… deveria haver outro homem.
Alguém que não era ele.
No instante em que imaginou Bleier sorrindo feliz nos braços de outro, o sangue de Herdin pareceu congelar.
Ao mesmo tempo, o maná dentro dele começou a se agitar violentamente.
Sentindo aquela energia se contorcer fora de controle, Herdin cravou os dentes com força na própria mão esquerda.
Seus dentes perfuraram a palma, e o sangue começou a escorrer.
Ainda assim, seu olhar permaneceu glacial, como se já estivesse acostumado àquela dor.
O maná era extremamente sensível às emoções.
Especialmente às destrutivas — como raiva ou intenção assassina.
Isso era ainda mais severo nos descendentes da família Delmark, que nasciam com reservas de maná muito acima da média e, por isso, possuíam mais motivos para usar tal poder.
Como preço por possuírem uma força superior à das pessoas comuns, viviam constantemente sob o risco de perder o controle.
Por essa razão, os herdeiros de Delmark aprendiam desde a infância a dominar emoções e fluxo de energia.
Herdin também dominara isso cedo.
Por isso, normalmente não se abalava por incidentes banais.
Mas desde o desaparecimento de Bleier…
Controlar o maná fervendo junto de suas emoções havia se tornado extremamente difícil.
Sempre que isso acontecia, ele se feria deliberadamente.
Transformava emoções incontroláveis em dor física.
E assim, estabilizava o maná.
Como prova disso, além da palma recém-mordida, marcas antigas de mordidas ainda não completamente curadas permaneciam em sua mão.
Pouco a pouco, o maná agitado se acalmou.
E então, em sua mente fria, surgiu mais uma vez a pergunta que permanecera sem resposta pelos últimos dois meses:
Desde o começo… foi um amor unilateral.
Mesmo assim, isso nunca importou.
Ele acreditava que poderia valorizá-la mais.
Que poderia fazê-la feliz.
Que poderia amá-la.
Por isso acreditou…
Que, se vivessem juntos, algum dia ela também passaria a amá-lo.
Era nisso que acreditava.
Então… por quê?
Por que escolheu aquele bastardo?
Eu posso te fazer mais feliz do que aquele homem que não tem nada.
Posso te valorizar mais.
Posso te amar muito mais.
Ele não conseguia aceitar.
Não conseguia aceitar que ela o tivesse deixado.
Que ela não o amasse.
Sentia que, se parasse de procurá-la, seria obrigado a reconhecer e aceitar os verdadeiros sentimentos dela.
E por isso…
Não podia parar.
Não…
Era porque não queria parar.
Herdin encarou fixamente o sangue vermelho escorrendo por sua mão.
Estranhamente, quanto mais a dor aumentava…
Quanto mais sangue derramava…
Mais suas emoções ferventes pareciam se acalmar.
Sentindo o gosto metálico do sangue no canto dos lábios, observou tudo com indiferença.
Quando a escuridão começou a se alongar a seus pés, ele finalmente se levantou.
Estancou o sangramento de forma rudimentar com um lenço.
E deixou o quarto.
No chão, além das gotas recém-caídas, permaneciam antigas manchas de sangue já secas.
Quando chegava a época da colheita, também aumentava o número de pessoas que desejavam fazer doações ao templo.
E junto com isso, muitas damas da alta sociedade visitavam o local para respirar novos ares.
Naquele dia, como de costume, acontecia um encontro de damas no pátio dos fundos da grande catedral.
Como sempre, conversavam sobre fofocas sociais.
E, quando os assuntos se esgotaram, trouxeram à tona o tema mais comentado dos últimos dois meses.
— A propósito, dizem que ainda não encontraram a esposa do duque Delmarque?
— E onde encontrariam? Fugiu grávida de outro homem. É óbvio que, se for pega, virará motivo de chacota para todo o império. Não vai se deixar capturar facilmente.
— Que pena do duque.
— Pena? Nada disso. Basta esperar completar três meses desde o desaparecimento da duquesa, divorciar-se unilateralmente e escolher outra esposa.
Pelas leis do Império Ardel, se o paradeiro do cônjuge permanecesse desconhecido por três meses, era possível solicitar o divórcio unilateral.
— O verdadeiro prejudicado foi Sua Majestade, que queria harmonia com a família Delmarque. O prestígio imperial também foi manchado por ter uma irmã tão imoral.
— Agora que você falou… é verdade. Provavelmente Sua Majestade nunca imaginou que aquela princesa tão recatada estivesse se envolvendo com outro homem pelas costas.
— Mudando de assunto… quem vocês acham que será a próxima esposa do duque Delmarque?
— Não faço ideia… Mas seja quem for, terá uma vida difícil. Depois de ser traído por uma princesa aparentemente tão modesta, a família Delmarque vai investigar a futura noiva em todos os sentidos.
— A esta altura, até sinto pena da senhorita Rachel.
As damas riram atrás de seus leques.
Então perceberam alguém se aproximando.
No instante em que o reconheceram, silenciaram imediatamente.
— Sobre o que conversam com tanto entusiasmo?
Era o papa Gerard.
As damas abriram sorrisos constrangidos.
Sentiam-se um tanto envergonhadas por estarem fofocando sobre a desgraça alheia diante do benevolente pontífice.
— Estávamos apenas comentando sobre como o mundo anda. Para mulheres que quase não saem de casa, notícias são nosso único entretenimento. A propósito, Sua Santidade conduzirá a missa de hoje?
— Já que tantas pessoas ilustres vieram, gostaria que celebrássemos juntos.
Mudando o assunto com naturalidade, Gerard as dispensou.
As damas partiram discretamente em direção à capela.
No instante em que observou suas costas se afastando…
O sorriso benevolente desapareceu.
Sua expressão tornou-se fria.
Já fazia dois meses desde que Bleier desaparecera após provocar tamanho escândalo.
“Mulher inútil.”
Assim que soube da notícia, Gerard se enfureceu.
A primeira coisa que fez foi verificar se o vínculo que criara entre Herdin e Bleier permanecia intacto.
Não sabia se o escândalo era real.
Mas, felizmente, o vínculo ainda existia.
E continuava válido até agora.
Mesmo assim… isso não bastava.
Para concluir a tragédia que planejara para a família Delmarque…
Os dois precisavam se reencontrar antes que esse vínculo desaparecesse.
Gerard espalhou agentes por todo o continente em busca de Bleier.
Mas, ao contrário do esperado, encontrá-la estava sendo difícil.
Ela evitava ser descoberta como se previsse que ele a perseguiria.
Mesmo que Bleier — que acreditava cegamente que ele era seu salvador — não tivesse como saber disso.
Ainda assim…
Já estava na hora de encontrá-la.
Foi justamente quando sua paciência começava a se esgotar que um sacerdote se aproximou apressado.
— Encontramos a duquesa.
Nereha.
Uma cidade portuária situada a leste do reino de Kulania.
Em um local com ampla vista para o mar, havia uma pequena casa.
Era uma escola primária onde as crianças da vila aprendiam idiomas estrangeiros.
Como Nereha possuía rotas marítimas para outros continentes, estrangeiros circulavam constantemente por ali.
Por isso, dominar línguas estrangeiras era essencial.
Assim, os moradores fundaram uma pequena escola e contrataram professores.
Mas, para as crianças…
Continuava sendo apenas estudo.
E estudo era algo detestável.
— Ah, eu não quero ir para a escola. E se a gente faltasse para brincar?
Um dos três garotos que caminhavam pela costa bocejou exageradamente.
O menino de óculos se assustou.
— Minha mãe me arrastaria até lá pessoalmente. Eu não vou faltar.
— Tsc. Sem coragem nenhuma.
O garoto estalou a língua e se virou para o menino de cabelos negros ao lado.
Tinha certeza de que Chris apoiaria sua ideia.
Apesar de ultimamente estar estranho, Chris sempre fora o líder das travessuras.
Mas a resposta foi inesperada:
— Eu vou.
— Hein?
— Se você quer matar aula, vá sozinho, Peter.
Chris respondeu friamente e seguiu adiante rumo à escola.
Nos braços, carregava um livro do idioma comum do Império Ardel.
Peter arregalou os olhos.
— Ei, Robin… O que aconteceu com o Chris ultimamente? Por que ele virou outra pessoa?
Robin respondeu como se fosse óbvio:
— Hoje é aula do idioma imperial.
— Você não sabe? Ele gosta da nova professora.
— Por isso anda estudando tanto.
Peter ficou horrorizado.
“Mas… a professora é uma adulta! Uns dez anos mais velha!”
Como alguém podia gostar de uma adulta?!
Incapaz de compreender, apenas balançou a cabeça e seguiu com Robin.
Chris, que chegou primeiro, já cumprimentava a nova professora de forma absurdamente educada — algo que Peter e Robin jamais tinham visto.
Quando os dois se aproximaram, a professora virou a cabeça e sorriu brilhantemente.
— Bem-vindos, Peter. Robin.
— Olá, professora!
Ao encontrar aquele sorriso radiante de Bleier, Peter ficou estranhamente envergonhado.
— Ah… oi.
Só então…
Ele entendeu um pouco Chris.
De fato…
A nova professora de idioma imperial era mais gentil e bondosa do que qualquer adulto que conheciam.
E também…
A pessoa mais bonita que já tinham visto em seus curtos onze anos de vida.
Logo, as outras crianças começaram a chegar uma a uma.
Enquanto Bleier as recebia, o sino distante da torre anunciou o horário exato.
Bleier abriu a porta da escola.
— Crianças, vamos entrar para a aula?
As crianças correram para dentro.
Bleier foi a última a entrar.
Antes, porém, lançou um último olhar para fora.
Como sempre…
O mar azul ondulava tranquilamente.
Observando aquela paisagem por um instante, Bleier sorriu suavemente.
E então fechou a porta.
Era o começo de mais um dia pacífico.
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